quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

CELESTIAL

O Botafogo é um time celestial. Não porque nas trevas seja a luz - estrela inflamável - mas porque neste clube certos homens pareciam mais aéreos e siderais que os meros mortais. Um deles - magnífico - respondia por alcunha - estranha - de passarinho - etério, intangível -. Outro, dentre todos os seres vivos, foi o mais próximo a uma força da natureza - furacão indevassável -. Mas de todos estes homens fadados eternamente ao céu - céu de estrela única, porém infatigável até ante o próprio Sol - nunca esquecerei um homem que voou - o dia exato era 14-12-95 -: muitas e muitas vezes vi aquele homem abrir os braços, voar como um avião sobre nossas esperanças, mas naquele dia, naquele exato dia, em nenhum outro em momento algum de nossas vidas, aquele homem voou mais alto, girando-girando-girando helicóptero rasante, máquina de destruição em massa: o zagueiro errou, o bandeira errou, ele não erra... girando-girando-girando meu coração, até hoje flutuo, como flutuei eu - criança - e tantos outros milhões de alvinegros naquela tarde de domingo. Aquele homem voou naquele ano, e eu nunca mais caí do Céu!