domingo, 1 de novembro de 2015

A METAFÍSICA DE DEUS

Ele chegou em casa e foi tomar outro banho, ainda cheirava a óleo, a vida é dura se vivida do jeito que deve ser vivida e é ainda mais dura se vivida com metafísica, se tivesse um sonho, se tivesse forças, se tivesse amor…

Sua mulher bate à porta e pergunta se vai jantar agora, diz que sim e que a vida é dura se vivida do jeito que deve ser vivida e é ainda mais dura se vivida com metafísica, se tivesse um sonho, se tivesse amor.

Sentado à mesa olha o jantar, a vida uma hora antes, a vida uma hora depois, a vida agora não importa, não importam o trem lotado, o sexo, a fome. Tudo estava à mesa, cantando aquarelas e trazendo em cada guitarra uma pimentinha boa arretada!

Na rede ao se balançar notou que o cheiro de óleo ainda persistia e debaixo das unhas ainda estava sujo, a vida é dura, forçando-a lentamente pedaço por pedaço, talvez faça sentindo.

A cama fria tem uma mulher quente esperando, ele a olha, sente uma lenta tristeza e a beija, tira com fraqueza as suas roupas, mordisca seu pescoço e levemente morre penetrando-a.

Não dorme ouvindo-a respirar, cada orgasmo que não teve agora inunda sua vida de forma épica, sem poder manter os olhos abertos, ainda acordado, grita com os ouvidos e tenta desprezar-se por ser tão vago.

Levanta-se, guerras, fomes, holocausto de crianças, onde estão as divindades, onde estão os poderes sobrenaturais? Não, não existe Deus, o mundo não faz sentido, não faz sentindo algum! Ladrões e Imperialistas dominam o mundo, homens bons como ele estão fedendo a óleo. O mundo não faz sentindo, se existisse uma Inteligência o mundo não seria essa loucura, esse desastre, o mundo faria sentindo, mas forçando-A lentamente pedaço por pedaço, talvez faça.

Sua mulher dorme, mulher boa, boas ancas – boa parideira –, seios fartos – boa amamentadora –, muito carinhosa – boa mãe –, estéril. O mundo faz sentido? Não, não faz sentido. Crianças morrem de fome, de guerra, de desastre, sua mulher não pode tê-las. Sua mulher é um amor. Nada existe sobre a Terra ou no Céu que explique esse desastre. Talvez um tratamento, talvez dinheiro… Não existem deuses.

O Mundo deve morrer um dia, pois existem palavras para isso em todas as línguas, o mundo não faz sentido, está encaminhando para o fim! The End, C’est Fini, Finito, Findo! Tudo se estraga com o tempo, provavelmente, dizem todos, o amor também, amor coisa tão boa, prova que Deus existe, existiria, mas amor acaba.

Sua mulher, mulher boa, dorme sossegada depois de sexo e orgasmo, o fim do mundo está próximo, o fim do homem é amanhã, nada faz sentido, é o fim de todas as coisas! Morte, a morte, virá, até mesmo para a sua maravilhosa mulher.

Mulher Maravilhosa Mulher Maravilhas Sete Pecados.

Mulher fruto do bem e do mal, sua mulher daria uma ótima mãe, daria se desse a luz, mas não dá, não concebe, mas copula como uma diaba, uma deusa, talvez seja a única Deusa! Tão terrena, tão simples, tão tepeêmica, de mês em mês a ótima mulher, com cara e útero de menina, vira uma diaba boa de cama dorme ela, ótima mulher maravilhosa mulher é o fim do homem acaba com Deus não existe sentido no mundo forçando-o lentamente pedaço por pedaço talvez faça amor, filho, prazer, sonhos, alegrias, talvez, só talvez o forçando lentamente pedaço por pedaço, talvez faça alguma diferença, sentido, existência.

Minha mulher sua mulher nossa mãe, adotar uma criança, fazer tratamento, quem sabe os dois, o primeiro primeiro, o segundo com dinheiro é necessidade, precisa-se imediatamente, urgentemente, trabalha debaixo do óleo ainda fede as mãos, as unhas sujas, sua mulher é um anjo dormindo, antes um demônio.

Talvez a tv tenha respostas, pelo menos para a falta de sono, a televisão não tem metafísica, a vida é dura se vivida do jeito que deve ser vivida e é ainda mais dura se vivida com metafísica, se tivesse um sonho, se tivesse forças, se tivesse amor, se fizesse sentido a vida, mas talvez forçando-a lentamente pedaço por pedaço, talvez faça algum sentido, desastres, guerras, bombas: homens-bombas em nome de Deus não existe, não existe óbvio, não deixaria Deus em seu nome derrubar prédios nos quais há duas semanas procurando corpos-mortos-corpos.

Acharam uma criança de três meses debaixo dos escombros, três vezes quatro doze, doze menos dois dez, dez oito mais dois, oito duas vezes quatro, quatro duas vezes dois, dois meses e meio quando caiu tudo, viva, ainda viva, debaixo de tanta desgraça, de tantos mortos, pais, mães, filhos e terroristas, uma criança sobreviveu intacta, o corpo dos pais absorveram o impacto, a criança não chorava, alimentada e aquecida, não chorava, por isso tanto tempo para encontrarem.

Uma criança sobreviveu, onde está a metafísica disso?

Uma criança sobreviveu, Deus existe!