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domingo, 22 de junho de 2014

UM LUGAR VAZIO, ou cadê meu 10?

Vire e mexe: cadê o dez? Mexe e vira: onde está o homem da criação? A Seleção Brasileira vai mal: faltou quem pense o jogo!

Mas talvez o problema seja este mesmo: Qual é a nossa referência de 10? Pelé e Zico são os que me vêm mais rapidamente. Mas ao vê-los em vídeo não reconheço neles o que os ingleses, que por falta de nomenclatura exata para jogador deste tipo, chamam de função do número 10 (number 10 role).

Pelé sobretudo. É um atacante driblador e carregador de bola, que jogava mais dentro de área do que dando os passes para quem está entrando. Guardadas as devidas proporções, mais próximo de um Cristiano Ronaldo do que de um Xavi.

Quem tinha a função de criação nos três primeiros campeonatos mundiais eram Didi e Gérson, números 8, o que antigamente chamávamos de meia-armador. 

A Copa em que Pelé fez mais assistências do que gols foi a de 1970, justamente aquela cujo sistema tático era mais próximo do 4-2-3-1 moderno do que o 4-2-4 (ou 4-3-3) em que jogava no Santos e na Seleção durante os anos 50 e 60.

O mesmo pode se dizer de Zico em 1982: quem fazia a função de meia-central naquele 4-2-3-1 (4-2-2-2) era Sócrates, número 8.

Rivaldo em 2002 era muito mais atacante, funcionando melhor à borda da grande área; Ronaldo Assis e Kaká também têm esta característica de carregar a bola, driblar e finalizar, mas que, com a cabeça levantada e com a qualidade acima da média que possuem, podem achar um passe para um jogador mais bem colocado. 

O 10, portanto, tornou-se o símbolo do nosso futebol completo, total: alguém que dribla, finaliza de dentro da área ou arremata de média distância e, quando alguém se posicionar melhor, faz a assistência.

Nesse sentido, Neymar realmente cai bem nesta função, e é com ele pelo centro que a Seleção de Scolari apresentou os melhores repertórios.

Nós não temos um Özil, um Hazard, ou um Fábregas para convocar, jogadores que criem situações de gol e façam passes chave. O jogador mais próximo a esta característica que temos na seleção é Hernanes, um 8 clássico.

O que realmente sentimos falta é de um jogador que posicionado nos 3/4 do campo possa dar o passe final, algo mais ao estilo de um Zidane, um Platini, um Maradona.

A ausência tanto deste antigo armador que possuíamos e que não há mais, ou desse 10, também ficou acentuado pela troca do 4-3-3 pelo nosso 442 (4-2-2-2) que transformou o 8 em destruidor e na dupla de meias em carregadores de bola que tentam, desafortunadamente, ligar a defesa e o ataque, algo que não acontece no 442 argentino (4-3-1-2): um destruidor, um criador e dois carregadores de bola para auxiliar tanto o 10 quanto o 5.

Desta feita, talvez se torne no maior benefício do uso quase irrestrito do 4-2-3-1 no Brasil (ainda que mal executado), ou o retorno ao 4-3-3 (4-1-4-1 na fase defensiva), seja ensinar aos nossos jovens como jogar nesta posição de 10 e de 8, duas funções praticamente mortas no nosso futebol.

Mas a pergunta final é: há realmente um lugar vazio no nosso futebol para ser preenchido, ou é só choradeira que retorna quando o time vai mal e "ninguém" se importa quando vai bem? 


sábado, 25 de agosto de 2012

PROVÁVEL ARSENAL 2012/13


- Com a saída de Robin van Persie para o rival Manchester United, de Alex Song para o Barcelona, e a ida do turco Nuri Sahin para o Liverpool este deve ser o time do Arsenal para a temporada 2012/13; já contando com a iminente volta de Jack Wilshere, o melhor Box-to-box inglês da penúltima temporada, e a recuperação de Koscielny e Sagna (em amarelo os movimentos defensivos, em azul claro movimento dos apoiadores, em azul escuro o movimento dos atacantes):

 



- As únicas dúvidas nesta escalação é se Arsène Wenger preferiria Gibbs ou André Santos na lateral esquerda (o técnico parece preferir o francês, eu o brasileiro); e na zaga-central se usaria o francês Koscielny ou o gigante alemão Per Mertesacker. Uma terceira opção é não ter escolha, contra times que se utilizam mais da jogada aérea e menos da velocidade usaria o alemão em detrimento ao francês, e vice-versa; contra um time que vai ficar apenas sentado atrás o brasileiro no lugar do francês, ou o francês quando a necessidade de defender for maior.


- A vinda do turco Sahin melhoraria, e muito, o elenco do Arsenal e daria uma dor de cabeça a Wenger. Se nos últimos três anos, e especialmente na temporada passada, Le Boss quebrava a cabeça para montar um time decente com as peças que tinha a seu dispor, hoje ele quebraria para deixar um de fora. Nesse sentido, o francês teria 5 jogadores pra três vagas: no seu 4-2-3-1 costumeiro (que, às vezes, toma forma ora de 4-3-3 ora de 4-2-1-3, como na primeira partida desta Barclay’s Premier League) Walcott, Giroud, Wilshere, Cazorla e Sahin ficariam lutando pela vaga de regista, enganche e winger do time.


- Minha primeira impressão é que Sahin brigaria pela vaga de Arteta, mas não é verdade. Fazendo um levantamento dos mapas dos últimos jogos, lendo o que se escrevia nos blogs sobre o Arsenal, e assistindo à primeira partida desta BPL, é fácil notar que o espanhol joga, já há algum tempo, na “função-Pirlo”, isto é, um regista que joga no primeiro vértice (seja de um triângulo, seja de um losango no meio-campo), logo em frente à sua própria zaga. Assim como Pirlo, é necessário um jogador mais energético à sua frente, seja um destruidor como Gattuso, seja um Box-to-box como Vidal. Assim, o 8 espanhol e o 21 italiano, usando de suas experiências e visões de jogo, se posicionariam para a cobertura de quem dá o primeiro combate, roubando a bola, ou interceptando um passe (no jogo contra o Palmeiras pela perna da Volta da Copa Sulamericana, Renato, do Botafogo, fez a mesma função). Sahin e Wilshere brigariam por esta posição em frente a Arteta, sem o turco a posição parece ter já dono.


