sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

FECHANDO A DÉCADA, MINHA SELEÇÃO DA DÉCADA

Há um pouco mais de um ano, li em um blog a escalação do autor da seleção da década. Discordei de muitas posições do time dele – por exemplo, a escalação de Nesta e de Figo –, mas sobretudo um detalhe técnico acabava com a seleção dele: A DÉCADA ACABA HOJE! Partindo da premissa deste autor, decidi fazer a minha seleção, e de bônus a seleção que imagino da década de 1990, que foi quando comecei a assistir futebol – minhas primeiras memórias futebolística de infância são imagens esparsas do título do BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS de 1989, e com mais propriedade dois jogos da copa de 1990: BRASIL-ARGENTINA e ARGENTINA-ALEMANHA –.

SELEÇÃO DA DÉCADA DE 90 (1991-2000)

ESQUEMA 4-2-2-2: Esquema tático utilizado pelas campeãs do mundo em 1994 e 1998, além de ter sido o mais comum nos grandes clubes pela América do Sul e Europa – depois de um início de década recheada de 3-5-2 –. Obviamente ficará de fora muita gente, eu mesmo senti falta do romeno Hagi, o “Maradona dos Cárpatos”. O próprio Maradona não foi incluído porque eu não me lembro de grandes conquistas suas antes da copa de 1994, e nesta copa não jogou muito não (em quantidade, foram duas partidas brilhantes e um fim deprimente por dopping) – e mesmo assim, acho difícil “el pibe”, NA DÉCADA DE 90, ter tido mais conquistas que Zidane, ou ter sido mais decisivo que Roberto Baggio –. Afinal, é o meu time, pode bater com o de muita gente, pode ser um pouco, muito ou totalmente diferente das equipes imaginadas por outras pessoas, mas é assim, principalmente quando se olha para quase 20 anos atrás.

1. PREUD’HOMME – Bélgica – goleiro: Escolhi-o principalmente pelo que ele fez na copa de 1994, o goleiro mais ágil e de melhores reflexos que eu já vi em ação.

2. THURAM – França – lateral-direito: Na minha vida toda vi poucos laterais-direito brilharem, na década de 90 os que me chamaram mais atenção foram Jorginho na copa de 94 e Thuram na copa de 98, eles foram decisivos em pelo menos 1 jogo das respectivas copas mundiais – Jorginho na semifinal contra a Suécia, num cruzamento magistral para Romário; e Thuram marcando os 2 gols da vitória por 2x1 sobre a Croácia também na semifinal –. Fiquei com o francês por achá-lo melhor defensor.

3. GAMARRA – Paraguai – zagueiro: Acabou uma copa do mundo (1998) sem cometer faltas, além de ter jogado muito nos clubes pelo Brasil.

4. MALDINI – Itália – zagueiro/lateral: Um dos melhores zagueiros que a Itália, a maior e melhor produtora de zagueiros do mundo, pode relegar. Titularíssimo em 4 copas do mundo – de 1990 a 2002 –, jogava tanto de zagueiro quanto lateral-esquerdo com a mesma qualidade inigualável lá atrás.

5. DUNGA – Brasil – volante: Marcado duplamente no Brasil pelas duas “eras-dungas” (1990, dirigida por Sebastião Lazzaroni; e 2010, dirigida por ele mesmo), as seleções que ganhavam todos os títulos sem expressão – salvo a exceção das Copas Américas – e quando chegavam às copas do mundo caíam. Mas fez uma copa de 94 corretíssima, e ao lado de Taffarel e Ronaldo, foi um dos poucos que se salvaram, em minha opinião, da seleção brasileira de 1998.

6. FRANCO BARESI – Itália – líbero: Zagueiro e líbero, um dos 4 melhores defensores de área do Século XX, na minha opinião. Campeão do mundo sem ter entrado em campo em 1982 – o que para mim não conta, pois, ao meu ver, para ser campeão, deveria ter entrado pelo menos 1 vez em jogo, com exceção dos goleiros –, titular absoluto em 90 e 94. Acho-o indiscutível em qualquer seleção dos anos 90.

7. LOTHAR MATTHÄUS – Alemanha – regista: Difícil foi escolher o segundo volante – aquele que ajuda na defesa, e faz a transição da bola desta para o ataque –, fiquei com Matthäus. Ele e Klinsmann foram o que ficaram mais bem guardados na minha memória da campeã do mundo de 1990 (que, por motivos cronológicos, não entra nesta seleção). Eleito em 1991 como o melhor jogador do mundo pela FIFA – na sua 1º eleição deste tipo –, iniciou a carreira como armador, e foi recuando com a idade, chegando na copa de 1998 (sua 5ª copa do mundo!) atuando como volante – caminho idêntico ao que fez Bastian Schweinsteiger na seleção alemã e no Bayern de Munique –. Por todos os motivos do mundo, deve estar numa seleção da década de 90!

