segunda-feira, 7 de setembro de 2015

CANÇÃO DO MEU PRÓPRIO UMBIGO

As Utopias não sumiram
Num lampejo como num fuzilamento
Mas mergulhadas no véu do hedonismo
Quanto mais umbigáveis
Mais artifícios, ofícios, orifícios, utensílios gozosos 
Compráveis
Mais as Utopias pareciam
Ao lance da luneta
Uma veste de moda
Ultrapassada e de segunda mão
E o neon
E o plástico
E o novo modelo mais recente mais caro mais igual
De carro
De telefone
De televisão
De computador
De boneca inflável
De fralda descartável
De algodão doce
De herói
De jogador de futebol
De cerveja
De condom
De remédio 
De político
De filme
De música
De livro de poemas
Era tão mais interessante que o outro
Como se tudo fosse uma só propaganda
Que as pontas dos narizes brilhavam como mil sóis
E o meu umbigo 
Tão grande, tão vasto
Consumiu minha Utopia inteira

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