terça-feira, 29 de dezembro de 2015

CULPA E ENFADO

só a alma que peca
que se arrepende, que se culpa,
o corpo é puro prazer

mas o corpo não cria, só repete
e se enfada, não imagina,
e o prazer se apaga

como ser feliz
entre a culpa
e o enfado?

terça-feira, 24 de novembro de 2015

SUPERMAN: O ÚLTIMO FILHO - RESENHA CRÍTICA

Acabo de ler o encadernado da Eaglemoss do romance gráfico Superman: O último filho. Constato: e como é fácil escrever uma boa estória do Superman. É fácil porque ele é icônico, representando tudo o que é colorido e belo no American Way of Life, ou para ser ainda mais preciso, nas suas mais bem acabadas estórias, como esta, no que há de melhor na ideologia ocidental.

Como transfiguração da ética ocidental, Superman torna-se sempre uma bússola moral, achincalhado por todos: "escoteiro" etc. Mas a verdade é que aqueles que veem o S, sabem que cá é o certo. Daí, talvez, a preferência de muitos pelo Batman e suas estórias cheias de matizes  acinzentadas, de seu caráter quase de anti-herói andando na linha tênue da moralidade (embora o Batman realmente nunca deslize de seu próprio código ético, ele é completamente incorruptível, assim como o Superman), com suas grandes estórias tendendo sempre para o caracteres fascistas. O Superman, ao contrário, tem seus diálogos tendendo para a confirmação de um código de ética moralizante: ele é o pai (não o patriarca, neste caso) ensinando as crianças (ou adultos, ou vilões enquanto discutem com ele trocando sopapos): "não importa, o certo não se enverga". Poucas vezes, em suas estórias, Kal-El, é lançado a um jogo moral insolúvel, do tipo: salvo o menino e deixo o trem descarrilhar, salvo o trem, deixo o menino morrer. E normalmente quando isso acontece, a estória falha porque aqui não há escolha moral aceitável, não há como ser Superman (a não ser que ele salve os dois).

Mais do que o próprio S escancarado no peito, a figura de Clark Kent é aquela a quem Kal-El deseja salvar. Como representante típico do working classman (classe trabalhadora), que cresceu numa fazenda numa pequena cidade do interior, trabalhando com o pai e alimentando a nação, Kent é o caipirão, que chegou a universidade com bolsa paga pelo futebol, aquele desajustado na grande cidade, invisível, mas respeitoso e trabalhador, que mantém tudo funcionando para que as grandes para que aqueles de cima continuem ganhando milhões com seus belos ternos no alto dos grande edifícios das grandes metrópoles. Clark, o nerd de óculos de fundo de garrafa, cabelo desgrenhado, terno barato, desajustado entre os colegas da grande empresa, profissional liberal sempre em busca da verdade: o jornalista, professor, o jovem advogado, o jovem médico. Uma fala de Lex Luthor para Lois Lane - uma das personagens feministas mais libertárias e empoderadas da arte sequencial, desde o seu nascimento nos 40 - demonstra bem a visão do grande capitalista sobre quem é Clark Kent:

"Terá que me perdoar. Ainda estou tentando aceitar o casamento da impetuosa e corajosa repórter do Planeta Diário com... como foi que o Estrela Diária chamou o sr. Kent em sua recente coluna sobre a equipe do Planeta... 'Um parvo pacato, desastrado e caipira. Com mau gosto para ternos'. Sabe, minha oferta para salvá-la do sr. Kent ainda vale".

Neste sentido, Último filho funciona perfeitamente. Há a perfeita compreensão de que o Homem-de-Aço representa a moralidade do Ocidente: não se aprisionam e não se fazem testes em crianças; não se aprisionam inocentes; não se matam crianças; pais não machucam os filhos; crianças tomem todo o seu suco de laranja.

Ora, o que seria de um herói sem sua galeria de vilões? Se o Superman é a configuração da ética Ocidental, quem são os seus vilões? Eles são a realidade do Ocidente. A luta do Superman é o confronto quer ser, ou antes, acredita que é, contra aquilo que realmente é. Tomemos seus 4 maiores vilões: Lex Luthor, Gal. Zod (os dois nêmesis do enredo, este último sendo o principal), Brainiac (citado na estória) e Darkseid. Eles representam a realia Ocidental. Fiquemos com os dois primeiros por fidelidade à narrativa.

Luthor é o que o Capital e a Democracia acreditam que são: empreendedores, inteligentes, avançados, capazes, líderes. Diz Lex ao Superman: "Se não ficasse sempre no meu caminho, Superman, eu já teria feito muito mais pela humanidade. Teria ajudado aqueles que não andam a andar de novo. Teria curado o câncer. Teria salvado o mundo do poço imundo da sua lânguida existência". Diz o Capital para a ética. Ninguém duvida que o Capital é capaz de curar o câncer - frase que Luther vira e mexe diz ser capaz -, mas é muito mais lucrativo remediar os sintomas. Presidente Luthor (da LexCorp e dos EUA) é a face verdadeira do Ocidente: rica, empreendedora, sagaz, e com uma desculpa para não salvar o mundo.

