sábado, 13 de agosto de 2011

RESUMO DOS JOGOS DO BOTAFOGO


Decidi esperar uma quantidade razoável de jogos com elenco completo do BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS na mão de Caio Júnior para analisar o seu desempenho. Com cinco jogos com o meia Renato e quatro com a presença de Loco Abreu, podemos desenhar algum tipo de linha mestra do time alvinegro.
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Vou me restringir aos jogos COM Loco Abreu. Desempenho maravilhoso, 3 vitórias e 1 derrota, sete gols a favor, três contra. Porém a análise que importa é observar individualmente cada partida e de que forma os jogos se alinham como uma evolução contínua – se para melhor ou pior –.
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ESQUEMA TÁTICO:
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Na ausência de Loco Abreu, o time jogava num 4-2-3-1, com forças pelas extremidades, porém com Herrera de 1 o time perdia não só presença de área, como também rendia pouco nas finalizações, o time vivia, praticamente, dos chutes de longa distância de Elkeson. Quando este passou a ser marcado mais de perto e os seus chutes de longa distância começaram a falhar o time decaiu radicalmente, passando quatro jogos sem vencer – dois empates e duas derrotas, nesta ordem –.
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Começou-se a rotatividade na frente, atrás deste 1, e ninguém funcionou – salvo o jovem Alex, que em suas duas entradas no time marcou dois gols –. Dizia-se que o esquema era perfeito para o Loco Abreu, esperava-se por ele. O técnico começou a ser contestado depois destes resultados pífios, justamente quando o time poderia engrenar e colar na primeira colocação. Esperava-se por Loco Abreu.
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O uruguaio voltou, e aí? Quem sairia? O departamento médico resolveu o problema: Evérton se machucou, Caio se machucou, Alexandre Oliveira não se firmou – no jogo em que o Botafogo perdeu para o Atlético Paranaense de 2 a 1, este jogador perdeu pelo menos quatro gols sozinho –. Desta feita, El 13 poderia entrar sem a necessidade de que Herrera saísse do time.
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O que se imaginou, em um determinado momento, é que, com os dois, o time do Botafogo voltaria ao 4-2-2-2. Embora isso tenha ocorrido algumas vezes, o time continuou, em seus melhores momentos, no mesmíssimo 4-2-3-1, todavia agora bastante assimétrico: os dois volantes encontram-se desalinhados, e o trio de meias também.
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MUDANÇAS:
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Uma das maiores modificações foi a troca das posições iniciais entre Maicosuel e Elkeson. O Mago foi colocado na posição em que tem maior conforto, o centro, deslocando Elkanhão para a esquerda. O resultado não foi satisfatória, retirando o 9 de onde ele vinha sendo mais perigoso, com seus chutes de média distância. E a contrapartida também não compensou, a evolução de Maicosuel não foi o esperado.
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Na extrema direita foi deslocado Herrera. O seu posicionamento inicial é muito aberto e muito recuado para ser considerado como um segundo atacante, pelo contrário, seu posicionamento é de winger-ofensivo. Como nos melhores 4-2-3-1 do mundo, pelo menos um dos extremos é um atacante recuado – Cristiano Ronaldo, no Real Madrid, por exemplo, ou Pedro no Barcelona, quando o time assumia este desenho tático, e na seleção espanhola, e Eto’o quando a Internationale usava esse esquema – ou um winger que se torna um atacante com a bola – Walcott no Arsenal, e Di Maria no Real, por exemplo –. Esta é a função de Herrera: quando o time ataca pela direita, este é o seu posicionamento, bem recuado e aberto, para trabalhar com o lateral que avança, tabelar com o meia central, e progredir por aquele lado até o fundo, se necessário. Quando o jogo se faz pela esquerda ou pelo centro, ele avança para dentro da área, em diagonal, muitas vezes trocando de posição com Loco Abreu – estes movimentos serão importantes quando nos referirmos aos gols de Herrera logo a frente –.
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JOGO 1 (CRUZEIRO 0 E BOTAFOGO 1):
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No retorno de Loco Abreu o 4-2-2-2 foi mais bem configurado. O resultado: dominação completa do Cruzeiro. A vitória veio de um lance fortuito, em que a bola chegando em condição para Abreu – muito distante da área – e uma belíssima pancada de longe: o gol decisivo.
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Neste jogo o time conseguiu demonstrar uma grande qualidade defensiva, embora relativamente desorganizado. O time se mostrou bastante inseguro atrás, o que se torna até paradoxal: como se segurar tão bem se defendendo tão mal? A resposta é simples: pouca qualidade ofensiva do adversário.
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O elemento de ataque mais eficaz do Cruzeiro é o argentino Montillo, e o elemento mais eficaz na defesa alvinegra há muito tempo tem sido Marcelo Mattos. Com o 5 anulando o 10, os dois times sem conseguir criar, uma jogada de qualidade diferenciada decidiu o jogo.
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De positivo: apenas o resultado.
