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domingo, 22 de junho de 2014

UM LUGAR VAZIO, ou cadê meu 10?

Vire e mexe: cadê o dez? Mexe e vira: onde está o homem da criação? A Seleção Brasileira vai mal: faltou quem pense o jogo!

Mas talvez o problema seja este mesmo: Qual é a nossa referência de 10? Pelé e Zico são os que me vêm mais rapidamente. Mas ao vê-los em vídeo não reconheço neles o que os ingleses, que por falta de nomenclatura exata para jogador deste tipo, chamam de função do número 10 (number 10 role).

Pelé sobretudo. É um atacante driblador e carregador de bola, que jogava mais dentro de área do que dando os passes para quem está entrando. Guardadas as devidas proporções, mais próximo de um Cristiano Ronaldo do que de um Xavi.

Quem tinha a função de criação nos três primeiros campeonatos mundiais eram Didi e Gérson, números 8, o que antigamente chamávamos de meia-armador. 

A Copa em que Pelé fez mais assistências do que gols foi a de 1970, justamente aquela cujo sistema tático era mais próximo do 4-2-3-1 moderno do que o 4-2-4 (ou 4-3-3) em que jogava no Santos e na Seleção durante os anos 50 e 60.

O mesmo pode se dizer de Zico em 1982: quem fazia a função de meia-central naquele 4-2-3-1 (4-2-2-2) era Sócrates, número 8.

Rivaldo em 2002 era muito mais atacante, funcionando melhor à borda da grande área; Ronaldo Assis e Kaká também têm esta característica de carregar a bola, driblar e finalizar, mas que, com a cabeça levantada e com a qualidade acima da média que possuem, podem achar um passe para um jogador mais bem colocado. 

O 10, portanto, tornou-se o símbolo do nosso futebol completo, total: alguém que dribla, finaliza de dentro da área ou arremata de média distância e, quando alguém se posicionar melhor, faz a assistência.

Nesse sentido, Neymar realmente cai bem nesta função, e é com ele pelo centro que a Seleção de Scolari apresentou os melhores repertórios.

Nós não temos um Özil, um Hazard, ou um Fábregas para convocar, jogadores que criem situações de gol e façam passes chave. O jogador mais próximo a esta característica que temos na seleção é Hernanes, um 8 clássico.

O que realmente sentimos falta é de um jogador que posicionado nos 3/4 do campo possa dar o passe final, algo mais ao estilo de um Zidane, um Platini, um Maradona.

A ausência tanto deste antigo armador que possuíamos e que não há mais, ou desse 10, também ficou acentuado pela troca do 4-3-3 pelo nosso 442 (4-2-2-2) que transformou o 8 em destruidor e na dupla de meias em carregadores de bola que tentam, desafortunadamente, ligar a defesa e o ataque, algo que não acontece no 442 argentino (4-3-1-2): um destruidor, um criador e dois carregadores de bola para auxiliar tanto o 10 quanto o 5.

Desta feita, talvez se torne no maior benefício do uso quase irrestrito do 4-2-3-1 no Brasil (ainda que mal executado), ou o retorno ao 4-3-3 (4-1-4-1 na fase defensiva), seja ensinar aos nossos jovens como jogar nesta posição de 10 e de 8, duas funções praticamente mortas no nosso futebol.

Mas a pergunta final é: há realmente um lugar vazio no nosso futebol para ser preenchido, ou é só choradeira que retorna quando o time vai mal e "ninguém" se importa quando vai bem? 


sábado, 25 de agosto de 2012

PROVÁVEL ARSENAL 2012/13


- Com a saída de Robin van Persie para o rival Manchester United, de Alex Song para o Barcelona, e a ida do turco Nuri Sahin para o Liverpool este deve ser o time do Arsenal para a temporada 2012/13; já contando com a iminente volta de Jack Wilshere, o melhor Box-to-box inglês da penúltima temporada, e a recuperação de Koscielny e Sagna (em amarelo os movimentos defensivos, em azul claro movimento dos apoiadores, em azul escuro o movimento dos atacantes):

 



- As únicas dúvidas nesta escalação é se Arsène Wenger preferiria Gibbs ou André Santos na lateral esquerda (o técnico parece preferir o francês, eu o brasileiro); e na zaga-central se usaria o francês Koscielny ou o gigante alemão Per Mertesacker. Uma terceira opção é não ter escolha, contra times que se utilizam mais da jogada aérea e menos da velocidade usaria o alemão em detrimento ao francês, e vice-versa; contra um time que vai ficar apenas sentado atrás o brasileiro no lugar do francês, ou o francês quando a necessidade de defender for maior.


- A vinda do turco Sahin melhoraria, e muito, o elenco do Arsenal e daria uma dor de cabeça a Wenger. Se nos últimos três anos, e especialmente na temporada passada, Le Boss quebrava a cabeça para montar um time decente com as peças que tinha a seu dispor, hoje ele quebraria para deixar um de fora. Nesse sentido, o francês teria 5 jogadores pra três vagas: no seu 4-2-3-1 costumeiro (que, às vezes, toma forma ora de 4-3-3 ora de 4-2-1-3, como na primeira partida desta Barclay’s Premier League) Walcott, Giroud, Wilshere, Cazorla e Sahin ficariam lutando pela vaga de regista, enganche e winger do time.


- Minha primeira impressão é que Sahin brigaria pela vaga de Arteta, mas não é verdade. Fazendo um levantamento dos mapas dos últimos jogos, lendo o que se escrevia nos blogs sobre o Arsenal, e assistindo à primeira partida desta BPL, é fácil notar que o espanhol joga, já há algum tempo, na “função-Pirlo”, isto é, um regista que joga no primeiro vértice (seja de um triângulo, seja de um losango no meio-campo), logo em frente à sua própria zaga. Assim como Pirlo, é necessário um jogador mais energético à sua frente, seja um destruidor como Gattuso, seja um Box-to-box como Vidal. Assim, o 8 espanhol e o 21 italiano, usando de suas experiências e visões de jogo, se posicionariam para a cobertura de quem dá o primeiro combate, roubando a bola, ou interceptando um passe (no jogo contra o Palmeiras pela perna da Volta da Copa Sulamericana, Renato, do Botafogo, fez a mesma função). Sahin e Wilshere brigariam por esta posição em frente a Arteta, sem o turco a posição parece ter já dono.


- Com isso diminuiria uma posição no meio, e Wenger poderia decidir jogar com Arteta-Sahin-Wilshere. E para onde iria Cazorla? Se não para o banco (o que eu não acredito que irá a não ser para ser poupado fisicamente da maratona dos jogos), iria para uma das pontas, nas quais o espanhol atua em ambas. Levando em consideração que Podolski veio para ser titular (e que pode jogar em qualquer uma da quatro posições do ataque), Walcott e Giroud brigariam pela vaga que resta. O inglês jogaria na necessidade do time ter mais velocidade, enquanto o francês jogaria dentro da área contra times que sentam na defesa, enfiando-se, dessa forma, entre os zagueiros: abrindo espaços, brigando pelo alto (a sua entrada na primeira partida foi providencial, só consigo os Gunners conseguiram criar verdadeiras chances de gol, e uma deles ele desperdiçou bisonhamente, mas muito mais pela falta de ritmo).


- Rosicky ainda tem espaço neste time, com a sua entrada aconteceria exatamente como o descrito no parágrafo anterior, formando um trio de Arteta-Wilshere-Rosicky, Cazorla iria para ponta. O time teria total controle da posse de bola desta forma (as outras duas vagas no ataque, eu escolheria Poldi-Giroud). Gervinho só entraria para acelerar ainda mais o time.


- O time ainda precisa da contratação, imediata, de um volante de destruição, mas que, pelo tamanho do Arsenal, saiba também manter a posse de bola. Num jogo “grande” (contra o Liverpool, os times de Manchester, Chelsea, ou mesmo na UEFA Champions League), vencendo de 1 a 0 aos 35’ do segundo-tempo, com esta escalação que postei, tirava o Arteta, o Wilshere e o Giroud, botava o volantão no lugar do espanhol, Diaby no lugar do inglês, e Gervinho no lugar do francês, ajeitava a defesa, deslocava Poldoski para o centro, e preparava os contra-ataques com três velocistas.


