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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

ANÁLISE DOS JOGOS DO BOTAFOGO


Depois de três empates seguidos, faz-se necessário um olhar mais criterioso das qualidades e defeitos do Botafogo de Futebol e Regatas.
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Na fase defensiva do jogo, o Botafogo monta-se num forte 4-1-4-1: Jéfferson; Lucas, Antônio Carlos, Fábio Ferreira, Márcio Azevedo; Marcelo Mattos; Maicosuel, Renato, Andrezinho, Elkeson; Loco Abreu. Com essa estrutura, o time de Gal. Severiano é capaz de aplicar pressão na saída de bola do adversário.     
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Por isso, mesmo com os buracos deixados pelos laterais – sobretudo o esquerdo –, motivo pelo qual o time levou seu três gols na competição estadual, o time já não enfrenta mais problemas defensivos tão sérios como antigamente.
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Essa é a primeira qualidade da equipe de Oswaldo Oliveira: bom posicionamento tático, ocupação inteligente dos espaços a partir da intermediária adversária, estrutura forte, marcação pressão média sobre a bola dos 5 atacantes – os defensores marcam zona –, posse de bola superior a 60% na maioria dos jogos.  
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O lado negativo de se exercer pressão sobre a bola pelos homens de frente, é que isso obriga os zagueiros a fazerem uma linha de impedimento muito alta. Nos dois primeiros jogos, era visível que os defensores não sabiam exatamente o que fazer, o que permitiu lançamentos nas costas de Azevedo. Jéfferson também se posiciona ainda muito dentro da área, ora, se meus zagueiros estão na linha de meio-campo – observem por exemplo o impedimento de Ronaldo Assis, ele está com apenas um pé além da linha divisória do campo –, eu (o goleiro) deve adiantar-me para impedir que os lançamentos dos zagueiros adversários caiam nas costas dos meus zagueiros. É simples isso, mas deve ser assustador para um goleiro ficar fora da sua zona de conforto e jogar onde não possa pegar a bola com a mão.
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Nas transições defensivas, o esquadrão nunca é pego de “calças curtas”, pois a base fica muito bem montada, com os dois zagueiros, Mattos na frente, e com a alternância constante e alternada do apoio dos laterais, ficando um sempre na defesa. O sistema ainda não está perfeito, pois a basculação ainda não está tão afinada quanto deveria ser.
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Apesar destas qualidades defensivas, o time de Oswaldo não demonstra muitas habilidades ofensivas. Acima de tudo, falta criatividade. Andrezinho vem sendo um dos melhores do time, mas ainda não é um 10 que ganhe jogo – a não ser nas cobranças de falta –, que deixa os atacantes na cara do gol duas ou três vezes por jogo.
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Também falta mobilidade. Com a equipe estática do jeito que se apresenta, obviamente não criará chances de gol. Daí a necessidade da profusão de jogadas aéreas para um Loco Abreu que ainda não se encontra 100% fisicamente. Mas com um time que não se movimenta – e que perdeu o que tinha de melhor na época de Caio Jr., a ultrapassagem dos laterais, sobretudo da dupla Maicosuel-Cortêz –, não há jogadas de linha de fundo, e com cruzamentos da intermediária, nem que Abreu tivesse 3m de altura, ele conseguiria vencer essas jogadas, principalmente no meio da região do pênalti (sem contar que, o único cruzamento que realmente funcionou no jogo contra o Flamengo, caindo atrás da pequena área, foi o de Renato).
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Se os meias-extremos do 4-1-4-1 não avançam e viram ponteiros, o time fica assim mesmo, sem penetração, sem profundidade, sem criação. Se o centro-avante fica estático, não abre espaço para a penetração dos quatro homens que vêm de trás, e fica marcado muito facilmente dentro da área. Se os laterais não vão à linha de fundo, acabam fazendo vinte a trinta cruzamentos inúteis para a grande área adversária!
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Eis mais um motivo ainda para que Herrera não volte a ser titular no esquete botafoguense, não sabe se posicionar defensivamente numa linha de quatro meias e não tem capacidade de resolver jogos, o que abriria caminho para a sua presença obrigatória em campo. Por outro lado, será muito mais fácil tirar o Elkeson do time para a entrada do Jobson do que um cara mais amado pela torcida como o Herrera. Jobson este que parece ser titular absoluto na cabeça de The Oz! Jobson, que pelo que está fazendo nos treinos – e se finalmente tiver a cabeça no lugar, pois não terá mais chances e com ninguém – pode realmente chegar e resolver os jogos, um jogador que com ele o time fica muito mais perigoso, no drible, na velocidade, na impetuosidade; mas fica bem menos criativo, o que será um problema se Andrezinho não crescer, ou se não chegar um outro meia capaz de criar condições de gol, o time talvez fique refém da correria de Jobson pela esquerda, e a força física de Abreu dentro da área.

domingo, 22 de janeiro de 2012

QUAL TERIA SIDO O ESQUEMA TÁTICO DE OSWALDO DE OLIVEIRA NO 1º JOGO DO ANO?