- Com isso diminuiria uma posição no meio, e Wenger poderia decidir jogar com Arteta-Sahin-Wilshere. E para onde iria Cazorla? Se não para o banco (o que eu não acredito que irá a não ser para ser poupado fisicamente da maratona dos jogos), iria para uma das pontas, nas quais o espanhol atua em ambas. Levando em consideração que Podolski veio para ser titular (e que pode jogar em qualquer uma da quatro posições do ataque), Walcott e Giroud brigariam pela vaga que resta. O inglês jogaria na necessidade do time ter mais velocidade, enquanto o francês jogaria dentro da área contra times que sentam na defesa, enfiando-se, dessa forma, entre os zagueiros: abrindo espaços, brigando pelo alto (a sua entrada na primeira partida foi providencial, só consigo os Gunners conseguiram criar verdadeiras chances de gol, e uma deles ele desperdiçou bisonhamente, mas muito mais pela falta de ritmo).


- Rosicky ainda tem espaço neste time, com a sua entrada aconteceria exatamente como o descrito no parágrafo anterior, formando um trio de Arteta-Wilshere-Rosicky, Cazorla iria para ponta. O time teria total controle da posse de bola desta forma (as outras duas vagas no ataque, eu escolheria Poldi-Giroud). Gervinho só entraria para acelerar ainda mais o time.


- O time ainda precisa da contratação, imediata, de um volante de destruição, mas que, pelo tamanho do Arsenal, saiba também manter a posse de bola. Num jogo “grande” (contra o Liverpool, os times de Manchester, Chelsea, ou mesmo na UEFA Champions League), vencendo de 1 a 0 aos 35’ do segundo-tempo, com esta escalação que postei, tirava o Arteta, o Wilshere e o Giroud, botava o volantão no lugar do espanhol, Diaby no lugar do inglês, e Gervinho no lugar do francês, ajeitava a defesa, deslocava Poldoski para o centro, e preparava os contra-ataques com três velocistas.


- Até.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O CRIADOR RECUADO: O CASO DO BOTAFOGO