- Até.

domingo, 22 de janeiro de 2012

QUAL TERIA SIDO O ESQUEMA TÁTICO DE OSWALDO DE OLIVEIRA NO 1º JOGO DO ANO?


AZAR, MAIS AZAR, UM POUCO DE SORTE, SÓ ACONTECE COM O BOTAFOGO
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Loco Abreu fez dois. Deveria ter feito quatro gols.
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O Botafogo fez três gols. Poderia ter feito seis.
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Três bolas e meias na trava (o chute de Márcio Azevedo bateu nos dois paus e não entraram).
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Loco Abreu perdeu um pênalti (nas minhas contas é o quarto que perde no comando do ataque botafoguense) – embora, na minha opinião atacante só perde pênalti quando chuta pra fora, o goleiro defendeu: méritos dele, totalmente –. Numa cabeçada limpa, sem sair do chão, o goleiro salvou em cima da linha em seu contra-pé. No fim do jogo, uma cabeçada passou a um palmo do gol. Foi decisivo, ficou devendo. Leia isto, assista o jogo, decida você como julgá-lo.
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ERROS DEFENSIVOS
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O gol do Resende saiu, obviamente de um golpe de sorte. Mas credita-se a ela este gol? Não, é claro. Só faz gol quem chuta, só desvia na barreira quem consegue uma falta para bater. E como surgiu esta falta?
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Eis o ponto. Por duas ou três vezes no primeiro tempo Márcio Azevedo – que foi bastante bem ofensivamente, sobremaneira nos 45 minutos iniciais – foi pego fora de lugar. Mesmo posicionado na defesa, o lateral esquerdo estava à frente do atacante a quem deveria marcar. Disso surgiu a falta. Da falta saiu o gol.
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“Tudo pela falta de um prego”.
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RENATO + ANDREZINHO
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Em teoria, o esquema tático do Botafogo seria um 4-2-3-1. Mas a movimentação em campo, sobretudo dos centrais não parecia formar um W.
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O triângulo do centro com dois volantes, sendo um cabeça-de-área e um regista (armador) e um enganche (ponta-de-lança) à frente, alinhado com os dois wingers (usarei, doravante, o termo pontas), esta é a formação básica do W no meio-campo do 4-2-3-1.
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A movimentação dos centrais destruíam completamente este desenho. O futebol possui quatro momentos ou fases bem distintas. Um bom técnico é aquele que faz com que o time se movimente da forma mais eficiente possível, e ocupe os espaços da melhor maneira. As quatro fases do jogo de futebol são: posse de bola (ou ataque); defesa; transições ofensivas (contra-ataque) e defensivas (reposicionamento para evitar o contra-ataque).
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Quando o Botafogo tinha a bola, Renato – de quem se espera que venha até a defesa para fazer a saída de bola – avançava até o ataque, Andrezinho é que vinha até os zagueiros buscar a bola. Na verdade, Renato jogou mais à frente do que Andrezinho o jogo inteiro, pois quando o time defendia o 10 se alinhava ao 8 e ao 5.
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Essas trocas de posições entre Renato e Andrezinho foram essenciais para o primeiro gol do Botafogo.
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MAICOSUEL+HERRERA
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No segundo tempo, principalmente após a saída de Elkeson, o Mago foi deslocado à ponta-esquerda. Neste momento, a sua movimentação lembrou muito a movimentação de David Silva no Manchester City: defendendo aberto como winger, atacando centralizado como ponta-de-lança.
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Então, quando atacava, o Botafogo chegou a ter três meias-articuladores centrais. Andrezinho atrás, Renato pela meia-direita, Maicosuel pela meia-esquerda, Herrera na ponta-direita.
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Foi daí, da meia-esquerda que o 7 encontrou o gol livre, após rebote incompreensível do goleiro do Resende – que tinha ido, até aquele momento, muito bem no partida –, apenas para empurrar a bola para as redes.
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Quanto a Herrera, pouco se pode falar. No fim da temporada passada, ajudou a queimar Caio Júnior, reclamando da posição em que jogava. Quando, na verdade, o maior problema era ele. No ano passado, o 17 tinha toda a liberdade do mundo para entrar na área de gol toda a vez que a jogada fosse iniciada pelo meio ou pela esquerda – o que mais um atacante poderia querer? –.
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No primeiro jogo desta temporada ele entra de... ponta-direita, com liberdade para entrar na área de gol quando o jogo se desenvolvia pelo lado contrário. Recebeu uma bola limpa na zona de pênalti e finaliza – mais uma vez – muito mal. E numa jogada de ponta, bola na cabeça de Abreu, bola na rede do gol.
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A pergunta fica: quem é que está certo, ele ou os técnicos que insistem em colocá-lo na ponta-direita?
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MANUTENÇÃO DA BASE
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O lugar comum é elogiar a base do ano passado. Afirmação mais errônea impossível. Vejamos:
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Time base de Joel Santana, 2010 (3-4-1-2):
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Jéfferson;
Fahel, Antônio Carlos, Fábio Ferreira;
Alessandro, Marcelo Mattos, Somália, Marcelo Cordeiro;
Maicosuel (depois que se machuca é substituído por Renato Cajá ou Lúcio Flávio);
Herrera, Loco Abreu
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Time base de Caio Júnior, 2011 (4-2-3-1):
Jéfferson;
Lucas (Alessandro), Antônio Carlos, Fábio Ferreira, Cortez;
Marcelo Mattos, Renato (não o mesmo do ano anterior);
Herrera, Elkeson, Maicosuel;
Loco Abreu
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Time base de Oswaldo de Oliveira, 2012 (4-2-3-1):
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Jéfferson;
Lucas, Antônio Carlos, Fábio Ferreira, Márcio Azevedo;
Marcelo Mattos, Renato;
Maicosuel, Andrezinho, Elkeson (Herrera);
Loco Abreu
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Isto é, mais de 60% do time que começou jogando em 2012 está junto, pelo menos, desde o segundo semestre de 2010 (quando Maicosuel foi reintegrado ao time). Outras peças estão em General Severiano desde a desastrosa campanha de 2009, como: Jéfferson (que chegou na 2º metade do campeonato brasileiro), Maicosuel (que jogou apenas o Carioca), Jobson (que também chegou durante o returno do Brasileirão e só poderá voltar a jogar após março).
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Não só são jogadores que conhecem bem General Severiano – sobretudo, que conhecem muitíssimo bem o Engenhão, casa Gloriosa desde 2007 –, o esquema tático também não é nenhuma novidade do Botafogo, e não falo do esquema de Caio Jr., não. Em 2009, o então técnico do time da estrela solitária, Estevam Soares, montou um time que no papel era um 4-2-2-2, mas na prática era um 4-2-3-1: Lúcio Flávio centralizado, Renato (não o mesmo de 2010, muito menos o atual) aberto na direita, Jobson aberto na esquerda, André Lima na área.
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Trocando e melhorando (quase) todos os nomes, o desenho permanece igual.
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CONCLUSÃO
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Muito cedo para se afirmar qualquer coisa sobre o time ainda – a não ser que precisa, e MUITO, calibrar a pontaria e treinar finalizações –. O time jogou, mormente no primeiro tempo e após voltar à frente do placar um futebol vistoso, de passes rápidos e movimentação constante – dos grandes, foi o que criou mais chances claras de marcar –. No entanto, dos grandes foi o único a levar gol – embora tenha ficado na média de gols marcados, nesse quesito, o pior foi o Vasco da Gama –, mesmo a defesa não tendo sido cobrada nunca contra o Resende: ficar de olho!!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

