quarta-feira, 30 de outubro de 2024

ARMISTÍCIO

Propomos um armistício 
Clamando vossa Humanidade
Contra nossa selvageria:
Vós parais de nos matar
Nós paramos de morrer
Vós parais de nos atacar 
Nós paramos de sofrer
Vós parais de bombardear 
Nós paramos de correr 
Vós parais de nos fuzilar 
Nós paramos de nos defender 
Vós parais de nos roubar 
Nós não paramos de viver

Sabemos o tão pouco que podemos
Vos oferecer 
Não temos mais a terra que tomastes
Para negociar 
Não temos mais a água que tomastes 
Para vos trazer 
Não temos mais a paz que tomastes 
Para nos render
Não temos mais a alegria que tomastes
Para vos humilhar
Não temos mais dignidade
Para vos ofender

Propomos armistício
Contra vossa Humanidade
Clamando nossa selvageria

SONETO

Se por amor for, deixe-a a mim voltar;
Se for só solidão, me deixe estar;
Sempre é bom se saber de quem gostar.
        Quando for por carinho, é que nem ar!
        Quando for complacência, só, prefiro
        Viver. Me deixo ser como ficar.
Sozinho vivo e canto, assim me viro!
Se ela voltar, meu mundo fica rosa
De coração! Sem solidão, respiro.
        Minha alma, sem ela, ficou porosa.
        Escondo-me nas ruas, sombra viva.
        Acabou poesia, mal há prosa!
Nela, dediquei litros de saliva.
Por ela, chorei horas à deriva.