sábado, 14 de fevereiro de 2015

DIFÍCIL É O AMANHÃ

Difícil é o amanhã

Acostuma-se tão lentamente
Tão completamente
A essa presença usual

O cheiro no travesseiro
A marca na cama
O lugar no sofá

A vida é um bem que se gasta
Às vezes quebra-se rápido
Mas não foi inventada para durar

E quando chegar o amanhã
Aquela vida que se gastou
Não terá mais a presença costumeira

E olhando o vazio que deixaste
Minha presença tão adorada
Nesse amanhã tão bandido

Vejo que não há arestas
Além dessa saudade tão ferina
De uma vida bem gasta


14/02/2015

A A. Marcone Siqueira