VASCO X BOTAFOGO: QUANDO A EFICIÊNCIA (SEMPRE) VENCE OS JOGOS

Dois erros de saída de bola, dois contra-ataques, dois gols. Sem contar dois incríveis salvamentos do melhor goleiro do Brasil - um pênalti e uma defesa a la Banks!-. Este é o resumo da noite de domingo entre Botafogo - completamente fora da briga pelo título agora - e o Vasco.
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Num primeiro momento imaginei que o Vasco jogaria numa espécie de 4-6-0 (4-3-3-0), como o Botafogo de 1989 e a Roma de Spalletti, mas isso não ocorreu. Embora tenha sido difícil realmente de definir a posição de Diego Souza, jogou quase sempre de falso nove, função que não cumpriu bem.
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Pelo lado do Botafogo terrível jogo de Maicosuel, Elkeson, mas principalmente de Cortês, Herrera e Fábio Ferreira, os três responsáveis direto pelos gols.
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Os técnicos já descobriram como parar o Botafogo e se utilizam da mesmíssima estratégia desde a derrota para o Atlético goianiense. Com base em um 4-3-2-1 ou 4-3-1-2, os técnicos adversários montam duas barreiras de frente à área, uma primeira de quatro zagueiros e uma segunda de três volantes. Além disso, deslocam um ponta para as costas de Cortês, aproveitando-se do fato dele subir muito, voltar nunca e Marcelo Mattos não cumprir seu papel de cobertura decentemente, como mostra o campinho abaixo:
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Assim, a grande vantagem da equipe, o dois contra um na extremidade do campo - sobretudo na esquerda - desaparece. Um volante pega o Cortês, o lateral pega Maico/Elkeson, e ainda tem uma sobra de um zagueiro ou um volante pelo meio. O resultado é que eles têm que tocar para o meio e não encontram em quem fazer esse passe. A ausência de um 10 é notória aqui. Elkeson é ponta-esquerda, não ponta-de-lança. Ao pegar a bola ele irá pra cima do adversário, é o que faz, é o que sabe fazer. Mas nesse momento é necessário um passador. Alguém que se aproxime da extremidade para o passe e jogue de primeira e de segunda, no máximo, fazendo assim um 3x2. 
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Se o volante central tentar acompanhá-lo para impedir a superioridade numérica na ponta, abre o meio para a chegada de Renato que teria toda a entrada da área livre para o passe/chute ou, se tivesse a cobertura do terceiro volante, a outra ponta teria um 2x1 do ponta e do lateral contra o lateral adversário.
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Então o que falta, OFENSIVAMENTE, no Botafogo? Um verdadeiro 10 no triângulo central. O homem trazido para a função - Felipe Menezes - não está dando cabo da mesma. Nessas horas muitos sentirão falta de Lúcio Flávio, é o jogo perfeito para ele - e o típico jogo que costumava apagar e sumir de campo -. O Botafogo só conseguiu penetrar duas vezes na área, todas com levantamentos diagonais, e todas no primeiro tempo. Na primeira, Elkeson matou no peito e chutou em cima de Prass, na segunda, Herrera recuou de peito para Prass - vou descontar jogada parecida que Herrera chutou pra fora, ele estava impedido -.
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 Outra solução é a saída imediata de Herrera. Passou a semana inteira reclamando de jogar de ponta. Em torno dos 20 minutos do primeiro tempo, Caio Júnior mudou o esquema do time. De 4-2-3-1 passou a 4-4-2 (vide o campinho abaixo). Herrera jogou onde mais, segundo ele, rende, próximo a Loco Abreu. Não só sumiu do jogo, como o time piorou. A entrada de Caio na direita com seu drible em velocidade melhorou o time, em duas jogadas fez mais que Herrera em dois jogos inteiros, mesmo assim, Caio ainda não é suficiente. O que deve fazer muito botafoguense se perguntar: "E se na direita fosse o Jobson"? 
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É nessas horas que se espera, também, um Prof. Pardal. Mudar o time, qualquer mudança das mais loucas deve dar resultado. Mas o Caio Júnior, que é muito bom tático, ainda é muito deficiente nas mudanças de jogos. Só muda no mais óbvio e quase sempre quando não dá mais tempo. Saiu Marcelo apenas porque se machucou. A mudança de Herrera foi a pior. Só saiu depois do time estar perdendo por dois gols e levar um amarelo. Eu? O adversário tinha um atacante - ou dois, se contarmos o ponta direita como atacante, embora estivesse jogando mais de meia -, PARA QUÊ UMA LINHA DE 4? O óbvio nessa situação seria recuar Marcelo para zaga e liberar de vez Cortês e Lucas - de 4-2-3-1 para 3-3-3-1 -. Evitaria muitas surpresas nas costas dos laterais. Se Mattos machucou, trocasse-o por um zagueiro, Bruno Tiago só não foi pior em campo do que Herrera, Cortês e Fábio Ferreira.
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DEFENSIVAMENTE, onde o Botafogo tem mais errado? Como já foi escrito por mim várias vezes, no sistema de cobertura. Contra times de dois atacantes, como está sendo praxe se jogar contra o Botafogo, não é necessário uma linha de 4 atrás, pode se dar liberdade para Cortês como ele gosta. O problema é fazer a basculação certa. No primeiro gol, notem, os dois laterais estavam na frente ao mesmo tempo - o que não pode acontecer JAMAIS numa linha de 4 -, os volantes estavam sem fazer cobertura dos mesmos - o que não pode acontecer JAMAIS numa linha de 4 -, o Fábio Ferreira saiu jogando como líbero e soltou a bola nos pés do volante adversário - Fábio Ferreira como líbero não pode acontecer JAMAIS -. Daí o contragolpe na ponta-direita, o coitado do Antônio Carlos ficou sozinho contra 4 vascaínos. O jogador mais recuado a chegar no lance foi Lucas, o lateral direito, e o gol foi feito por um volante que chegou ATRÁS de Lucas.
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A basculação deveria ser simples, não entendo como o time continua errando isso, pois até não profissionais da área sabem como funciona (campinho abaixo). Mas, é claro, o maior erro é de Cortês que sai sempre - Lucas normalmente só sobe quando acionado por Renato - e fica parado olhando para ver o que acontece quando perde a bola. Veja na imagem que, se Cortês - ou Lucas - subir, os outros três zagueiros devem ir em direção ao espaço deixado, ou Mattos ir para esquerda, virando um falso lateral, deixando a frente da área para Renato proteger. É bastante simples e básico no futebol.
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Abraços a todos, nos vemos na próxima, SAUDAÇÕES.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

BOTAFOGO, UM TIME QUASE SEM SOLUÇÕES




Em baixo, de branco, time que iniciou a 1º etapa.

Em cima, listrado, time que inicou a 2º etapa.

A superioridade durante o segundo tempo mostrou que Elkeson não pode ser banco neste time, e que Felipe Menezes e Herrera
não tem condições de serem titulares do mesmo. O lance do gol do Renato foi idêntico a uma jogada na primeira etapa: Loco Abreu
ajeita primorosamente de cabeça para o homem livre: Renato, cheio de técnica e elegância, com simplicidade testa a bola mandando-a para baixo e para as redes; Herrera, trombador, dá um golpe de karatÊ, meio esquisito, e a bola vai fraca e a meia altura, facilitando a defesa do goleiro Avaiano!

A Presença de Léo liberou Renato para reger o time com mais qualidade, ajudando na marcação, mas não com grandes obrigações (esta é a segunda vez que o 8 Glorioso joga de 10 nesta temporada,e todas as vezes em altíssima qualidade). Da mesma forma, o time não foi pego de surpresa em mais um contra-golpe pelas costas do Cortês. 

o 3º gol avaiano só saiu porque o time ficou com menos 1.



com as suspensões de Lucas e Marcelo Mattos eu escalaria o time desta forma, como Alessandro joga praticamente como terceiro zagueiro, isso dá mais liberdade para Cortês apoiar, no entanto, esse apoio deve ser coberto constantemente por um volante fixo, no caso Léo:







Assim, de todas as formas, a melhor opção, hoje, para o Botafogo é dar liberdade total para Renato, colocando mais um volante defensivo ao lado de Marcelo Mattos, cobrindo, desta forma, a subida dos laterais. Essa foi a melhor forma que o time jogou até hoje, o primeiro tempo contra o Corínthians no Pacaembu.