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JOGO 2 (ATLÉTICO PARANAENSE 2 E BOTAFOGO 0):
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Uma comédia de erros. Num lance de bola alçada na área, Jéfferson errou pela segunda vez, depois do retorno das férias forçadas com A Seleção, uma saída de gol para tirar uma bola baixa – típica bola da zaga, não do goleiro –, a defesa inteira não sobe, o goleiro erra, bola para dentro. Logo após o atacante do atlético perde a bola, pura de fora da área para dentro e o juiz marca pênalti. Daí o segundo gol.
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Mas a pior parte foi a postura do Botafogo. O time retrocedeu um ano e meio, foram noventa minutos de chuveirinho, nenhuma linha de fundo. Resultado, com um gigante na frente, nenhuma vitória pelo alto. O que é lógico. Mesmo que Loco Abreu tivesse três metros de altura ele não venceria, pois estaria nas costas dos zagueiros que recebem a bola de frente. Nos lances de linha de fundo, os zagueiros estão de costas, o atacante de frente, e a própria movimentação dos mesmos, que se voltam em direção à bola, desmarca o atacante que tem mais chances de acertar o alvo.
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Saldo: retrocesso completo, e o resultado demonstra isso.
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JOGO 3 (BOTAFOGO 4 E VASCO 0)
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O melhor jogo do Botafogo sob a direção de Caio Jr. Ressaltamos que, no segundo tempo, o time abdicou de jogar, aceitou ser pressionado para “segurar” um resultado, sofreu sufoco – parece que está institucionalizado neste grupo a joelização, o muricybol, faz um gol e segura atrás, por este motivo o Botafogo entregou quatro pontos, cedendo empates no fim dos jogos em que, ganhando de 1 a 0 decidiu “segurar” –. Até hoje tento aprender o motivo pelo qual se acha que, depois de conseguir uma vitória parcial dominando a partida, é mais inteligente DEIXAR DE DOMINÁ-LA?
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Caio Jr., pelo menos soube capitalizar muito bem a derrota anterior: nada de chuveirinho, nada de Locodependência, nada de cruzamentos direto da intermediárea. O que, no entanto, não significa não utilizar o seu centravante, nem muito menos deixar de cruzar bolas na área. Significa sim, utilização inteligente da linha de fundo, e jogar, predominantemente pelo chão.
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Dizer, no entanto, que o Vasco não jogou bola, que esteve apagado, é um erro. O Vasco jogou bola, e muito. O primeiro tempo foi primoroso. Chances para os dois lados. A diferença é que o Botafogo chegou e fez, o Vasco parou ou na sua própria incompetência na finalização, ou na boa defesa do Botafogo.
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O segundo tempo mostrou a enorme evolução defensiva do Botafogo. Embora Gustavo tenha se saído, ao meu ver, melhor pelo chão do que Fábio Ferreira, este último deu uma segurança pelo alto que o time não havia demonstrado há tempos.
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Logo no início, um escanteio, cobrança no primeiro pau magistral de Renato, e gol do zagueiro-artilheiro Antônio Carlos. Depois de vários erros de bolas paradas, e de treinamento especial liderado por Caio Jr., finalmente deu resultado a cobrança lateral.
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Logo após, contra-ataque maravilhoso puxado pelo lateral esquerdo Cortês, passe magistral, entre os zagueiros, para Herrera, o 17 bate, o goleiro dá rebote e Loco Abreu – que, inteligentemente, viu a movimentação de Herrera e da defesa, levantou a cabeça para a direita, vazia de zagueiros, e se movimenta para aquela direção – arremata de direita para os fundos das redes.
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Para quem afirma que o 4-2-3-1 prescinde de um homem de área, de um matador natural, e precisa, sim, de um homem de movimentação na frente, eis a resposta. Na verdade, cada time deve trabalhar da forma que se encaixa melhor: no Barcelona não há centro-avantes, no Real Madrid Mourinha ainda procura um finalizador de área que não encontrou – ao seu contento – em Benzema.
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Chamo a atenção, agora para a MOVIMENTAÇÃO de Herrera a qual me referi anteriormente. Como a jogada vinha se fazendo, desde o campo de defesa pela esquerda, o argentino se deslocou para o centro, estando, inclusive, à frente de Loco Abreu. O que permitiu, do mesmo modo, que o uruguaio pudesse aparecer desmarcado no vazio onde deveria estar o 17.
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No terceiro gol, o lateral direito Lucas – que, para a felicidade geral da nação alvinegra, tomou o lugar de Alessandro –, trabalhou com Herrera, foi à linha de fundo – o que não acontecia anteriormente com o seu antecessor – e cruzou certeiro na cabeça de Elkeson, que jogando de extremo-esquerdo, cumpriu a mesma movimentação do argentino, saindo da ponta e entrando na área. O nordestino, com extrema consciência e categoria, ajeita de cabeça para Abreu – aquilo que o 13 faz sempre para os companheiros e raramente recebe em troca – que, de voleio, arremata sem chances para o goleiro.
