quarta-feira, 18 de maio de 2011

FUTURO TÁTICO DO FUTEBOL

Escrevi este texto como comentário ao ótimo texto analítico de Eduardo Cecconi. Este autor é diferenciado porque não se basta apenas COMENTANDO os jogos que já ocorreram, mas cria verdadeiros debates táticos, juntos com lições de história e evolução tática, normalmente pautado pelo grande Jonathan Wilson. Cecconi remonta a origem do 4-2-3-1 e levanta a hipótese do recuo do 1, criando um 4-6-0, ou no caso um 4-2-4-0, ou até mesmo o 4-3-3-0, formação tática do Real Madrid de Mourinho contra o Barcelona de Guardiola, Xavi, Iniesta e Messi. Aqui você pode ler o ótimo texto de Cecconi: http://globoesporte.globo.com/platb/tabuleiro/category/teoria-tatica/
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DISCORDO 1: Jonathan wilson, em seu blog, postula sua tese de origem DUPLA do 4-2-3-1, uma sulamericana - no caso brasileira, que é o seu estudo de caso -, e a europeia (aqui). Os europeus realmente evoluíram do four-four-two, podemos ver isso HOJE no Man. United, Ronney, em teoria second striker (o camisa dez dos ingleses), recua DEMAIS e joga DENTRO do círculo central, recebendo o 2º passe e armando as jgoadas em frente, Wilson dedica um texto exclusivo sobre o novo posicionamento de Rooney e questiona qual seria sua função - afinal, Rooney destaca-se TAMBÉM, pelos desarmes no meio: começa de atacante, arma como meia, desarma como volante.(aqui) -.
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Já nós, brasileiros, particularmente, evoluímos do 4-2-2-2. Eis o momento de análise tática que diferencia as escolas. O 4-4-2 surigu no Liverpool em 1973, mas já em 1966 seu embrião se encontrava ali - muita gente hoje, inclusive André Rocha, já perguntei a ele via blog -, indica a formação do English Team-66 no four-four-two (doravante FFT). Então, o FFT inglês surgiu justamente do recuo dos ponteiros do 4-2-4, os ponteiros continuavam - e continuam ali, em qualquer movimento de ataque percebe-se isso -, mas agora partiam do meio, defendendo pelo lado do campo, ao invés de ficarem lá na frente paradões, esperando a metida de bola.
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Já o nosso 4-4-2 em quadrado veio do recuo de 1 dos pontas no 4-3-3. Assim, jogamos normalmente com uma dupla de meias sendo um mais de posse e passador, e outro mais de velocidade e condunção, que normalmente abre por um lado do campo. O que nós fizemos foi recuar o 2º atacante, que sempre se movimentou mais do que o centro-avante.
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De todo modo, o 4-2-3-1 surge do recuo de um second striker, seja para a função de playmaker - europeu - seja para a função de winger - sulamericano -.
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DISCORDO 2: Outro ponto relevante são as possibilidades de leitura que um 4-2-3-1 fornece. Minha primeira lembrança do 4-5-1 foi a Noruega vencendo o Brasil para a preparação da copa de 1998 (então, ANTES do Real Madrid de 99). Fomos vencidos antes da copa, e DURANTE a copa pela mesma Noruega, que jogava numa espécie de 4-4-1-1 levantando bola para Tore Andre Flo, que variava justamente para um 4-2-3-1 atacando. A campeã mundial, França, começou a primeira fase num quadrado no meio (Barthez; Thuran, Lebouef, Desailly, Lizarazu; Dechamps, Petit, Djorkaeff, Zidane; Henry, Guivar'ch), mas ainda na primeira fase trocou Henry por mais um volante, fazendo um 4-5-1 com meio em M (4-3-2-1) (Dechamps, Petit, Karembeu, Djorkaeff, Zidane), mas Petit tinha tanta liberdade para avançar pela esquerda que muitas vezes poderia ser confundido com um 4-5-1 com meio em W (4-2-3-1) - essa era minha opinião por muitos anos, sobretudo por causa do gol que Petit marcou sobre o Brasil, partindo nas costas de Cafu como um verdadeiro winger.