Abraços.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

CORÍNTHIANS 0 X BOTAFOGO 2: PRIMEIRO TEMPO, FUTEBOL DE CAMPEÃO; SEGUNDO TEMPO, DEFESA DE CAMPEÃO

Como os amigos sabem estou "de férias" um pouco do blog em virtude de estar preparando/terminando meu projeto de doutorado, porém ao assistir ao jogo desta quarta-feira entre Corínthians e Botafogo, senti-me impelido ao registro rápido do jogo.
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Primeiro devo salientar que acredito que o Tite seja um técnico muito corajoso, disfarçando o seu 4-6-0 (desdobrado em 4-2-4-0) num 4-4-2 (4-2-2-2). Com dois volantes, dois pontas-de-lança e dois meias-extremos - ou meia-puntas, como chamam os espanhóis -, o time de Tite tem uma força enorme pelas laterais do campo, mas é dependente que pelo menos um dos meias se transforme em centro-avante para concluir dentro da área a jogada criada por um dos seus outros três companheiros.
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Campinho Corínthians:
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Dito isto me fascina o fato do técnico ter conseguido que seu time efetuasse tão bem as movimentações propostas nos últimos dois jogos. Até que Caio Jr. tivesse destruído a sua estratégia. O questionamento fica, a mudança foi pontual, para enfrentar o Corínthians, ou será a nova formação tática botafoguense? Só o fim de semana dirá.
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Qual foi a mudança do Botafogo? Troca do esforçado e brioso argentino Herrera pelo técnico e, às vezes, desleixado Felipe Menezes. E daí, é uma mudança que é feito no decorrer de muitos jogos para ganhar o meio campo? É. Foi esta a grande mudança? Não. A Grande Mudança foi a inversão do triângulo botafoguense. O time ainda era um 4-2-3-1 nominalmente, mas seria mesmo na prática? Ouso ainda dizer que sim, o triângulo era muito assimétrico para que se transformasse num 4-1-4-1 - no caso com o regista Renato e o enganche Felipe Menezes alinhados, o que não ocorreu, o 10 jogava a frente da linha de meio, o 8 atrás -.
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Mas desta mudança decorrem outras 3 no sistema defensivo botafoguense: 1º Renato foi deslocado da direita para a esquerda. Marcelo Mattos da esquerda para o meio - virando, literalmente, um cabeça-de-área -. Desta forma, Menezes ocupou o lado direito do triângulo assimétrico de base alta. 2º Em decorrência disso, é completamente modificado o sistema de cobertura aos laterais. Antes, Marcelo era obrigado a cobrir as subidas de Cortêz, Renato as de Lucas, Herrera ajudava pouco na composição, e ninguém cobria a entrada da área, porque os laterais do Botafogo muitas vezes subiam juntos, o que obrigava a dupla de volantes a cobrir os dois simultaneamente, limpando a área para batidas de fora dela.
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Lembrem-se dos erros sucessivos do Botafogo em decorrência disso: Contra o São Paulo: o primeiro gol sai de um chute despretencioso da entrada da área sem que ninguém desse cobertura, Renan falha e o gol; no segundo, falha na cobertura de Cortêz, a falta é feita para parar a jogada, resultando no gol de empate. Contra o Atlético Goianiense: 1º falha novamente na cobertura do lateral esquerdo, gol; o segundo também pela lateral esquerda, Marcelo Mattos falha bisonhamente tentando cortar a bola, e o segundo gol. Contra o Bahia, o primeiro gol sai de uma falta boba numa saída errada entre Renan e Cortêz; já o segundo sai de um pênalti cometido por Mattos quando ele marcava, dentro da área o lateral direito baiano, obrigação de Cortêz que estava fora do lance. Resumo: 3 jogos, 6 gols e 6 pontos jogados fora.
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Conclusão: TODOS estavam explorando as costas das subidas constantes do selecionável Bruno Cortêz, com a consequente má cobertura de Marcelo Mattos. No jogo deste feriado, o 5 jogou onde ficava mais confortável, na cabeça-de-área, descendo e virando um 5º zagueiro, protegendo as batidas de fora, desta forma evitou pelo menos três chutes perigosos. Renato protegeu Cortêz, e como sempre, de forma magnânima. Pela direita com Elkeson marcando bem - diferentemente de Herrera, mas marcando quase tantas faltas quanto - e Menezes protegeriam Alessandro que subiu efetivamente uma única vez, mas, quando o fez, teve o ponta-de-lança ficando na sua cobertura.
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Um sistema de cobertura e compensações perfeita, sem abdicar das suas crenças - dos técnicos brasileiros Caio Jr. é um dos que mais elogiam abertamente o 4-2-3-1, embora não seja o único a tê-lo como sistema favorito, Dorival Jr. e Celso Roth (em estilos completamente opostos de proposta de jogo, o primeiro é ofensivo e o segundo defensivo) viram e mexem, flertam com sistemas mais comuns nos clubes em que são contratados até que ganhem a confiança dos jogadores e implantem os seus sistemas diletos -, o "Professor Pardal" inverte tudo, gira o seu triângulo mediano, sem na verdade ter modificado "nada".
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Campinho do Botafogo:
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Desta forma devo salientar alguns aspectos do jogo.
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1º O melhor jogador ontem foi Caio Jr., ele ganhou o jogo. Suas iniciativas de véspera de partida foram decisivas, muito mais do que aquela na última hora antes do jogo na troca do 17 pelo 10. Quais iniciativas? Primeira: chamar um por um dos titulares e conversar em particular com eles, cada um expôs o que pensava etc. Isto deve ter ganho de vez os jogadores, o espírito era outro em campo - espírito este influenciável também pela grande liderança de Abreu que sempre faz falta, durante o segundo tempo ele chamava a atenção dos seus colegas para que não desanimassem e não permitissem um "novo São Paulo" -. 
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Segunda iniciativa: treino tático às véspera do jogo. Sou extremamente a favor disso. Rachão? Isso é torneio profissional, oras! Rachão só quando não tem jogo 2 vezes por semana e NUNCA na véspera, é treino tático mesmo! Isso foi importantíssimo. Pelo menos duas jogadas ensaiadas ficaram nítidas e resultaram em gols - mesmo um sendo anulado POR TOTAL DESCONHECIMENTO DAS REGRAS DO FUTEBOL por parte do assistente 2 -: o primeiro colocando DELIBERADAMENTE Loco Abreu e Antônio Carlos (os melhores cabeceadores do time) em IMPEDIMENTO PASSIVO, a bola é lançada no 2º pau para 2 homens que vêm de trás - no caso Elkeson e Marcelo Mattos - que receberiam e tocariam para os dois homens livres na área que, COMO SE CARACTERIZARIA UMA NOVA JOGADA, estariam aptos a participar.
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O segundo lance ensaiado foi a cobrança de lateral que resultou no 2º gol válido do time. O comentarista da Rede Globo, Júnior (grandioso lateral), percebeu que fora jogada ensaiada ao ver o replay e notar a movimentação sem bola de Felipe Menezes e Maicosuel. Notei um pouco antes quando a jogada foi repetida, agora tendo Elkeson de pivô.
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2º Felipe Menezes teve boa atuação, mas o que fez de melhor foi quando não tentou fazer nada de melhor. Sem velocidade e sem habilidade não dá para sair carregando a bola, o que ele deveria fazer como um 10? Tocar de primeira e de segunda (mata-e-passa). Quando executou isso foi muito bem, quando tentou sair driblando concedeu contra-ataques. Observe-se o 1º gol válido do time: Felipe recebe e passa para Elkeson antes da chegada do marcador. O 9 pega em velocidade e toca para trás em direção ao 10 que vinha TROTANDO, este, de primeira, devolve para Elkeson, que livre, cruza para Loco Abreu marcar de cabeça - mesmo tendo a bola desviado num zagueiro, acho improvável que um jogador de bom chute e bom passe, sem marcação, não conseguisse botar a bola na cabeça de Abreu, que bom cabeceador que é, dificilmente perderia este gol, o desvio só facilitou a vida do uruguaio, lance completamente diferente do gol do Mago, cuja batida na defesa tirou completamente o goleiro da jogada -. Isto é, Felipe acelerou o jogo sem ter que correr com a bola, ao tocar de primeira ele destrói o sistema de marcação o que lhe permite receber livre a bola, mesmo trotando em campo, ao receber de volta a bola, chamando a marcação para si, e devolvendo-a imediatamente, novamente faz desmoronar todo o sistema defensivo corinthiano.
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3º Loco Abreu recomeçou a voltar para fazer o pivô no meio campo, algo que ele fazia muito no auge do time, muitas vezes jogando atrás da linha de 3 meias. Mas o seu momento mais importante foi quando virou zagueiro também: com um a menos e com Adriano em campo, Loco ficou de vez na área - e já tivera sido deveras importante cortando diversas bolas dos quase trinta escanteios do Corínthians -, marcando o 10 adversário que já acertara uma bola sozinho na área. Neste momento do jogo, o Botafogo que começara nominalmente com 2 zagueiros, mais o Alessandro que nunca subia - o que o tornava na prática um 3º zagueiro -, com Gustavo (zagueiro) entrando na lateral esquerda, depois da expulsão boba do Cortês, Com Marcelo Mattos sempre descendo para dentro da área, e com Loco Abreu marcando pessoalmente a Adriano, o Botafogo terminou o jogo com, literalmente, 6 zagueiros, 2 volantes (Renato e Bruno Tiago que entrara no lugar de Maicosuel) e Herrera aberto na direita para puxar os contra-ataques que não existiram, na prática, um 6-3-0!
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Fica um questionamento simples, então: Ora, com um triângulo de base alta, quem faria o centro do campo?  A resposta é simples, MUITA GENTE. Numa situação normal do jogo, o centro pertence ao Felipe Menezes, que deveria abrir para direita sempre que o seu lateral passasse para que pudesse cobri-lo. Mas na verdade muita gente fez a "posição 10": Loco Abreu, voltando para fazer o pivô; além de Maicosuel e Elkeson revezando-se como sempre fizeram.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O CRIADOR RECUADO: O CASO DO BOTAFOGO


