quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

SE O BOTAFOGO NÃO FOSSE O BOTAFOGO

Se o Botafogo não fosse o Botafogo, o que eu seria?
Ainda seria eu, ou uma parte de mim seria?
O que uma bola e uma estrela têm de tão importante para serem assim, tão vida da gente? Porque as estrelas são esferas inflamadas e seus raios são luz, são fogo – luz infatigável, fogo insaciável –.
Se o Botafogo não fosse o Botafogo, o que eu seria?
Ainda eu me reconheceria, ou somente uma parte de mim seria?
Porque o Botafogo não é uma questão de escolha, é uma questão de caráter: Paciência, Resiliência, Excelência.
Se o Botafogo não existisse, eu seria mais um, mais um tanto de todas tantas cores, mais um qualquer, sem nada de especial. Porque o Botafogo é o único time do mundo que não possui cores: é luz apenas – uma luz que rasga as trevas.

CELESTIAL

O Botafogo é um time celestial. Não porque nas trevas seja a luz - estrela inflamável - mas porque neste clube certos homens pareciam mais aéreos e siderais que os meros mortais. Um deles - magnífico - respondia por alcunha - estranha - de passarinho - etério, intangível -. Outro, dentre todos os seres vivos, foi o mais próximo a uma força da natureza - furacão indevassável -. Mas de todos estes homens fadados eternamente ao céu - céu de estrela única, porém infatigável até ante o próprio Sol - nunca esquecerei um homem que voou - o dia exato era 14-12-95 -: muitas e muitas vezes vi aquele homem abrir os braços, voar como um avião sobre nossas esperanças, mas naquele dia, naquele exato dia, em nenhum outro em momento algum de nossas vidas, aquele homem voou mais alto, girando-girando-girando helicóptero rasante, máquina de destruição em massa: o zagueiro errou, o bandeira errou, ele não erra... girando-girando-girando meu coração, até hoje flutuo, como flutuei eu - criança - e tantos outros milhões de alvinegros naquela tarde de domingo. Aquele homem voou naquele ano, e eu nunca mais caí do Céu!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