AZAR, MAIS AZAR, UM POUCO DE SORTE, SÓ ACONTECE COM O BOTAFOGO
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Loco Abreu fez dois. Deveria ter feito quatro gols.
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O Botafogo fez três gols. Poderia ter feito seis.
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Três bolas e meias na trava (o chute de Márcio Azevedo bateu nos dois paus e não entraram).
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Loco Abreu perdeu um pênalti (nas minhas contas é o quarto que perde no comando do ataque botafoguense) – embora, na minha opinião atacante só perde pênalti quando chuta pra fora, o goleiro defendeu: méritos dele, totalmente –. Numa cabeçada limpa, sem sair do chão, o goleiro salvou em cima da linha em seu contra-pé. No fim do jogo, uma cabeçada passou a um palmo do gol. Foi decisivo, ficou devendo. Leia isto, assista o jogo, decida você como julgá-lo.
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ERROS DEFENSIVOS
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O gol do Resende saiu, obviamente de um golpe de sorte. Mas credita-se a ela este gol? Não, é claro. Só faz gol quem chuta, só desvia na barreira quem consegue uma falta para bater. E como surgiu esta falta?
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Eis o ponto. Por duas ou três vezes no primeiro tempo Márcio Azevedo – que foi bastante bem ofensivamente, sobremaneira nos 45 minutos iniciais – foi pego fora de lugar. Mesmo posicionado na defesa, o lateral esquerdo estava à frente do atacante a quem deveria marcar. Disso surgiu a falta. Da falta saiu o gol.
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“Tudo pela falta de um prego”.
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RENATO + ANDREZINHO
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Em teoria, o esquema tático do Botafogo seria um 4-2-3-1. Mas a movimentação em campo, sobretudo dos centrais não parecia formar um W.
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O triângulo do centro com dois volantes, sendo um cabeça-de-área e um regista (armador) e um enganche (ponta-de-lança) à frente, alinhado com os dois wingers (usarei, doravante, o termo pontas), esta é a formação básica do W no meio-campo do 4-2-3-1.
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A movimentação dos centrais destruíam completamente este desenho. O futebol possui quatro momentos ou fases bem distintas. Um bom técnico é aquele que faz com que o time se movimente da forma mais eficiente possível, e ocupe os espaços da melhor maneira. As quatro fases do jogo de futebol são: posse de bola (ou ataque); defesa; transições ofensivas (contra-ataque) e defensivas (reposicionamento para evitar o contra-ataque).
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Quando o Botafogo tinha a bola, Renato – de quem se espera que venha até a defesa para fazer a saída de bola – avançava até o ataque, Andrezinho é que vinha até os zagueiros buscar a bola. Na verdade, Renato jogou mais à frente do que Andrezinho o jogo inteiro, pois quando o time defendia o 10 se alinhava ao 8 e ao 5.
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Essas trocas de posições entre Renato e Andrezinho foram essenciais para o primeiro gol do Botafogo.
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MAICOSUEL+HERRERA
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No segundo tempo, principalmente após a saída de Elkeson, o Mago foi deslocado à ponta-esquerda. Neste momento, a sua movimentação lembrou muito a movimentação de David Silva no Manchester City: defendendo aberto como winger, atacando centralizado como ponta-de-lança.
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Então, quando atacava, o Botafogo chegou a ter três meias-articuladores centrais. Andrezinho atrás, Renato pela meia-direita, Maicosuel pela meia-esquerda, Herrera na ponta-direita.
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Foi daí, da meia-esquerda que o 7 encontrou o gol livre, após rebote incompreensível do goleiro do Resende – que tinha ido, até aquele momento, muito bem no partida –, apenas para empurrar a bola para as redes.
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Quanto a Herrera, pouco se pode falar. No fim da temporada passada, ajudou a queimar Caio Júnior, reclamando da posição em que jogava. Quando, na verdade, o maior problema era ele. No ano passado, o 17 tinha toda a liberdade do mundo para entrar na área de gol toda a vez que a jogada fosse iniciada pelo meio ou pela esquerda – o que mais um atacante poderia querer? –.
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No primeiro jogo desta temporada ele entra de... ponta-direita, com liberdade para entrar na área de gol quando o jogo se desenvolvia pelo lado contrário. Recebeu uma bola limpa na zona de pênalti e finaliza – mais uma vez – muito mal. E numa jogada de ponta, bola na cabeça de Abreu, bola na rede do gol.
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A pergunta fica: quem é que está certo, ele ou os técnicos que insistem em colocá-lo na ponta-direita?
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MANUTENÇÃO DA BASE
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O lugar comum é elogiar a base do ano passado. Afirmação mais errônea impossível. Vejamos:
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Time base de Joel Santana, 2010 (3-4-1-2):
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Jéfferson;
Fahel, Antônio Carlos, Fábio Ferreira;
Alessandro, Marcelo Mattos, Somália, Marcelo Cordeiro;
Maicosuel (depois que se machuca é substituído por Renato Cajá ou Lúcio Flávio);
Herrera, Loco Abreu
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Time base de Caio Júnior, 2011 (4-2-3-1):
Jéfferson;
Lucas (Alessandro), Antônio Carlos, Fábio Ferreira, Cortez;
Marcelo Mattos, Renato (não o mesmo do ano anterior);
Herrera, Elkeson, Maicosuel;
Loco Abreu
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Time base de Oswaldo de Oliveira, 2012 (4-2-3-1):
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Jéfferson;
Lucas, Antônio Carlos, Fábio Ferreira, Márcio Azevedo;
Marcelo Mattos, Renato;
Maicosuel, Andrezinho, Elkeson (Herrera);
Loco Abreu
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Isto é, mais de 60% do time que começou jogando em 2012 está junto, pelo menos, desde o segundo semestre de 2010 (quando Maicosuel foi reintegrado ao time). Outras peças estão em General Severiano desde a desastrosa campanha de 2009, como: Jéfferson (que chegou na 2º metade do campeonato brasileiro), Maicosuel (que jogou apenas o Carioca), Jobson (que também chegou durante o returno do Brasileirão e só poderá voltar a jogar após março).
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Não só são jogadores que conhecem bem General Severiano – sobretudo, que conhecem muitíssimo bem o Engenhão, casa Gloriosa desde 2007 –, o esquema tático também não é nenhuma novidade do Botafogo, e não falo do esquema de Caio Jr., não. Em 2009, o então técnico do time da estrela solitária, Estevam Soares, montou um time que no papel era um 4-2-2-2, mas na prática era um 4-2-3-1: Lúcio Flávio centralizado, Renato (não o mesmo de 2010, muito menos o atual) aberto na direita, Jobson aberto na esquerda, André Lima na área.
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Trocando e melhorando (quase) todos os nomes, o desenho permanece igual.
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CONCLUSÃO
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Muito cedo para se afirmar qualquer coisa sobre o time ainda – a não ser que precisa, e MUITO, calibrar a pontaria e treinar finalizações –. O time jogou, mormente no primeiro tempo e após voltar à frente do placar um futebol vistoso, de passes rápidos e movimentação constante – dos grandes, foi o que criou mais chances claras de marcar –. No entanto, dos grandes foi o único a levar gol – embora tenha ficado na média de gols marcados, nesse quesito, o pior foi o Vasco da Gama –, mesmo a defesa não tendo sido cobrada nunca contra o Resende: ficar de olho!!

terça-feira, 19 de julho de 2011

Time que enfrentará o líder Corínthians nesta quarta-feira 20-07-2011


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Time confirmado e escalado para amanhã, com Caio aberto na direita. O Botafogo e o Corínthians usarão o mesmo esquema tático, 4-2-3-1, fluindo para o 4-2-1-3. Com isso Caio Jr. tentará quebrar o apoio do lateral esquerdo paulista, e com isso ganhará mais incisividade ao colocar um atacante de verdade na terceira linha, ganhará velocidade, ganhará drible, ganhará em criatividade.
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Caio, mesmo sendo destro, joga fazendo diagonais e sabe buscar muito bem a linha de fundo, essencial já que o lateral direito não apoia e quando o faz, faz deficitariamente. A esquerda, por sua vez, perderá o que tinha de bom, a aproximação entre lateral e extremo, com velocidade e jogadas de fundo, mas com os dois titulares no estaleiro (Cortês e Éverton, respectivamente), o técnico optou por colocar um jovem da base na posição "6".
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Esta escolha mostra um movimento atemorizado pelo fator "3 atacantes" do adversário. Laterais defensivos que apoiam pouco a fim de manter uma base defensiva bem sólida. O apoio, desta feita, deverá ser feito pelo estreante da noite: Renato, fazendo o Box-to-box pelo meio e pela direita.
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O lado esquerdo, no entanto, continuará sem o apoio devido - não acredito que Caio Jr. irá liberar Mattos para apoiar pela esquerda -, o que isolará Maicosuel, talvez aí se concretize outro problema para o Mago. A dupla Maicosuelkeson, no entanto continuará pronta, e é esperado intensa troca de posições entre os dois. A posição do desenho suponho que surja apenas nos movimentos defensivos e de transição, durante o momento de ataque, Maicosuel deverá cair pelo meio e Elkeson vir pela esquerda, sobretudo para permitir que Elkanhão tenha a perna livre para soltar seu chute potente.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

RENATO ESTREIA, COMO JOGARIA O BOTAFOGO?

