quarta-feira, 12 de julho de 2017

LULA CONDENADO: NADA DE NOVO NO FRONTE

Como esperado, Moro condena Lula a 9 anos e 6 meses de prisão.
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Dois pontos chamam a minha atenção no entanto: primeiramente, ele foi condenado pelo tríplex, não pelo armazenamento. O armazenamento, que teria os indícios mais fortes, foi arquivado por falta de provas; enquanto o imóvel do Guarujá, que é um caso bem mais famoso, mas com pouquíssimas evidências, e do qual Lula já fora inocentado​ por falta de provas em São Paulo (onde fica o Guarujá), houve a condenação.
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Outro ponto é: por que hoje? Na ressaca do assassinato aos direitos trabalhistas; no dia do início do julgamento de Temer na CCJ; no dia da sabatina no senado da nova procuradora geral da república indicada por Temer?
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Ora, o enredo da narrativa se mantém intacto: quando a Globo quer silenciar certas notícias, Moro faz mais um ataque a Lula e todos ficamos desapercebidos dos eventos.
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Ou os trabalhadores se unem, ou a corja neoliberal, aliada como sempre aos conservadores, destrói o nosso país.
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12/07/2017
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Thiago Ribeiro

quinta-feira, 6 de julho de 2017

VERGONHA (crônica política sobre a prisão de Berg Lima)

Meus alunos me perguntaram hoje se fiquei decepcionado com o caso de Berg Lima. Não, não fiquei. Envergonhado, sim. Decepcionado, não. Ainda mais, posso dizer que fiquei triste, muito triste, mas com a cidade.
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Não poderia me decepcionar, pois nada esperava de muito bom. Um governo razoável, no máximo, um governo passável e, logo, esquecível. Não poderia me decepcionar, haja vista que não me iludi. Todos os que vociferam moralismos estão, no dizer de Padre Vieira, "com inveja do roubo."
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Além do mais, todo canalha argumenta em nome de Deus, portanto, quem transforma comícios em cultos, sempre me fedem a "túmulos caiados". Cidadãos de fé usam sua ideologia como bússola moral, não como máscara social.
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O verdadeiro sentimento que desenvolvi foi vergonha. Vergonha de assistir minha cidade, em que me criei, em que meu filho nasceu, donde tiro o sustento da minha família como professor e funcionário público; ter seu nome enlameado pelas barbas bem tosadas de um prefeito embasbacado pela situação de ser parado por um policial civil que lhe revistava os bolsos de trás. Prefeito com ensino superior, vindo da crônica esportiva e da produção cultural, e que, desde que assumiu, imitava em tudo a todos os lances e cliques dos novos "gestores" públicos advindos do grande empresariado.
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A sua barba, o seu sorriso, os seus óculos, sua camisa azul, são a cara que representa a minha cidade. O que fez ele? Deu-nos a face da ladroagem.
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E, é claro, que "além da queda o coice", o efeito de decepção na maioria absoluta dos meus concidadãos que lhe garantiram a maior votação deste município foi o que me mais constrangeu, que a mim mais feriu: Da maior parte das bocas, as maiores reclamações foram: "foi por tão pouco"; e "foi burrice ter ido ele mesmo buscar o dinheiro".
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O que me entristece é ver que o que machuca o meu povo é o valor da sujeira, não ela em si. Como se sentisse que haveria valor mínimo para moral popular ou para enlamear a terra em que vivem e donde ganham o pão.
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Pior são aqueles que reclamam de sua burrice, ao invés de sua "atitude" (palavra que foi seu mote na pré, durante e no pós campanhas eleitorais) antiética. Mesmo não tendo ele ido buscar a propina, sempre haverá o encontro secreto entre corruptos e corruptores, este encontro em que se combinam valores e carregadores de pacotes, encontros que podem ser num restaurante de cidade pequena na hora do almoço, ou às 23h no Palácio. Gravações sempre poderão ser feitas.
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Mas, mesmo encoberto o ato, este não se torna mais limpo, ou menos sujo. Parece-lhes, apenas, que ladrão bom é ladrão que não se deixa pegar.
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Por isso, o prefeito me envergonha, porque envergonha a cidade e esta, por sua vez, me entristece e, sim, me decepciona por sua pouca vergonha.
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06/07/2017

segunda-feira, 3 de julho de 2017

ONDE ESTÁ A PÁTRIA DE CHUTEIRAS

Onde está a pátria de chuteiras?
Está violentada por ratos
                                         sedentos por menstruação.

Onde está a pátria de chuteiras?
Escondida nos porões com
                                           mamilos eletrificados.

                   Pátria: 
                              ame-A ou deixe-A;
Não pense, trabalhe!

segunda-feira, 19 de junho de 2017

CANTILENA: O SONO É MAU

Tive uma lembrança triste
Tal qual eu nem acordasse
O sono é mau quando existe
Esta amargura que insiste
Em molhar a nossa face.

Nessa dor em que me viste,
Minha mãe, em todo prostrado:
Como escorpião cercado
Com o próprio aguilhão em riste
Mira a si, desesperado.

É nessa dor de penado
Tal a vida amargurasse
Como um café que calado
Engulo, frio e vomitado,
E o próprio Sol apagasse.

Assim, minha mãe, encontrado
Fui por teu olhar tristonho.
O sono é mau quando o sonho,
Da vida, é desenganado
Por um sofrer que me imponho.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

PUTA AMIGA

Minha puta amiga,
Eu só me lembro de ti quando,
Voltando para casa,
Passando pelas esquinas escuras
Ou mal iluminadas
Da cidade,
Assisto aos trabalhadores parados nelas,
Penteando os cabelos com escovinhas de bolso,
Se embelezando e se perfumando para ti.

O que seria dos trabalhadores sem ti,
Especialista em carinho,
Profissional da solidão?
Máquinas sem alma
Assentadoras de tijolos?
Só tu podes,
Cara puta,
Resgatar nos homens,
E a baixo custo,
O que lhes resta de humanidade.

E ao dividir-lhes
O copo de cerveja
E a cama
Acabas por unir-lhes
O corpo
E a alma.

Eu,
Puta amiga,
Te agradeço.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

SONETO

Mas o poema dos amantes é
O mar que muda tão constante quanto
Somos mutantes. O amor faz maré
          Nos carregando, barco solto. Espanto
          Imenso, incenso em ascensão. Rio morto
          Não possui porto, pois amar sem pranto
É mar sem vento. Enquanto fingem torto
Este vazio amor, quem de vero tem
Um bem querer, acha nenhum conforto
          Em maré baixa. Porém, quando vem
          A onda com as brisas e nos traz o amado
          Sorriso, é só sossego e paz num sem
Fim. Amor é o mar, como está falado
No termo amante, este jamais parado...

quarta-feira, 31 de maio de 2017

DELENDA BAYEUX

Nasce um novo prefeito
O antigo se vai
Mas sua fome fica
São mil milhões de empregos
Criados forjados
Inventados cargos
Vendidos partidos
E distribuídos
De cem em cem trinta
Em trinta ou cinquenta
Entre os vereadores
Todos base são
Com cargos há não
Uma oposição 
Viajam unidos
Demitem coveiro
Discutem prisão
Riem riem riem
Apertam a mão
Abraçam você
Te dá um tijolo
Mas sós eles gritam
"Delenda Bayeux"