quinta-feira, 15 de junho de 2017

PUTA AMIGA

Minha puta amiga,
Eu só me lembro de ti quando,
Voltando para casa,
Passando pelas esquinas escuras
Ou mal iluminadas
Da cidade,
Assisto aos trabalhadores parados nelas,
Penteando os cabelos com escovinhas de bolso,
Se embelezando e se perfumando para ti.

O que seria dos trabalhadores sem ti,
Especialista em carinho,
Profissional da solidão?
Máquinas sem alma
Assentadoras de tijolos?
Só tu podes,
Cara puta,
Resgatar nos homens,
E a baixo custo,
O que lhes resta de humanidade.

E ao dividir-lhes
O copo de cerveja
E a cama
Acabas por unir-lhes
O corpo
E a alma.

Eu,
Puta amiga,
Te agradeço.