Era uma vez lá longe em
País de São Saruê
Um juiz que condenou
Com tanta convicção
Que a pena aumentou do réu.
Assim, disse esse juiz
Ao seu destemido réu:
"Solto-te amanhã se tu
Me prometer, com papel
Assinado e carimbado,
Com esse povinho jamais
Tu nem sequer se meter
E nunca mais liderá-los."
Sem precisar nem pensar:
"Sentenciou, o Magistrado,
Num tribunal de seus pares,
Não num júri popular.
E não quer que eu me submeta
Ao siso dos meu iguais?
Mas se o Sr. Magistrado
Tem provas de qualquer crime
Por que negociaria comigo?
Fatos não se negociam.
Se comigo faz acordo
É porque vê o criminoso
Aprisionado nas barras
Da moldura especular.
Se sabes que sou bandido
Aprisiona-me e me deixe
Na câmara de tortura
Da solitária de teus
Inimigos, desafetos,
A apodrecer como queres.
Se tem dúvidas do crime
Ou, como muitos já creem,
A certeza da inocência,
Ao meu Povo me libertas
Ou ao julgamento Dele
Tu serás assujeitado."
Quem julga o maior juiz?
Quem dele nos salva quando
Ele é o máximo corrupto?
Quando as leis para os iguais
Tornar-se-á para todos?
Quando a classe dos juízes
Deixará de ser a classe
Dos sobrenomes muitos
Poderosos para ser
A classe dos humanistas?
MORAL:
Quem faz as leis, para quem?
12/06/2018
terça-feira, 12 de junho de 2018
quarta-feira, 30 de maio de 2018
JOGO DE VENTO E VAGAS
Ele que é mais sábio do que o vento
mas mais doce do que as vagas
volta
para meu lado
fica
o tempo necessário para ser inesquecível
Não me transponho a si
Ele não atravessa a mim
Não me desvendo o meu corpo
Ele não cobre o meu copro
e neste jogo de brisas e ondas
permanecemos nos reencontrando
porque Eu sou o Mar
Rainha de muitos
mas mais doce do que as vagas
volta
para meu lado
fica
o tempo necessário para ser inesquecível
Não me transponho a si
Ele não atravessa a mim
Não me desvendo o meu corpo
Ele não cobre o meu copro
e neste jogo de brisas e ondas
permanecemos nos reencontrando
porque Eu sou o Mar
Rainha de muitos
sexta-feira, 25 de maio de 2018
CON-SENTIMENTO
deixe-me
morder teus beiços
lamber teus lábios
chupar tua língua
eu estou tão faminto de ti
fome sem fastio
sem limites
sem satisfação
mas se dizes não,
sem tua permissão,
deito-me e faço-me chão,
desapareço na escuridão,
como-me e morro
de tua inanição
morder teus beiços
lamber teus lábios
chupar tua língua
eu estou tão faminto de ti
fome sem fastio
sem limites
sem satisfação
mas se dizes não,
sem tua permissão,
deito-me e faço-me chão,
desapareço na escuridão,
como-me e morro
de tua inanição
AFETOS
Se, numa emoção, teu pelo se arrepia,
Ou se um sorriso se arredia
Por uma lágrima indecente,
Aceita que o corpo é quem manda na mente
Se tu procuras por conforto
Só podes achar dentro do teu bom corpo
A Verdade que dos fatos não tem vetos
É esta verdade dos afetos
Ou se um sorriso se arredia
Por uma lágrima indecente,
Aceita que o corpo é quem manda na mente
Se tu procuras por conforto
Só podes achar dentro do teu bom corpo
A Verdade que dos fatos não tem vetos
É esta verdade dos afetos
domingo, 13 de maio de 2018
PORTO PEREGRINO
Como flutuar
sendo sólido
num mundo líquido?
encho-me de ar
mudo de forma
deságuo
desabo
desisto
volto à tona
Como,
num mundo líquido,
flutuar
sendo sólido?
o poeta perdido
o barco desgovernado
o pé sem peso
Ser tábua
para pés alheios
sem fundamento
mas porto peregrino
sendo sólido
num mundo líquido?
encho-me de ar
mudo de forma
deságuo
desabo
desisto
volto à tona
Como,
num mundo líquido,
flutuar
sendo sólido?
o poeta perdido
o barco desgovernado
o pé sem peso
Ser tábua
para pés alheios
sem fundamento
mas porto peregrino
terça-feira, 8 de maio de 2018
A CARNE DE ELZA SOARES
A voz de Elza Soares é como o metal que tine, ataca os tímpanos a fim de despedaçá-lo num ato perfeito como cristais que vibram.
Sua voz é cheia, elétrica e poderosa como uma motosserra, como uma microfonia afinada.
Há algo mais que técnica e potência, há algo mais que emoção, profunda brasilidade: a alma atormentada de uma negra, pobre, favelada que se contorce como um fantasma em pena eterna.
A voz de Elza é um arco voltaico, relâmpago, suor de corpos. É poder em estado bruto. Sua voz escutamos com a pele, como estática no ar, sentimos como um raio: lampejo e trovejada.
Potência, técnica, emoção: uma voz saída do "Planeta Fome" na forma de Estrela. A voz de Elza Soares é raiva pura.
https://www.youtube.com/watch?v=1YmBHAu-oeg
segunda-feira, 23 de abril de 2018
LENÇOL DE SEDA
Por que não me beijas
e ceda
teu gosto
ao meu corpo?
Se me desejas
ceda
teu cheiro
ao meu suor!
O que quer que vejas
que seja
minha boca
na seda
do teu lençol.
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