Zod é o conto do que aconteceria com Superman se ele não tivesse sido criado pelos Kent. Ele é a resposta para a pergunta: o que acontece com quem tem poderes ilimitado? Corrompe-se ilimitadamente. A não ser que você seja a imagem pura da ética. Por isso Superman não titubeia, não pode duvidar, não pode ter achismos morais, ele é um deus, deuses são tiranos ou justos, mas são confiáveis. Se Kal-El usasse seus poderes para nos governar, para controlar os seres humanos porque somos inferiores a ele e ele poderia conduzir-nos melhor: ao invés de deixar políticos discutindo na ONU, chutar o pau da barraca e dizer: "Agora farão como eu mandar".

Quando um vilão diz que a "humanidade" (leia ética) do Superman é sua maior fraqueza, ele está completamente enganado (Batman sabe que esta é a maior qualidade de Clark Kent). Esta qualidade o define e por isso vence no final (Superman é um conto moralista, no final de tudo). Zod, no entanto é o general que manda armas para Bin Laden nos anos 1980 e depois reclama do terrorismo nos anos 2000; é o general que derruba os "ditadores" do oriente médio e não entende quando vê surgir o Estado Islâmico; é o general que ataca um país afirmando que este tem armas de destruição em massa, destrói, ocupa, arrasa, mata, perde jovens soldados e depois diz: "desculpe, estávamos engandos". General Zod é a força sem ética, também conhecida como O Mal.

Terminamos a estória como Chris, porque escolhemos ser ele, não Lor-Zod, gritando: "Para o alto e avante".

JOHNS, Geoff; DONNER, Richard; KUBERT, Adam. Superman: o último filho. Trad. Alexandre Callari; Mário Luiz Couto Barroso. São Paulo: Eaglemoss, 2015.




terça-feira, 17 de novembro de 2015

TEZ DO DESEJO

tu tens a tez do desejo,
                             pejo, 
                             beijo, 
                            invejo
a tua graça jovial                   
                      o teu jeito
que se oferece, mas não quer 
                              se dar
que se nega no olhar
quando o sorriso diz
                             me vem
és toda tesão intenso
                        penso
como meu corpo carnal quer-te
que se oferece, mas não quer
                              me dar.



quinta-feira, 12 de novembro de 2015

PAI DE FAMÍLIA

Bom mesmo era na escravatura
Não tinha bolsa-família
Nem desemprego ou Cota escura
Vagabundo não vivia
Do imposto do trabalhador
Bebendo a cana do nosso suor

Bom mesmo era na ditadura
Moral, Deus, bens e família
Bandido era na bala dura
E a gente nunca via
Político roubar na maior
A pátria do nosso amor

Hoje é outra cultura
Bater, um pai de família,
Não pode no filho, que cura
Terá da droga que vicia?
A mulher não respeita o senhor,
Até dois machos a lei casou.

domingo, 1 de novembro de 2015

A METAFÍSICA DE DEUS

Ele chegou em casa e foi tomar outro banho, ainda cheirava a óleo, a vida é dura se vivida do jeito que deve ser vivida e é ainda mais dura se vivida com metafísica, se tivesse um sonho, se tivesse forças, se tivesse amor…

Sua mulher bate à porta e pergunta se vai jantar agora, diz que sim e que a vida é dura se vivida do jeito que deve ser vivida e é ainda mais dura se vivida com metafísica, se tivesse um sonho, se tivesse amor.

Sentado à mesa olha o jantar, a vida uma hora antes, a vida uma hora depois, a vida agora não importa, não importam o trem lotado, o sexo, a fome. Tudo estava à mesa, cantando aquarelas e trazendo em cada guitarra uma pimentinha boa arretada!

Na rede ao se balançar notou que o cheiro de óleo ainda persistia e debaixo das unhas ainda estava sujo, a vida é dura, forçando-a lentamente pedaço por pedaço, talvez faça sentindo.

A cama fria tem uma mulher quente esperando, ele a olha, sente uma lenta tristeza e a beija, tira com fraqueza as suas roupas, mordisca seu pescoço e levemente morre penetrando-a.

Não dorme ouvindo-a respirar, cada orgasmo que não teve agora inunda sua vida de forma épica, sem poder manter os olhos abertos, ainda acordado, grita com os ouvidos e tenta desprezar-se por ser tão vago.

Levanta-se, guerras, fomes, holocausto de crianças, onde estão as divindades, onde estão os poderes sobrenaturais? Não, não existe Deus, o mundo não faz sentido, não faz sentindo algum! Ladrões e Imperialistas dominam o mundo, homens bons como ele estão fedendo a óleo. O mundo não faz sentindo, se existisse uma Inteligência o mundo não seria essa loucura, esse desastre, o mundo faria sentindo, mas forçando-A lentamente pedaço por pedaço, talvez faça.