Na história da tática do futebol uma figura tende sempre a aparecer e desaparecer de tanto em vez. É a figura do armador recuado. Vejamos: no antigo 2-3-5 ele estava lá, o central da segunda linha (camisa 5) tinha a função, além da defensiva, de armar as jogadas da linha de frente com lançamentos e inversões, muitas vezes ligando o contra-ataque. No WM (3-2-2-3) este elemento desaparece. O 5 recua para a linha de zaga e cria-se uma terceira linha (8 e 10) antes da linha de avantes. A armação fica por conta destes dois jogadores, que jogavam perto da linha de frente.
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Então veio uma nova revolução, tão importante quanto o próprio WM, o 4-2-4 do Brasil de 1958. A partir do WM, um dos meias defensivos (camisa 4) recua para a linha de zaga, enquanto um dos meias ofensivos (camisa 10) entra na linha de ataque. No meio, ficavam então o 5 e o 8, um defensivo e outro ofensivo. Esta segunda linha tinha a função de defender, mas o 8 fazia a mesma dupla função do antigo central do 2-3-5, armar o time através de lançamentos e passes.
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Foi neste esquema que brilharam, por exemplo, Didi, Gérson (pelo Botafogo), Mengálvio (Santos), Ademir da Guia (provavelmente o maior jogador da história do Palmeiras), e, posteriormente, no 4-3-3, grandes como Sócrates (Corinthians) e Falcão (talvez o maior do Internacional de Porto Alegre), e tantos outros gênios.
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Antigamente, este camisa 8, chamado de meia-armador, jogava, normalmente, sobre a linha de meio campo, na posição do que hoje convencionamos chamar de segundo volante. Vejamos, nesse sentido, dois exemplos tomados dos grandes times do Botafogo da década de 60.
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Escalação do time de 1962:
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Escalação do time de 1968:
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No Brasil esta posição sumirá na formação do nosso 4-4-2. Com o meio em forma de quadrado (2-2), o brasileiro reconstruiu o meio do WM. O defeito maior dos 4-4-2s sulamericanos (brasileiro e argentino) era o imenso vazio aberto nas laterais do campo, com isso abria-se o corredor para o apoio constante dos laterais. Desta forma, fazia-se necessário que ambos os volantes cobrissem a subida dos dois laterais. O passador (camisa 8) recuado sumira, em seu lugar outro destruidor de jogo. A criação de jogadas voltaria para os dois meias avançados, um mais cadenciador – fazendo as funções do antigo meia-armador – (camisa 10) e um ponta-de-lança mais condutor de bola (camisa 7 ou 11).
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Em outros países, no entanto, o 8 manteve-se como criador de jogadas – nem sempre recuado – na constituição de seus 4-4-2s. Na Argentina, com seu losango (4-3-1-2) mediano, o 8 continuava sobre a linha de meio campo, com um destruidor logo atrás, e na mesma linha outro médio com funções defensivas e de apoio, e logo a frente o ponta-de-lança – que lá se chama, muito acertadamente, enganche –. Na verdade, ao invés de trocar o armador por um volante combativo, os portenhos acrescentaram outro. No entanto, a função não é a mesma. Esta posição – em castelhano chamado de carrilero – não é um CRIADOR, e sim um APOIADOR. Muito diferente.
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Na Inglaterra, por sua vez, com seu 4-4-2 em duas linhas ortodoxas, o camisa 8 tem a função de defender atrás, armar o time com lançamentos, e chegar com vontade na frente pra concluir com chutes de média distância. Este jogador de área-a-área (Box-to-box) é criador de jogadas, que se desenvolvem de forma descentralizada. Porém, quase sempre, o Box-to-box é quase sempre mais apoiador do que criador. Em alguns times, a criação fica por conta de um dos wingers.
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Porém, em país nenhum do mundo esta função tem uma nomenclatura tão precisa e simples quanto na Itália: Regista. Isto é, aquele jogador que REGE a transição ofensiva (contra-ataque), REGE a construção, é um auxiliar defensivo, ocupando espaços inteligentemente, interceptando passes, mas, sobretudo, é um passador, REGENDO o time, não um apoiador.   
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Como podemos ver na citação abaixo, a nova formação em triângulo – como no antigo 4-3-3 – dos novos esquemas em maior uso (4-2-3-1, 4-3-3) recria a função de regista. Ressurge a função do passador. O meia-central precisa dar a saída de bola. Ora, se existe um marcador específico para destruir o jogo de bola do criador de jogadas, é necessário que um jogador extra retenha essa bola e desafogue o time:
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This is where the central midfielder gets the most attention, and also the most criticism. The popularity of ‘the passer’ amongst managers owes much to the decline of two-striker formations, with 4-5-1s (more specifically, 4-2-3-1s and 4-3-3-s) favoured. In basic terms, this simply means an extra midfield spot available, and hence the destroyer-creator model was amended to give a destroyer-passer-creator system in the centre of midfield (…). “Receive, pass, offer, receive, pass, offer” is the Barcelona mantra for midfielders.
