sexta-feira, 24 de junho de 2011

A GLÓRIA É ETERNA

Em asas céleres viaja pelo mundo um monstro horrível, de mil olhos e cem bocas. Seu nome é Fama. Espalhando feitos e mentiras, ele é o arauto da Glória. 
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Quantos homens têm seus nomes nas bocas desta besta? Muitos, mas poucos, nem todos a merece para o bem.
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Neste rol estão gerações e gerações de santistas. Agora agraciado novamente como o grande Libertador da América.
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Quatro Finais. Dois Adversários. Três Vitórias.
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Este Santos não é tão bom quanto o de Pelé. Gerações e gerações lembram, se não da escalação titular, pelo menos dos grandes craques do time de Pelé: Gilmar, Mauro, Zito, Mengálvio, Coutinho, Pepe. E Pelé. Esta geração o que tem? Será para sempre a geração de Neymar e Ganso.
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Lembrarão que o primeiro gol foi Neymar. Em grande jogada com participação genial de Ganso: Quando Arouca avança entre dois adversário e solta para Ganso - e na sua inércia continua o movimento em direção à esquerda - todos os adversários movem-se para direita, Ganso quebra o fluxo de letra, devolvendo para Arouca. Zé Eduardo, o Love, fez sua melhor ação em toda a partida, corre contra a bola, puxando a defesa central -- é uma verdade axiomática, Zé Love foi um gênio, o mais longe possível da esfera --, o marcador de Neymar tem que dar o combate direto a Arouca que deixa o geniozinho Neymar livre fazer o de sempre: fingir que baterá forte no canto oposto, e chutar fraco na trave próxima - e o goleiro aceita, caindo quase de barriga na bola..
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Lembrarão do lançamento de Ganso, deixando Neymar livre pra cruzar e Zé Love não se fazer presente. Do passe que Ganso deixou na cabeça de Zé Love, sozinho sem goleiro, de frente ao gol, fazer o movimento com a cabeça de pôr a bola pra fora.
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Lembrarão do lançamento preciso de Elano para o gol de Danilo.
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Lembraremos e compararemos as gerações: de 5: Zito e Arouca. De 8: Mengálvio e Elano. De 11: Pepe e Neymar. De 10: Pelé e Ganso. De 9: Coutinho e... bem, esqueçamos.
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Ninguém no Mundo Sulamérica merecia mais ser tri duma Libertadores que o Santos. Talvez ninguém menos merecesse que Muricy Ramalho. Sua decisão de treinar apenas elencos formidáveis sempre se mostra acertada, seu trabalho duro é louvável, suas inúmeras conquistas empobrecedoras do nosso futebol. Ninguém prejudicou mais o futebol brasileiro nos últimos anos do que o tri brasileiro do São Paulo com o trabalhador Muricy, que entre outras coisas diminuía a Libertadores por ser mata-mata, e para ele o único mérito disso é a sorte.
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E daí se as declarações de Muricy e Neymar -- "autovangloriando-se" -- é reprovável. E daí que um torcedor do Santos invadiu o campo e começou uma briga com os jogadores uruguaios e a imprensa imediatamente culpou as vítimas - e nem se preocuparam de desculparem-se e de cobrar a punição ao vândalo? -.
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O que importa é que o Santos finalmente é tri. E Neymar e Ganso vieram libertar-nos de um futebol medíocre e feio, mesmo o seu líder sendo o mais burocrático dos técnicos bancários.
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Infelizmente foram os melhores numa das piores Libertadores dos últimos anos. Ainda bem que o melhor venceu - com e sem a ajuda da sorte - e a Fama espalhará a verdade: não importa quem foi ruim, o Campeão prevalece, pois só a Glória é Eterna.