Na história da tática do futebol uma figura tende sempre a aparecer e desaparecer de tanto em vez. É a figura do armador recuado. Vejamos: no antigo 2-3-5 ele estava lá, o central da segunda linha (camisa 5) tinha a função, além da defensiva, de armar as jogadas da linha de frente com lançamentos e inversões, muitas vezes ligando o contra-ataque. No WM (3-2-2-3) este elemento desaparece. O 5 recua para a linha de zaga e cria-se uma terceira linha (8 e 10) antes da linha de avantes. A armação fica por conta destes dois jogadores, que jogavam perto da linha de frente.
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Então veio uma nova revolução, tão importante quanto o próprio WM, o 4-2-4 do Brasil de 1958. A partir do WM, um dos meias defensivos (camisa 4) recua para a linha de zaga, enquanto um dos meias ofensivos (camisa 10) entra na linha de ataque. No meio, ficavam então o 5 e o 8, um defensivo e outro ofensivo. Esta segunda linha tinha a função de defender, mas o 8 fazia a mesma dupla função do antigo central do 2-3-5, armar o time através de lançamentos e passes.
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Foi neste esquema que brilharam, por exemplo, Didi, Gérson (pelo Botafogo), Mengálvio (Santos), Ademir da Guia (provavelmente o maior jogador da história do Palmeiras), e, posteriormente, no 4-3-3, grandes como Sócrates (Corinthians) e Falcão (talvez o maior do Internacional de Porto Alegre), e tantos outros gênios.
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Antigamente, este camisa 8, chamado de meia-armador, jogava, normalmente, sobre a linha de meio campo, na posição do que hoje convencionamos chamar de segundo volante. Vejamos, nesse sentido, dois exemplos tomados dos grandes times do Botafogo da década de 60.
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Escalação do time de 1962:
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Escalação do time de 1968:
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No Brasil esta posição sumirá na formação do nosso 4-4-2. Com o meio em forma de quadrado (2-2), o brasileiro reconstruiu o meio do WM. O defeito maior dos 4-4-2s sulamericanos (brasileiro e argentino) era o imenso vazio aberto nas laterais do campo, com isso abria-se o corredor para o apoio constante dos laterais. Desta forma, fazia-se necessário que ambos os volantes cobrissem a subida dos dois laterais. O passador (camisa 8) recuado sumira, em seu lugar outro destruidor de jogo. A criação de jogadas voltaria para os dois meias avançados, um mais cadenciador – fazendo as funções do antigo meia-armador – (camisa 10) e um ponta-de-lança mais condutor de bola (camisa 7 ou 11).
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Em outros países, no entanto, o 8 manteve-se como criador de jogadas – nem sempre recuado – na constituição de seus 4-4-2s. Na Argentina, com seu losango (4-3-1-2) mediano, o 8 continuava sobre a linha de meio campo, com um destruidor logo atrás, e na mesma linha outro médio com funções defensivas e de apoio, e logo a frente o ponta-de-lança – que lá se chama, muito acertadamente, enganche –. Na verdade, ao invés de trocar o armador por um volante combativo, os portenhos acrescentaram outro. No entanto, a função não é a mesma. Esta posição – em castelhano chamado de carrilero – não é um CRIADOR, e sim um APOIADOR. Muito diferente.
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Na Inglaterra, por sua vez, com seu 4-4-2 em duas linhas ortodoxas, o camisa 8 tem a função de defender atrás, armar o time com lançamentos, e chegar com vontade na frente pra concluir com chutes de média distância. Este jogador de área-a-área (Box-to-box) é criador de jogadas, que se desenvolvem de forma descentralizada. Porém, quase sempre, o Box-to-box é quase sempre mais apoiador do que criador. Em alguns times, a criação fica por conta de um dos wingers.
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Porém, em país nenhum do mundo esta função tem uma nomenclatura tão precisa e simples quanto na Itália: Regista. Isto é, aquele jogador que REGE a transição ofensiva (contra-ataque), REGE a construção, é um auxiliar defensivo, ocupando espaços inteligentemente, interceptando passes, mas, sobretudo, é um passador, REGENDO o time, não um apoiador.   
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Como podemos ver na citação abaixo, a nova formação em triângulo – como no antigo 4-3-3 – dos novos esquemas em maior uso (4-2-3-1, 4-3-3) recria a função de regista. Ressurge a função do passador. O meia-central precisa dar a saída de bola. Ora, se existe um marcador específico para destruir o jogo de bola do criador de jogadas, é necessário que um jogador extra retenha essa bola e desafogue o time:
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This is where the central midfielder gets the most attention, and also the most criticism. The popularity of ‘the passer’ amongst managers owes much to the decline of two-striker formations, with 4-5-1s (more specifically, 4-2-3-1s and 4-3-3-s) favoured. In basic terms, this simply means an extra midfield spot available, and hence the destroyer-creator model was amended to give a destroyer-passer-creator system in the centre of midfield (…). “Receive, pass, offer, receive, pass, offer” is the Barcelona mantra for midfielders.
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(Isto é onde o meia central recebe a maior atenção, e também a maior crítica. A popularidade de “o passador” entre técnicos deve-se muito ao declínio das formações de dois atacantes, com 4-5-1s (mais especificamente, 4-2-3-1s e 4-3-3s) favorecidos. Em termos básicos, isto significa simplesmente um espaço vago no meio-campo, e desde que o modelo destruidor-criador foi ajustado para dar num sistema destruidor-passador-criador no centro do meio-campo (...). “Receber, passar, oferecer, receber, passar, receber” é o mantra do Barcelona para os meias).
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Desta maneira podemos supor que, o central deveria manter a posse de bola. Muitas vezes através de passes curtos laterais, quase sempre inócuos, aparecendo para receber e manter esse sistema de passes. Porém, algumas vezes, o passe longo, invertendo o jogo, ou o passe em profundidade para um companheiro buscam justamente a criação de jogadas com mais ímpeto, na procura por um colega de time melhor posicionado para o ataque. A este jogador, portanto, fica a obrigação do primeiro ou do segundo passe, este qualificado.
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BOX-TO-BOX Vs REGISTA, DIFERENÇAS (?)
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Chamamos a atanção, desta feita, agora para uma questão que seria muito proveitosa para o debate sobre este texto: existem diferenças entre o Box-to-box e o Regista? Se existem quais são? Atrevemo-nos a responder com certa certeza a primeira pergunta: sim, existem diferenças intrínsecas entre as duas funções.
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Complicado, agora, é achar uma resposta para a segunda questão. Embora possamos distinguir a primeira vista um Box-to-box de um regista durante um jogo apenas observando a sua movimentação, difícil é explicar. Acreditamos, portanto, que o Box-to-box tem a necessidade de chegar à frente para impedir o esvaziamento entre o ataque e o meio do 4-4-2. Isto é, faz-se necessário mais o seu apoio ao ataque do realmente a construção recuada de jogadas. Vejamos Gerard – o melhor Box-to-box que eu já vi –, ou até mesmo o jovem Wilshere do Arsenal – que já ocupa esta função tanto no time quanto na seleção –, é necessário que ele chegue até a borda da grande área para concluir, inclusive, no time nacional, muitas vezes Gerard joga como último vértice de um triângulo no 4-2-3-1 ou 4-3-3 armado, raramente, por Fábio Cappelo. Desta forma, ao Box-to-box não fica a obrigação real de criar jogadas, pois, muitas vezes, no 4-4-2 ortodoxo, o meia-de-criação é um dos wingers, sendo que o outro acaba sendo um winger-atacante.