CLÁSSICO VOVÔ: UMA AULA DE ATTACKING PATTERN

CLÁSSICO VOVÔ: UMA AULA DE ATTACKING PATTERN
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O advento irremediável do 4-2-3-1 e todas as suas variantes – sistema estremamente vencedor desde que surgiu, segundo Jonathan Wilson, na Espanha e logo no seu primeiro ano deu o título mundial de juniores à Portugal em 1990, e campeão do mundo em 1998, 2006 e 2010 – vem aparentemente com o fim do centroavante de referência em detrimento ao falso nove, jogador que sai da linha de frente para ajudar na armação, como Totti fazia na Roma no meio da década passada, ou algumas tentativas do Manchester United com C. Ronaldo como homem de referência, posição que o 7 repetiu na copa do mundo de 2010 por Portugal e hoje em dia é testado por Mourinho no Real Madrid. Na prática, o 4-2-3-1 vira um 4-2-4-0.
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As constantes movimentações requerida aos novos centroavantes do 4-2-3-1, juntamente com a nova lei de impedimento, que joga a linha de defesa mais perto da área – o que impossibilita as jogadas que transformaram Ronaldo Nazário no melhor do mundo em 1996-7, saindo de trás da linha de defesa quase no círculo central –, a melhor preparação física e nutricional, e o melhor treinamento tático das defesa, diminuiriam o erro, e o centroavante é jogador que joga no erro do adversário, nas brechas das defesas, no descuido do adversário – o centroavante cujas maiores características são o posicionamento, a cabeçada e a finalização –. O centroavante é um cadáver em campo, um cadáver matador.
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Os dois times hoje provaram que esta tese está errada, ou melhor, que sistema é sistema, estratégia é quem ganha o jogo. Muricy Ramalho montou um time no papel no 4-2-2-2, com Fred e Rafael Moura na linha de frente. O time, em tese, deveria ficar bem pesado e refém do 3-5-2 de Joel Santana – o 3-5-2 não é, ao meu ver, um sistema, mas um anti-sistema, é um predador proposto para times que jogam no 4-2-2-2 ou no 4-3-1-2 –, mas não aconteceu. Na prática, o time variava pro 4-2-3-1, com Fred (9) fazendo o falso nove – como Messi no Barça –, Rafael Moura (10) isolado na frente – a pior situação possível para o 3-5-2 é jogar contra adversários com apenas 1 atacante, ficando com 1 sobra dupla e perdendo o meio de campo e as alas –, Souza (7) de extremo direito e Conca (11) na extrema esquerda. O time de Joel continuava com nenhuma inovação tática, mas com uma melhora substancial na parte técnica: Somália (16), cada vez pior, nem foi pro meio nem pra esquerda, Bruno Thiago (7) voltou ao campo – o menino na base era meia direita, no profissionais só tinha espaço como volante, aprendeu a fazer a marcação e a roubada de bola, como um carrillero argentino, ou um box-to-box inglês, como Ramires e Elias, defende atrás, parte com a bola dominada até a área adversária (daí o nome em inglês, “área-a-área”), e numa arrancada dessa conseguiu o pênalti duvidoso convertido por Loco Abreu (13) – e Márcio Azevedo (6) jogou na posição em que foi contratado par fazer.
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Num jogo tão truncado a vitória só a bola parada poderia ganhar, aí entra o centroavante à moda antiga, criado para jogar em duplas, recebendo a bola, como Loco Abreu, Fred, Rafael Moura e Herrera (17). Numa falta, Renato Cajá (10) abriu o placar para o alvinegro. Até aí tudo bem, é uma das funções do 10, ser um kicker. Mas quem melhor aproveitou a bola parada – ou foi melhor treinado para – foi o tricolor. O time das laranjeiras teve um escanteio, Rafael Moura, o He-man, sai da zona morta e cabeceia antes do primeiro pau, como ano passado Washington, o coração-valente, fez alguns gols assim, jogando no mesmo lugar que o louro hoje. Numa falta, a defesa erra, Fred dá uma casquinha pra trás, Jéfferson faz um milagre, mesmo deslocado do lance, e Rafael, talvez em impedimento, bota pra dentro, Jéfferson ainda quase salva. Dois gols de centroavante puro. Loco Abreu teve duas chances de pênaltis, e na primeira cavadinha perde, na segunda humilha. Jogo empatado em 4 lances do bola parada. É a tese que as últimas copas do mundo vêm mostrando, a bola parada é o que mais decide em jogos de alto nível, e que jogão foi!
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Mas este texto é sobre manobras de ataque. 4-2-3-1, 3-4-1-2, são 4 números que dizem onde os jogadores estão, mas não como se movimentam, nem como se organizam estrategicamente. Tomemos o exemplo do 4-2-3-1, sistema extremamente mutante. Esta é a posição original, mas a estratégia do técnico pode fazer com que o time se feche em um 4-1-5-0, ou vá pra cima no 4-2-1-3. Duas forma de jogar diferente, retrancado ou avançado, mas partindo da mesma disposição inicial. Vamos falar de três jogadas lindíssimas do BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS, em que uma delas chegou-se ao gol da vitória, e que prova como um centroavante às antigas, desde que de alto nível, poderia jogar no novo sistema da moda.
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Como observação à esta última proposição, ainda sem comentar as três jogadas supracitadas, lembremos da dupla Loco-Cajá, ainda no primeiro tempo. Se o centroavante clássico necessita da dupla, de um servidor – seja ele um ponta clássico ou um lateral que lhe cruze a bola, seja um ponta-de-lança, um outro avante ou um enganche –, este pode muito bem ser o meia-central do 4-2-3-1. Em certo momento, com o time ganhando, Cajá que estava péssimo ganha confiança com o gol e começa a bater de longe, aproveitando-se de sua qualidade de kicker. Ao receber a bola de costas para o gol, na sua movimentação natural do centro para esquerda, faz o pivô num belo toque lateral com o calcanhar, Cajá mata e bate, a bola vai na junção da trave-traveção. Se o centroavante faz este pivô, vindo da frente pro meio, abrindo espaços, saindo da frente da área para a entrada do enganche, como Guivarc’h na França-98 e Henry na mesma França, mas em 06, ou até mesmo, para quem viu ao vivo, Serginho “armava” para os três meias que vinham de trás em 82 – Falcão-Sócrates-Zico –.