Sua mulher dorme, mulher boa, boas ancas – boa parideira –, seios fartos – boa amamentadora –, muito carinhosa – boa mãe –, estéril. O mundo faz sentido? Não, não faz sentido. Crianças morrem de fome, de guerra, de desastre, sua mulher não pode tê-las. Sua mulher é um amor. Nada existe sobre a Terra ou no Céu que explique esse desastre. Talvez um tratamento, talvez dinheiro… Não existem deuses.

O Mundo deve morrer um dia, pois existem palavras para isso em todas as línguas, o mundo não faz sentido, está encaminhando para o fim! The End, C’est Fini, Finito, Findo! Tudo se estraga com o tempo, provavelmente, dizem todos, o amor também, amor coisa tão boa, prova que Deus existe, existiria, mas amor acaba.

Sua mulher, mulher boa, dorme sossegada depois de sexo e orgasmo, o fim do mundo está próximo, o fim do homem é amanhã, nada faz sentido, é o fim de todas as coisas! Morte, a morte, virá, até mesmo para a sua maravilhosa mulher.

Mulher Maravilhosa Mulher Maravilhas Sete Pecados.

Mulher fruto do bem e do mal, sua mulher daria uma ótima mãe, daria se desse a luz, mas não dá, não concebe, mas copula como uma diaba, uma deusa, talvez seja a única Deusa! Tão terrena, tão simples, tão tepeêmica, de mês em mês a ótima mulher, com cara e útero de menina, vira uma diaba boa de cama dorme ela, ótima mulher maravilhosa mulher é o fim do homem acaba com Deus não existe sentido no mundo forçando-o lentamente pedaço por pedaço talvez faça amor, filho, prazer, sonhos, alegrias, talvez, só talvez o forçando lentamente pedaço por pedaço, talvez faça alguma diferença, sentido, existência.

Minha mulher sua mulher nossa mãe, adotar uma criança, fazer tratamento, quem sabe os dois, o primeiro primeiro, o segundo com dinheiro é necessidade, precisa-se imediatamente, urgentemente, trabalha debaixo do óleo ainda fede as mãos, as unhas sujas, sua mulher é um anjo dormindo, antes um demônio.

Talvez a tv tenha respostas, pelo menos para a falta de sono, a televisão não tem metafísica, a vida é dura se vivida do jeito que deve ser vivida e é ainda mais dura se vivida com metafísica, se tivesse um sonho, se tivesse forças, se tivesse amor, se fizesse sentido a vida, mas talvez forçando-a lentamente pedaço por pedaço, talvez faça algum sentido, desastres, guerras, bombas: homens-bombas em nome de Deus não existe, não existe óbvio, não deixaria Deus em seu nome derrubar prédios nos quais há duas semanas procurando corpos-mortos-corpos.

Acharam uma criança de três meses debaixo dos escombros, três vezes quatro doze, doze menos dois dez, dez oito mais dois, oito duas vezes quatro, quatro duas vezes dois, dois meses e meio quando caiu tudo, viva, ainda viva, debaixo de tanta desgraça, de tantos mortos, pais, mães, filhos e terroristas, uma criança sobreviveu intacta, o corpo dos pais absorveram o impacto, a criança não chorava, alimentada e aquecida, não chorava, por isso tanto tempo para encontrarem.

Uma criança sobreviveu, onde está a metafísica disso?

Uma criança sobreviveu, Deus existe!

sábado, 24 de outubro de 2015

EL-REI DE HAITI

Ai de ti
se Haiti
vingar!
Se Henry
Christopher 
for o cozinheiro do teu prédio e se
vingar?
E se milhões e milhões de famintos 
                                      e leprosos 
                                      e fedorentos
invadirem a tua rua 
                o teu condomínio 
                o teu clube?
E se tua carteira de sócio
da antiga camarilha de cavalheiros sacros cristãos
não te der valia 
                 guarita 
                 gratidão?
E se milhões e milhões de famintos 
                                      e leprosos 
                                      e fedorentos 
desejarem tuas roupas 
                 tuas reses  
                 teus tênis 
                 teus gadgets  
                 teus trens  
                 teus dentes?
E se quiserem imitá-lo, moleques prudenciais,
aguentarias a fedentina?
E se quiserem, agora, que ensinaste que felicidade é coisa que se veste,
mais que pão, pano, pau, circo e lavra
as chamativas luzes com que te cobres?
E se olhares pela janela de teu carro 
                                     de tua penthouse
e milhões e milhões de famintos 
                                 e leprosos 
                                 e fedorentos
te olhassem de volta como um abismo 
especular?
Se Haiti vogar?
Tu vestirás a fedentina?

terça-feira, 15 de setembro de 2015

RIO TAMBAY

Rio morto
      esgoto
     exposto a correr ligeiro
Rio vivo
                         sem cheiro 
de sabão ou fezes 
               às vezes

