Cá, de minha casa,
Ouço o gavião piar:
Livre!, livre!, livre!...
II. DE BASHÔ
Tanque antigo e manso!!
Uma rã num salto alcança.
Som de expansão d'água.
I.
II
Malaventurados
Os mansos de coração
Deles não é o Mundo.
I.
Consciência negra:
A única cor que me importa
É o cinza do córtex.
II.
O preço de um homem :
O ouro vale tanto quanto
Pesa o seu caráter.
III.
Usar coração
Pra julgar, há de lembrar
Que há mais que Amor.
IV.
Amor é A Certeza,
O que sobra é tão somente
O vazio da Vida.
V.
Comprei quanto quis
Por isso estou feliz:
Coração de crédito.
VI.
O tributo do Homem
É o seu penar. O atributo
Do Homem é a coragem.
VII.
Quero ser o dono
Do teu Corpo. Mas a Mente
Esta há de ser livre.
VIII.
Minha alma está plena:
Sou feliz. A ninguém firo,
Ninguém também me machuca.
IX.
Raiva muito longa
E/ou saudade muito curta
É amor que em si falta.
X.
Entre mim e o nada
Há a imensa certeza que
Sofro, logo existo.
XI.
Gozar e sofrer
Resumem nosso viver
O resto é criar
XII.
Poetar a Vida
E viver a Poesia
São os meus Mandamentos
XIII.
Poesia: Certeza
Que as palavras se combinam
Pra se tornar almas
XIV.
Fama não tem quem
Estampa a Caras. Mas vem
Nos livros de História.
XV.
Pingado bem pardo
Adoçado e já coado:
Cara, Alma, Passado.
XVI.
As palavras servem
Pra viver: amar; lutar.
Tiranos te calam.
XVII.
Sou monista estrito:
Só há alma e nada mais, Nada!
Provem-me o contrário.
XVII.
Sou monista estrito:
Só há alma e nada mais, Nada!
Provem-me o contrário.
XVIII.
Sou poeta, amada,
Se não me queres, te quero
Como uma palavra.
XIX.
Tudo é contingente
Andamos sem fundamentos
À beira do abismo
Malaventurados
Os mansos de coração
Deles não é o Mundo.
III
Folha de papel:
Amar é não esquecer.
Escrever, lembrar.
IV
O melhor adubo
Pro crescimento do PIB
É sangue do pobre.
V.
Poetas de rua
Pichações para palavras
Pedras por papel.
Pichações para palavras
Pedras por papel.
VI.
Só é livre quem
Se Revolta. Só é livre
Quem luta e (e)labora.
VII.
Jogue tua rede
Para o Céu e venha ser
Pescador de mim.
VIII.
Os teus olhos cortam
Como Musashi. Desprezo
É cortante lâmina.
IX.
Eu sou condenado
A perecer na Esperança.
Pode vir a dor.
X.
Quem quer que inventou
A Revolução, também
Inventou a Dança.
XI.
Cumpra o seu Dever
E às míninas alegrias
Se dê bravamente!
XII.
Presidente pode
Ser preto, porém a Casa
Sempre será Branca.
XIII.
Não sei se acredito
Em Deus, mas eu creio no
Padre Lancelotti.
XIV.
A Vida é existência
A Deusa é essência do Humano
Gente é consciência.
XV.
No meio do nada,
Você procura por tudo.
Eis da vida o ciclo.
XVI.
O rei é uma ilha:
É cercado de traíras
Por todos os lados.
XVII.
Cante pra eu dormir
Com essa dulcíssima voz
De um anjo caído.