O ótimo reforço alvinegro Renato estreará na próxima rodada -- num jogo adiado do Domingo para a Quarta-Feira em virtude do jogo do Brasil e da des-virtude do calendário da CBF, em horário ainda a definir dependendo ou não da classificação da seleção canarinha neste fim de semana -- contra o ainda líder do campeonato Corinthians, que tem uma série de jogos atrasados pelo calendário deficitário do futebol brasileiro -- tema que já tratei no início do ano em virtude do início dos estaduais --. 
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Caio Jr. já sinalizou como deverá jogar o selecionado alvinegro carioca, manterá o seu 4-2-3-1 (ou como venho chamando-o neste espaço: 4-W-1). Com a baixa do extremo esquerdo Éverton e a perda inevitável da velocidade por este setor, somada à lesão de Cortês, o até agora contestado paraibano Márcio Azevedo deve assumir a posição "11", deixando o jovem Lucas Zen como lateral esquerdo, embora atuando mais como lateral-zagueiro (ou lateral-base) do que lateral apoiador. 
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Sinceramente não gosto desta solução, a opção por um ala -- seja ele Lucas, Cortês e agora com Márcio Azevedo -- na posição extrema, embora válida pelas características dos jogadores -- o clássico exemplo seria Bale, do Tottenham, lateral esquerdo que hoje pode ser considerado um dos cinco melhores extremos esquerdos do mundo, outro exemplo seria o lateral/meia Michel Bastos, ou o próprio Éverton que ficou conhecido nacionalmente jogando de ala esquerdo pelo Flamengo --, não casou bem com o Botafogo, em nenhuma vez quando usada esta opção o Botafogo venceu.
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Mantendo-se a opção, como ficaria o desenho do Botafogo (no meu campinho manterei a posição "6" e ''11" em aberto)? Primeiramente Elkeson continuará no meio invertendo com Maicosuel. Nos últimos jogos foi possível ver que, com a saída de Éverton -- que sempre avança usando o corredor na esquerda --, a dupla Maicosuelkeson assumiu as três posições da terceira linha: esquerda, centro e direita; embora respeitando um posicionamento inicial, ele não era guardado, sobretudo quando o time fazia a transição ofensiva (contragolpe), o belíssimo lance de Maicosuel que resultou numa defesa incrível de Marcelo Lomba, no último jogo contra o Bahia, foi típico de ponta-esquerda. A dupla da segunda linha (Marcelo Mattos e Renato) deverão jogar levemente inclinada, Mattos deverá fazer a compensação defensiva para que Renato possa chegar à frente com bastante tranquilidade.
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É necessário, neste momento, lembrar que Renato, bicampeão brasileiro pelo Santos atuando como segundo-volante, jogou no Sevilla muitas vezes num 442 ortodoxo (duas linhas de quatro jogadores) e foi muito feliz atuando como box-to-box -- posição de meia-central, uma espécie de segundo volante, responsável pela articulação central do time com passes e lançamentos para as pontas e para área, além de chegar à frente em busca do rebote ofensivo, jogando, assim, de "área-a-área" como indica o seu nome --. Sua liberdade em aparecer na frente vai e DEVE ser mantida, afinal é um dos requisitos básicos do 4-W-1, ou do 4-2-1-3, para evitar o isolamento e falta de opção de passe do ponta-de-lança central do tridente de meias.
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Uma segunda opção é a utilização de um terceiro volante. Neste sentido, Renato deverá ser adiantado para atuar na terceira linha, como articulador central, o time aproveitando-se de sua qualidade de passador. Esta opção me agrada porque jogaria Elkeson para uma das pontas, e a movimentação dele com Maicosuel seria privilegiada por um passador qualificado que não precisaria se mover tanto, tendo sempre um pivô à frente, e dois velocistas -- também dribladores, passadores e finalizadores -- passando a todo instante à sua frente. Esta opção me desagrada pois não acredito que Renato tenha a CRIATIVIDADE necessária para fazer o passe que quebre defesas, embora ele tenha a QUALIDADE deste passe, faltaria o inusitado que um Maicosuel poderia criar, ou um outro "10", que, hoje no Brasil, vemos na figura de Paulo Henrique Ganso, função que o torcedor alvinegro tem em grande monta e em espaço privilegiado em seu coração, desde Didi e Gérson, até Mendonça, Paulinho Criciúma, Sérgio Manoel e Lúcio Flávio (em seu melhor momento pelo Botafogo, entre 2006 e 2008). Este jogador criativo falta ao elenco glorioso, e fica o questionamento se Felipe Menezes serviria à função no nível competitivo exigido pela torcida do Botafogo.
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A terceira opção ficaria no meio termo. Primeiramente a mudança de estrutura no time. Sai o W no meio e entra um M. Neste 4-3-2-1, ou Christmas Tree ("Árvore de Natal") talvez seja a MELHOR opção hoje para o Botafogo. PRIMEIRO: O posicionamento de Renato à direita da segunda linha (no desenho, os três volantes formam uma linha curva de diamante, daí o nome em inglês do meio de quatro em forma de losango, ao contrário do que muita gente acredita, nem toda linha é reta), lhe dará a liberdade necessária para chegar à frente como precisa, além de aproveitar ao máximo sua qualidade de passe, dando-lhe cinco opções de passes imediatas: 1. o lateral que passa ao seu lado; 2. o volante mais defensivo atrás; 3. o terceiro volante à esquerda; 4. Maicosuel e 5. Elkeson que estariam à sua frente ou cruzando de lado, ou centralizados, ou abrindo como pontas. SEGUNDO: Possibilitaria grande mobilidade à Maicosuelkeson, o 7 teria a opção de cair mais no meio, como prefere, abrir na direita, como deseja o técnico ou inverter e disparar para a esquerda, da mesma forma o 9 poderia movimentar-se, a rotação seria constante. 
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Caio Jr. cogitou este desenho para encaixar seus três volantes principais (nessa época Arévalo ainda era do time, e o atual imbroglio de sua saída ainda não existia). É uma opção a se pensar, mas aí teria que mudar a mente do treinador que tem o 4-2-3-1 como seu esquema favorito.
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quarta-feira, 8 de junho de 2011