14/09/2015
     

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

CANÇÃO DO MEU PRÓPRIO UMBIGO

As Utopias não sumiram
Num lampejo como num fuzilamento
Mas mergulhadas no véu do hedonismo
Quanto mais umbigáveis
Mais artifícios, ofícios, orifícios, utensílios gozosos 
Compráveis
Mais as Utopias pareciam
Ao lance da luneta
Uma veste de moda
Ultrapassada e de segunda mão
E o neon
E o plástico
E o novo modelo mais recente mais caro mais igual
De carro
De telefone
De televisão
De computador
De boneca inflável
De fralda descartável
De algodão doce
De herói
De jogador de futebol
De cerveja
De condom
De remédio 
De político
De filme
De música
De livro de poemas
Era tão mais interessante que o outro
Como se tudo fosse uma só propaganda
Que as pontas dos narizes brilhavam como mil sóis
E o meu umbigo 
Tão grande, tão vasto
Consumiu minha Utopia inteira

domingo, 6 de setembro de 2015

AFORISMO

Já que dilacerados não vivemos
Por que apartados nos buscamos tanto?

O RAPTO DE GANIMEDES

Tu me tomaste 
                        olhar aquilino 
                        com tuas garras 
ao alto celeste ergueste-me

  o      teu copo
com meu corpo
        meu vinho
                          enchi
com   tua chuva douro 
                           louro deus 
                                   meus 
cabelos encaracolados consagraste

sou teu escravo
                bravo menino
sou teu      jarro, vinho 
                          ninho

gozo d'Águias

06/09/15

AMORES

Há Amor dos sexos
                               em que as genitálias conversam
Há Amor das almas 
                               em que mistérios 
                                            segredos 
                                            memórias 
                                                            dialogam
Há Amores inúmeros 
                                 tantos em cálculos variáveis não computáveis
Mas um só jeito de Amar: 
                                 em relações de trocas 
                                                         descobertas 
                                                         secretamentos 
                                                         revelações 
Há Amores de tantos quantos gêneros 
                                        há ingênuos, há maliciosos
Mas Amor é sempre vida, criativa
                                 às vezes orgânica,
                                 mas sempre sentida.

sábado, 29 de agosto de 2015

FLUIDOS

Amor: "humor", liquor afogante 
                                  flutuante 
                         "bravo mar"
                                  errante
                          fluidos hormonais
                                     corporais
                          sangue 
                          suor 
                          sêmen 
               lágrimas
circulam
escorrem
vazam olhos a fora
secam-se
                renovam-se
às vezes         
                                   periclitante  pensamento 
                                                      sentimento
                                   constante
                                   amante: consentimento

domingo, 16 de agosto de 2015

QUADRINHAS PARA MANIFESTAÇÕES DE COXINHAS

1.
Manifesto só no Domingo
                Pra alegria do Patrão
Mas não ando Sob o sol
                Que é coisa de Povão

2.
São coisas de Domingo:
                Praia, futebol, curtição,
Manifestação de Coxinha
                Que não vai gente, não

terça-feira, 11 de agosto de 2015

NÃO SE AMA COM O CORPO

Não posso amar com este
Sólido, rijo, inflexível corpo
Amo com esta boca donde
                                                Líquidas
                                                   Melífluas
                                                      Canoras
                                                         Palavras derramam-se
E dissolvem
                      Diluem
                                   Amolecem os corpos
Estes corpos tão fixos e tão limitados no espaço

Não se ama no espaço
Mas através do tempo
Entre os entes em relações interafetivas

Mas corpos não se conversam, não se multiplicam

Não transcendem de seus próprios gozos

Mas ama-se quando se diz
Quando palavras de um ente transcende-o
Atravessa
               Completa
         Preenche o outro ser
Com o seu próprio gozo

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

DOGMAS

O Cético diz:
"São coincidências"!
O Crente: "Milagres"!
Inconciliáveis.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

PRECONCEITO DISCENTE

Durante a aula, debatia com a classe os versos: "as terras viciosas de África e Ásia andaram devastando", a luz do colonialismo europeu e do desenvolvimento da máquina mercante.

Aluno: "Essas aulas são legais. Eu pensava que a gente só ia ter aula de fonemas e interpretação de texto, essas coisas chatas assim"!

Eu: "E o que fazemos agora, ou desde o início do ano"?

Outros alunos: "Nós já tivemos aula de fonemas".

Aluno: "Já? Esse ano"?

Outros alunos: "Já, foi uma das primeiras aulas".

Aluno: "Foi não"!

Outros alunos: "Foi sim"!

Eu: "É o que Vossa Senhoria acredita que estamos fazendo agora"?

Aluno: "Sei lá? Conversando"?

