Os cantares das cigarras
Penetram as pedras.
eis o mais puro o mais branco o mais limpo;
eis o mais claro o mais alvo o mais belo;
eis o cândido o lívido o do Olimpo.
o jamais denegrido o mais singelo;
sempre sincero mas jamais turvado;
eis o níveo cristal sem paralelo.
Ele passa na rua imaculado.
o Mundo não Lhe toca, Ele é perfeito.
não tem cheiro, nem gosto, nem passado.
e por ter muito medo da cor preto,
sem café toma leite, sem amor
beija, sem um princípio vem eleito.
eis Aquele que do Mundo é Senhor:
a larva carniceira em seu brancor.
Sinto esta falta em mim,
tão ambígua,
tão laica,
Este estar perdido, este
não compreender o que me vem
Sem compreender direito o que sei, apenas que vejo
O mundo e é como se ele me respondesse
Quase de imediato à minha triste incógnita
Este andar compassivo,
compassado,
plasmado
Das minhas dúvidas
e agnosticismos