O PROBLEMA DO 4-6-0

Em primeiro lugar devemos esclarecer certas coisas: O Barcelona nunca jogou no 4-6-0, não como default, e não lembro nem de uma escalação inicial não-usual, sem atacantes, do time. O Barça joga no 4-3-3, sempre jogou, a não ser por certas épocas circunstanciais, como no Dream Team de Guardiola como volante e Cruyff como técnico, que jogava numa espécie 3-4-3 fluido. Ou durante a presença de Ibrahimovitch vestindo a 9, quando o time flertou certo tempo com o 4-2-3-1 (ou 4-5-1 com W no meio).
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O Barcelona é o maior reduto do 4-3-3 no mundo, até mesmo a Holanda está deixando o seu “único” sistema em favor do 4-2-3-1 (ou 4-5-1 com W no meio), assim como a Inglaterra abandona o seu 4-4-2 em duas linhas (Four-Four-Two, doravante FFT), em favor deste formato de 4-5-1, e Mourinho, o novo grande defensor deste sistema, o 4-3-3, também já migrou para o 4-2-3-1 (doravante 4-W-1), desde sua passagem vitoriosa pela Internationale de Milão, e hoje no Real Madrid.
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Se Messi joga de “falso” 9, isso AINDA faz dele um atacante, a diferença é que não joga como um centro-avante típico como Loco Abreu ou Fred, esperando o passe no comando, mas volta para receber a bola no meio e armar, para que ele dê o passe certo final. Cruyff fez essa mesma função na década de 70 no Barcelona – e no Ajax e na seleção Holandesa –, e Laudrup no Dream Team, até mesmo vestindo, salvo engano, a 9. Além de Messi no meio do ataque, os culé ainda têm os dois pontas – não meias-extremos, se bem que a diferença é muito, mas muito, tênue – David Villa e Pedrito.
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Quando falarmos em 4-6-0 há apenas um grande exemplo prático: Roma de Luciano Spalletti no comando e Totti no campo (2006-7): um Escudeto e uma Copa D’Italia para os Giarorossi. Há flertes pontuais com este sistema, como o testado por Sir Alex Fergusson, quando deslocou Rooney para a extremidade e botou Cristiano Ronaldo no comando – nunca pegou –; ou é o esquema tático de Mourinho quando enfrenta o Barça de Guardiola, novamente deslocando Ronaldo para o comando. A “questão” é: onde realmente pegou, mesmo a Roma ganhando um dos torneios mais difíceis e importantes do mundo – Calcio Serie A –? E o mais essencial: por que até mesmo a Roma abandonou este sistema?
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Primeiro, devemos desdobrar este sistema em quatro faixas para compreendê-lo melhor. Mourinho, por exemplo, testou o 4-2-4-0 para tentar encaixar Kaká no seu time, juntamente com Özil (a linha de 4 seria formada, da direita para a esquerda, por Di Maria, Özil, Kaká e Crisitiano Ronaldo), não deu certo. Quando se fala em 4-6-0 este é o sistema pensado, mas não era o sistema da Roma, ela jogava de 4-3-3-0, 3 volantes e 3 meias – a escalação era: Doni; Panucci, Juan, Mexes, Tonetto; De Rossi, Pizarro, Perrota; Mancini, Vucinic, Totti –, assim como o Real Madrid de Mourinho contra o Barcelona, trocando Benzema por Pepe de volante, e deixando Cristiano Ronaldo (doravante, CR7) no último vértice – a escalação contra o Barcelona era: Casillas; Arbeloa, Ramos, Carvalho, Marcelo; Alonso, Khedira, Pepe; Özil, Di Maria, CR7 –.
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Qual era a grande vantagem daquela grande Roma: o contra-ataque. Jogando com meias-extremos extremamente rápidos, e puxando a defesa para o seu campo, numa linha muito adiantada, a Roma aplicava contra-golpes fulminantes, e Totti fazia muitos, mas muitos gols. Apesar desta virtude, o 4-6-0 tinha um grande defeito: dependia do contra-ataque. O time cedia o protagonismo, e com o tempo, os adversários começaram a se prevenir do contra-piede Giarorosso. Até na Roma o sistema faliu.
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COMO EU REAGIRIA A UM 4-6-0?
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Partindo do pressuposto que meu time jogaria num provável 4-3-3 (desdobrado em 4-2-1-3, não com os meias em linha, como na década de 70, nem com atacantes rígidos, mas os três com muitas responsabilidades defensivas) ou num 4-W-1, eu poderia até levar um susto num primeiro momento, mas o que eu faria?
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Primeiro: adiantar a linha de trás. Para quê 4 marcando 0? E teria que fazer isso rápido, para impedir que meus zagueiros saíssem, de forma desordenada à caça dos meias adversários, afinal, nature may abhor a vacuum, but center backs abhor them even more (natureza pode abominar o vácuo, mas zagueiros o abomina ainda mais), como afima Jonathan WilsonA minha primeira escolha seria adiantar 3 (dois laterais e um zagueiro) deixando um de sobra. Provavelmente essa escolha se mostraria falha, pois o 1 nesta espécie de 1-5-1-3 daria legalidade para os contra-ataques do adversário. E então?
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Provavelmente eu jogaria toda a linha de trás para o meio campo, neste caso, contra o 4-6-0 eu iria de 0-7-3. O meio campo ficaria muito, mas muito confuso. Primeiro teria que observar o desdobramento do meio campo adversário – infelizmente para quem, como eu, não gosta de desdobramento em 4 faixas, se você não faz isso, acaba cometendo falhas trágicas de leitura de jogo, não no aspecto tático em si, 4-5-1 e 4-4-2 ainda são 5 no meio e 4 no meio respectivamente, mas no aspecto estratégico, como os 5 ou como os 4 se comportam. Como explicou Jonathan Wilson, aqui, o desdobramento em 4 faixas é uma NECESSIDADE da nova lei de impedimento, que impossibilita times compactos demais, como a Holanda de Rinus Michels, e o Milan de Arrigo Sacchi –:
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Se o adversário jogasse como a Roma – única experiência que deu frutos –, num 4-3-3-0, eu deslocaria meu time num 0-4-3-3 – a linha de 4 formada por toda a linha de trás, à frente o meio em triângulo, em cima do triângulo de volantes adversário, e os 3 atacantes jogando a linha adversária para trás –. Esta foi a opção de Guardiola contra o 4-3-3-0 de Mourinho, quando jogou a Champions League contra a Inter de Milão em 2010, nesta partida, a última linha do Barça ficava praticamente em cima da divisão do campo, Messi jogou de meia e Piqué – o mais alto do time – de centro-avante. Da mesma forma joga Guardiola contra o Real Madrid deste treinador português, com os zagueiros jogando praticamente dentro do círculo central e Valdés jogando de líbero, na intermediária, afastando as bolas longas.
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Contra o possível – e este sim utópico – 4-2-4-0, testado por Mourinho para ter suas estrelas galácticas (CR7 e Kaká) e os seus meias mais eficientes (Di Maria e Özil) em campo ao mesmo tempo – eu testaria sim, com toda certeza, os 4 em campo, mas jogando com uma linha de 3 na defesa, e 1 no ataque, um 3-2-4-1, ou, nestes tempos que se joga com apenas 1 atacante, um 2-3-4-1, ou, um 2-2-4-2, basicamente o sistema tático que eu havia comentado no texto anterior, o 2-2-1-1, dois na zaga, dois na volância, um na meia, um no ataque, e quatro lateralizados, dois mais defensivos e dois mais ofensivos jogando de acordo com a circunstâncias do jogo, inicialmente no formato de 2-4-3-1 –, o jeito seria recuar mais o volante mais defensivo – no caso, mantê-lo na sua posição original – num formato de 0-5-2-3.
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Mas, o que seria mais horrendo seria imaginar se este 4-6-0 se tornar fenômeno mundial como é o caso do 4-W-1, ganhando Champions League, Copa do Mundo, todos os torneios de grande visibilidade – salvo engano, na temporada 2010-11 pelo menos a Premier League e a Bundesleague foram vencidas pelo 4-2-3-1 –. Imagine-se um confronto de dois times neste esquema, dois times cedendo espaço para o contra-ataque, sem protagonismo.
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O pior seria, ainda, o processo natural, com nenhum time não necessitando da linha de 4 atrás, jogam-se todos os atletas para o meio, num mais utópico ainda 0-10-0!!!!!!! Até que surgisse um “gênio” e pensasse: “Ora, se eu recuo o atacante para a meia no intuito de confundir a zaga, por que não adiantar um meia para confundir a marcação dos volantes”? Parabéns, este “gênio” teria acabado de “inventar” o atacante!