Eu: "Sim. É isso se chama interpretação de texto"!

sexta-feira, 19 de junho de 2015

DEPRESSÃO

depressão é a morte n'alma
mas a alma é o corpo pensante
a depressão é, portanto,
o inferno dentro da gente

quinta-feira, 18 de junho de 2015

DA MORAL E DOS BONS COSTUMES

I - DA MORAL
desconfie dum homem que não é movido
por alto valores:
Honra
Honestidade
Justiça
$1000000

II - DOS BONS COSTUMES
é de lei:
um homem deve ser
empreendedor
mesmo quando empregado
um grande Chefe de família
onde se reproduz
e ter
poupança
filhos
casa/carro/cartão
é bom costume
respeitar a sua Mulher em casa
e A de fora
melhor ainda

quinta-feira, 11 de junho de 2015

O REAL E A VIDA

                              Sofro
                                        Gozo
                              Sofro
                                        Gozo
                              Sofro
                        Enquanto isso
A vida de verdade vai se esquivando pelos vãos

FELICIDADE UTILITÁRIA

Ofereceram-me
A preços módicos
Uma felicidade constante
                           Instante
Como uma mesma prateleira
Mas de mercadorias várias
                             Sortidas
                             Sentidas
Iguais
          Enlatadas
                          Registradas
                                             Enviadas
Na certeza de inúmeros gozos
Até que mais não me lembre
Porque as quis
Em tanto torpor

quinta-feira, 4 de junho de 2015

VOLÚVEL

é tão volúvel o meu amor
         por ti
quanto o vento que passa:
ele sopra teu cabelo
               teu cangote
  acaricia tua pele
               teu perfume
               teu batom
faz as folhas das árvores cantarem
       para ti
       para ti
                                               dançarem
faz
       as ondas das marés

quarta-feira, 3 de junho de 2015

(16*2)*2

agradeço à Divindade
por ter tido um corpo de 16 anos
com uma mente de 16 anos
sem nenhum ranço de sabedoria
ou experiência
a mais
e hoje, aos 32, ostente 18 mentais
o que deve significar
que aos 64 anos do corpo
eu não tenha a mínima ideia de quantos anos
minhas ideias terão
pois já desaprendi a calcular
e espero
sinceramente
de que, até lá,
eu tenha aprendido a versejar

terça-feira, 2 de junho de 2015

SONETO

O salário da morte é o meu pecado:
Agoniado Ser, Ser solitário,
Nós somos bicho solto, atormentado.
                A vida é nosso bem prioritário!
                Já que o fim está na próxima esquina
                Procuramos o orgasmo sujo e vário.
A nós, os deuses deram mente fina
E uma urgência de vida sem porteira,
Porque ter curto tempo é nossa sina!
                O hedonismo virou nossa primeira
                Emergência: do gozo, partidário
                É o corpo, a alma, do medo prisioneira:
Ao temor, o prazer é solidário,
Pois, da morte, o pecado é o meu salário.

domingo, 31 de maio de 2015

CERTEZA

tenho certeza
que Deus existe
a dúvida que persiste
é Quem a Quem criou

sexta-feira, 29 de maio de 2015

PROFESSOR DE POESIA

Meu verso é uma tentativa de composição complexa e harmônica, afim de abarcar em sua estrutura de matizes multifacetadas, utilizando-me de ritmos não convencionais por um lado e, por outro, de figuras tradicionais, numa variedade rica e colorida de harpejos e acordes, imagens transconcretas e fugidias de uma realidade que se mostra ora como é: seca, dura, estéril; ora fazendo-se sentir como um dever-ser, num rol completo de utopias transeuntes: amorosas, espirituais, sociais; existindo, portanto, neste entrechoque conceitual constante com a bizarrice e brutalidade da matéria.

1. Sobre o autor desta frase podemos afirmar:
A) É um profundo conhecedor do assunto;
B) Não tem a menor ideia do que é poesia;
C) Não entendi;
D) É pedante;
E) N.D.A.
F) T.R.A.

BEBEDEIRA

quero encher a cara no teu suor
                                     tua seiva
                                     tua saliva
                                     teu sal
                                     teu suco
                                     teu sumo
                                       assumo
que teu prazer me entontece
                             enlouquece
um vício em mim
                    mar de hormônios
sorvo
bobo
bebo
louco
              de ti

sábado, 16 de maio de 2015

AFORISMO, OU PEQUENA MORAL

antes passos de formigas
e coragem de leão
a ter passos de leão
mas coragem de formiga

domingo, 10 de maio de 2015

INSÓLITO ASSOMBRO

              eu sou 

o verso que me convém
             que me contém
             que me detém
                           refém
                            além

o verso que conversa comigo
e diz: ei eu sou gente

o verso que me enamora
                              agora
                               afora
                    mas por ora
confunde-se comigo
e na sua tontice acha conforto
                                       porto
no que resta de meu insólito assombro

segunda-feira, 4 de maio de 2015

AULA DE HOJE

ALUNO: Então, professor, voltou da greve e não deu em nada.

EU: "Muita diferença faz,
Lutar com as mãos 
Ou abaná-las para traz".

ALUNO: O que isso quer dizer?

EU: Eu tinha duas opções: ir pro pau e voltar apanhado, ou abaixar o cangote e levar peia do mesmo jeito. Qual você escolheria?

ALUNO: A primeira.