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O que vemos, no entanto, de certa forma em uma crise do Box-to-box, o reposicionamento do meio em forma de triângulo (destruidor-passador-criador). A função, parece-nos cada vez mais relegada ao lateral, que defendendo na sua área, apoia na área adversária (tática individual que só surgiria como NECESSIDADE nos 4-4-2s sulamericanos, que, devido a sua falta de amplitude cria verdadeiros corredores em frente aos laterais que se tornam cada vez mais ofensivos).
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Já o Regista não. Este pode reger o time de posições mais recuadas, sem necessidade alguma que avance em direção à área adversária (embora não seja proibido de fazê-lo). Um caso emblemático é o do grande Pirlo, campeão de tudo com o Milan e Regista da seleção italiana campeã do mundo em 2006. Jogando pelo Milan, o 21 que começou a carreira como trequartista (meia-de-ligação), atuava como primeiro vértice de um losango, posição normalmente ocupada por um jogador mais combativo, que no rossonero era função de Gattuso. Este, destruía as jogadas à frente de Pirlo, a bola chegava, então, mais limpa para seus pés. Ou recebia diretamente da zaga, fazendo o primeiro passe. Esta função individual foi observada, também, em Fábio Rochemback e em outros jogadores pelo jornalista Eduardo Cecconi.
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Porém, o maior regista que eu já vi jogar foi Pep Guardiola, talvez os mais novos não o tenha visto, seu futebol ficou obsoleto no início da década de 2000, obrigando-o a se aposentar muito mais cedo do que seu enorme talento permitiria. Hoje em dia, no entanto, com a grande revolução que ele está criando no seu Barcelona, todos estão assimilando novamente o meio em triângulo – embora a recomposição do meio em triângulo seja devedor do surgimento do 4-2-3-1 – e a sua função de regista (de passador, de articulador recuado) está em alta no momento, o que podemos ver no grande Xavi, que sob a direção de Frank Rijkaard era apenas um primeiro volante reserva, e hoje talvez seja o jogador mais desejado do mundo depois de Messi.
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Tomemos, então, como exemplo a seleção brasileira de Mano Menezes. Há uma predileção natural do técnico pelo Box-to-box do tipo Ramires e outros (Ralf, Jucilei), jogadores marcados pelo shuttle (disparo) em direção à área adversária – basta lembrar dalguns gols da Seleção de jogadas iniciadas por esses shuttles realizados por Ramires, muitas vezes ganhando os combates não com técnica e habilidade, mas na raça e na disposição em dividir a bola (o que também tem sua beleza, uma beleza quase bélica), como no gol de Jádson contra o Paraguai –, em detrimento de volantes-meias (registas) como do tipo de Hernanes – que se cometeu um erro contra a boa seleção francesa, merecia mais chances no time canarinho –.
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CASO EM ESTUDO: BOTAFOGO – 2011
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O Botafogo, desde a chegada de Caio Júnior, vem se adaptando ao 4-2-3-1. Este esquema tático, quase sempre se desmembra num 4-3-3 quando ataca (mais precisamente 4-2-1-3), com os wingers (meias-extremos) se tornando verdadeiros pontas no momento de ataque, deixando centralizado um criador. No entanto, no Glorioso, este desenho se converte, praticamente, num 4-2-4. A linha de meias é formada por meias-atacantes que são incisivos e condutores em velocidade, muito mais interessados em ir em direção ao gol do que em armar jogadas – isto muda quando o meia-central da terceira linha é Felipe Menezes, muito mais enganche do que os companheiros –.
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Contudo, o que nos importa para este texto são a posição e a função dos volantes botafoguenses, a movimentação e opção de meias ficará para outro momento. A dupla da segunda linha chamou a atenção pelo ótimo desempenho, e pelo inusitado também, afinal, do time titular do Botafogo, até agora, aquele responsável pela articulação é o Renato, como já percebeu Cecconi:
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Mesmo na primeira linha do meio-campo, Renato não é um mero volante combativo, protetor do lateral Alessandro. Pelo contrário. Ele é um articulador recuado, marca mas acima de tudo participa da organização ofensiva realizando o primeiro passe e fazendo a passagem para receber. Esta iniciativa do camisa 8 desonerou Felipe Menezes, cuja timidez na partida não comprometeu o time ofensivamente pela participação de Renato e de Maicossuel nos passes”.
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Marcelo Mattos (5) e Renato (8), como apontado por nós em textos anteriores (aqui e aqui), jogam em uma linha diagonal, com Marcelo posicionado bem atrás de Renato. Todavia, este posicionamento do 8 não faz com que ele avance regularmente até a área adversária, ficando quase sempre contido para receber um passe mais atrás ou posicionando-se, inteligentemente, para prevenir o time de um contra-ataque. Muito menos defende de frente a área botafoguense, sua área de atuação é praticamente em cima da linha de meio campo, de onde acelera o jogo invertendo lançamentos para o lateral esquerdo, ou aprofundando jogadas com o lateral direito. Ora, tomemos como parâmetro o jogo contra o Atlético-MG no Engenhão pelo campeonato brasileiro, nesta partida, muitas vezes o 8 encontrava-se à frente de Felipe Menezes, exercendo pressing no adversário.
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Desta forma seria errôneo classificar o segundo volante alvinegro de Box-to-box, ele é um regista, embora muitas vezes tenha atuado assim no 4-4-2 ortodoxo do Sevilha, e outras vezes, chegou a exercer a função de regista neste time espanhol quando atuou como primero 1 do 4-4-1-1 do desenho de 2010 desta equipe – um desenho muito mais próximo do 4-2-3-1 botafoguense –.
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Chamamos atenção também para a tática individual do Marcelo Mattos. Ele é o volante de contenção do Botafogo, o elemento destruidor do trio central – o chamado cabeça-de-área –. Porém é o 5 quem exerce a função de box-to-box da equipe, adiantando-se para a segunda bola (rebote) ofensivo para o arremate de média distância – algo que não lembro ainda de ver Renato fazer no time –, defendendo até dentro da área, quando necessário, e puxando contra-ataques em velocidade, como na assistência genial para o gol de Maicosuel contra o Atlético-MG na partida de ida da Copa Sulamericana.
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CONCLUSÃO
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O momento atual, de resgate do triângulo mediano e da formação de equipes em quatro linhas, acaba dando refôlego ao jogador-passador, que, através de seus passes, poucas vezes objetivos, é o responsável pela posse de bola e sua inteligência tática possibilita interceptações precisas de passes, as duas principais características defensivas dos grandes times da atualidade. Em contra-partida, o Box-to-box clássico vem desaparecendo, permanecendo apenas aqueles que conseguem se adaptar às funções ou de passador ou ao criador do meio – mormente a primeira opção –.
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Mas há um ponto necessário ao debate que não notamos nos argumentos utilizados na nossa pesquisa. O triângulo mediano moderno é quase sempre de base baixa (2-1) assimétrico, salvo raras exceções como o Barcelona ou o Porto, que jogam com triângulo de base alta (1-2) bastante simétricos. Isto é, a função do passador não é exercido mais por um meia, e sim um volante. Destarte, não seria mais acurado chamá-los de “meias-armadores” como antigamente, nem de “volante-meia” como vários jornalistas esportivos hoje convêm chamar por falta de termo melhor (inclusive, o que na minha opinião, é o melhor analista tático brasileiro hoje, André Rocha), e sim, talvez, de “volante-armador”.
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TRIÂNGULOS MÉDIOS: MODELOS EM USO HOJE:
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sábado, 13 de agosto de 2011

