terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

ANÁLISE DOS JOGOS DO BOTAFOGO


Depois de três empates seguidos, faz-se necessário um olhar mais criterioso das qualidades e defeitos do Botafogo de Futebol e Regatas.
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Na fase defensiva do jogo, o Botafogo monta-se num forte 4-1-4-1: Jéfferson; Lucas, Antônio Carlos, Fábio Ferreira, Márcio Azevedo; Marcelo Mattos; Maicosuel, Renato, Andrezinho, Elkeson; Loco Abreu. Com essa estrutura, o time de Gal. Severiano é capaz de aplicar pressão na saída de bola do adversário.     
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Por isso, mesmo com os buracos deixados pelos laterais – sobretudo o esquerdo –, motivo pelo qual o time levou seu três gols na competição estadual, o time já não enfrenta mais problemas defensivos tão sérios como antigamente.
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Essa é a primeira qualidade da equipe de Oswaldo Oliveira: bom posicionamento tático, ocupação inteligente dos espaços a partir da intermediária adversária, estrutura forte, marcação pressão média sobre a bola dos 5 atacantes – os defensores marcam zona –, posse de bola superior a 60% na maioria dos jogos.  
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O lado negativo de se exercer pressão sobre a bola pelos homens de frente, é que isso obriga os zagueiros a fazerem uma linha de impedimento muito alta. Nos dois primeiros jogos, era visível que os defensores não sabiam exatamente o que fazer, o que permitiu lançamentos nas costas de Azevedo. Jéfferson também se posiciona ainda muito dentro da área, ora, se meus zagueiros estão na linha de meio-campo – observem por exemplo o impedimento de Ronaldo Assis, ele está com apenas um pé além da linha divisória do campo –, eu (o goleiro) deve adiantar-me para impedir que os lançamentos dos zagueiros adversários caiam nas costas dos meus zagueiros. É simples isso, mas deve ser assustador para um goleiro ficar fora da sua zona de conforto e jogar onde não possa pegar a bola com a mão.
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Nas transições defensivas, o esquadrão nunca é pego de “calças curtas”, pois a base fica muito bem montada, com os dois zagueiros, Mattos na frente, e com a alternância constante e alternada do apoio dos laterais, ficando um sempre na defesa. O sistema ainda não está perfeito, pois a basculação ainda não está tão afinada quanto deveria ser.
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Apesar destas qualidades defensivas, o time de Oswaldo não demonstra muitas habilidades ofensivas. Acima de tudo, falta criatividade. Andrezinho vem sendo um dos melhores do time, mas ainda não é um 10 que ganhe jogo – a não ser nas cobranças de falta –, que deixa os atacantes na cara do gol duas ou três vezes por jogo.
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Também falta mobilidade. Com a equipe estática do jeito que se apresenta, obviamente não criará chances de gol. Daí a necessidade da profusão de jogadas aéreas para um Loco Abreu que ainda não se encontra 100% fisicamente. Mas com um time que não se movimenta – e que perdeu o que tinha de melhor na época de Caio Jr., a ultrapassagem dos laterais, sobretudo da dupla Maicosuel-Cortêz –, não há jogadas de linha de fundo, e com cruzamentos da intermediária, nem que Abreu tivesse 3m de altura, ele conseguiria vencer essas jogadas, principalmente no meio da região do pênalti (sem contar que, o único cruzamento que realmente funcionou no jogo contra o Flamengo, caindo atrás da pequena área, foi o de Renato).
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Se os meias-extremos do 4-1-4-1 não avançam e viram ponteiros, o time fica assim mesmo, sem penetração, sem profundidade, sem criação. Se o centro-avante fica estático, não abre espaço para a penetração dos quatro homens que vêm de trás, e fica marcado muito facilmente dentro da área. Se os laterais não vão à linha de fundo, acabam fazendo vinte a trinta cruzamentos inúteis para a grande área adversária!
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Eis mais um motivo ainda para que Herrera não volte a ser titular no esquete botafoguense, não sabe se posicionar defensivamente numa linha de quatro meias e não tem capacidade de resolver jogos, o que abriria caminho para a sua presença obrigatória em campo. Por outro lado, será muito mais fácil tirar o Elkeson do time para a entrada do Jobson do que um cara mais amado pela torcida como o Herrera. Jobson este que parece ser titular absoluto na cabeça de The Oz! Jobson, que pelo que está fazendo nos treinos – e se finalmente tiver a cabeça no lugar, pois não terá mais chances e com ninguém – pode realmente chegar e resolver os jogos, um jogador que com ele o time fica muito mais perigoso, no drible, na velocidade, na impetuosidade; mas fica bem menos criativo, o que será um problema se Andrezinho não crescer, ou se não chegar um outro meia capaz de criar condições de gol, o time talvez fique refém da correria de Jobson pela esquerda, e a força física de Abreu dentro da área.