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(Isto é onde o meia central recebe a maior atenção, e também a maior crítica. A popularidade de “o passador” entre técnicos deve-se muito ao declínio das formações de dois atacantes, com 4-5-1s (mais especificamente, 4-2-3-1s e 4-3-3s) favorecidos. Em termos básicos, isto significa simplesmente um espaço vago no meio-campo, e desde que o modelo destruidor-criador foi ajustado para dar num sistema destruidor-passador-criador no centro do meio-campo (...). “Receber, passar, oferecer, receber, passar, receber” é o mantra do Barcelona para os meias).
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Desta maneira podemos supor que, o central deveria manter a posse de bola. Muitas vezes através de passes curtos laterais, quase sempre inócuos, aparecendo para receber e manter esse sistema de passes. Porém, algumas vezes, o passe longo, invertendo o jogo, ou o passe em profundidade para um companheiro buscam justamente a criação de jogadas com mais ímpeto, na procura por um colega de time melhor posicionado para o ataque. A este jogador, portanto, fica a obrigação do primeiro ou do segundo passe, este qualificado.
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BOX-TO-BOX Vs REGISTA, DIFERENÇAS (?)
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Chamamos a atanção, desta feita, agora para uma questão que seria muito proveitosa para o debate sobre este texto: existem diferenças entre o Box-to-box e o Regista? Se existem quais são? Atrevemo-nos a responder com certa certeza a primeira pergunta: sim, existem diferenças intrínsecas entre as duas funções.
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Complicado, agora, é achar uma resposta para a segunda questão. Embora possamos distinguir a primeira vista um Box-to-box de um regista durante um jogo apenas observando a sua movimentação, difícil é explicar. Acreditamos, portanto, que o Box-to-box tem a necessidade de chegar à frente para impedir o esvaziamento entre o ataque e o meio do 4-4-2. Isto é, faz-se necessário mais o seu apoio ao ataque do realmente a construção recuada de jogadas. Vejamos Gerard – o melhor Box-to-box que eu já vi –, ou até mesmo o jovem Wilshere do Arsenal – que já ocupa esta função tanto no time quanto na seleção –, é necessário que ele chegue até a borda da grande área para concluir, inclusive, no time nacional, muitas vezes Gerard joga como último vértice de um triângulo no 4-2-3-1 ou 4-3-3 armado, raramente, por Fábio Cappelo. Desta forma, ao Box-to-box não fica a obrigação real de criar jogadas, pois, muitas vezes, no 4-4-2 ortodoxo, o meia-de-criação é um dos wingers, sendo que o outro acaba sendo um winger-atacante.
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O que vemos, no entanto, de certa forma em uma crise do Box-to-box, o reposicionamento do meio em forma de triângulo (destruidor-passador-criador). A função, parece-nos cada vez mais relegada ao lateral, que defendendo na sua área, apoia na área adversária (tática individual que só surgiria como NECESSIDADE nos 4-4-2s sulamericanos, que, devido a sua falta de amplitude cria verdadeiros corredores em frente aos laterais que se tornam cada vez mais ofensivos).
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Já o Regista não. Este pode reger o time de posições mais recuadas, sem necessidade alguma que avance em direção à área adversária (embora não seja proibido de fazê-lo). Um caso emblemático é o do grande Pirlo, campeão de tudo com o Milan e Regista da seleção italiana campeã do mundo em 2006. Jogando pelo Milan, o 21 que começou a carreira como trequartista (meia-de-ligação), atuava como primeiro vértice de um losango, posição normalmente ocupada por um jogador mais combativo, que no rossonero era função de Gattuso. Este, destruía as jogadas à frente de Pirlo, a bola chegava, então, mais limpa para seus pés. Ou recebia diretamente da zaga, fazendo o primeiro passe. Esta função individual foi observada, também, em Fábio Rochemback e em outros jogadores pelo jornalista Eduardo Cecconi.
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Porém, o maior regista que eu já vi jogar foi Pep Guardiola, talvez os mais novos não o tenha visto, seu futebol ficou obsoleto no início da década de 2000, obrigando-o a se aposentar muito mais cedo do que seu enorme talento permitiria. Hoje em dia, no entanto, com a grande revolução que ele está criando no seu Barcelona, todos estão assimilando novamente o meio em triângulo – embora a recomposição do meio em triângulo seja devedor do surgimento do 4-2-3-1 – e a sua função de regista (de passador, de articulador recuado) está em alta no momento, o que podemos ver no grande Xavi, que sob a direção de Frank Rijkaard era apenas um primeiro volante reserva, e hoje talvez seja o jogador mais desejado do mundo depois de Messi.
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Tomemos, então, como exemplo a seleção brasileira de Mano Menezes. Há uma predileção natural do técnico pelo Box-to-box do tipo Ramires e outros (Ralf, Jucilei), jogadores marcados pelo shuttle (disparo) em direção à área adversária – basta lembrar dalguns gols da Seleção de jogadas iniciadas por esses shuttles realizados por Ramires, muitas vezes ganhando os combates não com técnica e habilidade, mas na raça e na disposição em dividir a bola (o que também tem sua beleza, uma beleza quase bélica), como no gol de Jádson contra o Paraguai –, em detrimento de volantes-meias (registas) como do tipo de Hernanes – que se cometeu um erro contra a boa seleção francesa, merecia mais chances no time canarinho –.