RESUMO DOS JOGOS DO BOTAFOGO


Decidi esperar uma quantidade razoável de jogos com elenco completo do BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS na mão de Caio Júnior para analisar o seu desempenho. Com cinco jogos com o meia Renato e quatro com a presença de Loco Abreu, podemos desenhar algum tipo de linha mestra do time alvinegro.
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Vou me restringir aos jogos COM Loco Abreu. Desempenho maravilhoso, 3 vitórias e 1 derrota, sete gols a favor, três contra. Porém a análise que importa é observar individualmente cada partida e de que forma os jogos se alinham como uma evolução contínua – se para melhor ou pior –.
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ESQUEMA TÁTICO:
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Na ausência de Loco Abreu, o time jogava num 4-2-3-1, com forças pelas extremidades, porém com Herrera de 1 o time perdia não só presença de área, como também rendia pouco nas finalizações, o time vivia, praticamente, dos chutes de longa distância de Elkeson. Quando este passou a ser marcado mais de perto e os seus chutes de longa distância começaram a falhar o time decaiu radicalmente, passando quatro jogos sem vencer – dois empates e duas derrotas, nesta ordem –.
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Começou-se a rotatividade na frente, atrás deste 1, e ninguém funcionou – salvo o jovem Alex, que em suas duas entradas no time marcou dois gols –. Dizia-se que o esquema era perfeito para o Loco Abreu, esperava-se por ele. O técnico começou a ser contestado depois destes resultados pífios, justamente quando o time poderia engrenar e colar na primeira colocação. Esperava-se por Loco Abreu.
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O uruguaio voltou, e aí? Quem sairia? O departamento médico resolveu o problema: Evérton se machucou, Caio se machucou, Alexandre Oliveira não se firmou – no jogo em que o Botafogo perdeu para o Atlético Paranaense de 2 a 1, este jogador perdeu pelo menos quatro gols sozinho –. Desta feita, El 13 poderia entrar sem a necessidade de que Herrera saísse do time.
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O que se imaginou, em um determinado momento, é que, com os dois, o time do Botafogo voltaria ao 4-2-2-2. Embora isso tenha ocorrido algumas vezes, o time continuou, em seus melhores momentos, no mesmíssimo 4-2-3-1, todavia agora bastante assimétrico: os dois volantes encontram-se desalinhados, e o trio de meias também.
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MUDANÇAS:
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Uma das maiores modificações foi a troca das posições iniciais entre Maicosuel e Elkeson. O Mago foi colocado na posição em que tem maior conforto, o centro, deslocando Elkanhão para a esquerda. O resultado não foi satisfatória, retirando o 9 de onde ele vinha sendo mais perigoso, com seus chutes de média distância. E a contrapartida também não compensou, a evolução de Maicosuel não foi o esperado.
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Na extrema direita foi deslocado Herrera. O seu posicionamento inicial é muito aberto e muito recuado para ser considerado como um segundo atacante, pelo contrário, seu posicionamento é de winger-ofensivo. Como nos melhores 4-2-3-1 do mundo, pelo menos um dos extremos é um atacante recuado – Cristiano Ronaldo, no Real Madrid, por exemplo, ou Pedro no Barcelona, quando o time assumia este desenho tático, e na seleção espanhola, e Eto’o quando a Internationale usava esse esquema – ou um winger que se torna um atacante com a bola – Walcott no Arsenal, e Di Maria no Real, por exemplo –. Esta é a função de Herrera: quando o time ataca pela direita, este é o seu posicionamento, bem recuado e aberto, para trabalhar com o lateral que avança, tabelar com o meia central, e progredir por aquele lado até o fundo, se necessário. Quando o jogo se faz pela esquerda ou pelo centro, ele avança para dentro da área, em diagonal, muitas vezes trocando de posição com Loco Abreu – estes movimentos serão importantes quando nos referirmos aos gols de Herrera logo a frente –.
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JOGO 1 (CRUZEIRO 0 E BOTAFOGO 1):
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No retorno de Loco Abreu o 4-2-2-2 foi mais bem configurado. O resultado: dominação completa do Cruzeiro. A vitória veio de um lance fortuito, em que a bola chegando em condição para Abreu – muito distante da área – e uma belíssima pancada de longe: o gol decisivo.
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Neste jogo o time conseguiu demonstrar uma grande qualidade defensiva, embora relativamente desorganizado. O time se mostrou bastante inseguro atrás, o que se torna até paradoxal: como se segurar tão bem se defendendo tão mal? A resposta é simples: pouca qualidade ofensiva do adversário.
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O elemento de ataque mais eficaz do Cruzeiro é o argentino Montillo, e o elemento mais eficaz na defesa alvinegra há muito tempo tem sido Marcelo Mattos. Com o 5 anulando o 10, os dois times sem conseguir criar, uma jogada de qualidade diferenciada decidiu o jogo.
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De positivo: apenas o resultado.
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JOGO 2 (ATLÉTICO PARANAENSE 2 E BOTAFOGO 0):
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Uma comédia de erros. Num lance de bola alçada na área, Jéfferson errou pela segunda vez, depois do retorno das férias forçadas com A Seleção, uma saída de gol para tirar uma bola baixa – típica bola da zaga, não do goleiro –, a defesa inteira não sobe, o goleiro erra, bola para dentro. Logo após o atacante do atlético perde a bola, pura de fora da área para dentro e o juiz marca pênalti. Daí o segundo gol.
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Mas a pior parte foi a postura do Botafogo. O time retrocedeu um ano e meio, foram noventa minutos de chuveirinho, nenhuma linha de fundo. Resultado, com um gigante na frente, nenhuma vitória pelo alto. O que é lógico. Mesmo que Loco Abreu tivesse três metros de altura ele não venceria, pois estaria nas costas dos zagueiros que recebem a bola de frente. Nos lances de linha de fundo, os zagueiros estão de costas, o atacante de frente, e a própria movimentação dos mesmos, que se voltam em direção à bola, desmarca o atacante que tem mais chances de acertar o alvo.
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Saldo: retrocesso completo, e o resultado demonstra isso.
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JOGO 3 (BOTAFOGO 4 E VASCO 0)
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O melhor jogo do Botafogo sob a direção de Caio Jr. Ressaltamos que, no segundo tempo, o time abdicou de jogar, aceitou ser pressionado para “segurar” um resultado, sofreu sufoco – parece que está institucionalizado neste grupo a joelização, o muricybol, faz um gol e segura atrás, por este motivo o Botafogo entregou quatro pontos, cedendo empates no fim dos jogos em que, ganhando de 1 a 0 decidiu “segurar” –. Até hoje tento aprender o motivo pelo qual se acha que, depois de conseguir uma vitória parcial dominando a partida, é mais inteligente DEIXAR DE DOMINÁ-LA?
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Caio Jr., pelo menos soube capitalizar muito bem a derrota anterior: nada de chuveirinho, nada de Locodependência, nada de cruzamentos direto da intermediárea. O que, no entanto, não significa não utilizar o seu centravante, nem muito menos deixar de cruzar bolas na área. Significa sim, utilização inteligente da linha de fundo, e jogar, predominantemente pelo chão.