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Nas três jogadas às quais quero chamar a atenção ocorreram no segundo tempo, com os 2 times com 10 em campo, Arévalo Rios (15) entrou no lugar de João Felipe (5), formando um triângulo na defesa com os outros dois zagueiros, Antônio Carlos (3) e Márcio Rosário (4), liberando as saídas dos laterais, Alessandro (2) e Márcio Azevedo (6). Dessa forma o BFR se reestruturou numa espécie de 4-1-3-1, com Cajá pelo centro, Herrera pela esquerda e Bruno pela direita – a pergunta é, porque, com o time completo não pode manter este mesmo esquema com 1 volante a mais ali? –.
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Vejamos como a movimentação de ataque funciona mesmo com um nove de verdade, que no caso veste a 13! Num primeiro lance, Herrera parte arrancando, da meia-esquerda em direção ao centro da área, posição inicial de Loco Abreu. A bola escapa um pouco. Abreu move-se em direção à bola e abre em direção à esquerda, nessa espécie de corta-luz à distância, o seu stopper – zagueiro de marcação individual – o acompanha, e o quarto-zagueiro é enganado pelo movimento do 13 e o observa mover-se, entrementes Herrera chega na bola, livre de marcação e faz uma jogada de craque, ao invés de investir em direção à área, dando tempo para a defesa se recompor, dá um toque para o Loco, entre os dois defensores, se não tivesse tão desequilibrado, ou se o zagueiro central tricolor não fosse tão bom seria saco, mas o adversário dá um toquinho com a ponta do pé, salvando o gol certo.
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Num segundo movimento, Herrera em velocidade vem da meia-esquerda, Cajá arrancando pelo meio, Loco à frente – eram, salvo engano da memória, 3 alvinegros contra 5 tricolores –. As qualidades individuais, quando postadas em prol da coletividade dá no mais belo futebol do mundo. Numa jogada digna de Barcelona, Loco move-se levemente para a esquerda – para que Herrera, que conhece muito bem, mesmo sem precisar olhar para ele, passe nas suas costas no campo vazio – e para para fazer o pivô, seu marcador vai junto. Cajá dá um passe milimétrico onde Loco estaria e onde não mais havia um defensor central, Herrera lampeja no buraco, sai de frente ao goleiro e o encobre num lindo toque, a la Loco! O gol foi de uma movimentação de 3-1 maravilhosa, de manual, de deixar Arsene Wenger admirado. Salvo engano 3ª assistência do Cajá, e 3º gol dele, uma cobrança de falta de manual, por cima do 2º homem da barreira – e olha que aposto que a bola entrou naquele chute de longe –.
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O terceiro movimento poderia ter se tornado o gol mais bonito do ano no Brasil até então. Herrera na ponta direita sobe mais que dois defensores, Abreu movia-se da esquerda para o centro, matando o zagueiro que o marcava, e dá um voleio de direita – muito bem, voleio de direita, e dizem que ele não é técnico! –. Belíssima defesa. No duelo de Loco Abreu e Diego Cavalieri saiu 3X1 pro goleiro, defendendo uma cavadinha, uma cabeçada mortal e esse chutaço à queima-roupa!
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Mais uma vez o BFR ganhou somente e apenas por causa do Jéfferson (1), em dois chutes de lateral esquerdo do fluminense, praticamente indefensáveis. Mais um chute no primeiro tempo, de um pivô maravilhoso do Fred para a finalização do lateral direito das laranjeiras, em que o pezinho do 1 salvou. Mais pelo menos 2 defesas dificílimas.
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Filosofias futebolísticas de mesa de botequim: 1. No futebol ganha quem faz mais gols, quem não leva só empata – e hoje o BFR fez mais, e teve um tolhido! –. 2. 7 vitórias valem mais do que 20 empates.
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Esquema do 2º tempo:
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G-------------------1------------------
D-------------3---------4---------------
D--2--------------------------------6---
M--------8----------5-------------------
M------------------10----------17---------
A------------------13-------------------
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Avulsos:
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Joel fez as piores mudanças que eu já vi na minha vida, tirou o melhor em campo – Cajá – e pôs o Éverton, só pra por mesmo, e botar um novo preferido em campo. Mas o mais tosco foi a saída do lateral esquerdo para a entrada do Somália, cada vez mais péssimo! O resultado foi imediato, com a mudança aos 30 minutos do segundo tempo pra segurar o resultado, Mariano, o melhor lateral direito do Brasil pintou e bordou sem ser perturbado, afinal Somália estava afundado dentro da área, e a lateral estava um latifúndio, fez um cruzamento fantástica para um defesa sensacional do Jéfferson de uma cabeçada à queima-roupa. Minha única mudança naquele time seria a troca de Herrera por Caio, para o velocista com gás de sobra correr sobre a exausta defesa tricolor. Seria um pandemônio na área adversária.
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O melhor ajudante de Joel, no entanto, foi o, às vezes, genial Muricy Ramalho: Com o jogo em 2X2, tirou o centroavante e pôs um volante, desfazendo o 4-1-2-2 (com Fred fazendo um falso 9) para um 4-2-2-1. Levou pressão e levou gol. Trocou Souza, extremo pela direita e colocou um atacante por lá. Assim, usou 2 mudanças pra fazer 1.
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Provável diálogo do 2º pênalti ou “Soy Loco pero no mucho!”: Cajá – Eu bato. Loco – Sou o batedor oficial, e sou maior do que você, sou o capitão, e sou maior do que você, sou o artilheiro da equipe, e sou maior do que você, sou o Loco Abreu e tenho que impor moral pra esse goleirinho e pros outros que não se brinca com el 13, e sou maior do que você! Cajá – Certo, capitão! Cavalieri – Você é orgulhoso demais, toda vez que tem jogo importante quer dar cavadinha, o primeiro pênalti do ano: cavadinha. Copa do Mundo: cavadinha. Semifinal de Copa América: cavadinha na seleção brasileira. É clássico e quer minha foto no mural dos botafoguenses. Não fui e não serei o novo Bruno, nunca, nunca mais um Bruno! Não vai repetir a loucura, não vai arriscar em menos de 2 minutos, vai bater forte no meu canto direito, como fez no último jogo e onde bate a maioria. Loco Abreu vai pra bola e... Panenka! Goleiro sentado, bola faz um arco e morre. Humilhação dupla, além da cavadinha, goleiro deslocado para o lado contrário. Mais uma foto no mural do botafoguense, agora só falta o do cruz-maltino, pensam o Maneco e o Biriba, cada qual com sua foto! Loco – Quem tem colhão? Quem tem, quem tem? Eu tenho, eu, el 13. Eu, colhão!