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CASO EM ESTUDO: BOTAFOGO – 2011
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O Botafogo, desde a chegada de Caio Júnior, vem se adaptando ao 4-2-3-1. Este esquema tático, quase sempre se desmembra num 4-3-3 quando ataca (mais precisamente 4-2-1-3), com os wingers (meias-extremos) se tornando verdadeiros pontas no momento de ataque, deixando centralizado um criador. No entanto, no Glorioso, este desenho se converte, praticamente, num 4-2-4. A linha de meias é formada por meias-atacantes que são incisivos e condutores em velocidade, muito mais interessados em ir em direção ao gol do que em armar jogadas – isto muda quando o meia-central da terceira linha é Felipe Menezes, muito mais enganche do que os companheiros –.
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Contudo, o que nos importa para este texto são a posição e a função dos volantes botafoguenses, a movimentação e opção de meias ficará para outro momento. A dupla da segunda linha chamou a atenção pelo ótimo desempenho, e pelo inusitado também, afinal, do time titular do Botafogo, até agora, aquele responsável pela articulação é o Renato, como já percebeu Cecconi:
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Mesmo na primeira linha do meio-campo, Renato não é um mero volante combativo, protetor do lateral Alessandro. Pelo contrário. Ele é um articulador recuado, marca mas acima de tudo participa da organização ofensiva realizando o primeiro passe e fazendo a passagem para receber. Esta iniciativa do camisa 8 desonerou Felipe Menezes, cuja timidez na partida não comprometeu o time ofensivamente pela participação de Renato e de Maicossuel nos passes”.
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Marcelo Mattos (5) e Renato (8), como apontado por nós em textos anteriores (aqui e aqui), jogam em uma linha diagonal, com Marcelo posicionado bem atrás de Renato. Todavia, este posicionamento do 8 não faz com que ele avance regularmente até a área adversária, ficando quase sempre contido para receber um passe mais atrás ou posicionando-se, inteligentemente, para prevenir o time de um contra-ataque. Muito menos defende de frente a área botafoguense, sua área de atuação é praticamente em cima da linha de meio campo, de onde acelera o jogo invertendo lançamentos para o lateral esquerdo, ou aprofundando jogadas com o lateral direito. Ora, tomemos como parâmetro o jogo contra o Atlético-MG no Engenhão pelo campeonato brasileiro, nesta partida, muitas vezes o 8 encontrava-se à frente de Felipe Menezes, exercendo pressing no adversário.
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Desta forma seria errôneo classificar o segundo volante alvinegro de Box-to-box, ele é um regista, embora muitas vezes tenha atuado assim no 4-4-2 ortodoxo do Sevilha, e outras vezes, chegou a exercer a função de regista neste time espanhol quando atuou como primero 1 do 4-4-1-1 do desenho de 2010 desta equipe – um desenho muito mais próximo do 4-2-3-1 botafoguense –.
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Chamamos atenção também para a tática individual do Marcelo Mattos. Ele é o volante de contenção do Botafogo, o elemento destruidor do trio central – o chamado cabeça-de-área –. Porém é o 5 quem exerce a função de box-to-box da equipe, adiantando-se para a segunda bola (rebote) ofensivo para o arremate de média distância – algo que não lembro ainda de ver Renato fazer no time –, defendendo até dentro da área, quando necessário, e puxando contra-ataques em velocidade, como na assistência genial para o gol de Maicosuel contra o Atlético-MG na partida de ida da Copa Sulamericana.
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CONCLUSÃO
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O momento atual, de resgate do triângulo mediano e da formação de equipes em quatro linhas, acaba dando refôlego ao jogador-passador, que, através de seus passes, poucas vezes objetivos, é o responsável pela posse de bola e sua inteligência tática possibilita interceptações precisas de passes, as duas principais características defensivas dos grandes times da atualidade. Em contra-partida, o Box-to-box clássico vem desaparecendo, permanecendo apenas aqueles que conseguem se adaptar às funções ou de passador ou ao criador do meio – mormente a primeira opção –.
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Mas há um ponto necessário ao debate que não notamos nos argumentos utilizados na nossa pesquisa. O triângulo mediano moderno é quase sempre de base baixa (2-1) assimétrico, salvo raras exceções como o Barcelona ou o Porto, que jogam com triângulo de base alta (1-2) bastante simétricos. Isto é, a função do passador não é exercido mais por um meia, e sim um volante. Destarte, não seria mais acurado chamá-los de “meias-armadores” como antigamente, nem de “volante-meia” como vários jornalistas esportivos hoje convêm chamar por falta de termo melhor (inclusive, o que na minha opinião, é o melhor analista tático brasileiro hoje, André Rocha), e sim, talvez, de “volante-armador”.
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TRIÂNGULOS MÉDIOS: MODELOS EM USO HOJE:
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quarta-feira, 25 de maio de 2011