EU: Eu também. Coragem é uma opção, vencer depende das forças que eu arrumar. Briguei quase sozinho, apanhei com meus companheiros, mas cabra covarde apanha duas vezes: uma por não ter brigado, outra porque deveria.

04/05/2015

segunda-feira, 30 de março de 2015

RODA DAS VICISSITUDES

De tanto gozo, coita e finezas
O que ficou
Desse desenlace
Amargo?

A cama travestida de precipício
?
O arroto transformado em soluço
?
A perda transtornada em cacos
?

Em que ponto os sorrisos viraram acasos?
Os abraços
, falsos?
As roupas
, intransponíveis?

A porta
, de acesso
Em saída
?
O beijo
, de afeto
Em despedida
?
O rancor
, de susto 
Em medida
?
O amor
, de certo
Em mentira
?
O adeus
, de brinquedo
Em rotina
?

segunda-feira, 16 de março de 2015

O DILEMA DA PERFEIÇÃO

A ti dediquei o dilema da Perfeição
O mais controverso, dialético, complexo, excesso
Predicativo que se pode atribuir a alguém.

Quando fecho
                       Meus olhos
Eu te realizo
                       Nousticamente 
Imaculável 

Quando os abro
                       As tuas carnes
Compensam
                       Qualquer falha 
Inimaginável

segunda-feira, 2 de março de 2015

LISTA DE POEMAS - AULAS PORTUGUÊS DO ENSINO MÉDIO DO ANTONIO GOMES

Caros alunos,

Logo abaixo vossas senhorias encontrarão o link Para baixar a minha apostila de textos literários Do Trovadorismo ao Concretismo.

Vossas senhorias devem ter este material para Acompanhar minhas aulas. 80% do que fazemos Em sala de aula é com texto na mão.

Comigo vossas senhorias lerão poesia porque... Bem, porque eu quero. Acredito, piamente que isso forma-los-á humanamente: em caráter e em criticidade. Outrossim, para que vossas senhorias escrevam bem, devem ler. Poderia dar aulas com receita de bolo, mas prefiro poesia.

Sim, sou um ditador cruel.

É só clicar no Link para baixar o arquivo 'LISTA DE POEMAS (1).pdf' de minha conta 4shared:


Não, não tem vírus, não tem pegadinha, é só bobalhagem de seu computador (ou seu mesmo): não brinco com poesia ou com meu trabalho ou com meu blog.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

REAL DOS REAIS

Falaram-me palavras de Paixão
                                 De Amor
Mas só há Carne
É nela que Gozo
              E Sofro

O Real dos reais

O resto é invenção de ideias

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

SEGREDO DA FELICIDADE

O segredo para ser feliz
É não dizer a ninguém o segredo de ser feliz

Quero ser feliz do meu jeito
Complicado
Perturbado
Agoniado
Não do seu jeito simples

A felicidade é minha

A felicidade não se doa
Conquista-se
Não se distribue, não se divide, não se compartilha
Intransferível 

Podemos
E devemos
Vivê-la em conjunto
Mas só eu me responsabilizo pela minha
Do meu jeito tosco e problemático
Mas do meu jeito
A minha felicidade

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

AXÉ MUSIC E O ANTI-CARNAVAL BAIANO

O Axé Music representou, num ponto de vista, para a cultura brasileira, um passo para frente. O avanço inegável deve-se a demonstração da constante renovação dos nossos produtos culturais: estamos sempre em constante evolução, antropofagicamente atualizando o repertório popular a partir da apropriação dos elementos externos aos nacionais (como indicado pelo próprio nome do gênero que comunga, em um só lance, a energia religiosa dos cultos afro-brasileiros, tão ricos e fortes na Bahia, com o termo anglófono), tal qual a guitarra elétrica (que alguns sustentam que é uma criação brasileira), percussão eletrônica etc. O trio elétrico, criação de Dodô e Osmar, é, destarte, o ápice dessa configuração. Nessa perspectiva, devemos observar que o Tropicalismo, o pagode, o forró elétrico (conhecido também como forró de plástico devido a sua artificialidade e seu aspecto de reprodução em massa), o brega elétrico entre outros, também representam um avanço, um passo para frente na nossa produção cultural, um ganho, portanto.

No entanto, por outro ponto, representa quatro passos para trás. O primeiro retrocesso diz respeito a própria forma de renovação do gênero. O Axé Music foi prontamente absorvido pelo Mercado como produto inerente do comércio carnavalesco baiano e, desta forma, quantos mais nomes de artistas a Bahia produzia em massa, numa escala de invejar o próprio Henry Ford, mais estes pareciam consigo mesmos. A parecença, se marca o DNA dum gênero, também indica o que há de pior nele, sua capacidade de renovação é substituída pelos mesmos maneirismos que o indentificam - e nem sempre marcam o que há de melhor neste gênero -. Convém lembrar como diversas escolas literárias, no percurso em que se encaminham para serem substituídas pela nova escola emergente, tornam-se um simulacro, um arremedo sarcástico e risível do que as caracteriza: o Neoclassismo e suas repetições de divindade pastoris, infértil de emoção nas mãos inábeis de burgueses citadinos; o Romantismo com seu sentimentalismo exagerado e piegas de velhos que fingiam as mesmas dores adolescentes que tinham há 30 anos, sem nunca crescer, chorando pelas mesmas mulheres intocáveis.

