quinta-feira, 31 de março de 2011

(VELHOS) VÍCIOS & (NOVAS) VIRTUDES

Pela Copa do Brasil (CdB-11) o Botafogo de Futebol e Regatas enfrentou o Paraná Clube na noite desta quarta-feira, venceu, mas não eliminou o jogo de volta. Embora muita gente tenha visto o azul-grená do adversário e se assustado, o alvinegro não enfrentou o Barcelona, mas um bom time que passa por um péssimo momento.

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Como no ano passado, acredito que o elenco de General Severiano é bom, e isso significa brigar para ficar entre o 8º e o 6º no Campeonato Brasileiro deste ano (CBr-11). Este deveria ser o destino do time ano passado e foi, abraçou a 6º colocação, por muitos méritos de Joel, e optou por se acovardar e não brigar pela Libertadores, por desméritos de Joel – a quem faltou ousadia –, de alguns jogadores – a quem faltou ímpeto e/ou qualidade técnica –, e da diretoria – que por trabalho mal feito na parte física o time cansava rápido demais, logo no início do 2º tempo, e perdeu praticamente metade do time titular por lesões gravíssimas, se o departamento médico não funciona, culpe-se o médico e quem o contratou –. Para ir mais longe (4º lugar e a chance da Libertadores, ou até 3º) o elenco tem que ser Muito Bom. Para brigar pelo título o elenco tem que ser ótimo, ou um time brilhante, que não tenha nenhum outro torneio durante a competição, com 3 ou 4 peças numa fase iluminada, e que não se machuquem. Foi o caso do penúltimo campeão (CBr-09).

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No jogo desta quarta-feira, depois de quase dois anos, o BFR voltou a jogar como time grande, contra um Paraná que se apequenou. Os 15 primeiros minutos foram ótimos, volume, volúpia, vontade, premiados com um gol, na tão velha conhecida jogada aérea que há quase 6 meses não vemos funcionar. Num escanteio de Somália (!?!) Antônio Carlos (3) fez aquilo que faz melhor: cabecear. Os botafoguenses estão se acostumando a zagueiros artilheiros, após Juninho e suas faltas incríveis, agora Antônio Carlos, o homem-voador do General. Mas esse ímpeto desapareceu 1 minuto após: em uma cobrança de escanteio, o zagueiro adversário subiu mais do que todo mundo e empatou. O gol que deveria abater e desarmar a retranca dos paranaenses teve efeito contrário, o empate quase imediato abateu os cariocas, que jogaram mal até fins do primeiro tempo, quando Gilberto foi expulso por ter dado uma cotovelada em Herrera (17) – ter levado esta pancada foi seu melhor lance no jogo todo! –, com a bola parada, aos 46’ do primeiro tempo.

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Aproveitando um a mais em campo, Caio Jr. tira um volante e põe mais um atacante de área, o menino da base Williams (11). Em mais um chute estranho e desnecessário e desperdiçável do Somália (7), o goleiro bateu roupa mais uma vez, a bola molhada pela forte chuva o escapou pela 4º ou 5º vez no jogo, e Williams, mostrando grande oportunismo, empurra para as redes. Daí para frente o placar não mudou. O BFR “joelizou” novamente, mostrando que Caio Jr. terá muito trabalho pela frente para tirar esse instinto do time de esperar na defesa toda vez que tenha a mais magra vantagem no placar. Por causa desta “apequenação” inconsciente do time, este talvez não tenha matado o jogo de volta. Com o apequenamento dos cariocas, os paranaenses voltaram a atacar com vontade, sobretudo quando o jogo ficou 10 contra 10.

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Neste momento um adendo a atuação do juiz: terrível! Os lances mais importantes – e acertados – foram bandeirados pelos auxiliares, não apitados pelo árbitro, inclusive a certíssima expulsão do camisa 8 do Paraná. E, sobretudo, os jogadores do Botafogo têm que aprender a parar de reclamar, e de forma tão acintosa, das marcações do árbitro. Somália fez uma falta para cartão logo após o 2º gol alvinegro e foi expulso, haja vista que no primeiro tempo levou cartão por reclamação.

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O lance, no entanto, que eu mais gostei foi o único contra-ataque que realmente funcionou, Williams, de fora da área, contra os dois zagueiros, chutou uma bola completamente desperdiçável – da mesma forma que Somália e Caio fazem todos os jogos, e o 7 tentou umas 3 vezes durante o jogo –, enquanto o 9 passava completamente sozinho no meio para matar o jogo. Um lance que o próprio Canedo desperdiçou várias e várias vezes, mas que os botafoguenses não esquecem no jogo contra Corínthians no CBr-10, em que tanto Somália, mas principalmente o 9, tiveram a chance de dar o gol para o Abreu, mas desperdiçaram chutando para longe e tentando fazer o gol sozinho. Sonhei, num arroube de justiça poética, que no vestiário, quando o Caio fosse reclamar com o Williams, este respondesse: “Tu passa a bola pra alguém em melhor posição, bacana?” Mas esperar também que o Caio aprenda a lição com esta noite seria também acreditar em Papai Noel.

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Quanto a formatação tática, o time se apresentou numa espécie de 4-2-3-1, onde JÉFFERSON 1; ALESSANDRO 2, ANTÔNIO CARLOS 3, MÁRCIO ROSÁRIO 4, MÁRCIO AZEVEDO 6; RODRIGO MANCHA 5, MARCELO MATTOS 8; SOMÁLIA 7, CAIO CANEDO 9, ÉVERTON 10; HERRERA 17. O time apresentou movimentação constante entre os 3 meias, com Somália – extremo-direito – aparecendo no meio e na esquerda; Everton – extremo-esquerdo – apresentou-se também na direita e no centro; e por fim Caio – ponta-de-lança – também caiu – sem duplos sentidos – pelos lados.

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Aproveitando-se da superioridade numérica, Caio Jr – não contando com a burrice de Somália – tira o volante de maior contenção, que já tinha um amarelo – Rodrigo Mancha – e coloca um atacante, o BFR passa a jogar num 4-4-2 inglês em duas linhas:

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---------------3--------------------4---------

-2------------------------------------------6-

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-------------------7---------------------------

--9---------------------------------------10--

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Com números iguais, Jr. tira o lateral esquerdo e coloca Fahel (16) para refazer o meio, Alessandro passa a jogar fixo, como um 3º zagueiro. O time passa a jogar numa espécie de 3-4-2:

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-----------2------------3------------4---------

-------------------------------16--------------

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--9---------------------------------------10--

------------------11--------17---------------

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