quinta-feira, 14 de julho de 2011

RENATO ESTREIA, COMO JOGARIA O BOTAFOGO?

O ótimo reforço alvinegro Renato estreará na próxima rodada -- num jogo adiado do Domingo para a Quarta-Feira em virtude do jogo do Brasil e da des-virtude do calendário da CBF, em horário ainda a definir dependendo ou não da classificação da seleção canarinha neste fim de semana -- contra o ainda líder do campeonato Corinthians, que tem uma série de jogos atrasados pelo calendário deficitário do futebol brasileiro -- tema que já tratei no início do ano em virtude do início dos estaduais --. 
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Caio Jr. já sinalizou como deverá jogar o selecionado alvinegro carioca, manterá o seu 4-2-3-1 (ou como venho chamando-o neste espaço: 4-W-1). Com a baixa do extremo esquerdo Éverton e a perda inevitável da velocidade por este setor, somada à lesão de Cortês, o até agora contestado paraibano Márcio Azevedo deve assumir a posição "11", deixando o jovem Lucas Zen como lateral esquerdo, embora atuando mais como lateral-zagueiro (ou lateral-base) do que lateral apoiador. 
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Sinceramente não gosto desta solução, a opção por um ala -- seja ele Lucas, Cortês e agora com Márcio Azevedo -- na posição extrema, embora válida pelas características dos jogadores -- o clássico exemplo seria Bale, do Tottenham, lateral esquerdo que hoje pode ser considerado um dos cinco melhores extremos esquerdos do mundo, outro exemplo seria o lateral/meia Michel Bastos, ou o próprio Éverton que ficou conhecido nacionalmente jogando de ala esquerdo pelo Flamengo --, não casou bem com o Botafogo, em nenhuma vez quando usada esta opção o Botafogo venceu.
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Mantendo-se a opção, como ficaria o desenho do Botafogo (no meu campinho manterei a posição "6" e ''11" em aberto)? Primeiramente Elkeson continuará no meio invertendo com Maicosuel. Nos últimos jogos foi possível ver que, com a saída de Éverton -- que sempre avança usando o corredor na esquerda --, a dupla Maicosuelkeson assumiu as três posições da terceira linha: esquerda, centro e direita; embora respeitando um posicionamento inicial, ele não era guardado, sobretudo quando o time fazia a transição ofensiva (contragolpe), o belíssimo lance de Maicosuel que resultou numa defesa incrível de Marcelo Lomba, no último jogo contra o Bahia, foi típico de ponta-esquerda. A dupla da segunda linha (Marcelo Mattos e Renato) deverão jogar levemente inclinada, Mattos deverá fazer a compensação defensiva para que Renato possa chegar à frente com bastante tranquilidade.
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É necessário, neste momento, lembrar que Renato, bicampeão brasileiro pelo Santos atuando como segundo-volante, jogou no Sevilla muitas vezes num 442 ortodoxo (duas linhas de quatro jogadores) e foi muito feliz atuando como box-to-box -- posição de meia-central, uma espécie de segundo volante, responsável pela articulação central do time com passes e lançamentos para as pontas e para área, além de chegar à frente em busca do rebote ofensivo, jogando, assim, de "área-a-área" como indica o seu nome --. Sua liberdade em aparecer na frente vai e DEVE ser mantida, afinal é um dos requisitos básicos do 4-W-1, ou do 4-2-1-3, para evitar o isolamento e falta de opção de passe do ponta-de-lança central do tridente de meias.
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Uma segunda opção é a utilização de um terceiro volante. Neste sentido, Renato deverá ser adiantado para atuar na terceira linha, como articulador central, o time aproveitando-se de sua qualidade de passador. Esta opção me agrada porque jogaria Elkeson para uma das pontas, e a movimentação dele com Maicosuel seria privilegiada por um passador qualificado que não precisaria se mover tanto, tendo sempre um pivô à frente, e dois velocistas -- também dribladores, passadores e finalizadores -- passando a todo instante à sua frente. Esta opção me desagrada pois não acredito que Renato tenha a CRIATIVIDADE necessária para fazer o passe que quebre defesas, embora ele tenha a QUALIDADE deste passe, faltaria o inusitado que um Maicosuel poderia criar, ou um outro "10", que, hoje no Brasil, vemos na figura de Paulo Henrique Ganso, função que o torcedor alvinegro tem em grande monta e em espaço privilegiado em seu coração, desde Didi e Gérson, até Mendonça, Paulinho Criciúma, Sérgio Manoel e Lúcio Flávio (em seu melhor momento pelo Botafogo, entre 2006 e 2008). Este jogador criativo falta ao elenco glorioso, e fica o questionamento se Felipe Menezes serviria à função no nível competitivo exigido pela torcida do Botafogo.
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A terceira opção ficaria no meio termo. Primeiramente a mudança de estrutura no time. Sai o W no meio e entra um M. Neste 4-3-2-1, ou Christmas Tree ("Árvore de Natal") talvez seja a MELHOR opção hoje para o Botafogo. PRIMEIRO: O posicionamento de Renato à direita da segunda linha (no desenho, os três volantes formam uma linha curva de diamante, daí o nome em inglês do meio de quatro em forma de losango, ao contrário do que muita gente acredita, nem toda linha é reta), lhe dará a liberdade necessária para chegar à frente como precisa, além de aproveitar ao máximo sua qualidade de passe, dando-lhe cinco opções de passes imediatas: 1. o lateral que passa ao seu lado; 2. o volante mais defensivo atrás; 3. o terceiro volante à esquerda; 4. Maicosuel e 5. Elkeson que estariam à sua frente ou cruzando de lado, ou centralizados, ou abrindo como pontas. SEGUNDO: Possibilitaria grande mobilidade à Maicosuelkeson, o 7 teria a opção de cair mais no meio, como prefere, abrir na direita, como deseja o técnico ou inverter e disparar para a esquerda, da mesma forma o 9 poderia movimentar-se, a rotação seria constante. 
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Caio Jr. cogitou este desenho para encaixar seus três volantes principais (nessa época Arévalo ainda era do time, e o atual imbroglio de sua saída ainda não existia). É uma opção a se pensar, mas aí teria que mudar a mente do treinador que tem o 4-2-3-1 como seu esquema favorito.
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