terça-feira, 8 de março de 2011

PREPARATIVOS PARA O JOGO DA DÉCADA (que começou há 2 meses!)

Eu vejo que o Barça tange a perfeição, mas ainda não é perfeito, mas nem a seleção BR-70 foi perfeita – tinha um goleiro que vou te contar…-! Os times, que ao meu ver, mais se aproximaram da perfeição foram justamente a Hungria-54, o Brasil-58 e o Brasil-70 – não nesta ordem, os campeões mundiais obviamente superiores, e o time de 58 tinha os melhores de todos os tempos, embora os 12 anos de tática e preparo físico poderiam dar vantagem para a de 70 -.
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O maior defeito, se podemos analisar desta forma do Barça, é a ausência do 9, o time prescinde disso porque joga com Messi de falso 9. Na Hungria Hidegkuti fazia o falso 9, mas eles tinham o melhor cabeceador da História, Kocsis. Os Brasis tinham somente Pelé, que embora ponta de lança - como Puskas e Kocsis – fez 2 gols de cabeça em 2 finais de copa do mundo, tinha Vavá peito de aço, exímio cabeceador, e em 62 tinha Amarildo, o Possesso, outro exímio cabeceador.
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A falta de referência de área, faz com que o Barça abdique das jogadas aéreas, que podem resolver, e resolvem jogos tão truncados. Lembremo-nos da Copa do Mundo do ano passado (2010). A Holanda venceu a retranca dunguista com bolas alçadas na área e jogadas ensaiadas. Mas recordemos principalmente do jogo Alemanha X Espanha.
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Os dois times jogavam no mesmo 4-2-3-1, mas os germânicos eram reativos e os latinos pró-ativos. Muito fechados, os alemães não permitiam o tique-taca – tenhamos sempre em mente que a base da Fúria era o Barcelona -. O gol só saiu de bola parada, na cabeçada de um zagueiro.
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Contra a Inter, a retranca era tão forte – pra mim um 5-4-0, que só não foi 5-5-0 pois os italianos jogavam com -1! - que o gol saiu novamente de um zagueiro, Piqué, que era o único que tinha estatura de centroavante e foi deslocado para fazer o pivô – e fez um baita gol de pivô, recebendo dentro da área, no limite entre os zagueiros e a linha de impedimento, e girando a la Zidane –, enquanto o time jogava bola na área. Pep solucionou momentaneamente o problema daquele jogo, mas botar Piqué de referência NÃO É SOLUÇÃO.
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Para mim foi pra isto que veio Ibra, que não deu certo no esquema, ele requer jogo pra ele, o Barça joga por todos. Ao meu ver, o jogador perfeito para isso seria o Henry, que jogava de ponta esquerda no time catalão e de "1" no 4-2-3-1 na seleção francesa de 2006. Infelizmente ele não tinha mais condições físicas de acompanhar o ritmo e o pressing do Barcelona.
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O que vemos, desta forma, é a dificuldade do time catalão em jogar sem a passagem rápida no meio; dependente do toque rápido e curto dos espanhóis ou do drible dO Argentino! Mas com tanta gente próxima, essas características ficam comprometidas, e com as linhas perto do gol, é difícil desenvolver os dribles e as linhas de passe tão necessárias ao sistema de futebol total adotado pelos bleugranas.
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Assim, saindo um pouco do foco deste texto, e olhando par ao clássico daqui há 40 dias, podemos projetar algumas opções táticas do Real Madrid. Na minha visão, Mourinho deve aprontar outra dessa na final da Copa do Rei. É claro que os merengues – onde jogaram Puskas, Di Stéfano, Didi, Ronaldo e Zidane – não aceitam jogar retrancados como a Inter bi europeu e mundial (agora tri), inventora do cautenaccio. Mas aposto num 4-1-4-1 madrileño. Reconheço, no entanto, o pronto fraco do Real seja justamente a defesa, ponto forte dos nerazzuri.
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Um volante de contenção, provavelmente Diarra, para impedir que Messi flutue solto de novo, Aldebayor-brucutu na frente – não à toa, ao meu ver, Mourinho exigia tanto este 9 monstrengo pra frente, deve ter visto os mesmos defeitos catalão que eu, que só descobri estes defeitos DEPOIS de ver o jogo dele na Inter – e uma linha de 4: Özil, Khedira ou di Maria, Kaká, Ronaldo. A escolha entre khedira e o argentino no meio, seria uma escolha cultural, não tática: pressionar lá na frente, mesmo com o time muito compactado e ter uma saída de bola mais qualificada (Di Maria), ou aceitar a posse de bola do barcelonista.
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Voltemos para o jogo de logo mais: Arsene é mais técnico do que Guardiola - por enquanto -, mas as peças do Barça são muito melhores do que o do time londrino, embora se alguém tenha time para bancar jogo com o Barça, um deles é os Gunners. Wenger - mestre - estudou o adversário, viu as dificuldades do Barça em passar de defesas em linhas de 4 - e sobretudo aquelas que põem um volante flutuando entre elas -.
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No jogo de ida, o Arsenal atacou como o Barcelona, mas defendeu como o Betis. Arsene treina muito bem o time, transformou o ponta-de-lança Nasri em extremo, o meia Wilshere em volante e o ponta V. Persie em centro-avante, e com isso dá mobilidade incrível ao quarteto ofensivo, em nível que só os catalães repete. Ao seu dispor, o francês tem também o russo Arshavin jogando muito, e o grandalhão dinamarquês Bendtner para jogar com força na área - opção que os espanhóis não possuem! -. Além, é claro, da velocidade alucinante de Walcott.
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Mas Arsene, no jogo de ida, venceu Pep. Venceu quando Guardiola deixou o Barcelona ser menos Barça e trocou o ponta Villa pelo volantaço Keitá. Arsene venceu quando jogou mais ainda como Arsenal, tirando o pacman Song - brucutu-quebrador - e colocou Arshavin - deixando como único volante Whilshere, jogador bastante ofensivo e criativo. E depois tirou Walcott e colocou o Bendtner - eu teria tirado o Nasri -. Mas como Wenger é Wenger e sabe muito mais do que eu, foi Nasri que deixou o russo sozinho para matar os "invencíveis".
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Esta foi a causa da glória londrina na primeira "perna" deste confronto histórico da Champions League, ou da derrota catalã, dependendo do ponto de vista: Atacando como Barça, defendendo como o Betis, contra-atacando como Arsenal de Chapman ou dos "invencibles" de Bergkump, Henry e Wenger. Assim Arsene, por um jogo, superou a maior equipe do mundo, talvez o maior time dos últimos 20 anos, e quiçá será, um dia, um dos maiores da história.
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Hoje saberemos como terminará esta crônica do futuro próximo...