terça-feira, 19 de julho de 2011

Time que enfrentará o líder Corínthians nesta quarta-feira 20-07-2011

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Time confirmado e escalado para amanhã, com Caio aberto na direita. O Botafogo e o Corínthians usarão o mesmo esquema tático, 4-2-3-1, fluindo para o 4-2-1-3. Com isso Caio Jr. tentará quebrar o apoio do lateral esquerdo paulista, e com isso ganhará mais incisividade ao colocar um atacante de verdade na terceira linha, ganhará velocidade, ganhará drible, ganhará em criatividade.
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Caio, mesmo sendo destro, joga fazendo diagonais e sabe buscar muito bem a linha de fundo, essencial já que o lateral direito não apoia e quando o faz, faz deficitariamente. A esquerda, por sua vez, perderá o que tinha de bom, a aproximação entre lateral e extremo, com velocidade e jogadas de fundo, mas com os dois titulares no estaleiro (Cortês e Éverton, respectivamente), o técnico optou por colocar um jovem da base na posição "6".
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Esta escolha mostra um movimento atemorizado pelo fator "3 atacantes" do adversário. Laterais defensivos que apoiam pouco a fim de manter uma base defensiva bem sólida. O apoio, desta feita, deverá ser feito pelo estreante da noite: Renato, fazendo o Box-to-box pelo meio e pela direita.
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O lado esquerdo, no entanto, continuará sem o apoio devido - não acredito que Caio Jr. irá liberar Mattos para apoiar pela esquerda -, o que isolará Maicosuel, talvez aí se concretize outro problema para o Mago. A dupla Maicosuelkeson, no entanto continuará pronta, e é esperado intensa troca de posições entre os dois. A posição do desenho suponho que surja apenas nos movimentos defensivos e de transição, durante o momento de ataque, Maicosuel deverá cair pelo meio e Elkeson vir pela esquerda, sobretudo para permitir que Elkanhão tenha a perna livre para soltar seu chute potente.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

RENATO ESTREIA, COMO JOGARIA O BOTAFOGO?