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Note que a jogada aérea voltou a funcionar com o botafogo, seja ela de bola parada ou rolando, mas SEMPRE de linha de fundo, e NUNCA como arma única ou principal, e sim como um DIFERENCIAL do time, muito bom em cima, com laterais que sabem cruzar.
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No quarto gol, após uma roubada de bola no meio, Renato avança em diagonal da esquerda para a direita, a zaga fecha, impedindo o chute ao mesmo tempo que vigiavam Abreu. O 8, então, dá um passe genial, entre El Loco e a defesa, encontrando Herrera que vinha fechando de sua posição inicial aberto à direita para dentro da área. O passe foi tão bem executado, que o argentino teve pelo menos uns 3 segundos de liberdade para matar a bola, olhar o goleiro e finalizar perfeitamente – o passe em profundidade, entre os zagueiros e em direção às suas costas, é o melhor possível, afinal o defensor tem que se acompanhar a trajetória da bola, se virar, e, por fim, ir em direção dela, a vantagem é toda do atacante –.
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Conclusão: Se o Botafogo não foi perfeito, mostrou uma segurança e uma tranquilidade de quem quer chegar em algum lugar.
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JOGO 4 (ATLÉTICO MINEIRO 1 E BOTAFOGO 2)
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Devo avisar ao leitor que este jogo eu não vi, acompanhei-o pelo rádio – obrigado sistemas de televisão detêm os direitos de transmissão de jogos –, por isso vamos aos pormenores de MINHAS IMPRESSÕES do que ouvi, e dos vídeos dos gols:
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  1. Novamente um gol no início do jogo, novamente jogada de linha de fundo. Maicosuel, de volta à ponta-esquerda, sambou e tremeu na frente do lateral e soltou a bola no ponto-futuro para o overlapping do lateral esquerdo Márcio Azevedo. Na linha de fundo Loco Abreu ganhará, senão todas, a maioria, e que habilidade com a cabeça, amigo! Subiu muito mais que o zagueiro, e no terceiro andar, amaciou a bola e colocou-a no vazio, para Herrera – novamente com a MOVIMENTAÇÃO da extrema-direita para o centro, quando a bola está no lado oposto – arrematar com potência para as redes. Como tem torcedor que pode reclamar ainda de um jogador como Loco Abreu (conheço VÁRIOS)? 4 jogos: 3 gols e 1 assistência!!! Monstruoso. Dificilmente manterá esta média, mas se ficar perto seria fenomenal! Este lance lembrou o terceiro gol do Botafogo contra o Vasco: linha de fundo, cabeçada para o meio, arremate de primeira.
  2. Como no quarto gol contra o Vasco, bola roubada na defesa, contra-ataque puxado por um volante, bola perfeita para o extremo chegar e finalizar. Porém este gol foi muito mais bonito. O passe de Marcelo Mattos foi algo de magistral, entre os zagueiros, e em velocidade. Maicosuel, que vinha correndo por trás, chega antes que os zagueiros, e com muita folga – novamente: o zagueiro é obrigado ainda a olhar a trajetória da bola, virar o corpo, e locomover-se –, o resultado foi que o Mago chegou com tranquilidade suficiente para escolher o canto e tocar com tranquilidade na saída do goleiro.
  3. O Atlético-MG demonstrou total falta de opções: suas jogadas eram apenas chuveirinhos para a área. Mas novamente a zaga botafoguense falhou. É claro que o gol foi extremamente fortuito, afinal, ninguém imaginou que aquela bola do Richarlisson entraria, nem os torcedores, nem o Jéfferson, nem o próprio. Acertando a bola descendente com o calcanhar, ela sobe e simplesmente cai, uma folha seca perfeita, e nem o Rich deve saber como conseguiu fazer isso.
  4. Devo lembrar que esses gols no início estão prejudicando o futebol do Botafogo, principalmente no segundo tempo. O Botafogo finalizou 4 ou 5 vezes para o gol. O Galo pelo menos 3 vezes mais do que isso. Eficiência do Botafogo, por certo, mas aceitar que o adversário finalize tantas vezes é um erro, pelo menos duas vezes Jéfferson operou verdadeiros milagres de coragem, reflexo e perícia, parando o gol do adversário nos pés dos atacantes que entraram sós.
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Saldo: A certeza da vitória e da vantagem do jogo de volta – o Botafogo pode até perder por um a zero em casa –, a certeza que finalmente o time está criando e matando o jogo, mas continua cedendo-o quando adquire qualquer vantagem mínima. Nem sempre Jéfferson irá salvar o time.
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ADEMAIS, duas certezas que eu tenho: NO FUTEBOL GANHA QUEM FAZ MAIS GOLS, QUEM NÃO LEVA SOMENTE EMPATA. & 7 VITÓRIAS VALEM MAIS DO QUE 20 EMPATES.
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TIME TITULAR DO BOTAFOGO