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Meu ponto é: Como realmente saber de onde veio o 4-2-3-1, já que sua leitura efetiva depende de tantas e tantas variantes? Por exemplo a seleção de Dunga, poderia ser um 4-3-1-2, vendo Robinho como 2º atacante e Elano (ou Ramires) como Volante pela direita com muita liberdade para apoiar (comentado por Wilson ainda aqui, e aqui por Valdir Espinosa que viu a seleção de Dunga desta forma). Mas esta mesma seleção de Dunga, foi vista pelos especialistas brasileiros - ao meu ver, seguindo a leitura europeia do nosso time -, já na época da Copa, como um 4-2-3-1 com a linha de 3 totalmente assimética, com Elano como winger direita MUTIO RECUADO E CENTRALIZADO, Kaká no meio e Robinho como winger esquerdo ADIANTADO E ABERTO. Eu, particularmente, via a seleção de Dunga (não A BRASILEIRA) como um 4-3-2-1, com Elano como volante com muita liberdade para a subida - EXATAMENTE COMO JOGA HOJE NO SANTOS, não vejo NENHUMA diferença de POSICIONAMENTO e/ou FUNÇÃO do camisa 8 -, assim como Petit tinha na França-98, e Robinho como winger por causo do seu acentuado recuo marcando o lateral adversário.
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DISCORDO 3: Qual nada! O primeiro 4-2-3-1 foi no meu timinho de várzea/bairro de infância - que se chamava Barcelona! - de 1991-3 (eu joguei neste time entre os 8 e 10 anos). Eu era o único centro-avante, e voltava bastante fazendo o pivô para a ultrapassagem dos meias. - Huhuhauahu, só trollando, mas é verdade -!
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Quanto às questões do futuro tático. Parreira previu o futuro do 4-6-0, ele tinha um estudo de caso no Roma de Totti como falso 9. o Man United e Real Madrid de Mourinho já flertaram com esta possibilidade usando Cr7 como falso 9. Bem, seguindo o raciocínio de Jonathan Wilson, eu concordo que o futuro será: A) o retorno ao 4-3-3 em 4 linhas, um 4-2-1-3, pois, graças à maravilhosa lei de impedimento atual, jogar em 3 linhas é suicídio graças às interpretações de "mesma linha" e de "impedimento passivo", mas com os pontas com funções bem defensivas (aqui). Mas como o próprio Wilson coloca: "Now clearly the distinction between 4‑2‑3‑1 and 4‑2‑1‑3 is minimal." (Agora aclaramente a distinção entre 4-2-3-1 e 4-2-1-3 é mínima). A "questão" serira a presença de um "camisa 10", com ele em campo, os pontas tem funções de ataque aberto e marcar os laterais, se o time não possui este tipo de jogador ele pode ser o "1", senão, os pontas tem que ajudar na ARMAÇÃO de jogadas, com isso, eles descem mais para o meio de campo, perdendo seu posicionamento inicial tão avançado.
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B) A outra opção é outro retorno, ao WW italiano da década de 30 (2-3-2-3). Este seria o default do Barcelona (aqui). Dani Alves e o lateral esquerdo (seja ele Adriano ou Abidal), jogam mais no meio, quase à frente de Busquet, que joga mais à frente dos dois zagueiros, uma linha de 3 clássica. À frente desses "halves" uma linha de dois playmakers (Xavi-Iniesta) e por fim os 3 atacantes. Mas isso só é possível porque: 1. é o Barça, a posse de bola deles NORMALMENTE impede o contra-ataque; 2. Com o advento do 1 no ataque, é irrelevante mais do que 2 na defesa, assim, NATURALMENTE os laterais sobem, viram alas, para se baterem com os wingers do adversário no 4-2-3-1.
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Então, qual é a minha opinião: a maioria dos times adotará um 2-4-3-1 fluido, com o jogo no meio altamene marcado pelo vai-vem na lateral do campo. o triângulo de base baixa será o defalt, com 1 na frente e 2 atrás, assim: 2-2-1-1. E teremos 4 jogadores que jogarão mais avançado ou mais recuado de acordo com a demanda, REAGINDO a um adversário mais ativo. Assim, se os wingers dos adversário avançam mais, transformando o 1 na frente em 3, os alas recuam e transformas o 2 atrás em 4. E também é possível que um winger avança e outro se conserve mais, o que fará que um ala recue - fazendo uma linha de 3 na zaga, e 3 no meio, na prática um 3-4-3).
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Eis o futuro, o 2-4-3-1 cuja leitura tática se dará nas laterais, onde ficará toda a complexidade do jogo tentando fugir à amarração central (2 zagueiros contra 1 atacante, 2 volantes contra 1 enganche), e combates individuais de mano-a-mano (ponta marca individualmente o lateral e vice-versa).
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Uma solução para tudo isto? Talvez a reinvenção do LÍBERO. O time que souber aproveitar melhor suas sobras no meio - tanto na zaga, quanto o 2º volante "box-to-box" - fará a diferença.