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

COMEÇARAM OS ESTADUAIS, AS FÓRMULAS AINDA FUNCIONAM?

Começou neste fim de semana os campeonatos estaduais, grande coração do futebol brasileiro, e, como muita gente gosta de frisar, onde realmente encontramos o charme do esporte nacional.
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Mas com o crescente profissionalismo e o aumento de dinheiro envolvido nos campeonatos, fica cada vez mais difícil para um time “pequeno” (leia-se, pobre) competir com um “grande” (leia-se, rico). Dificilmente veremos a Portuguesa-SP ter o mesmo brilho da época de Djalma Santos, por exemplo, ou os Américas (de RJ e de MG) figurarem novamente entre as elites estaduais.
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Neste caminho, muitos cronistas esportivos questionam a validade de uma competição de nível tão pífio no futebol nacional, outros até já fazem deboche. Como amante inveterado dos estaduais, acho-os NECESSÁRIOS num país CONTINENTAL como o Brasil – afinal, que grandes atrativos tem um Campeonato Brasileiro que dure 1 ano inteiro para os expectadores, por exemplo da Paraíba ou de Roraima, cujos clubes não estão nem na 2º divisão, e mais importante ainda, como os jovens destes estados mais pobres da federação terão chances no futebol, pois imaginamos que num país tão imenso e tão amante da bola geraria craques de bola espalhados pelos seus quatro cantos da –, todavia eu acredite que o modelo encontra-se, há muito, atrasado e falho.
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Uma mudança no calendário nacional de futebol faz-se, a partir destas premissas, urgente. Como crítico deste modelo aí vigente, venho também propor certas mudanças na sua organização.
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Meu primeiro movimento seria modificar os estaduais, sobretudo dos grandes centros – isto é, onde encontramos mais times na elite do futebol, as 1º e 2º divisões –. Tomaremos como exemplo o campeonato carioca – só pelo fato de ser o meu preferido –: Qual a necessidade do Botafogo, do Vasco, do Fluminense e do Flamengo jogarem sete ou oito jogos para irem para os mata-matas, quando já especulamos, pelas leis das probabilidades, que eles irão?
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Na minha opinião, para aumentar a competitividade, a fase de grupos deveria ser disputada pelos clubes de menores orçamentos, os chamados “pequenos”. Estes pequenos, então, poderiam disputar 4 vagas para as 8º de final, cada um pegando um grande, depois em cruzamento direto até que sobrem 2 para as finais. Os grandes, por sua vez, se enfrentariam, nas prováveis semi e finais, mas num sentimento de urgência, em que perder para um rival equivaleria a perder um título.
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Vejamos, como contraponto, o que ocorreu no Cariocão-10, o BFR perdeu para o Vasco na Taça Guanabara (doravante TG) e para o Fluminense na Taça Rio (TR), o que não mudou em nada o fato do Botafogo ter se tornado campeão direto vencendo os dois turnos, sendo o único dos grandes com 100% de aproveitamento sobre os pequenos; e nós sabemos que um simples empate no mata-mata pode virar a loteria dos pênaltis, uma ameaça séria ao elenco superior e mais caro de um time grande, ao contrário, nos pontos corridos, beneficiaria aqueles times com maior poder de fogo.
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Doutra forma, os pequenos poderiam aprontar contra os grandes. No modelo atual, um pequeno acaba tendo interferência apenas nos primeiros jogos; quando os grandes pegam ritmo, os embates contra os pequenos viram jogo treino. No entanto, o histórico recente mostra que pequenos podem sim aprontar nestes mata-matas, como em 2006, por exemplo, ou nas semifinais do Paulistão de 2010.
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O mesmo aplicar-se-ia a outros grandes centros, mormente São Paulo, onde a fórmula poderia ser a mesmíssima (contando 4 grandes), além de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná (cada um destes estados contando com 2 grandes times, com títulos nacionais). Estes 5 estados detém quase toda a totalidade dos títulos nacionais, ficando apenas 3 títulos no Nordeste: 2 do Bahia e 1 do Sport de Recife. Estes times grandes podem ser aproveitados em torneios mais curtos e mais rentáveis, como logo discutiremos.
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Obviamente há defeitos neste modelo sugerido, claro, e o mais nítido: uma possível queda de arrecadação, proveniente de um grande esvaziamento dos estádios. Mas tirando os jogos dos grandes contra os pequenos, e os clássicos que por ventura aparecem, quando é que vemos os estádios com bom público, sem ressaltar o fato de quase todos os jogos já serem entre pequenos? O que num primeiro momento seria o esvaziamento dos estádios, pode acarretar num movimento oposto, sem a influência dos grandes e com os pequenos tendo chances, a briga seria maior entre eles, aumentando a competitividade, e consequentemente a qualidade e com ela, público. O que ocorrerá, com certeza, é a supervalorização dos clássicos: com a sensação de urgência, de vencer ou vencer, a rivalidade só aumentará.
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Outro caráter questionável seria a perda de fórmulas consagradas. Por exemplo, no Rio de Janeiro existe as duas taças que o campeão de cada turno levanta, e guarda em casa, troféus que podem ser a glória máxima de um pequeno, mas não muito para um grande – fórmula que me parece ter sido adotada também no Rio Grande do Sul –. Nada impede, no entanto, que se disputem as duas taças, os dois turnos, aumentando os jogos – e com isso a arrecadação – dos pequenos, os grandes sempre entrando nos mata-matas, com sorteio direcionado, por exemplo: Se na TG numa chave caíram Botafogo e Fluminense e na outra Vasco e Flamengo, projetando um clássico VOVÔ e um dos MILHÕES para as semi; na TR o sorteio inverteria os chaveamentos, daí se o Vasco fosse o sorteado, só não poderia cair na chave dele o Flamengo, que sendo este sorteado, iria imediatamente para o outro agrupamento.
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Valorização dos clássicos, jogos em que os pequenos poderiam surpreender, estádios mais cheios para os jogos decisivos, arrecadação, arrecadação... É claro que a estratégia de dois turnos geraria mais dividendos só pelo motivo de ter mais clássicos, mas abriria espaço para mais crítica, como o inegável questionamento: o que os grandes fariam entre as fases finais dos estaduais? Minha resposta: LIGAS REGIONAIS.
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Como Nordestino sei a importância e o sucesso da copa do Nordeste (a partir de agora, CNE), torneio de grande força e valor no início da década passada, mas retomado meio que aos trancos e barrancos ano passado, muito mais pelo calendário deficitário causado pela copa do mundo e pelas várias divisões do Campeonato Brasileiro (CBR). E se pudemos utilizar os estaduais alimentando-se das rivalidades locais, há também as rivalidades regionais. O Torneio Rio-São Paulo (RSP), por exemplo, move verdadeiras paixões, e possíveis disputas de marketing: quem tem mais torcida: Flamengo ou Coríntians? Qual o time que teve mais gênios do futebol de todos os tempos: o Santos de Pelé ou o Botafogo de Garrincha? Entre outras tantas.
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Usando novamente o exemplo do RSP: Um torneio de pontos corridos, de dois grupos (talvez homenageando os dois maiores jogadores de sempre: Grupo Pelé e Grupo Garrincha, marketing, marketing... este é o futuro do futebol) contando, cada grupo com dois times do Rio de Janeiro e dois de São Paulo, utilizando o modelo do Cariocão: na primeira fase os times jogam entre si do mesmo grupo, no returno contra os adversários do outro grupo. Os 2 melhores de cada grupo vão para um quadrangular final, todos contra todos, em jogo único, com mando de campo para aquele melhor qualificado na fase de grupos. Os dois melhores farão uma final de dois jogos, com a preferência do último jogo em casa para o que tivesse o melhor desempenho no quadrangular final.
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Tiro curto (os times jogariam no mínimo 7 jogos na fase de grupos, mais 3 do quadrangular, e mais 2 jogos finais), só timaços, grandes públicos, e ainda podendo ter as paradas estratégicas no entre-fases (entre o turno e o returno) para as finais estaduais – podendo ocorrer os mata-matas de um possível segundo turno, justamente após as finais das ligas regionais, tudo bem sincronizado, o que poderia apimentar ainda mais as finais tanto estaduais quanto regionais, com um sentimento de revanche, imagine um Palmeiras e Coríntias num quadrangular regional após um ter eliminado o outro das finais estaduiais, ou um Fla-Flu na final de um Cariocão depois de uma final destas num RSP! O sonho de muito dirigente com problemas de cofres, e o jogo do ano para muitos torcedores – seriam jogos para serem lembrados por décadas! –.