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Mas aí é de se pensar: se não havia linha de 4 atrás, este atacante sempre estará em impedimento? Não. A defesa sempre é reativa ao ataque, se um time avança, o outro recua – qualquer passe para trás ou na mesma linha não existe impedimento –, se neste avanço eu deixo lá um atacante, dois, três atacantes, o adversário será obrigado a deixar também defensores para marcá-los – na lógica moderna, pós-58, a quantidade de atacantes + 1 de sobra –. Principalmente com a lei mais brilhante – de “gênio”, afirmou Jonathan Wilson aqui  – de impedimento já criada, e por conseguinte do futebol – o futebol em si, é um resultado desta lei 11, a do impedimento –: o impedimento passivo. Eu posso ter um atacante lá na frente esperando, a bola pode ser passada para frente e este permanecer inativo, um outro jogador partindo de trás pode pegar esta bola e assim dando condições ao atacante, que estaria completamente livre para marcar.
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Por isso hoje joga-se em 4 linhas, para impedir justamente que este jogador se posicione de forma a abrir a defesa, por isso o FFT do Milan de Sachi, mesmo sendo um dos maiores times de todos os tempos, hoje teria problemas com os passes diagonais dos meias, pois teria que enfrentar um time com um enganche entre as duas linhas de 4, e atacantes espetados com a bola e sem ela de marcação firme à saída dos laterais – por isso é tão comum hoje, defensivamente, o 4-5-1 com volante flutuante entre as linhas de 4, ou 4-1-4-1 –. Tanto que, mesmo com toda a pressão ofensiva bleugrana, o Barcelona mantém zagueiros fixos, atrás da linha central, com um volante e os laterais sobre ela, para impedir justamente que um atacante se posicione de forma a se beneficiar da interpretação do impedimento passivo.
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CONCLUSÃO
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Não existe no futebol, lugar dominante para o “0”. A Roma provou ser possível ser campeão assim, mas a Roma tinha Totti, meia de técnica apuradíssima, alto, de ótima finalização, e dois meias muitos rápidos para os contra-golpes, sem esta combinação de fatores, o time teria naufragado. E mesmo a Roma não resistiu.
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Outro exemplo, caríssimo a mim, foi o Botafogo campeão de 1989. Ora, o leitor poderia afirmar, principalmente depois de ter visto o vídeo de Valdir Espinosa explicando como jogava o seu Botafogo (aqui), que o time jogava no 4-4-2 em losango e com pontas, assim como o Vasco dos últimos anos do presidente Roberto Dinamite, que perdendo a explosão foi recuado para armar o time como um ponta-de-lança. Um 4-3-3 com falso 9, diria um leitor de hoje em dia. No Botafogo não foi diferente. Abdicou-se do 9 pois tínhamos o Paulo Criciúma, meia de ótimo cabeceio, e artilheiro nato, fez exatamente a mesma função de Forlán (vestindo a 10) na seleção Uruguaia da Copa do Mundo de 2010, no papel um 4-3-3, com os pontas Cavani (nº 7) e Suarez (9), avançados e o 10 voltando para armar, na prática um 4-3-1-2. No Botafogo de Espinosa, os pontas – Maurício na direita e Gustavo, ou Jéfferson, ou Mazolinha na esquerda – tinham muitas obrigações defensivas, pois os laterais, sobretudo do Flamengo e também do Vasco, eram demasiadamente ofensivos, ora, hoje muitas vezes lemos os pontas com grandes obrigações defensivas como meias-extremos.
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Pautado em todas estas observações não seria sacrilégio – como já se tem feito com a seleção brasileira de 70, um 4-3-3, e a de 82, um 4-2-2-2, serem vistas hoje como 4-W-1’s, principalmente a de 82, pois Éder, ponta-esquerda, defendia muito, para compensar a extrema ofensividade de Júnior, lateral esquerdo – ver este Botafogo de 89 como um 4-3-2-1, sendo os pontas meias-extremos e Paulinho Criciúma falso 9, ou ainda mais, ler este time como um precursor do 4-3-3-0. Também não durou, o time logo voltou ao 4-3-3.
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Todas as experiências feitas, de resultados vitoriosos, muitas vezes bonitos de se ver, mas infrutíferos, sem grandes legados táticos. A própria Roma, que será sempre creditada como mãe do 4-6-0, não foi planejada, Luciano Spalletti, o pai deste esquema, viu-se sem centro-avante e foi obrigado a colocar Totti para jogar nesta posição, como último homem mais adiantado do que seria um 4-5-1, com o retorno do atacante, ao invés de ir para o comando, foi adaptado à extrema esquerda, o que acelerou muito mais os contra-golpes e os deixou mais fulminantes, com um finalizador puxando-os.
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E respondendo as minhas próprias questões: onde realmente pegou o 4-6-0, mesmo a Roma ganhando um dos torneios mais difíceis do mundo – Calcio Serie A –? Mesmo com todos os flertes de treinadores de ponta, como Sir Alex Fergusson e José Mourinho, em lugar nenhum do mundo. Até o Flamengo tentou isso em 2011 pela falta de centro-avantes bons, Luxemburgo desloca Ronaldo Assis para o falso 9, que apesar de ter feito um gol de cabeça jogando nesta posição, não pegou.
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A segunda e mais importante questão: por que até mesmo a Roma abandonou este sistema? Como isso merecia um estudo de caso muito mais profundo por quem acompanha este time assiduamente, acredito que a falta de protagonismo tenha pesado nesta grande equipe – isso sempre acontece com clubes grandes que se tornam reativos demais –, mas, o que acredito ter sido decisivo, foi que a surpresa passou, todos aprenderam a jogar contra o sistema, barrando o avanço rápido dos extremos, e cedendo poucos contra-piedi, além da marcação à Totti ter crescido, único protagonista, neste time de coadjuvantes. A solução a todo esquema que fica “marcado” e não é fluido suficiente para se mover – normalmente todos os times de contra-golpes acabam sendo rígidos demais, mas não é por lei que o sejam – é mudar, e a mudança foi simples, colocar um atacante na frente para que seja protagonista também, ao lado de Totti, e empurrar a marcação para trás, dando liberdade ao príncipe de Roma.
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Parece-me, então, que o 0, como é nulo, como nada, está marcado para não encontrar espaço no futebol, esporte marcado pela ocupação de espaços – os números que dão nome aos sistemas táticos dizem apenas onde encontramos, inicialmente, os jogadores, o espaço que eles ocupam no gramado, nas zonas do campo –. No entanto, ressalto que, como estratégia, desocupar espaço X para que o jogador A se movimente em velocidade para ocupar o espaço aberto, é básico no futebol – não vou nem citar a movimentação de recuo de Messi no centro para a incursão de Villa da esquerda para o meio, mas vou lembrar a seleção brasileira de 70, que Tostão, o centro-avante, abria à esquerda para que Pelé aparecesse no meio, ou O 10 recuava, Tostão centralizava, e o meia Rivelino aparecia na ponta-esquerda da área, ou Jairzinho Furacão cortava da ponta direita em diagonal para o centro da área, abrindo espaço para as investidas do lateral Carlos Alberto, etc. etc. etc. –, e uma das estratégias mais vitoriosas, eficientes, e estéticas do futebol.
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Mas ocupação de espaço é o OPOSTO ao 0, toda vez que o 0 se forma alguém tem que preencher aquele vácuo, daí vermos os defeitos inerentes aos esquemas táticos – isto é, a como uma equipe ocupa os espaços do campo – como sendo as zonas vazias de jogadores – por exemplo, o 4-W-1 tende a isolar o centro-avante, isto é, a deixá-lo cercado de 0, obrigando-o a uma movimentação constante em direção ao trio de meias, como também ao avanço constante, e em bloco deste tridente, em direção à área –. Desta forma o 0 do 4-6-0 é inerentemente um defeito do sistema, ao mesmo tempo que é sua principal característica, sua virtude essencial.
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É uma das leis máximas da natureza (ao lado do “nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”): onde há vácuo que ele seja preenchido pela matéria que está por perto. Ao esvaziar conscientemente uma zona, o técnico pede ao adversário que a ocupe, normalmente cobrando o contra-ataque pela cessão do campo, mas correndo todos os riscos inerentes à estratégia aplicada.
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Para saber mais sobre o Roma de 2007, leia aqui, no blog Zonal Marking