PRÉVIA DA FINAL DA UEFA CHAMPIONS LEAGUE 28-05-2011: UMA MISSÃO "MESSIÂNICA"?

Navegando na net, deparei-me com o texto recém-escrito pelo jornalista Jonathan Wilson, um dos papas da análise tática mundial, autor do livro Inverting the Piramid -- que se alguém souber como achar me avisa, pois estou louco para comprar -- sobre a final da Uefa Champions League neste próximo sábado. A partir do escrito dele, e do que andei debatendo informalmente esta semana, publico aqui o meu texto. 
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P.S.: O texto sobre o 4-6-0 que havia prometido está pronto, mas ficará para depois visto que esta semana já há o jogo -- e o texto do Jonathan, que partes transcrevo abaixo, também dá subsídios ao que penso. Abraços, quem puder dá um comentário!
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The basic rule is that you need as many players at the back as the opponent has forwards, plus one. Roughly speaking, Barca plays a 4-3-3, so that would suggest a back four. Except that Lionel Messi, the central player of the three, is a false nine, dropping off toward midfield, leaving space into which David Villa and Pedro can break from wide. That is a conundrum with which defenses have struggled all season; nature may abhor a vacuum, but center backs abhor them even more. What should they do? Follow the forward and risk opening gaps, or leave him alone to -- hopefully -- be picked up by the holding midfielders, who themselves have Xavi and Iniesta to look after?
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“A regra básica é que você precisa da mesma quantidade atrás tanto quanto o oponente tem avante, mais um. Falando grosseiramente, barça joga um 4-3-3, então isto sugeriria quatro atrás. Exceto que Lionel Messi, o jogador central dos três, é um falso nove, descendo em direção ao meio-campo, deixando espaço no qual David Villa e Pedro podem penetrar das extremidades. Eis o problema com o qual defesas tiveram trabalho toda a temporada; natureza deve abominar o vácuo, mas zagueiros abomina-os ainda mais. O que eles deveriam fazer? Seguir o avante e arriscar abrir buracos, ou deixá-lo só para – esperançosamente – ser pegos pelos volantes, que eles mesmos têm Xavi e Iniesta para observar”?
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Well, maybe the answer is to do neither. If Barca plays without an orthodox central striker, perhaps the answer against them is to play without an orthodox center back -- or rather, to play with only one, the "plus one," and to track Messi with either a designated man-marker or an additional holding midfielder. That would then leave a back three, but unlike the familiar back three, it would consist not of three central defenders, but of a center back and two fullbacks (who would, admittedly, have to play slightly tucked in to match the angles on which Villa and Pedro attack).
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“Bem, talvez a resposta é fazer nenhum dos dois. Se Barça joga sem um centro-avante ortodoxo, talvez a resposta contra eles é jogar sem um zagueiro ortodoxo – ou ainda, jogar com apenas um, e ‘mais um’, e perseguir Messi com tanto um marcador individual designado ou um volante adicional. Isto os deixaria com três atrás, mas diferente do três atrás familiar, ela não consistiria de três zagueiros, mas dum zagueiro e dois laterais (quem teria, admitidamente, que jogar levemente fechados para igualar os ângulos no qual Villa e Pedro atacam)”.
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There would then be three holding midfielders (or perhaps two holders plus a man-marker) to handle Messi, Xavi and Iniesta). So, three defenders, three holding players -- that leaves four. Against Barcelona, with its attacking fullbacks, wide men are essential, and given Sergio Busquets is the metronome who sets Barca's rhythm, the ideal would be an attacking midfield-cum-second striker to sit on him. That leaves one remaining player, ideally a rapid center forward to disrupt Barca's back four with his movement and look to use his pace to get behind them, perhaps making them wary about playing a full press.
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“Haveria então três volantes (ou talvez dois volantes mais um marcador individual) para lidar com Messi, Xavi e Iniesta. Então, três zagueiros, três volantes – restam quatro. Contra Barcelona, com seus laterais atacantes, homens abertos são essenciais, e já que Sergio Busquets é o metrônimo que acerta o ritmo do Barça, o ideal seria um ponta-de-lança (meia-vira-segundo atacante) sentado (na falta de melhor termo para traduzir) nele. O que deixa um jogador sobrando, o ideal seria um rápido centro-avante para romper os quatro atrás do Barça com seus movimentos e usa sua velocidade para cair atrás deles, talvez fazendo-os se preocupar sobre jogar sua uma pressão total”.
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So, if you had a limitless pool of players from which to draw, a 3-3-3-1, with the middle three narrower than the other two threes, would seem the ideal. (…)
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“Então, se você tem um ilimitado número de jogadores com o qual desenhar, um 3-3-3-1, com os três do meio mais fechados que os outros dois três, seria o ideal”. (...)
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Park Ji-sung will surely be used on the left to try to check the runs of Dani Alves. It's commonly said that the space behind Alves is a potential weakness for Barca, yet nobody has really yet been able to exploit it; the best option may simply be to try to track his runs, and Park, as almost a specialist defensive forward, is probably as equipped as anybody to do so.
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“Park Ji-sung será certamente usado na esquerda para tentar conter as corridas de Dani Alves. É comumente dito que o espaço atrás de Alves é uma fraqueza potencial do Barca, embora ninguém tenha realmente ainda sido capaz de explorá-lo; a melhor opção pode simplesmente ser tentar seguir suas corridas, e Park, como quase um avante defensivo especialista, é provavelmente tão equipado para isso como ninguém para faze-lo”.
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Coincidência das coincidências não foi o grande mestre Jonathan Wilson imaginar um time anti-Barça igual ao que eu desenharia, mas, um dia antes dele publicar seu texto, um aluno meu me perguntar justamente o que eu faria contra o grande Barcelona, o melhor time que eu já vi em campo.
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Minha resposta foi quase idêntica, partindo de um 4-3-3 com pontas defendendo bem forte, ou um 4-2-3-1 com extremos com bastante ímpeto ofensivo. Mas o ponto crucial é a linha de trás – justamente o elemento ao qual Wilson dedica mais tempo na análise que transpus e traduzi –. O “grande truque” do falso nove é que saindo da posição de centro-avante para fazer o enganche acarretaria uma duplicidade na marcação: é o volante ou o zagueiro quem vai pegá-lo. A resposta de Wilson é soberba: nenhum.
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Neste momento, como gosto de dar exemplos – ê cabeça de professor! –, dei o exemplo ao meu aluno da Itália campeã do mundo em 1982, na qual Gentile anulou nada mais nada menos que Maradona e Zico, que foram presos e perseguidos na marcação individual italiana. O adversário do Barcelona tem que possuir esta qualidade: poder ter alguém para liberar na perseguição individual à Messi.
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Mas quem, no elenco do Manchester faria esta função? Obviamente ninguém seria tolo de desfazer a melhor dupla de zaga do mundo: Ferdinand + Vidic. Entre os dois, por achar que Vidic está em melhor temporada este ano, e ser absoluto em cima, deixaria ele na área, fazendo a sobra, e deixaria para Ferdinand -- que tem até mesmo o costume de subir mais, quase como um líbero -- a função de pacman de Messi.