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A mesmíssima fórmula poderia ser aplicado à Copa Sul-Minas (CSM). Com os dois gigantes de Minas (Cruzeiro e Atlético-MG), os dois imensos gaúchos (Internacional e Grêmio) e os dois campeões brasileiros do Paraná (Coritiba e Atlético-PR), mais dois ou quatro convidados (dependendo do desempenho destes times no ano anterior, hoje, por exemplo, com certeza eu chamaria o Avaí para constar nesta lista, afinal é time de primeira divisão, e o Figueirense, que há alguns anos vem sendo bastante competitivo).
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Obviamente eu não aplicaria a mesma fórmula ao CNE, ou as Copas do Norte e do Centro-Oeste. Embora alguns clubes destas regiões joguem na primeira e na segunda divisões do CBR – e alguns deles enormes times no âmbito nacional, como os grandes baianos e pernambucanos –, há uma necessidade de um torneio maior, com mais times e mais longos, assim como campeonatos estaduais diferenciados para estas regiões, mais compridos. Assim, ocupando o 1º semestre com o Estadual e o 2º com o Regional, desta forma, os times teriam mais caixa, e o futebol longe dos grandes centros econômicos – não se engane, o futebol do Sul e, principalmente, do Sudeste é melhor porque têm mais dinheiro, só por isso, não há nada na água destes estados que façam as pessoas jogarem mais bola que nos outros lugares do mundo – estaria mais valorizado.
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Da mesma forma, os pequenos times do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Minas Gerais, do Rio Grande do Sul e do Paraná, poderiam competir entre si em ligas regionais compatíveis com o seu tamanho, uma copa para o Sudeste e outra para o Sul, nos moldes do CNE. Fazendo com que estes times utilizem profissionais do futebol o ano todo, e, como todos sabemos, o futebol é a saída da miséria de muitas famílias no Brasil – o que esquecemos é que a maioria absoluta dos jogadores profissionais do futebol ganham em torno de 2 a 3 salários mínimos, mas é um dinheiro que sustenta uma família nos lugares mais pobres do país –.
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Reagrupando o futebol no nível local, começaria também a repensá-lo no nível nacional. A primeira mudança seria na Copa do Brasil (CB), e seria simples: ao invés dela acontecer concomitante à Copa Libertadores da América (CL), eu a puxaria para ocorrer entre a CL e a Copa Sulamericana (CS), isso mesmo, no meio do ano. Como torneio mata-mata, não interferiria muito no andamento do CBR, assim como a CS não mexe muito no nosso calendário, pois os times vão caindo, e a maioria encontra-se fora deste torneio.
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A CB é o único torneio do mundo que eu conheço que o campeão não pode defender o seu título, isto é, nunca haverá um bicampeão de fato – a Copa do Mundo passou a ter critério de não mais classificar de forma direta um campeão o seu campeão para o torneio seguinte, mas nas duas copas posteriores a esse regulamento, 2006 e 2010, os campeões anteriores estavam lá, defendendo o seu título, o que só não ocorreu, salvo engano na Copa de 1934 em que os Uruguaios se recusaram a participar em represália ao grande número de desistências dos Europeus em sua casa –, e esta simples mudança da data possibilitaria este feito, e ainda a valorizaria, pois, hoje em dia, a CB é o torneio para quem não teve competência de ir para à CL.
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Até mesmo o sistema italiano pode ser utilizado para melhorar o encaixe entre a CB e a CL, isto é, os times mais avançados no torneio continental, entram mais tarde na Copa Nacional. Algo para mim completamente legítimo, a Internationale de Milão de Mourinho, foi campeã da Copa da Itália disputando apenas 5 jogos, enquanto times menores jogaram muito mais e nem chegaram perto da final.
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Tradução: mais jogos, mais finais, mais caixa. Mais rentável para os clubes, mais rentável, principalmente, para as federações esportivas. Um time grande, desta forma, disputaria até 5 títulos por ano, sendo 2 regionais (estadual e interestadual), 2 nacionais (CB e CBR) e 1 internacional (CL ou CS). Com o ano cheio, e mais renda, os clubes seriam obrigados a reforçar o elenco por causa do grande número de jogos, o que abriria mais portas para os profissionais da bola, e fortaleceria os clubes com melhores estruturas, principalmente no que tange às categorias de base: com recursos limitados, seria de lá que sairia a maioria dos jogadores que comporiam elenco para tantos torneios disputados, e a venda destes jogadores que se destacam aumentaria o fluxo de caixa das equipes formadoras.
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Por fim o mais importante título nacional, o campeonato brasileiro. Um cocunhado meu me sugeriu um CBR de 25 a 31 times de turno único – o número ímpar de participantes seria necessário para que os times tenham a mesma quantidade jogos em casa e fora –. Mas eu não mudaria em nada a 1º e 2º divisões nacionais, que para mim já são sucessos.
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Minhas mudanças começariam com a extinção da 4º divisão, seguida de uma reformulação da terceirona: Quatro grupos de 9 times cada, jogando ida e volta, passando os dois melhores de cada grupo para as quartas-de-final, os semifinalistas teriam acesso direto à segunda divisão. Campeonato longo o suficiente para ocupar todo um semestre, com todos os times jogando pelo menos 16 jogos, com o finalista chegando a 22 jogos, principalmente se levarmos em conta que um turno da primeira ou da 2º divisão tem 18 jogos.
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A questão ficaria de como selecionar os 36 times da disputa. Primeiro, os 4 rebaixados da 2º divisão, que ficariam como cabeças de chave. Depois, distribui-se 1 campeão de cada uma das 5 ligas regionais – ou melhores colocados nestes torneios que não jogue nem a primeira nem a segunda divisões – por cada um dos 4 grupos, ficando um grupo com dois campeões de ligas; e, por fim, distribui-se os 27 campeões estaduais – ou melhores colocados nestes torneios que não jogue nem a primeira nem a segunda divisões, e nem sejam campeões regionais –.
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Essa estrutura aumentaria a importância das ligas regionais, mormente aquelas “Ligas B” com os times pequenos do RSP e da CSM, e os estaduais dos estados mais pobres. O chaveamento seguiria mais ou menos o esquema abaixo – eu tentaria formar grupos com times de estados próximos, para que gastem menos em viagens, mas esta medida poderia transformar a primeira fase da 3º divisão do CBR numa nova Liga regional –:
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GRUPO I = R1, L1, L5, E1, E5, E9, E13, E17, E21
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GRUPO II = R2, L2, E2, E6, E10, E14, E18, E22, E25
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GRUPO III = R3, L3, E3, E7, E11, E15, E19, E23, E26
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GRUPO IV = R4, L4, E4, E8, E12, E16, E20, E24, E27
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LEGENDA:
E (campeão estadual)
R (rebaixados da segunda divisão do ano anterior)
L (campeão das ligas regionais)
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Eis as minhas sugestões: fortalecer os estaduais, colocando os grandes times para jogarem apenas jogos importantes. Ressuscitar os grandes torneios regionais. Dar oportunidade e calendário para os times pequenos dos grandes centros (Rio, São Paulo, Minas, Rio Grande do Sul e Paraná) e para o futebol dos estados mais pobres: com seus estaduais mais fortes, suas ligas regionais com visibilidade e uma terceira divisão que se torna o sonho destes times que competem nestes campeonatos – hoje, os campeões estaduais têm acesso à quarta divisão, o que os coloca muito longe da elite do futebol –. Calendário organizado gera recursos para os clubes e oportunidades para os jovens jogadores, e os mais velhos que estão se preparando para deixar o futebol e organizando seus “pés-de-meia” para suas aposentadorias.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