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Provável BOTAFOGO contra CEARÁ 04/06-11

football formations

Esse foi o time treinado por Caio Jr.

Caio Jr. efetivou o posicionamento "trocado" da dupla de meias-atacantes (antigamente: ponta-de-lança), ou como chama Jonathan Wilson playmaker-cum-second striker (criador-vira-segundo atacante). Este posicionamento inicial confundiu a defesa, Maicosuel rende melhor no meio, a troca constante com o mais atacante que criador Elkeson, fazendo X, proporciona a busca da área, impedindo o isolamento do único atacante.

mas essa escalação é um problema estratégico:
1. Alessandro tem muito medo de subir, para aproveitar o espaço aberto pelo X da dupal Mailcosuelkeson;

2. éverton joga procurando a linha de fundo, o que criaria um congestionamento para o avançao do lateral esquerdo Cortês, bem mais obtuso do que Alessandro.

Uma solução talvez, seja a simples troca de èverton por Caio. Aberto na direita, o Talismã ocuparia a linha de fundo, já que Alessandro não  fará. desta forma, deslocado para a esquerda, maicosuel abriria o corredor para as investidas de Cortês.

Outra opção seria a troca de Alessandro por Somália, o que não solucionaria a movimentação na esquerda, nem seria um real ganho técnico na direita.

domingo, 29 de maio de 2011

O COMPLEXO DE MESSIAS

A perfeição de ser Messi? Poder correr, veloz, veloz, e em cada passo, em cada progressão, conduzir a bola, impossível de ser parado, ela, perfeita, totalmente dominada. Messi é o salvador, do futebol. Contra ele não adiantam retrancas, só adianta atacar. Com a bola nos pés, a cada passo dominada, se vão volantes, se vão zagueiros, todos em fila, todos, um atrás dos outros.
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Contra Messi, só o futebol funciona. E o pior de toda esta constatação é perceber que, hoje, não há times no mundo que possam fazer frente a Messi e a seu retranqueiro técnico Guardiola. Guardiola, o retranqueiro dos retranqueiros: como suportar o sistema de marcação que este homem a cada dia que passa aperfeiçoa mais e mais, todos defendendo, retomando a bola em segundos, bloqueando em pressão lá na frente?
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Alex Fergusson, que é Sir, tentou, pôs Giggs em Xavi, pôs Carrick em cima de Iniesta, e pôs Rooney em cima de Busquets, para matar o metrônomo de Guardiola. Todo mundo esperava isso, todo mundo esperava pressão do Manchester United, todo mundo, inclusive Guardiola. Se, na primeira final entre os dois, em 2009, Guardiola colocou Messi de centro-avante, recuando, para confundir a marcação, fez, nesta final de 2011, o mesmo com Xavi. Que recuava até atrás da linha dos zagueiros, escapando da marcação, e armando o time de trás, com toda a sua privilegiada visão do jogo, e seu passe refinado, sua técnica apurada, relembrando o tempo – até 2007 – em que era primeiro volante. Giggs não acompanharia e não acompanhou.
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Mas devemos sempre relembrar que ele participou do lance mais importante dos ingleses: dentro da área, fez o pivô, devolvendo a bola para Rooney, na noite dos 10, fazer um golaço.
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Contudo, de nada serviu, porque antes Giggs não acompanhou Xavi, o mestre Xavi, o 8 dos 8, mas que veste a 6, com a cabeça erguida, com três opções de passe – a grande virtude de ter três atacantes à frente – meteu para Pedrito sozinho matar Van der Sar.
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E foi dali, donde Xavi viu Pedrito, dali, que logo após, Rooney fez um-dois com Giggs, que o maior do mundo fez a diferença. Como os zagueiros não subiam para proteger à frente da área, nem os volantes recuavam para fecha-la, Messi – o maior artilheiro de uma edição de Uefa Champions League (UCL) – e depois Villa poderem fazer os seus gols de fora, batendo, sem que ninguém os cobrisse – não importa quanto tempo passem sem fazer gols, artilheiro é artilheiro –.
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Fica-se a impressão: Quem pode parar esse Barcelona de Messi e Guardiola? Como parar este time? O único time do mundo que joga no mesmo modo e no mesmo nível é o Arsenal de Arsene Wenger, mas este Arsenal não tem a mesma qualidade técnica individual que o Barca, os blaugrana têm um gênio (Messi), dois craques (Iniesta e Xavi), dois acima da média (Villa e Dani Alves), dois jogadores taticamente impecáveis (Busquets e Pedro), e é recheado por jogadores ótimos e bons. Os Gunners passam a impressão de um time de ótimos e bons dependente do seu único craque (Fábregas), mas com nenhum realmente que possa decidir. O Manchester United parece ter um elenco mais a altura dos catalães, mas os Red Devils são tão azeitados no esquema de Fergusson, que parecem taticamente imutáveis – a grande mudança tática do time parece que é a transformação de Rooney dum second striker (segundo atacante) que vira playmaker (meia-de-ligação) para um playmaker que vira second striker –, que não conseguem se adaptar a imensa mutabilidade do time de Guardiola.
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A única “esperança” parece ser o Real Madrid de Mourinho, que possui um elenco suficiente forte para barrar o elenco do Barça, além de contar com um técnico hábil o suficiente para mudar, transformar o seu time, adaptá-lo ao futebol total catalão, tentando impedir o jogo de Lionel Messi.
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E Messi, O Messias do futebol, continua transformando o mundo, sem ele o Barcelona igualaria a seleção espanhola, muito toque, muita posse, ninguém que infiltre e finalize, com dribles, passes e finalizações. É o melhor que os sulamericanos têm a oferecer, em qualidade técnica, ao melhor que a Europa tem a oferecer – a escola do Danúbio, encarnada na figura de Cruyff –. E assim o esporte bretão vai se livrando da pecha que vinha dos anos 80, da força, do vigor, do defensivismo, e resgatando aquele futebol de exceção que morreu com a seleção de Telê e Zico em 1982.
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Como esse Barcelona lembra aquele futebol...

quarta-feira, 25 de maio de 2011

PRÉVIA DA FINAL DA UEFA CHAMPIONS LEAGUE 28-05-2011: UMA MISSÃO "MESSIÂNICA"?