8. ZIDANE – França – enganche: Motivos para pôr Zidane aqui? Eleito em 1998 melhor jogador do mundo. Campeão intercontinental de clubes pela Juventus de Turim em 1996. Campeão italiano pelo seu time e mundial pela sua seleção em 1998. E o mais importante, fez o que nem Platini nem Just Fontane – embora este último teve a infelicidade de bater contra o Brasil de Pelé-Garrincha-Didi, que além desta França, para mim a maior de todos os tempos, derrubou a outra candidata ao título, a União Soviética – conseguiram: levou a seleção francesa além de um 3º lugar numa copa do mundo, mais importante ainda fez de seu país campeão em casa, com uma campanha irretocável, sem ajudas de arbitragem, invicto e sendo a única seleção do mundo campeã com o melhor ataque e a melhor defesa em sempre, além duma Eurocopa em 00. Ainda há dúvidas sobre a presença de Zidane aqui?

9. RONALDO – Brasil – centro-avante: Eleito melhor do mundo em 1996 e 1997 – feito só repetido por Ronaldo Gaúcho nas temporadas 2004-05, e que poderá ser repetido por Lionel Messi que ganhou em 2009 e pode ganhá-lo novamente em 2010 –. Não ganhou alcunha de Fenômeno à toa: fenomenal arrancada, explosão e arremate – tanto na potência quanto no toque preciso –. Se, ao meu ver, falta-lhe uma técnica mais apurada – como a elegância de um Zidane, ou a exuberância de um Ronaldo Gaúcho, ou a magia de um Messi –, a habilidade natural, e principalmente a velocidade faziam a diferença: ao abaixar a cabeça e partir, era quase impossível pará-lo.

10. ROBERTO BAGGIO – Itália – ponta-de-lança: Melhor do Mundo em 1993, decidiu com Romário quem foi o melhor da copa, e do mundo nos pênaltis em 1994. O baixinho botou pra dentro, Baggio botou pra fora (uma das maiores injustiças da história, os deuses do futebol poderiam ter deixado a decisão nos pés de Bebeto). Em contrapartida foi mais importante para a Itália chegar nas finais do que o 11 brasileiro: Romário foi decisivo, Baggio levou o time nas costas. A Itália tinha uma defesa fenomenal com Baresi e Maldini e Paggliuca no gol, mas nada fazia na frente sem Baggio.

11. ROMÁRIO – Brasil – centro-avante: Melhor do mundo em 1994, melhor da copa de 1994, 1002 gols na carreira – na conta dele apenas –. Uma capacidade de salto e um tempo de bola incríveis, uma técnica impressionante para dribles curtos e secos para se mover com a bola dentro da grande área, um biquinho de pé mais mortal que a ponta de uma espada. Cruyff o definiu em 4 palavras: “gênio da grande área”.

DESENHO TÁTICO
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SELEÇÃO DA DÉCADA DE 00 (2001-2010)

ESQUEMA 4-2-3-1: Pela primeira vez, e provavelmente única, os dois finalistas de uma copa do mundo jogaram no 3-5-2. Logo após os times voltaram a jogar para frente, recuperando o futebol perdido dos fins dos anos 80 até o início dessa década, cheio de times retranqueiros, com um ou dois jogadores na frente que resolviam tudo sozinhos. Desta forma, os campeões do mundo de 06 e 10 já assimilavam uma mentalidade nova: um centro-avante de referência, um armador centralizado, e dois extremos que atacavam pelos lados e recompunham o meio de campo quando o time se defendia. Esta postura tática foi a escolhida por mim para tentar incluir tantos craques que surgiram do meio para frente. No entanto, infelizmente, eu não consegui incluir alguns jogadores que muitos sentirão falta: Kaká, principalmente pelo que jogou em 07; Cristiano Ronaldo, principal nome da tríplice coroa e do título mundial de clubes do Manchester United, abocanhando também o título de melhor do ano em 08, e hoje em dia, junto com Xavi, o único que joga um futebol a altura de Messi; mas principalmente por Ronaldo Gaúcho, sobretudo o Ronaldo de 04 – campeão espanhol e da Liga dos Campeões deste ano – e também o de 05, com toda a sua exuberância e sem títulos. Campeão do mundo pelo Brasil em 02, Ronaldo Gaúcho não teve uma atuação nesta copa que superasse a de Rivaldo, protagonista máximo da Copa-02 e que pelo que fez na mesma, e conjuntamente com Ronaldo e Kahn, estão presentes na minha lista – e, por outro lado, sempre o achei um “amarelão”: nos momentos mais decisivos sumia em campo – como nas finais da liga dos campeões ou na final do mundial de clubes da FIFA –, juntamente com o fato de que em jogos que só valiam 3 pontos ele jogava como um artista circense, ou com uma correção técnica quando era mero coadjuvante de luxo – como na copa de 02 –. Acabei por escolher o Messi, em crescente desde 06, campeão olímpico – junto com Mascherano e Di Maria – pela Argentina em 08, e decisivíssimo na tríplice coroa do Barcelona em 09, fazendo o gol do título mundial deste ano de peito! Se Ronaldo Gaúcho foi o melhor do mundo no meio da década, Messi vem entre os melhores nos últimos 4 anos. A partir de meu ponto de vista, o argentino foi levemente superior ao brasileiro (principalmente no quesito quantidade de gols marcados por temporada), sobretudo pela óbvia constatação de que ele se encaminha para uma nova década em franca ascendência, ao contrário do dentuço brasileiro.