O segundo passo atrás foi o "fenômeno-abadá". O Mercado ao se apropriar do produto cultural, e incapaz de cobrar por ele em si, cobra pelo seu entorno, cerca-se num cordão de isolamento, ergue camarotes e, destes, os VIPs. No decorrer destes trinta anos de seu surgimento, a elitização do carnaval baiano figura-se num verdadeiro bloco de classes: eis aqui aqueles que podem pagar pelo abadá, e ali vão os que "pulam que nem pipoca", numa clara alusão ao fato que a alegria carnavalesca está presente é na "plebe", a elite, neste caso bem específico, apenas imita. O absurdo desta perspectiva é que, se autêntica, indicaria que o carnaval da Bahia é um anti-Carnaval: ora, a festa da carne surge, na Idade Média, como forma de catarse social: Momo é coroado, o bobo da corte conduz os festejos - não o bispo -: o corpo, a sexualidade, o baixo ventre, tornam-se permitidos. Carnavalizar é rir do rei, não separá-lo da plebe em listas VIPs em que permaneça isolado e invisível. A elite carnavalesca, num país como o Brasil, deveria ser preta, pobre e "pipocante", não empurrada ao lado duma corda tosca e ao largo das câmeras de TV que transmitem, incessantemente, os blocos que se sucedem na avenida (seria importante pesquisar a relação de QUAIS blocos carnavalescos não possuem o cordão de isolamento e como eles são tratados pela mídia mercadológica que lucra por transmitir o evento).

Observamos, também, a descartabilidade do produto que é grande parte da Axé Music. Se consigo, com algum esforço, lembrar de canções deste gênero com mais de 25 anos, não conheço, pessoalmente, ninguém capaz de lembrar qual foi o sucesso de dez anos atrás. O processo de massificação em larga escala do produto e sua reprodução em velocidade alucinante, tornam-no perecível. Em primeiro lugar, a "música do carnaval" é decidida meses antes num verdadeiro concurso, e tocada à exaustão até que Março finde. É verdade que a música, como as artes cênicas (e como arte cênica incluo o teatro propriamente dito, o circo, a dança e o cinema), é uma arte que se desenvolve no tempo, ao contrário das artes plásticas (pintura, escultura, artesanato e toda a sorte de intervenções físicas, como a arquitetura) que se desenvolvem no espaço (a literatura é um terceiro monstro, pois a palavra dita aproxima-se da música e a palavra escrita do desenho e, desde Marllamé, não se imagina um texto fora do que se convenciona chamar de cultura popular que não seja produzida para ser LIDO, de forma a apreciar-se tanto o seus aspectos melódicos quanto imagéticos). Como arte temporal, a música existe enquanto se ouve, logo após inexiste; ora, o tempo é a própria matéria da música, dominando toda a teoria dos ritmos e dando significado aos silêncios. No entanto, a massificação da produção cultural é tal que se desaparece a questão da qualidade, há uma guerra perene pela próxima canção, lançar a próxima "música do carnaval", é uma busca tão grande de parecenças e similaridades que desaparecem quaisquer aspectos de criação/inovação artística (salvas as óbvias exceções) e para uma pessoa, que como eu, não acompanha de perto o dia a dia dos artistas deste gênero e acaba, todo Fevereiro-Março, sendo bombardeado pela tonelada de canções idênticas com vozes parecidas, tornamo-nos incapazes de difencia-las: são todas iguais, com as mesmas características e qualidades (as exceções tornam-se, inexoravelmente, impossíveis de identificar). O gênero foi tornado tão palatável para um certo público distante das avenidades e das raízes carnavalescas, mas que ao mesmo tempo gera um lucro incomensurável a este Mercado, e, correlatamente, aos artistas do gênero, que é como se tornasse uma só canção, e aquele que aparece uma vez no ano, com abadá e isolado ou no camarote, consegue acompanhar tudo, cantar tudo, haja vista que soam como contiguidades, não individualidades (artistas diferentes cantam canções uns dos outros também, facilitando o processo).