Navegando na net, deparei-me com o texto recém-escrito pelo jornalista Jonathan Wilson, um dos papas da análise tática mundial, autor do livro Inverting the Piramid -- que se alguém souber como achar me avisa, pois estou louco para comprar -- sobre a final da Uefa Champions League neste próximo sábado. A partir do escrito dele, e do que andei debatendo informalmente esta semana, publico aqui o meu texto. 
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P.S.: O texto sobre o 4-6-0 que havia prometido está pronto, mas ficará para depois visto que esta semana já há o jogo -- e o texto do Jonathan, que partes transcrevo abaixo, também dá subsídios ao que penso. Abraços, quem puder dá um comentário!
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The basic rule is that you need as many players at the back as the opponent has forwards, plus one. Roughly speaking, Barca plays a 4-3-3, so that would suggest a back four. Except that Lionel Messi, the central player of the three, is a false nine, dropping off toward midfield, leaving space into which David Villa and Pedro can break from wide. That is a conundrum with which defenses have struggled all season; nature may abhor a vacuum, but center backs abhor them even more. What should they do? Follow the forward and risk opening gaps, or leave him alone to -- hopefully -- be picked up by the holding midfielders, who themselves have Xavi and Iniesta to look after?
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“A regra básica é que você precisa da mesma quantidade atrás tanto quanto o oponente tem avante, mais um. Falando grosseiramente, barça joga um 4-3-3, então isto sugeriria quatro atrás. Exceto que Lionel Messi, o jogador central dos três, é um falso nove, descendo em direção ao meio-campo, deixando espaço no qual David Villa e Pedro podem penetrar das extremidades. Eis o problema com o qual defesas tiveram trabalho toda a temporada; natureza deve abominar o vácuo, mas zagueiros abomina-os ainda mais. O que eles deveriam fazer? Seguir o avante e arriscar abrir buracos, ou deixá-lo só para – esperançosamente – ser pegos pelos volantes, que eles mesmos têm Xavi e Iniesta para observar”?
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Well, maybe the answer is to do neither. If Barca plays without an orthodox central striker, perhaps the answer against them is to play without an orthodox center back -- or rather, to play with only one, the "plus one," and to track Messi with either a designated man-marker or an additional holding midfielder. That would then leave a back three, but unlike the familiar back three, it would consist not of three central defenders, but of a center back and two fullbacks (who would, admittedly, have to play slightly tucked in to match the angles on which Villa and Pedro attack).
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“Bem, talvez a resposta é fazer nenhum dos dois. Se Barça joga sem um centro-avante ortodoxo, talvez a resposta contra eles é jogar sem um zagueiro ortodoxo – ou ainda, jogar com apenas um, e ‘mais um’, e perseguir Messi com tanto um marcador individual designado ou um volante adicional. Isto os deixaria com três atrás, mas diferente do três atrás familiar, ela não consistiria de três zagueiros, mas dum zagueiro e dois laterais (quem teria, admitidamente, que jogar levemente fechados para igualar os ângulos no qual Villa e Pedro atacam)”.
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There would then be three holding midfielders (or perhaps two holders plus a man-marker) to handle Messi, Xavi and Iniesta). So, three defenders, three holding players -- that leaves four. Against Barcelona, with its attacking fullbacks, wide men are essential, and given Sergio Busquets is the metronome who sets Barca's rhythm, the ideal would be an attacking midfield-cum-second striker to sit on him. That leaves one remaining player, ideally a rapid center forward to disrupt Barca's back four with his movement and look to use his pace to get behind them, perhaps making them wary about playing a full press.
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“Haveria então três volantes (ou talvez dois volantes mais um marcador individual) para lidar com Messi, Xavi e Iniesta. Então, três zagueiros, três volantes – restam quatro. Contra Barcelona, com seus laterais atacantes, homens abertos são essenciais, e já que Sergio Busquets é o metrônimo que acerta o ritmo do Barça, o ideal seria um ponta-de-lança (meia-vira-segundo atacante) sentado (na falta de melhor termo para traduzir) nele. O que deixa um jogador sobrando, o ideal seria um rápido centro-avante para romper os quatro atrás do Barça com seus movimentos e usa sua velocidade para cair atrás deles, talvez fazendo-os se preocupar sobre jogar sua uma pressão total”.
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So, if you had a limitless pool of players from which to draw, a 3-3-3-1, with the middle three narrower than the other two threes, would seem the ideal. (…)
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“Então, se você tem um ilimitado número de jogadores com o qual desenhar, um 3-3-3-1, com os três do meio mais fechados que os outros dois três, seria o ideal”. (...)
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Park Ji-sung will surely be used on the left to try to check the runs of Dani Alves. It's commonly said that the space behind Alves is a potential weakness for Barca, yet nobody has really yet been able to exploit it; the best option may simply be to try to track his runs, and Park, as almost a specialist defensive forward, is probably as equipped as anybody to do so.
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“Park Ji-sung será certamente usado na esquerda para tentar conter as corridas de Dani Alves. É comumente dito que o espaço atrás de Alves é uma fraqueza potencial do Barca, embora ninguém tenha realmente ainda sido capaz de explorá-lo; a melhor opção pode simplesmente ser tentar seguir suas corridas, e Park, como quase um avante defensivo especialista, é provavelmente tão equipado para isso como ninguém para faze-lo”.
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Coincidência das coincidências não foi o grande mestre Jonathan Wilson imaginar um time anti-Barça igual ao que eu desenharia, mas, um dia antes dele publicar seu texto, um aluno meu me perguntar justamente o que eu faria contra o grande Barcelona, o melhor time que eu já vi em campo.
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Minha resposta foi quase idêntica, partindo de um 4-3-3 com pontas defendendo bem forte, ou um 4-2-3-1 com extremos com bastante ímpeto ofensivo. Mas o ponto crucial é a linha de trás – justamente o elemento ao qual Wilson dedica mais tempo na análise que transpus e traduzi –. O “grande truque” do falso nove é que saindo da posição de centro-avante para fazer o enganche acarretaria uma duplicidade na marcação: é o volante ou o zagueiro quem vai pegá-lo. A resposta de Wilson é soberba: nenhum.
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Neste momento, como gosto de dar exemplos – ê cabeça de professor! –, dei o exemplo ao meu aluno da Itália campeã do mundo em 1982, na qual Gentile anulou nada mais nada menos que Maradona e Zico, que foram presos e perseguidos na marcação individual italiana. O adversário do Barcelona tem que possuir esta qualidade: poder ter alguém para liberar na perseguição individual à Messi.
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Mas quem, no elenco do Manchester faria esta função? Obviamente ninguém seria tolo de desfazer a melhor dupla de zaga do mundo: Ferdinand + Vidic. Entre os dois, por achar que Vidic está em melhor temporada este ano, e ser absoluto em cima, deixaria ele na área, fazendo a sobra, e deixaria para Ferdinand -- que tem até mesmo o costume de subir mais, quase como um líbero -- a função de pacman de Messi.
