eis o mais puro o mais branco o mais limpo;
eis o mais claro o mais alvo o mais belo;
eis o cândido o lívido o do Olimpo.
o jamais denegrido o mais singelo;
sempre sincero mas jamais turvado;
eis o níveo cristal sem paralelo.
Ele passa na rua imaculado.
o Mundo não Lhe toca, Ele é perfeito.
não tem cheiro, nem gosto, nem passado.
e por ter muito medo da cor preto,
sem café toma leite, sem amor
beija, sem um princípio vem eleito.
eis Aquele que do Mundo é Senhor:
a larva carniceira em seu brancor.
ESTE CANTO
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
SONETO
terça-feira, 12 de maio de 2026
BEIJO
Teu batom grosso,
cremoso,
rosa
Prendeu-se em minha
boca
Passei o dia inteiro
Perturbado
Por isso
Preciso
Que venhas até aqui
buscá-lo
sexta-feira, 13 de março de 2026
COMA
O que há de errado comigo
Pra não me quereres tanto?
Dormimos no mesmo abrigo
Sem sono, suor, perigo,
E um beijo de desencanto.
Eu sinto saudades tuas
Dividindo a mesma cama.
A madrugada nos chama,
Mas surda tu continuas
A suspender a quem te ama.
Sábio quem sabe sofrer!
O dia chega calado
E meu corpo sem comer.
Eu queria estar errado,
Mas vi teu tesão morrer.
segunda-feira, 11 de novembro de 2024
NOSTALGIA DE DEUS
Sinto esta falta em mim,
tão ambígua,
tão laica,
Este estar perdido, este
não compreender o que me vem
Sem compreender direito o que sei, apenas que vejo
O mundo e é como se ele me respondesse
Quase de imediato à minha triste incógnita
Este andar compassivo,
compassado,
plasmado
Das minhas dúvidas
e agnosticismos
quarta-feira, 30 de outubro de 2024
ARMISTÍCIO
Propomos um armistício
Clamando vossa Humanidade
Contra nossa selvageria:
Vós parais de nos matar
Nós paramos de morrer
Vós parais de nos atacar
Nós paramos de sofrer
Vós parais de bombardear
Nós paramos de correr
Vós parais de nos fuzilar
Nós paramos de nos defender
Vós parais de nos roubar
Nós não paramos de viver
Sabemos o tão pouco que podemos
Vos oferecer
Não temos mais a terra que tomastes
Para negociar
Não temos mais a água que tomastes
Para vos trazer
Não temos mais a paz que tomastes
Para nos render
Não temos mais a alegria que tomastes
Para vos humilhar
Não temos mais dignidade
Para vos ofender
Propomos armistício
Contra vossa Humanidade
Clamando nossa selvageria
SONETO
Se por amor for, deixe-a a mim voltar;
Se for só solidão, me deixe estar;
Sempre é bom se saber de quem gostar.
Quando for por carinho, é que nem ar!
Quando for complacência, só, prefiro
Viver. Me deixo ser como ficar.
Sozinho vivo e canto, assim me viro!
Se ela voltar, meu mundo fica rosa
De coração! Sem solidão, respiro.
Minha alma, sem ela, ficou porosa.
Escondo-me nas ruas, sombra viva.
Acabou poesia, mal há prosa!
Nela, dediquei litros de saliva.
Por ela, chorei horas à deriva.
terça-feira, 24 de setembro de 2024
VOLTAS
O bode doce miou
Num canto torto da sala
Em seus cem sonhos sem cor
Sob o sovaco uma mala
Para longe o bode santo
Se admirou e cresceu
Dançando forró mais eu
Na espia do torto canto
Cem dias em cem novelas
Um novelo de lã pelas
Esquinas do meu sovaco
Fiou o bode doce e opaco
Com o Mal, eu cortei meu vínculo
Ficou o bode doce e santo
Aqui quase tudo é símbolo
Feliz danço doido e canto
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