Nessa necessidade de imitar uma carnavalização perdida, na sua pressa de produzir, o Axé Music constrói letras que se fingem alegres, apelando para a sexualização e permissividade total. Não há engano, porém, que a festa da carne é a festa do baixo ventre: a vagina, o pênis e, mormente, o ânus. Mas é a festa de inversão de papéis, não só das "xirumbas" (gente transvestida, homem-mulher-homem), mas da plebe-clero, bobo-rei. No entanto, ao que parece numa necessidade infeliz de agradar os mesmos que geram lucro, a inversão para na página dois, no sexo pelo sexo, e inicia-se a corrida de quem produz o texto mais misógino, mais racista possível, e todos num tom alegre, cômico, risível, infantil até. Se há mais de vinte anos foi possível um sucesso cantando: "Meu cabelo duro..." (Por mais que esta frase, em si, já apresente caracteres racistas, de certa forma é uma autoafirmação da própria negritude.) Hoje, esta frase tornou-se praticamente inviável! À parte sintagmas dúbios ("negra-loura"; "quero meu negão de lado"), as letras que enfatizam a negritude passaram a ser questão de nicho. O negro no carnaval é um fantasia de "humor negro": pinta-se de um preto-piche, como nos filmes de Hollywood dos anos 20-30, e ri-se da "nega-maluca". O branco, o pardo pintar-se de preto é engraçado, como fingir-se de monstros ou palhaços, mas não se vê alguém fantasiado de louro, porque o branco não é engraçado, é sério e bonito (logo não há inversão de papéis sociais, inexiste a carnavalização). O lugar da mulher, por sua vez, é que realmente é preocupante, delegada ao status de instrumento sexual do macho, fomentando ideias tais como de que a mulher deve se submeter a qualquer um que queira forçar-lhe o beijo.

O ponto nevrálgico desta discussão é como uma inovação cultural brasileira conseguiu, no caminhar de poucos anos, regredir ao ponto de estabelecer-se como uma forma contra-inovativa. E de maneira ainda mais perturbadora, o símbolo de um dos maiores carnavais brasileiros configura-se tão somente como marca do anti-carnaval, um símbolo que ao invés de promover a carnavalização social, marca, define e amplia a diferença entre elite (imitadora neste caso) do "povão" (donde gera-se todo o impulso carnavalesco). Este gênero hoje vive de diferenciar o carnaval do abadá, do carnaval pipoqueiro que cada vez mais se vê relegado às bordas magras dos cordões de isolamento dos trios elétricos.




sábado, 14 de fevereiro de 2015

DIFÍCIL É O AMANHÃ

Difícil é o amanhã

Acostuma-se tão lentamente
Tão completamente
A essa presença usual

O cheiro no travesseiro
A marca na cama
O lugar no sofá

A vida é um bem que se gasta
Às vezes quebra-se rápido
Mas não foi inventada para durar

E quando chegar o amanhã
Aquela vida que se gastou
Não terá mais a presença costumeira

E olhando o vazio que deixaste
Minha presença tão adorada
Nesse amanhã tão bandido

Vejo que não há arestas
Além dessa saudade tão ferina
De uma vida bem gasta


14/02/2015

A A. Marcone Siqueira

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

PRECIPÍCIO DE ESPERANÇAS

Se minhalma anda triste
O corpo de todo homem é um precipício
Afundo em mim
                  Me afogo-me
Sou o mais-eu diluído

O que são os homens além de fugidias esperanças?
          As suas memórias são ficções enevoentas.

O que são além de sonhos?
Enterram os meus sonhos
         Que mãos enterram-nos
Nenhuminha?

Se minhalma anda triste
É porque está sem sonhos
Fantasma escorregadio das sombras
Se minhalma anda triste
É porque até as suas memórias
Foram afogadas em solidões.

09/2008

TODA TELEOLOGIA RESUME-SE A UM BEIJO

A vida
É
            Agonia finita
            Prazer limitado
            Escolhas findas

Toda teleologia resume-se a um beijo

Por isso
Decidi
Amar sem fim
Porque
Não me acabar
É o passo
Mais certo
E curto
Que jamais 
Darei

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

QUERO TUDO

Tu sempre foste, dos amantes, o segundo
O mais gentil
Mais carinhoso
O mais companheiro
Mas 
                    No amor
O segundo
                    Sempre 
Por isso sigo meu rumo
                    Quero tudo
                    Parte já
Não me toca

Foste um carinho gostoso
Que não desperdiçou o meu tempo
Mas como a roda faz o rio girar
Eu sigo meu rumo
                    Quero tudo
                    Parto já
Não me toque

E boa noite

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

NOITE

O véu translúcido da noite derrama-se
Como cabelos presos que se desprendem
Dos olhos que então veem
E no seu barco soturno
A noite albina
Vestida de Luas e estrela
Descobre-se atenta
É como uma menina que inventou o espelho
E se desvenda linda


A noite tem um cheiro diferente


A noite só pode amar com a carne
E cheira a viço e libido
Como um panteão de sabores
De coitos vinhos e amores
A noite desaprendeu a sentir
O que não é medo desejo ou enganação


Porque através de seu manto translúcido
O que se desperta é ilusão
O que vemos é o desejo da noite
Sua canção erótica e desesperada
Que um miserável atende
Esperando saciar o frio da noite
No fio da carne

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

LEGIÃO DOS DESACORDADOS

Legião dos desacordados
Bêbados da noite
Dançarinos de todas as curvas
Que se perdem em todas as luas
Abram vossas viciosas bocas
E chupem tudo
Sorvam
O que vos resta desta vida
É o pouquinho de humanidade
Ainda a ser vomitado

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015