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As outras alternativas às vezes funcionam, mas nem sempre. Quais são as outras alternativas para barrar a flutuação “messiânica”? A mais utilizada é o 4-1-4-1 – como o utilizado pelo Arsenal –. O problema 1: se as duas linhas não compactarem, não vão coibir o avanço de Xavi e Iniesta, é aí onde a maioria dos times caem diante do fluxo e do ritmo de passes do Barça. O problema 2: a falta de uma defesa de exceção. Esta foi a maior razão da queda do Arsenal diante dos culé no Camp Nou. Um momento, uma falta de concentração – como a brincadeira de Fábregas dando de calcanhar a dois metros da grande área – e o resultado é Messi entrando e marcando um golaço.
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A segunda opção é a utilizada por José Mourinho no Real Madrid, trocando um atacante por um volante, e o triângulo de trás bateria de frente diretamente com o triângulo formado por Xavi, Iniesta e Messi. O problema 1: liberdade para Busquets dar o ritmo ao time, passar para os laterais, ou avançar até conseguir encontrar um dos três meias – considerando Messi, neste caso de meia – soltos e passar para eles. O problema 2: quando Messi está adiantado como centro-avante, o volante extra torna-se inútil, e nada impede que o argentino faça gols de 9 dentro da área, como o primeiro contra o Real no jogo de volta das semi-finais da Liga dos Campeões (UCL) 2010-11, no cruzamento de Affelay.
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Mas, para mim, o mais importante foi um ponto que devo discordar de Jonathan Wilson, quando afirma que o ponto fraco do Barça é a grande ofensividade de Daniel Alves – o qual concordo, além de outros pontos –, porém discordo quando Wilson afirma que este “defeito” nunca foi explorado apropriadamente.
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Há três estudos de caso: 1. Primeiro gol da virada do Arsenal no Emirates nesta UCL, uma roubada de bola de Clichy, e Van Persie na esquerda arremata ao gol – Valdés aceita –. 2. Gol do título de Cristiano Ronaldo da Copa do Rei. Marcelo e Di Maria fazem um-dois em cima de Daniel e cruzamento perfeito de Angel para cabeçada soberba de Ronaldo. 3. Novamente Di Maria, segundo jogo da semi-final da UCL, num primeiro momento, pedalando sobre Daniel e chutando de forma perigosíssima, noutro lance, Angel faz grande jogada, chuta, a bola vai na trave e volta, Di Maria mata-a fenomenalmente e toca no meio para Marcelo completar.
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O que me leva à conclusão: Enquanto Angel Di Maria foi “obediente” e conteve-se em conter Daniel Alves foi um atleta apagado pelo protagonismo do brasileiro, mas quando foi para cima, jogando no bico da área do Barcelona, foi o mais perigoso jogador que os bleugrana enfrentaram – sobretudo se comparado ao jogador nulo e inexistente da goledada histórica de 5 x 0 no Camp Nou –!
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Curiosamente, a solução que eu pensei no ato pro meu aluno, corresponde mais ou menos ao que a Alemanha de 1954 utilizou para vencer a Hungria na final da Copa da Suíça – ignorando-se todas as teorias de conspiração existente sobre aquela final e o gol roubado que os magiares fizeram no fim e foi muito mal anulado –. Um perseguidor individual, Horst Eckel, para o maestro e falso nove – o primeiro da linhagem, pelo menos em nível mundial – Hidegkuti, afim de anular a sua movimentação, somada a uma força ofensiva incomum vinda dos contra-ataques do ponta-direita Helmut Han. Esta coincidência – que não tem nada de coincidência, mas do inconsciente remontando o presente com o conhecimento prévio – que só vim notar quando pesquisava para este texto, talvez seja o estudo de caso ideal contra o Barcelona, mesmo os sessenta anos separando os dois times e as mudanças inerentes ao futebol e aos sistemas de jogo – o Barça joga no 4-3-3 a Hungria numa variação do WM (3-2-2-3), chamada MM (3-2-3-2) –.
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Do mais deve concordar comWilson: Sir Alex Fergusson não deve desmonntar seu 4-4-1-1. Park sobre Alves, Valência sobre o lateral esquerdo que atuar, Ronney impedindo a saída de bola através de Busquets. Para mim isso é essencial, o tridente de meias impedindo a saída do tridente da 2º linha do Barcelona – um movimento já percebido por todos os analistas, como Jonathan Wilson, o time de Guardiola avança e ataca numa espécie de 2-3-2-3, o WW campeão do mundo com a Itália em 1934 e 1938 –, responsável pela transição e pelo desafogo de trás, além de sua movimentação ser a responsável pela liberdade dos homens de frente dos blaugrana – isto é, quando Alves avança, alguém tem que vir marca-lo, deixando livre ou Xavi ou Pedro, da mesma forma na esquerda, liberando ou Villa ou Iniesta, ou Busquets pelo meio liberando um dos dois meias –. A uestão é impedi-los, impedir que façam um bom passe, que se projetem, que quebrem o sistema de marcação, sobretudo, impedir que fiquem trocando passes laterais “sem importância”, aumentando a posse de bola do seu time, e o mais importante disso, impedindo que o adversário tenha a bola para atacar.
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Mas o ponto mais importante seria a lateral esquerda do Barcelona. Nenhum dos três laterais dos culé está em condições cem por cento de jogo, por isso a velocidade de Valência – que além de ser maior de que a de Nani, não veio de uma lesão como o português que vem de uma fratura –. Quando eu critiquei Wenger por abdicar do contra-ataque, ou mesmo da covardia em não utilizar os melhores wingers que tinha, também tinha que relevar o fato de Walcott, que não é tecnicamente o melhor, mas é o mais rápido, não estar em suas condições totais de jogo – mas se Fábregas e Van Persie jogaram fora dos 100%, porque não o velocista inglês dono da 14 que foi de Thierry Henry?
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Toda forma, jogão. Se o Manchester United não tem a qualidade refinada de toque de bola e posse como o Arsenal e o Barcelona, sobra-lhe um algo mais que os catalães têm e falta aos londrinos há alguns anos: eficiência. Ou como se diz muito no Brasil: “chegada”. O Arsenal de hoje é um time sem chegada, derrapa muito em suas próprias pernas, o United não, é time pronto, que mescla muito mais e melhor talento com experiência – por exemplo, falta um Giggs no Arsenal, não em termos de qualidade, os Gunners têm até jogadores melhores, mas ainda assim não com a presença de um Giggs –, e é um time pronto para vencer, a mesma base que ganhou um Champions e perdeu outra para o Barça.
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Em condições reais, daria 7 por 3 as chances do Barca – e isso porque é o Manchester United, o grande e poderoso time de Fergusson –. Por ser jogo único, e tudo pode acontecer, um 6 a 4. Por ser em Londres, bem, isso deve deixar 50% pra cada um.
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Mas o Barcelona tem Messi. E o fator “messiânico” pode fazer diferença. 55% pro Barca, 45% pros Red Devils.
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Sem arrudeios: 2 x 1, na prorrogação. Pra quem? Veja pelos gols: Iniesta, Hernandez, Messi – driblando 3, penetrando na área e encerrando a carreira de Van der Sar com uma cavadinha, depois dos 10 minutos do primeiro tempo da prorrogação!
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P.S.2: Jonathan Wilson publica outro texto no exato momento que eu publico este, o texto -- para o público britânico, diferentemente do escrito para o público norte-americano -- é mais profundo, no entanto os preceitos táticos-técnicos são o mesmo, os parágrafos são até praticamente idênticos, quem quiser acompanhar -- com mais uma lição de história futebolística de Wilson-Sensei -- é só ler aqui.