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As outras alternativas às vezes funcionam, mas nem sempre. Quais são as outras alternativas para barrar a flutuação “messiânica”? A mais utilizada é o 4-1-4-1 – como o utilizado pelo Arsenal –. O problema 1: se as duas linhas não compactarem, não vão coibir o avanço de Xavi e Iniesta, é aí onde a maioria dos times caem diante do fluxo e do ritmo de passes do Barça. O problema 2: a falta de uma defesa de exceção. Esta foi a maior razão da queda do Arsenal diante dos culé no Camp Nou. Um momento, uma falta de concentração – como a brincadeira de Fábregas dando de calcanhar a dois metros da grande área – e o resultado é Messi entrando e marcando um golaço.
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A segunda opção é a utilizada por José Mourinho no Real Madrid, trocando um atacante por um volante, e o triângulo de trás bateria de frente diretamente com o triângulo formado por Xavi, Iniesta e Messi. O problema 1: liberdade para Busquets dar o ritmo ao time, passar para os laterais, ou avançar até conseguir encontrar um dos três meias – considerando Messi, neste caso de meia – soltos e passar para eles. O problema 2: quando Messi está adiantado como centro-avante, o volante extra torna-se inútil, e nada impede que o argentino faça gols de 9 dentro da área, como o primeiro contra o Real no jogo de volta das semi-finais da Liga dos Campeões (UCL) 2010-11, no cruzamento de Affelay.
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Mas, para mim, o mais importante foi um ponto que devo discordar de Jonathan Wilson, quando afirma que o ponto fraco do Barça é a grande ofensividade de Daniel Alves – o qual concordo, além de outros pontos –, porém discordo quando Wilson afirma que este “defeito” nunca foi explorado apropriadamente.
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Há três estudos de caso: 1. Primeiro gol da virada do Arsenal no Emirates nesta UCL, uma roubada de bola de Clichy, e Van Persie na esquerda arremata ao gol – Valdés aceita –. 2. Gol do título de Cristiano Ronaldo da Copa do Rei. Marcelo e Di Maria fazem um-dois em cima de Daniel e cruzamento perfeito de Angel para cabeçada soberba de Ronaldo. 3. Novamente Di Maria, segundo jogo da semi-final da UCL, num primeiro momento, pedalando sobre Daniel e chutando de forma perigosíssima, noutro lance, Angel faz grande jogada, chuta, a bola vai na trave e volta, Di Maria mata-a fenomenalmente e toca no meio para Marcelo completar.
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O que me leva à conclusão: Enquanto Angel Di Maria foi “obediente” e conteve-se em conter Daniel Alves foi um atleta apagado pelo protagonismo do brasileiro, mas quando foi para cima, jogando no bico da área do Barcelona, foi o mais perigoso jogador que os bleugrana enfrentaram – sobretudo se comparado ao jogador nulo e inexistente da goledada histórica de 5 x 0 no Camp Nou –!
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Curiosamente, a solução que eu pensei no ato pro meu aluno, corresponde mais ou menos ao que a Alemanha de 1954 utilizou para vencer a Hungria na final da Copa da Suíça – ignorando-se todas as teorias de conspiração existente sobre aquela final e o gol roubado que os magiares fizeram no fim e foi muito mal anulado –. Um perseguidor individual, Horst Eckel, para o maestro e falso nove – o primeiro da linhagem, pelo menos em nível mundial – Hidegkuti, afim de anular a sua movimentação, somada a uma força ofensiva incomum vinda dos contra-ataques do ponta-direita Helmut Han. Esta coincidência – que não tem nada de coincidência, mas do inconsciente remontando o presente com o conhecimento prévio – que só vim notar quando pesquisava para este texto, talvez seja o estudo de caso ideal contra o Barcelona, mesmo os sessenta anos separando os dois times e as mudanças inerentes ao futebol e aos sistemas de jogo – o Barça joga no 4-3-3 a Hungria numa variação do WM (3-2-2-3), chamada MM (3-2-3-2) –.
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Do mais deve concordar comWilson: Sir Alex Fergusson não deve desmonntar seu 4-4-1-1. Park sobre Alves, Valência sobre o lateral esquerdo que atuar, Ronney impedindo a saída de bola através de Busquets. Para mim isso é essencial, o tridente de meias impedindo a saída do tridente da 2º linha do Barcelona – um movimento já percebido por todos os analistas, como Jonathan Wilson, o time de Guardiola avança e ataca numa espécie de 2-3-2-3, o WW campeão do mundo com a Itália em 1934 e 1938 –, responsável pela transição e pelo desafogo de trás, além de sua movimentação ser a responsável pela liberdade dos homens de frente dos blaugrana – isto é, quando Alves avança, alguém tem que vir marca-lo, deixando livre ou Xavi ou Pedro, da mesma forma na esquerda, liberando ou Villa ou Iniesta, ou Busquets pelo meio liberando um dos dois meias –. A uestão é impedi-los, impedir que façam um bom passe, que se projetem, que quebrem o sistema de marcação, sobretudo, impedir que fiquem trocando passes laterais “sem importância”, aumentando a posse de bola do seu time, e o mais importante disso, impedindo que o adversário tenha a bola para atacar.
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Mas o ponto mais importante seria a lateral esquerda do Barcelona. Nenhum dos três laterais dos culé está em condições cem por cento de jogo, por isso a velocidade de Valência – que além de ser maior de que a de Nani, não veio de uma lesão como o português que vem de uma fratura –. Quando eu critiquei Wenger por abdicar do contra-ataque, ou mesmo da covardia em não utilizar os melhores wingers que tinha, também tinha que relevar o fato de Walcott, que não é tecnicamente o melhor, mas é o mais rápido, não estar em suas condições totais de jogo – mas se Fábregas e Van Persie jogaram fora dos 100%, porque não o velocista inglês dono da 14 que foi de Thierry Henry?
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Toda forma, jogão. Se o Manchester United não tem a qualidade refinada de toque de bola e posse como o Arsenal e o Barcelona, sobra-lhe um algo mais que os catalães têm e falta aos londrinos há alguns anos: eficiência. Ou como se diz muito no Brasil: “chegada”. O Arsenal de hoje é um time sem chegada, derrapa muito em suas próprias pernas, o United não, é time pronto, que mescla muito mais e melhor talento com experiência – por exemplo, falta um Giggs no Arsenal, não em termos de qualidade, os Gunners têm até jogadores melhores, mas ainda assim não com a presença de um Giggs –, e é um time pronto para vencer, a mesma base que ganhou um Champions e perdeu outra para o Barça.
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Em condições reais, daria 7 por 3 as chances do Barca – e isso porque é o Manchester United, o grande e poderoso time de Fergusson –. Por ser jogo único, e tudo pode acontecer, um 6 a 4. Por ser em Londres, bem, isso deve deixar 50% pra cada um.
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Mas o Barcelona tem Messi. E o fator “messiânico” pode fazer diferença. 55% pro Barca, 45% pros Red Devils.
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Sem arrudeios: 2 x 1, na prorrogação. Pra quem? Veja pelos gols: Iniesta, Hernandez, Messi – driblando 3, penetrando na área e encerrando a carreira de Van der Sar com uma cavadinha, depois dos 10 minutos do primeiro tempo da prorrogação!
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P.S.2: Jonathan Wilson publica outro texto no exato momento que eu publico este, o texto -- para o público britânico, diferentemente do escrito para o público norte-americano -- é mais profundo, no entanto os preceitos táticos-técnicos são o mesmo, os parágrafos são até praticamente idênticos, quem quiser acompanhar -- com mais uma lição de história futebolística de Wilson-Sensei -- é só ler aqui.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