O ótimo reforço alvinegro Renato estreará na próxima rodada -- num jogo adiado do Domingo para a Quarta-Feira em virtude do jogo do Brasil e da des-virtude do calendário da CBF, em horário ainda a definir dependendo ou não da classificação da seleção canarinha neste fim de semana -- contra o ainda líder do campeonato Corinthians, que tem uma série de jogos atrasados pelo calendário deficitário do futebol brasileiro -- tema que já tratei no início do ano em virtude do início dos estaduais --. 
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Caio Jr. já sinalizou como deverá jogar o selecionado alvinegro carioca, manterá o seu 4-2-3-1 (ou como venho chamando-o neste espaço: 4-W-1). Com a baixa do extremo esquerdo Éverton e a perda inevitável da velocidade por este setor, somada à lesão de Cortês, o até agora contestado paraibano Márcio Azevedo deve assumir a posição "11", deixando o jovem Lucas Zen como lateral esquerdo, embora atuando mais como lateral-zagueiro (ou lateral-base) do que lateral apoiador. 
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Sinceramente não gosto desta solução, a opção por um ala -- seja ele Lucas, Cortês e agora com Márcio Azevedo -- na posição extrema, embora válida pelas características dos jogadores -- o clássico exemplo seria Bale, do Tottenham, lateral esquerdo que hoje pode ser considerado um dos cinco melhores extremos esquerdos do mundo, outro exemplo seria o lateral/meia Michel Bastos, ou o próprio Éverton que ficou conhecido nacionalmente jogando de ala esquerdo pelo Flamengo --, não casou bem com o Botafogo, em nenhuma vez quando usada esta opção o Botafogo venceu.
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Mantendo-se a opção, como ficaria o desenho do Botafogo (no meu campinho manterei a posição "6" e ''11" em aberto)? Primeiramente Elkeson continuará no meio invertendo com Maicosuel. Nos últimos jogos foi possível ver que, com a saída de Éverton -- que sempre avança usando o corredor na esquerda --, a dupla Maicosuelkeson assumiu as três posições da terceira linha: esquerda, centro e direita; embora respeitando um posicionamento inicial, ele não era guardado, sobretudo quando o time fazia a transição ofensiva (contragolpe), o belíssimo lance de Maicosuel que resultou numa defesa incrível de Marcelo Lomba, no último jogo contra o Bahia, foi típico de ponta-esquerda. A dupla da segunda linha (Marcelo Mattos e Renato) deverão jogar levemente inclinada, Mattos deverá fazer a compensação defensiva para que Renato possa chegar à frente com bastante tranquilidade.
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É necessário, neste momento, lembrar que Renato, bicampeão brasileiro pelo Santos atuando como segundo-volante, jogou no Sevilla muitas vezes num 442 ortodoxo (duas linhas de quatro jogadores) e foi muito feliz atuando como box-to-box -- posição de meia-central, uma espécie de segundo volante, responsável pela articulação central do time com passes e lançamentos para as pontas e para área, além de chegar à frente em busca do rebote ofensivo, jogando, assim, de "área-a-área" como indica o seu nome --. Sua liberdade em aparecer na frente vai e DEVE ser mantida, afinal é um dos requisitos básicos do 4-W-1, ou do 4-2-1-3, para evitar o isolamento e falta de opção de passe do ponta-de-lança central do tridente de meias.
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Uma segunda opção é a utilização de um terceiro volante. Neste sentido, Renato deverá ser adiantado para atuar na terceira linha, como articulador central, o time aproveitando-se de sua qualidade de passador. Esta opção me agrada porque jogaria Elkeson para uma das pontas, e a movimentação dele com Maicosuel seria privilegiada por um passador qualificado que não precisaria se mover tanto, tendo sempre um pivô à frente, e dois velocistas -- também dribladores, passadores e finalizadores -- passando a todo instante à sua frente. Esta opção me desagrada pois não acredito que Renato tenha a CRIATIVIDADE necessária para fazer o passe que quebre defesas, embora ele tenha a QUALIDADE deste passe, faltaria o inusitado que um Maicosuel poderia criar, ou um outro "10", que, hoje no Brasil, vemos na figura de Paulo Henrique Ganso, função que o torcedor alvinegro tem em grande monta e em espaço privilegiado em seu coração, desde Didi e Gérson, até Mendonça, Paulinho Criciúma, Sérgio Manoel e Lúcio Flávio (em seu melhor momento pelo Botafogo, entre 2006 e 2008). Este jogador criativo falta ao elenco glorioso, e fica o questionamento se Felipe Menezes serviria à função no nível competitivo exigido pela torcida do Botafogo.
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A terceira opção ficaria no meio termo. Primeiramente a mudança de estrutura no time. Sai o W no meio e entra um M. Neste 4-3-2-1, ou Christmas Tree ("Árvore de Natal") talvez seja a MELHOR opção hoje para o Botafogo. PRIMEIRO: O posicionamento de Renato à direita da segunda linha (no desenho, os três volantes formam uma linha curva de diamante, daí o nome em inglês do meio de quatro em forma de losango, ao contrário do que muita gente acredita, nem toda linha é reta), lhe dará a liberdade necessária para chegar à frente como precisa, além de aproveitar ao máximo sua qualidade de passe, dando-lhe cinco opções de passes imediatas: 1. o lateral que passa ao seu lado; 2. o volante mais defensivo atrás; 3. o terceiro volante à esquerda; 4. Maicosuel e 5. Elkeson que estariam à sua frente ou cruzando de lado, ou centralizados, ou abrindo como pontas. SEGUNDO: Possibilitaria grande mobilidade à Maicosuelkeson, o 7 teria a opção de cair mais no meio, como prefere, abrir na direita, como deseja o técnico ou inverter e disparar para a esquerda, da mesma forma o 9 poderia movimentar-se, a rotação seria constante. 
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Caio Jr. cogitou este desenho para encaixar seus três volantes principais (nessa época Arévalo ainda era do time, e o atual imbroglio de sua saída ainda não existia). É uma opção a se pensar, mas aí teria que mudar a mente do treinador que tem o 4-2-3-1 como seu esquema favorito.
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sábado, 2 de julho de 2011

