quarta-feira, 30 de maio de 2018
JOGO DE VENTO E VAGAS
mas mais doce do que as vagas
volta
para meu lado
fica
o tempo necessário para ser inesquecível
Não me transponho a si
Ele não atravessa a mim
Não me desvendo o meu corpo
Ele não cobre o meu copro
e neste jogo de brisas e ondas
permanecemos nos reencontrando
porque Eu sou o Mar
Rainha de muitos
sexta-feira, 25 de maio de 2018
CON-SENTIMENTO
morder teus beiços
lamber teus lábios
chupar tua língua
eu estou tão faminto de ti
fome sem fastio
sem limites
sem satisfação
mas se dizes não,
sem tua permissão,
deito-me e faço-me chão,
desapareço na escuridão,
como-me e morro
de tua inanição
AFETOS
Ou se um sorriso se arredia
Por uma lágrima indecente,
Aceita que o corpo é quem manda na mente
Se tu procuras por conforto
Só podes achar dentro do teu bom corpo
A Verdade que dos fatos não tem vetos
É esta verdade dos afetos
domingo, 13 de maio de 2018
PORTO PEREGRINO
sendo sólido
num mundo líquido?
encho-me de ar
mudo de forma
deságuo
desabo
desisto
volto à tona
Como,
num mundo líquido,
flutuar
sendo sólido?
o poeta perdido
o barco desgovernado
o pé sem peso
Ser tábua
para pés alheios
sem fundamento
mas porto peregrino
terça-feira, 8 de maio de 2018
A CARNE DE ELZA SOARES
segunda-feira, 23 de abril de 2018
LENÇOL DE SEDA
Por que não me beijas
e ceda
teu gosto
ao meu corpo?
Se me desejas
ceda
teu cheiro
ao meu suor!
O que quer que vejas
que seja
minha boca
na seda
do teu lençol.
sexta-feira, 13 de abril de 2018
ROMANCEIRO DA ESCULHAMBAÇÃO
No país de São Saruê,
Quando o Vampiro se esconde,
Numa sexta-feira 13,
A Bruxa assume o poder.
Que mais se pode dizer:
Nessa esculhambação pronta,
Na safadeza virada
Escárnio em São Saruê?
A justiça dos amigos
Tem dono. As federações
Dos amigos também têm.
Mídia dos donos tem amigos.
Se encontram no lar da Bruxa,
No horário da Missa, os dois
Para esta beijar-lhe a mão
E receber sua bênção.
As instituições estão
Em pleno funcionamento:
Os amigos prescrevendo,
Mas o Outro no encarceramento.
Aplica-se a lei a todos,
Amigos são sempre soltos,
Mas aqui, em São Saruê,
O desafeto nada tem.
Ele pode, Ele também,
Pois Eles muito possuem.
Porém se o Outro nada deve,
O juiz de carrasco veste.
Se a safadeza sucesso
Não fizer, discos não vender,
E os cinemas não encher
Nem seria São Saruê.
A Bruxa deixou o poder,
Deram festança de arromba,
Ela não será lembrada
No país de São Saruê.
O Bobo lhe tira a Casa
E se assenta muito bem,
No ombro, um general tem,
O general o tem na mão
Por um dia, o Bobo é Chefe
(Vampiro vai se apagando).
Se o general lhe gritar,
Continência lhe vai bater?
O Vampiro se despede
Do trono e todos lhe renegam,
De pior não será ouvido
No país de São Saruê.
Quanto mais lhe batem e batem
Mais epístolas produz:
Carta de decorativo;
Hoje, vídeo aos ex-parceiros.
Mas, a serpente do Golpe
Que entronou Vampiro e Bruxa
Agora envenena a si
E ao País de São Saruê.
Na sua baba de doida
Pariu, a sempre no cio,
A Cadela do Fascismo
Que cospe balas e facadas
E o ódio corre sempre solto
No País de São Saruê
Num lago de baba espessa
De sangue das minorias
Mascote dentro de casa
Morreu. Mestre de capoeira
Morreu. A vereadora
Morreu a Democracia
Em balas, facas, garrafas
Na camisa desta moça
Arrancada, na suástica
Na sua barriga gravada
Quem pronto está, quem está pronto?
Nesta terra, São Saruê?
Quem quer abraçar o relho
Para afagar a pistola?
Todos querem cospe fogo.
Então: prometam, prometam!
Pobre vai ficar querendo,
A arma é cara, é para bem poucos.
Ter trabalho sem direitos
Tem nome de escravidão,
Mas quero o meu cospe fogo
Porque vai encher de ladrão.
A ameaça é muito simples,
Vi na rede social.
Meu pastor disse que existe.
A Mentira é a nova moral.
A esculhambação virou regra!
É divertido dar tiro,
Mesmo queimando inocentes,
Assassinos de bandidos.
"Odeio a corrupção d'outro,
Mas minha própria esperteza
Eu celebro em minhas redes
Ameaçando as mulheres."
Há mulher princesa. Há mulher
Cadela. Assim nos dizem:
Há bandidos pro Céu,
Há bandidos para as balas.
É no "estupro corretivo"
Que conserta universitária,
É na paulada viril
Que se morre o identitário.
Na passeata adversária
Tome bala, tome bala,
Deixe que este jovem morra
"É filho de sindicalista".
E na beira deste Caos
Como zumbis nós marchamos
Incertos para o Fascismo,
Como condenados marchamos.
Para a borda do precipício
Como cordeiros marchamos;
Pro nosso próprio abate
Como otários votamos.
Pois nesta esculhambação
Perdemo-nos como nação;
Pois é neste nosso escárnio
Que nos desmanchamos no Ódio.
É bom ter medo, bastante,
É bom lutar neste instante
Pois, aqui, em São Saruê,
Há sempre um erro escondido
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