UM FELIZ ANO NOVO A TODOS,
E QUE A LUZ SEMPRE GUIE AS SUAS VIDAS.

FECHANDO A DÉCADA, MINHA SELEÇÃO DA DÉCADA

Há um pouco mais de um ano, li em um blog a escalação do autor da seleção da década. Discordei de muitas posições do time dele – por exemplo, a escalação de Nesta e de Figo –, mas sobretudo um detalhe técnico acabava com a seleção dele: A DÉCADA ACABA HOJE! Partindo da premissa deste autor, decidi fazer a minha seleção, e de bônus a seleção que imagino da década de 1990, que foi quando comecei a assistir futebol – minhas primeiras memórias futebolística de infância são imagens esparsas do título do BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS de 1989, e com mais propriedade dois jogos da copa de 1990: BRASIL-ARGENTINA e ARGENTINA-ALEMANHA –.

SELEÇÃO DA DÉCADA DE 90 (1991-2000)

ESQUEMA 4-2-2-2: Esquema tático utilizado pelas campeãs do mundo em 1994 e 1998, além de ter sido o mais comum nos grandes clubes pela América do Sul e Europa – depois de um início de década recheada de 3-5-2 –. Obviamente ficará de fora muita gente, eu mesmo senti falta do romeno Hagi, o “Maradona dos Cárpatos”. O próprio Maradona não foi incluído porque eu não me lembro de grandes conquistas suas antes da copa de 1994, e nesta copa não jogou muito não (em quantidade, foram duas partidas brilhantes e um fim deprimente por dopping) – e mesmo assim, acho difícil “el pibe”, NA DÉCADA DE 90, ter tido mais conquistas que Zidane, ou ter sido mais decisivo que Roberto Baggio –. Afinal, é o meu time, pode bater com o de muita gente, pode ser um pouco, muito ou totalmente diferente das equipes imaginadas por outras pessoas, mas é assim, principalmente quando se olha para quase 20 anos atrás.

1. PREUD’HOMME – Bélgica – goleiro: Escolhi-o principalmente pelo que ele fez na copa de 1994, o goleiro mais ágil e de melhores reflexos que eu já vi em ação.

2. THURAM – França – lateral-direito: Na minha vida toda vi poucos laterais-direito brilharem, na década de 90 os que me chamaram mais atenção foram Jorginho na copa de 94 e Thuram na copa de 98, eles foram decisivos em pelo menos 1 jogo das respectivas copas mundiais – Jorginho na semifinal contra a Suécia, num cruzamento magistral para Romário; e Thuram marcando os 2 gols da vitória por 2x1 sobre a Croácia também na semifinal –. Fiquei com o francês por achá-lo melhor defensor.

3. GAMARRA – Paraguai – zagueiro: Acabou uma copa do mundo (1998) sem cometer faltas, além de ter jogado muito nos clubes pelo Brasil.

4. MALDINI – Itália – zagueiro/lateral: Um dos melhores zagueiros que a Itália, a maior e melhor produtora de zagueiros do mundo, pode relegar. Titularíssimo em 4 copas do mundo – de 1990 a 2002 –, jogava tanto de zagueiro quanto lateral-esquerdo com a mesma qualidade inigualável lá atrás.

5. DUNGA – Brasil – volante: Marcado duplamente no Brasil pelas duas “eras-dungas” (1990, dirigida por Sebastião Lazzaroni; e 2010, dirigida por ele mesmo), as seleções que ganhavam todos os títulos sem expressão – salvo a exceção das Copas Américas – e quando chegavam às copas do mundo caíam. Mas fez uma copa de 94 corretíssima, e ao lado de Taffarel e Ronaldo, foi um dos poucos que se salvaram, em minha opinião, da seleção brasileira de 1998.