FUTURO TÁTICO DO FUTEBOL

Escrevi este texto como comentário ao ótimo texto analítico de Eduardo Cecconi. Este autor é diferenciado porque não se basta apenas COMENTANDO os jogos que já ocorreram, mas cria verdadeiros debates táticos, juntos com lições de história e evolução tática, normalmente pautado pelo grande Jonathan Wilson. Cecconi remonta a origem do 4-2-3-1 e levanta a hipótese do recuo do 1, criando um 4-6-0, ou no caso um 4-2-4-0, ou até mesmo o 4-3-3-0, formação tática do Real Madrid de Mourinho contra o Barcelona de Guardiola, Xavi, Iniesta e Messi. Aqui você pode ler o ótimo texto de Cecconi: http://globoesporte.globo.com/platb/tabuleiro/category/teoria-tatica/
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DISCORDO 1: Jonathan wilson, em seu blog, postula sua tese de origem DUPLA do 4-2-3-1, uma sulamericana - no caso brasileira, que é o seu estudo de caso -, e a europeia (aqui). Os europeus realmente evoluíram do four-four-two, podemos ver isso HOJE no Man. United, Ronney, em teoria second striker (o camisa dez dos ingleses), recua DEMAIS e joga DENTRO do círculo central, recebendo o 2º passe e armando as jgoadas em frente, Wilson dedica um texto exclusivo sobre o novo posicionamento de Rooney e questiona qual seria sua função - afinal, Rooney destaca-se TAMBÉM, pelos desarmes no meio: começa de atacante, arma como meia, desarma como volante.(aqui) -.
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Já nós, brasileiros, particularmente, evoluímos do 4-2-2-2. Eis o momento de análise tática que diferencia as escolas. O 4-4-2 surigu no Liverpool em 1973, mas já em 1966 seu embrião se encontrava ali - muita gente hoje, inclusive André Rocha, já perguntei a ele via blog -, indica a formação do English Team-66 no four-four-two (doravante FFT). Então, o FFT inglês surgiu justamente do recuo dos ponteiros do 4-2-4, os ponteiros continuavam - e continuam ali, em qualquer movimento de ataque percebe-se isso -, mas agora partiam do meio, defendendo pelo lado do campo, ao invés de ficarem lá na frente paradões, esperando a metida de bola.
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Já o nosso 4-4-2 em quadrado veio do recuo de 1 dos pontas no 4-3-3. Assim, jogamos normalmente com uma dupla de meias sendo um mais de posse e passador, e outro mais de velocidade e condunção, que normalmente abre por um lado do campo. O que nós fizemos foi recuar o 2º atacante, que sempre se movimentou mais do que o centro-avante.
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De todo modo, o 4-2-3-1 surge do recuo de um second striker, seja para a função de playmaker - europeu - seja para a função de winger - sulamericano -.
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DISCORDO 2: Outro ponto relevante são as possibilidades de leitura que um 4-2-3-1 fornece. Minha primeira lembrança do 4-5-1 foi a Noruega vencendo o Brasil para a preparação da copa de 1998 (então, ANTES do Real Madrid de 99). Fomos vencidos antes da copa, e DURANTE a copa pela mesma Noruega, que jogava numa espécie de 4-4-1-1 levantando bola para Tore Andre Flo, que variava justamente para um 4-2-3-1 atacando. A campeã mundial, França, começou a primeira fase num quadrado no meio (Barthez; Thuran, Lebouef, Desailly, Lizarazu; Dechamps, Petit, Djorkaeff, Zidane; Henry, Guivar'ch), mas ainda na primeira fase trocou Henry por mais um volante, fazendo um 4-5-1 com meio em M (4-3-2-1) (Dechamps, Petit, Karembeu, Djorkaeff, Zidane), mas Petit tinha tanta liberdade para avançar pela esquerda que muitas vezes poderia ser confundido com um 4-5-1 com meio em W (4-2-3-1) - essa era minha opinião por muitos anos, sobretudo por causa do gol que Petit marcou sobre o Brasil, partindo nas costas de Cafu como um verdadeiro winger.
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Meu ponto é: Como realmente saber de onde veio o 4-2-3-1, já que sua leitura efetiva depende de tantas e tantas variantes? Por exemplo a seleção de Dunga, poderia ser um 4-3-1-2, vendo Robinho como 2º atacante e Elano (ou Ramires) como Volante pela direita com muita liberdade para apoiar (comentado por Wilson ainda aqui, e aqui por Valdir Espinosa que viu a seleção de Dunga desta forma). Mas esta mesma seleção de Dunga, foi vista pelos especialistas brasileiros - ao meu ver, seguindo a leitura europeia do nosso time -, já na época da Copa, como um 4-2-3-1 com a linha de 3 totalmente assimética, com Elano como winger direita MUTIO RECUADO E CENTRALIZADO, Kaká no meio e Robinho como winger esquerdo ADIANTADO E ABERTO. Eu, particularmente, via a seleção de Dunga (não A BRASILEIRA) como um 4-3-2-1, com Elano como volante com muita liberdade para a subida - EXATAMENTE COMO JOGA HOJE NO SANTOS, não vejo NENHUMA diferença de POSICIONAMENTO e/ou FUNÇÃO do camisa 8 -, assim como Petit tinha na França-98, e Robinho como winger por causo do seu acentuado recuo marcando o lateral adversário.
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DISCORDO 3: Qual nada! O primeiro 4-2-3-1 foi no meu timinho de várzea/bairro de infância - que se chamava Barcelona! - de 1991-3 (eu joguei neste time entre os 8 e 10 anos). Eu era o único centro-avante, e voltava bastante fazendo o pivô para a ultrapassagem dos meias. - Huhuhauahu, só trollando, mas é verdade -!
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Quanto às questões do futuro tático. Parreira previu o futuro do 4-6-0, ele tinha um estudo de caso no Roma de Totti como falso 9. o Man United e Real Madrid de Mourinho já flertaram com esta possibilidade usando Cr7 como falso 9. Bem, seguindo o raciocínio de Jonathan Wilson, eu concordo que o futuro será: A) o retorno ao 4-3-3 em 4 linhas, um 4-2-1-3, pois, graças à maravilhosa lei de impedimento atual, jogar em 3 linhas é suicídio graças às interpretações de "mesma linha" e de "impedimento passivo", mas com os pontas com funções bem defensivas (aqui). Mas como o próprio Wilson coloca: "Now clearly the distinction between 4‑2‑3‑1 and 4‑2‑1‑3 is minimal." (Agora aclaramente a distinção entre 4-2-3-1 e 4-2-1-3 é mínima). A "questão" serira a presença de um "camisa 10", com ele em campo, os pontas tem funções de ataque aberto e marcar os laterais, se o time não possui este tipo de jogador ele pode ser o "1", senão, os pontas tem que ajudar na ARMAÇÃO de jogadas, com isso, eles descem mais para o meio de campo, perdendo seu posicionamento inicial tão avançado.
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B) A outra opção é outro retorno, ao WW italiano da década de 30 (2-3-2-3). Este seria o default do Barcelona (aqui). Dani Alves e o lateral esquerdo (seja ele Adriano ou Abidal), jogam mais no meio, quase à frente de Busquet, que joga mais à frente dos dois zagueiros, uma linha de 3 clássica. À frente desses "halves" uma linha de dois playmakers (Xavi-Iniesta) e por fim os 3 atacantes. Mas isso só é possível porque: 1. é o Barça, a posse de bola deles NORMALMENTE impede o contra-ataque; 2. Com o advento do 1 no ataque, é irrelevante mais do que 2 na defesa, assim, NATURALMENTE os laterais sobem, viram alas, para se baterem com os wingers do adversário no 4-2-3-1.
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Então, qual é a minha opinião: a maioria dos times adotará um 2-4-3-1 fluido, com o jogo no meio altamene marcado pelo vai-vem na lateral do campo. o triângulo de base baixa será o defalt, com 1 na frente e 2 atrás, assim: 2-2-1-1. E teremos 4 jogadores que jogarão mais avançado ou mais recuado de acordo com a demanda, REAGINDO a um adversário mais ativo. Assim, se os wingers dos adversário avançam mais, transformando o 1 na frente em 3, os alas recuam e transformas o 2 atrás em 4. E também é possível que um winger avança e outro se conserve mais, o que fará que um ala recue - fazendo uma linha de 3 na zaga, e 3 no meio, na prática um 3-4-3).
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Eis o futuro, o 2-4-3-1 cuja leitura tática se dará nas laterais, onde ficará toda a complexidade do jogo tentando fugir à amarração central (2 zagueiros contra 1 atacante, 2 volantes contra 1 enganche), e combates individuais de mano-a-mano (ponta marca individualmente o lateral e vice-versa).
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Uma solução para tudo isto? Talvez a reinvenção do LÍBERO. O time que souber aproveitar melhor suas sobras no meio - tanto na zaga, quanto o 2º volante "box-to-box" - fará a diferença.