NÃO CHORO POR TI, ARGENTINA

Jogar mal é sempre uma opção, sempre. Incompetência não. Na sua estreia em casa a Argentina foi extremamente incompetente na abertura desta Copamérica em casa, não era um time jogando mal, era um time cheio de erros.
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A Espanha foi campeã do Mundo perdendo o primeiro jogo. A Alemanha de Beckembauer (1974) foi campeã perdendo o primeiro jogo, assim como a Inglaterra de Bobby Charlton (1966) estreou muito mal. Mas em todos os casos eram times prontos, com propostas de jogo muito bem definida e que jogaram mal. Jogar mal, afinal, é sempre, sempre uma opção.
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Cometi um erro também, ao acreditar que o “Novo-Verón” Banega seria capaz de fazer a ligação, “enganchar” o meio e o ataque. Não só foi incapaz de fazê-lo como foi o protagonista do gol boliviano ao tentar matar uma bola fraquinha – desviada de calcanhar pelo brasileiro naturalizado boliviano Edvaldo numa cobrança de escanteio – e deixá-la passar lentamente sob seu pé esquerdo.
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A Argentina se desesperou, a hinchada emudeceu – não achei que eu NÃO fosse ouvir a hinchada portenha – e o time que já vinha mal, piorou. No primeiro tempo, sem o enganche – o que me deixa incrédulo, afinal país nenhum do mundo produz mais enganches que a Argentina, até nós, brasileiros, andamos importando os homens de ligação de La, vide Conca e Montillo – a obrigação era toda de Messi de fazer o passe vertical e diagonal para Lavezzi e Tévez.
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Esperava-se a Argentina jogando o futebol do Barcelona, o desenho era idêntico, mas não era funcional. O Porto joga neste desenho, mas ele tem Guarín, “8” clássico, que sabe defender, mas principalmente dar o passe vertical e diagonal que se precisa. Barcelona joga com um triângulo de base alta no meio, mas não com 3 volantes como no desenho portenho, e sim com 2 meias. O mais importante deles, no entanto, é Xavi, fazendo este papel de “8”, responsável por este passe. Messi volta, no seu papel de falso nove, buscando o jogo para a infiltração, auxiliando neste passe, mas nunca é o responsável direto – ou único – por ele.
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No primeiro tempo o super-craque (gênio?) argentino foi até bem, fazendo fila, deixando os pontas em situação de marcar, mas nenhum deles foi competente o suficiente para fazê-lo – o passe que Tévez recebeu é sintomático, numa jogada praticamente idêntica ao primeiro gol do título santista da Libertadores, Neymar foi capaz de marcar, Tévez não –.
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No segundo tempo foi pior, com o time modificado e Di Maria no lugar de Cambiasso, a Argentina passou a ter um desenho que, para mim, ficou indefinido: seria um 4-2-4 ou um 4-2-1-3, com Messi de enganche? A reposta para esta pergunta é simples: seja qual tenha sido o desenho, Tévez tirou o espaço de Messi e Batista matou o 10. Dos quatro fundamentos mais básicos do futebol (marcação, passe, drible e finalização) Messi é acima da média em três deles (marcação não é bem o seu forte), na posição que passou a jogar no segundo tempo foi alijado de dois para concentrar-se só no passe. Longe da área, sua capacidade de finalização era inútil, e encaixotado dentro da segunda linha de quatro boliviana, sempre com marcação dupla antes de chegar na bola, o drible era impossível – talvez, ali, só Garrincha –. El 10 fez bem sua função exigida, deu passes, distribuiu o jogo, não se escondeu, mas não foi Messi, e não tinha como ser.
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Para Messi ser Messi ele tem que jogar na FUNÇÃO de Messi, não na POSIÇÃO de Messi. Messi precisa de um auxiliar no passe (um Xavi, ou um Iniesta) e um auxiliar na finalização (seja ele um Villa ou um Eto’o). Faltou isso na seleção. E quando Batista teve a chance de consertar seu erro aumentou-o, empurrando Tévez para o centro da área, tirando todo o espaço para a progressão de Messi.
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Por outro lado as entrados foram ótimas, Di Maria deu velocidade e contundência na esquerda que Tévez não conseguiu dar. Na direita, a entrada de Agüero no lugar do péssimo Lavezzi diminuiu a velocidade do time, mas aumentou a qualidade. A albiceleste só foi perigosa realmente nos cruzamentos certeiros de Angel Di Maria, e inclusive duma delas saiu o gol portenho, o 7 recebeu o passe do bom lateral esquerdo, levantou a cabeça e botou no ótimo Zanetti, que poderia ter cabeceado direto, matado e chutado, mas não, deu uma assistência linda de peito para Agüero fuzilar num belo voleio e empatar o jogo. É incrível que mesmo com a idade, o galã da camisa 8 ainda tenha aquele fôlego todo, sem falar da qualidade técnica incontestável, e fico imaginando por quê não foi pra Copa do Mundo!
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A ausência de um articulador central foi tão sentida que na maior parte do jogo, mesmo com domínio de posse de bola superior a 60%, o time argentino jogava à base do chutão, isto é, para quem tinha o modelo catalão, de passes curtos, indo e voltando, o tique-taca, e acreditava que poderia ser implantado sem maiores ressalvas na realidade do toco y voy portenho – o que eu ainda acredito – os chutões é um desperdício de posse, é uma falta de criatividade. Para piorar, o grau de nervosismo após os 30 do segundo tempo estava tão alto que Gabriel Milito, não muito conhecido por sua técnica, começou a jogar de líbero, vindo de trás e ELE armando o jogo com avanços progressivos em velocidade e passes curtos e diretos. Onde estava o enganche argentino? Estava no banco e atendia pelo nome de Pastore.
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Mantendo mesmíssimo desenho, Pastore poderia entrar muito bem na vaga de Banega, afinal, para quê três volantes se, na maior parte do tempo, o 5 (Cambiasso) encontrava-se à frente de Messi, para quê três volantes se Banega sempre carregava a bola para fazer a ligação à frente. Dê-se essa função a quem de direito.
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E fico me questionando. Para que tantos atacantes e tantos volantes se a grande peça argentina sempre foi o enganche que está ausente da seleção?
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Será Batista o Dunga deles?