6. FRANCO BARESI – Itália – líbero: Zagueiro e líbero, um dos 4 melhores defensores de área do Século XX, na minha opinião. Campeão do mundo sem ter entrado em campo em 1982 – o que para mim não conta, pois, ao meu ver, para ser campeão, deveria ter entrado pelo menos 1 vez em jogo, com exceção dos goleiros –, titular absoluto em 90 e 94. Acho-o indiscutível em qualquer seleção dos anos 90.

7. LOTHAR MATTHÄUS – Alemanha – regista: Difícil foi escolher o segundo volante – aquele que ajuda na defesa, e faz a transição da bola desta para o ataque –, fiquei com Matthäus. Ele e Klinsmann foram o que ficaram mais bem guardados na minha memória da campeã do mundo de 1990 (que, por motivos cronológicos, não entra nesta seleção). Eleito em 1991 como o melhor jogador do mundo pela FIFA – na sua 1º eleição deste tipo –, iniciou a carreira como armador, e foi recuando com a idade, chegando na copa de 1998 (sua 5ª copa do mundo!) atuando como volante – caminho idêntico ao que fez Bastian Schweinsteiger na seleção alemã e no Bayern de Munique –. Por todos os motivos do mundo, deve estar numa seleção da década de 90!

8. ZIDANE – França – enganche: Motivos para pôr Zidane aqui? Eleito em 1998 melhor jogador do mundo. Campeão intercontinental de clubes pela Juventus de Turim em 1996. Campeão italiano pelo seu time e mundial pela sua seleção em 1998. E o mais importante, fez o que nem Platini nem Just Fontane – embora este último teve a infelicidade de bater contra o Brasil de Pelé-Garrincha-Didi, que além desta França, para mim a maior de todos os tempos, derrubou a outra candidata ao título, a União Soviética – conseguiram: levou a seleção francesa além de um 3º lugar numa copa do mundo, mais importante ainda fez de seu país campeão em casa, com uma campanha irretocável, sem ajudas de arbitragem, invicto e sendo a única seleção do mundo campeã com o melhor ataque e a melhor defesa em sempre, além duma Eurocopa em 00. Ainda há dúvidas sobre a presença de Zidane aqui?

9. RONALDO – Brasil – centro-avante: Eleito melhor do mundo em 1996 e 1997 – feito só repetido por Ronaldo Gaúcho nas temporadas 2004-05, e que poderá ser repetido por Lionel Messi que ganhou em 2009 e pode ganhá-lo novamente em 2010 –. Não ganhou alcunha de Fenômeno à toa: fenomenal arrancada, explosão e arremate – tanto na potência quanto no toque preciso –. Se, ao meu ver, falta-lhe uma técnica mais apurada – como a elegância de um Zidane, ou a exuberância de um Ronaldo Gaúcho, ou a magia de um Messi –, a habilidade natural, e principalmente a velocidade faziam a diferença: ao abaixar a cabeça e partir, era quase impossível pará-lo.

10. ROBERTO BAGGIO – Itália – ponta-de-lança: Melhor do Mundo em 1993, decidiu com Romário quem foi o melhor da copa, e do mundo nos pênaltis em 1994. O baixinho botou pra dentro, Baggio botou pra fora (uma das maiores injustiças da história, os deuses do futebol poderiam ter deixado a decisão nos pés de Bebeto). Em contrapartida foi mais importante para a Itália chegar nas finais do que o 11 brasileiro: Romário foi decisivo, Baggio levou o time nas costas. A Itália tinha uma defesa fenomenal com Baresi e Maldini e Paggliuca no gol, mas nada fazia na frente sem Baggio.

11. ROMÁRIO – Brasil – centro-avante: Melhor do mundo em 1994, melhor da copa de 1994, 1002 gols na carreira – na conta dele apenas –. Uma capacidade de salto e um tempo de bola incríveis, uma técnica impressionante para dribles curtos e secos para se mover com a bola dentro da grande área, um biquinho de pé mais mortal que a ponta de uma espada. Cruyff o definiu em 4 palavras: “gênio da grande área”.

DESENHO TÁTICO
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SELEÇÃO DA DÉCADA DE 00 (2001-2010)

ESQUEMA 4-2-3-1: Pela primeira vez, e provavelmente única, os dois finalistas de uma copa do mundo jogaram no 3-5-2. Logo após os times voltaram a jogar para frente, recuperando o futebol perdido dos fins dos anos 80 até o início dessa década, cheio de times retranqueiros, com um ou dois jogadores na frente que resolviam tudo sozinhos. Desta forma, os campeões do mundo de 06 e 10 já assimilavam uma mentalidade nova: um centro-avante de referência, um armador centralizado, e dois extremos que atacavam pelos lados e recompunham o meio de campo quando o time se defendia. Esta postura tática foi a escolhida por mim para tentar incluir tantos craques que surgiram do meio para frente. No entanto, infelizmente, eu não consegui incluir alguns jogadores que muitos sentirão falta: Kaká, principalmente pelo que jogou em 07; Cristiano Ronaldo, principal nome da tríplice coroa e do título mundial de clubes do Manchester United, abocanhando também o título de melhor do ano em 08, e hoje em dia, junto com Xavi, o único que joga um futebol a altura de Messi; mas principalmente por Ronaldo Gaúcho, sobretudo o Ronaldo de 04 – campeão espanhol e da Liga dos Campeões deste ano – e também o de 05, com toda a sua exuberância e sem títulos. Campeão do mundo pelo Brasil em 02, Ronaldo Gaúcho não teve uma atuação nesta copa que superasse a de Rivaldo, protagonista máximo da Copa-02 e que pelo que fez na mesma, e conjuntamente com Ronaldo e Kahn, estão presentes na minha lista – e, por outro lado, sempre o achei um “amarelão”: nos momentos mais decisivos sumia em campo – como nas finais da liga dos campeões ou na final do mundial de clubes da FIFA –, juntamente com o fato de que em jogos que só valiam 3 pontos ele jogava como um artista circense, ou com uma correção técnica quando era mero coadjuvante de luxo – como na copa de 02 –. Acabei por escolher o Messi, em crescente desde 06, campeão olímpico – junto com Mascherano e Di Maria – pela Argentina em 08, e decisivíssimo na tríplice coroa do Barcelona em 09, fazendo o gol do título mundial deste ano de peito! Se Ronaldo Gaúcho foi o melhor do mundo no meio da década, Messi vem entre os melhores nos últimos 4 anos. A partir de meu ponto de vista, o argentino foi levemente superior ao brasileiro (principalmente no quesito quantidade de gols marcados por temporada), sobretudo pela óbvia constatação de que ele se encaminha para uma nova década em franca ascendência, ao contrário do dentuço brasileiro.