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Dizer, no entanto, que o Vasco não jogou bola, que esteve apagado, é um erro. O Vasco jogou bola, e muito. O primeiro tempo foi primoroso. Chances para os dois lados. A diferença é que o Botafogo chegou e fez, o Vasco parou ou na sua própria incompetência na finalização, ou na boa defesa do Botafogo.
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O segundo tempo mostrou a enorme evolução defensiva do Botafogo. Embora Gustavo tenha se saído, ao meu ver, melhor pelo chão do que Fábio Ferreira, este último deu uma segurança pelo alto que o time não havia demonstrado há tempos.
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Logo no início, um escanteio, cobrança no primeiro pau magistral de Renato, e gol do zagueiro-artilheiro Antônio Carlos. Depois de vários erros de bolas paradas, e de treinamento especial liderado por Caio Jr., finalmente deu resultado a cobrança lateral.
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Logo após, contra-ataque maravilhoso puxado pelo lateral esquerdo Cortês, passe magistral, entre os zagueiros, para Herrera, o 17 bate, o goleiro dá rebote e Loco Abreu – que, inteligentemente, viu a movimentação de Herrera e da defesa, levantou a cabeça para a direita, vazia de zagueiros, e se movimenta para aquela direção – arremata de direita para os fundos das redes.
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Para quem afirma que o 4-2-3-1 prescinde de um homem de área, de um matador natural, e precisa, sim, de um homem de movimentação na frente, eis a resposta. Na verdade, cada time deve trabalhar da forma que se encaixa melhor: no Barcelona não há centro-avantes, no Real Madrid Mourinha ainda procura um finalizador de área que não encontrou – ao seu contento – em Benzema.
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Chamo a atenção, agora para a MOVIMENTAÇÃO de Herrera a qual me referi anteriormente. Como a jogada vinha se fazendo, desde o campo de defesa pela esquerda, o argentino se deslocou para o centro, estando, inclusive, à frente de Loco Abreu. O que permitiu, do mesmo modo, que o uruguaio pudesse aparecer desmarcado no vazio onde deveria estar o 17.
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No terceiro gol, o lateral direito Lucas – que, para a felicidade geral da nação alvinegra, tomou o lugar de Alessandro –, trabalhou com Herrera, foi à linha de fundo – o que não acontecia anteriormente com o seu antecessor – e cruzou certeiro na cabeça de Elkeson, que jogando de extremo-esquerdo, cumpriu a mesma movimentação do argentino, saindo da ponta e entrando na área. O nordestino, com extrema consciência e categoria, ajeita de cabeça para Abreu – aquilo que o 13 faz sempre para os companheiros e raramente recebe em troca – que, de voleio, arremata sem chances para o goleiro.
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Note que a jogada aérea voltou a funcionar com o botafogo, seja ela de bola parada ou rolando, mas SEMPRE de linha de fundo, e NUNCA como arma única ou principal, e sim como um DIFERENCIAL do time, muito bom em cima, com laterais que sabem cruzar.
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No quarto gol, após uma roubada de bola no meio, Renato avança em diagonal da esquerda para a direita, a zaga fecha, impedindo o chute ao mesmo tempo que vigiavam Abreu. O 8, então, dá um passe genial, entre El Loco e a defesa, encontrando Herrera que vinha fechando de sua posição inicial aberto à direita para dentro da área. O passe foi tão bem executado, que o argentino teve pelo menos uns 3 segundos de liberdade para matar a bola, olhar o goleiro e finalizar perfeitamente – o passe em profundidade, entre os zagueiros e em direção às suas costas, é o melhor possível, afinal o defensor tem que se acompanhar a trajetória da bola, se virar, e, por fim, ir em direção dela, a vantagem é toda do atacante –.
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Conclusão: Se o Botafogo não foi perfeito, mostrou uma segurança e uma tranquilidade de quem quer chegar em algum lugar.
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JOGO 4 (ATLÉTICO MINEIRO 1 E BOTAFOGO 2)
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Devo avisar ao leitor que este jogo eu não vi, acompanhei-o pelo rádio – obrigado sistemas de televisão detêm os direitos de transmissão de jogos –, por isso vamos aos pormenores de MINHAS IMPRESSÕES do que ouvi, e dos vídeos dos gols:
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  1. Novamente um gol no início do jogo, novamente jogada de linha de fundo. Maicosuel, de volta à ponta-esquerda, sambou e tremeu na frente do lateral e soltou a bola no ponto-futuro para o overlapping do lateral esquerdo Márcio Azevedo. Na linha de fundo Loco Abreu ganhará, senão todas, a maioria, e que habilidade com a cabeça, amigo! Subiu muito mais que o zagueiro, e no terceiro andar, amaciou a bola e colocou-a no vazio, para Herrera – novamente com a MOVIMENTAÇÃO da extrema-direita para o centro, quando a bola está no lado oposto – arrematar com potência para as redes. Como tem torcedor que pode reclamar ainda de um jogador como Loco Abreu (conheço VÁRIOS)? 4 jogos: 3 gols e 1 assistência!!! Monstruoso. Dificilmente manterá esta média, mas se ficar perto seria fenomenal! Este lance lembrou o terceiro gol do Botafogo contra o Vasco: linha de fundo, cabeçada para o meio, arremate de primeira.
  2. Como no quarto gol contra o Vasco, bola roubada na defesa, contra-ataque puxado por um volante, bola perfeita para o extremo chegar e finalizar. Porém este gol foi muito mais bonito. O passe de Marcelo Mattos foi algo de magistral, entre os zagueiros, e em velocidade. Maicosuel, que vinha correndo por trás, chega antes que os zagueiros, e com muita folga – novamente: o zagueiro é obrigado ainda a olhar a trajetória da bola, virar o corpo, e locomover-se –, o resultado foi que o Mago chegou com tranquilidade suficiente para escolher o canto e tocar com tranquilidade na saída do goleiro.
  3. O Atlético-MG demonstrou total falta de opções: suas jogadas eram apenas chuveirinhos para a área. Mas novamente a zaga botafoguense falhou. É claro que o gol foi extremamente fortuito, afinal, ninguém imaginou que aquela bola do Richarlisson entraria, nem os torcedores, nem o Jéfferson, nem o próprio. Acertando a bola descendente com o calcanhar, ela sobe e simplesmente cai, uma folha seca perfeita, e nem o Rich deve saber como conseguiu fazer isso.
  4. Devo lembrar que esses gols no início estão prejudicando o futebol do Botafogo, principalmente no segundo tempo. O Botafogo finalizou 4 ou 5 vezes para o gol. O Galo pelo menos 3 vezes mais do que isso. Eficiência do Botafogo, por certo, mas aceitar que o adversário finalize tantas vezes é um erro, pelo menos duas vezes Jéfferson operou verdadeiros milagres de coragem, reflexo e perícia, parando o gol do adversário nos pés dos atacantes que entraram sós.
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Saldo: A certeza da vitória e da vantagem do jogo de volta – o Botafogo pode até perder por um a zero em casa –, a certeza que finalmente o time está criando e matando o jogo, mas continua cedendo-o quando adquire qualquer vantagem mínima. Nem sempre Jéfferson irá salvar o time.
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ADEMAIS, duas certezas que eu tenho: NO FUTEBOL GANHA QUEM FAZ MAIS GOLS, QUEM NÃO LEVA SOMENTE EMPATA. & 7 VITÓRIAS VALEM MAIS DO QUE 20 EMPATES.
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TIME TITULAR DO BOTAFOGO