1. OLIVER KAHN – Alemanha – goleiro: Levou a sua Alemanha a uma final de mundial (02), com defesas espetaculares, mesmo quando a sua seleção merecia uma bela goleada. No único lance em que falhou em todo o mundial, entregou um gol grátis para Ronaldo Fenômeno.

2. THURAM – França – lateral-direito: Pelo que fez pela Juventus durante a década, e pela copa que fez em 06.

3. LÚCIO – Brasil – zagueiro: Pela técnica, pela qualidade, eu colocaria Rio Ferdinand, ganhou muitas coisas pelo seu time. Mas da mesma forma que o Rio levou a tríplice coroa e o Mundial no mesmo ano pelo Manchester United, o Lúcio ganhou tudo também em 10, além de ter sido campeão do mundo pela seleção brasileira em 02. Neste sentido, incluo o brasileiro.

4. PIRLO – Itália – volante: Além de defender o craque do Milan que ganhou uma copa do mundo, uma liga dos campeões e um mundial de clubes, também é um dos melhores kickers do futebol atual. As suas últimas duas temporadas não foram as suas melhores, mas ainda é um dos donos do meio campo italiano.

5. CANNAVARO – Itália – líbero: Hoje, na minha zaga, colocaria o Samuel, da Internationale de Milão – que ganhou tudo em 2010 –, e da seleção argentina, mas como esquecer o que ele fez na copa de 06, e de ter sido o único defensor escolhido como melhor jogador do mundo, também em 2006 – o que para mim foi injusto pela temporada e pela Copa que Zidane fez neste ano –.

6. ROBERTO CARLOS – Brasil – lateral esquerdo: Para mim, o melhor lateral esquerdo do Brasil desde Júnior – até mesmo superior ao Branco –. E pelo que fez na copa de 02 e pelo Real Madrid até 2004 – ao meu ver, começou a cair de produção a partir de 05 – não tinha para ninguém com a 6 nas costas!

7. MESSI – Argentina – extremo-direito: A Argentina nos legou pelo menos dois gênios incontestáveis no futebol mundial: Di Stéfano (8) e Maradona (10). Sem falar de goleadores como Kempes e Batistuta. Mas o que Lionel Messi vem fazendo nos últimos quatro anos, fazendo hat-tricks a torto e a direito, me deixa impressionado. De certa forma, resguardando as devidas proporções, um cara que pode decidir um jogo tanto armando jogadas como Zidane ou finalizando como Ronaldo. Um monstro da meia-cancha, tanto como ponta-direita, quanto como ponta-de-lança. Sobre ele, eu, humildemente e guardando as devidas proporções, faço uma analogia com as palavras de dois gênios futebolísticos, Cruyff dentro das quatro linhas e Armando Nogueira fora delas, respectivamente a respeito de Romário e de Garrincha: Messi é o gênio do semi-círculo, aquela região para ele é um latifúndio.

8. VIEIRA – França – Regista: Campeão pela França em 98, ótima copa do mundo em 06, e ótimas temporadas pela grande Juventus do início da década.

9. RONALDO – Brasil – centro-avante: O cara do ano de 02, ganhando pela terceira vez o título de melhor do mundo – feito só igualado por Zidane –. Tornou-se, em 06, o maior artilheiro de copas do mundo de sempre. O que mais me surpreendeu nele foi a grande mudança. De atacante de explosão, após ter explodido os dois joelhos, tornou-se atacante de referência de área, até mesmo começando a fazer gols de cabeça. Junto com Zidane, os dois maiores craques das últimas duas décadas.

10. ZIDANE – França – enganche: Só pelo golaço da final das Champion’s League de 02 já seria o suficiente para figurar nesta lista, mas some-se a isso a glória de sagrar-se bicampeão do mundo de clubes, desta vez pelo Real Madrid, de ter sido eleito pela terceira vez melhor do mundo pela FIFA, ter levado o seu país pela segunda vez a uma final de Copa do Mundo... É necessário realmente explicar o porquê de Zidane de novo?

11. RIVALDO – Brasil – extremo-esquerdo: Pelo que fez na copa de 02 é o suficiente para entrar nesta seleção, infelizmente foi para times de pequeno escalão após o seu grande momento futebolístico, o que acabou apagando-o da memória de muitos, mesmo ainda tendo futebol para jogar em grandes clubes europeus.


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THIAGO FSR
31-12-2010.