1. OLIVER KAHN – Alemanha – goleiro: Levou a sua Alemanha a uma final de mundial (02), com defesas espetaculares, mesmo quando a sua seleção merecia uma bela goleada. No único lance em que falhou em todo o mundial, entregou um gol grátis para Ronaldo Fenômeno.

2. THURAM – França – lateral-direito: Pelo que fez pela Juventus durante a década, e pela copa que fez em 06.

3. LÚCIO – Brasil – zagueiro: Pela técnica, pela qualidade, eu colocaria Rio Ferdinand, ganhou muitas coisas pelo seu time. Mas da mesma forma que o Rio levou a tríplice coroa e o Mundial no mesmo ano pelo Manchester United, o Lúcio ganhou tudo também em 10, além de ter sido campeão do mundo pela seleção brasileira em 02. Neste sentido, incluo o brasileiro.

4. PIRLO – Itália – volante: Além de defender o craque do Milan que ganhou uma copa do mundo, uma liga dos campeões e um mundial de clubes, também é um dos melhores kickers do futebol atual. As suas últimas duas temporadas não foram as suas melhores, mas ainda é um dos donos do meio campo italiano.

5. CANNAVARO – Itália – líbero: Hoje, na minha zaga, colocaria o Samuel, da Internationale de Milão – que ganhou tudo em 2010 –, e da seleção argentina, mas como esquecer o que ele fez na copa de 06, e de ter sido o único defensor escolhido como melhor jogador do mundo, também em 2006 – o que para mim foi injusto pela temporada e pela Copa que Zidane fez neste ano –.

6. ROBERTO CARLOS – Brasil – lateral esquerdo: Para mim, o melhor lateral esquerdo do Brasil desde Júnior – até mesmo superior ao Branco –. E pelo que fez na copa de 02 e pelo Real Madrid até 2004 – ao meu ver, começou a cair de produção a partir de 05 – não tinha para ninguém com a 6 nas costas!

7. MESSI – Argentina – extremo-direito: A Argentina nos legou pelo menos dois gênios incontestáveis no futebol mundial: Di Stéfano (8) e Maradona (10). Sem falar de goleadores como Kempes e Batistuta. Mas o que Lionel Messi vem fazendo nos últimos quatro anos, fazendo hat-tricks a torto e a direito, me deixa impressionado. De certa forma, resguardando as devidas proporções, um cara que pode decidir um jogo tanto armando jogadas como Zidane ou finalizando como Ronaldo. Um monstro da meia-cancha, tanto como ponta-direita, quanto como ponta-de-lança. Sobre ele, eu, humildemente e guardando as devidas proporções, faço uma analogia com as palavras de dois gênios futebolísticos, Cruyff dentro das quatro linhas e Armando Nogueira fora delas, respectivamente a respeito de Romário e de Garrincha: Messi é o gênio do semi-círculo, aquela região para ele é um latifúndio.

8. VIEIRA – França – Regista: Campeão pela França em 98, ótima copa do mundo em 06, e ótimas temporadas pela grande Juventus do início da década.

9. RONALDO – Brasil – centro-avante: O cara do ano de 02, ganhando pela terceira vez o título de melhor do mundo – feito só igualado por Zidane –. Tornou-se, em 06, o maior artilheiro de copas do mundo de sempre. O que mais me surpreendeu nele foi a grande mudança. De atacante de explosão, após ter explodido os dois joelhos, tornou-se atacante de referência de área, até mesmo começando a fazer gols de cabeça. Junto com Zidane, os dois maiores craques das últimas duas décadas.

10. ZIDANE – França – enganche: Só pelo golaço da final das Champion’s League de 02 já seria o suficiente para figurar nesta lista, mas some-se a isso a glória de sagrar-se bicampeão do mundo de clubes, desta vez pelo Real Madrid, de ter sido eleito pela terceira vez melhor do mundo pela FIFA, ter levado o seu país pela segunda vez a uma final de Copa do Mundo... É necessário realmente explicar o porquê de Zidane de novo?

11. RIVALDO – Brasil – extremo-esquerdo: Pelo que fez na copa de 02 é o suficiente para entrar nesta seleção, infelizmente foi para times de pequeno escalão após o seu grande momento futebolístico, o que acabou apagando-o da memória de muitos, mesmo ainda tendo futebol para jogar em grandes clubes europeus.


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THIAGO FSR
31-12-2010.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

NAIVEGAÇÃO

Por que há tantas coisas no meu caminho?
Me parando,
.....................Me barrando,
............................................Me cortando,
Não se esqueçam que os ventos sopram.

.................................Sou pequeno barco,
Mas minhas velas se desfraldam enormes.

Eu barco à deriva?
Melhor que caravela acertada em maresia.

Errante, errante,
..........................errante barco
Contra todas as parantes coisas.