segunda-feira, 14 de novembro de 2011

VASCO X BOTAFOGO: QUANDO A EFICIÊNCIA (SEMPRE) VENCE OS JOGOS

Dois erros de saída de bola, dois contra-ataques, dois gols. Sem contar dois incríveis salvamentos do melhor goleiro do Brasil - um pênalti e uma defesa a la Banks!-. Este é o resumo da noite de domingo entre Botafogo - completamente fora da briga pelo título agora - e o Vasco.
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Num primeiro momento imaginei que o Vasco jogaria numa espécie de 4-6-0 (4-3-3-0), como o Botafogo de 1989 e a Roma de Spalletti, mas isso não ocorreu. Embora tenha sido difícil realmente de definir a posição de Diego Souza, jogou quase sempre de falso nove, função que não cumpriu bem.
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Pelo lado do Botafogo terrível jogo de Maicosuel, Elkeson, mas principalmente de Cortês, Herrera e Fábio Ferreira, os três responsáveis direto pelos gols.
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Os técnicos já descobriram como parar o Botafogo e se utilizam da mesmíssima estratégia desde a derrota para o Atlético goianiense. Com base em um 4-3-2-1 ou 4-3-1-2, os técnicos adversários montam duas barreiras de frente à área, uma primeira de quatro zagueiros e uma segunda de três volantes. Além disso, deslocam um ponta para as costas de Cortês, aproveitando-se do fato dele subir muito, voltar nunca e Marcelo Mattos não cumprir seu papel de cobertura decentemente, como mostra o campinho abaixo:
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Assim, a grande vantagem da equipe, o dois contra um na extremidade do campo - sobretudo na esquerda - desaparece. Um volante pega o Cortês, o lateral pega Maico/Elkeson, e ainda tem uma sobra de um zagueiro ou um volante pelo meio. O resultado é que eles têm que tocar para o meio e não encontram em quem fazer esse passe. A ausência de um 10 é notória aqui. Elkeson é ponta-esquerda, não ponta-de-lança. Ao pegar a bola ele irá pra cima do adversário, é o que faz, é o que sabe fazer. Mas nesse momento é necessário um passador. Alguém que se aproxime da extremidade para o passe e jogue de primeira e de segunda, no máximo, fazendo assim um 3x2. 
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Se o volante central tentar acompanhá-lo para impedir a superioridade numérica na ponta, abre o meio para a chegada de Renato que teria toda a entrada da área livre para o passe/chute ou, se tivesse a cobertura do terceiro volante, a outra ponta teria um 2x1 do ponta e do lateral contra o lateral adversário.
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Então o que falta, OFENSIVAMENTE, no Botafogo? Um verdadeiro 10 no triângulo central. O homem trazido para a função - Felipe Menezes - não está dando cabo da mesma. Nessas horas muitos sentirão falta de Lúcio Flávio, é o jogo perfeito para ele - e o típico jogo que costumava apagar e sumir de campo -. O Botafogo só conseguiu penetrar duas vezes na área, todas com levantamentos diagonais, e todas no primeiro tempo. Na primeira, Elkeson matou no peito e chutou em cima de Prass, na segunda, Herrera recuou de peito para Prass - vou descontar jogada parecida que Herrera chutou pra fora, ele estava impedido -.
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 Outra solução é a saída imediata de Herrera. Passou a semana inteira reclamando de jogar de ponta. Em torno dos 20 minutos do primeiro tempo, Caio Júnior mudou o esquema do time. De 4-2-3-1 passou a 4-4-2 (vide o campinho abaixo). Herrera jogou onde mais, segundo ele, rende, próximo a Loco Abreu. Não só sumiu do jogo, como o time piorou. A entrada de Caio na direita com seu drible em velocidade melhorou o time, em duas jogadas fez mais que Herrera em dois jogos inteiros, mesmo assim, Caio ainda não é suficiente. O que deve fazer muito botafoguense se perguntar: "E se na direita fosse o Jobson"? 
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É nessas horas que se espera, também, um Prof. Pardal. Mudar o time, qualquer mudança das mais loucas deve dar resultado. Mas o Caio Júnior, que é muito bom tático, ainda é muito deficiente nas mudanças de jogos. Só muda no mais óbvio e quase sempre quando não dá mais tempo. Saiu Marcelo apenas porque se machucou. A mudança de Herrera foi a pior. Só saiu depois do time estar perdendo por dois gols e levar um amarelo. Eu? O adversário tinha um atacante - ou dois, se contarmos o ponta direita como atacante, embora estivesse jogando mais de meia -, PARA QUÊ UMA LINHA DE 4? O óbvio nessa situação seria recuar Marcelo para zaga e liberar de vez Cortês e Lucas - de 4-2-3-1 para 3-3-3-1 -. Evitaria muitas surpresas nas costas dos laterais. Se Mattos machucou, trocasse-o por um zagueiro, Bruno Tiago só não foi pior em campo do que Herrera, Cortês e Fábio Ferreira.
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DEFENSIVAMENTE, onde o Botafogo tem mais errado? Como já foi escrito por mim várias vezes, no sistema de cobertura. Contra times de dois atacantes, como está sendo praxe se jogar contra o Botafogo, não é necessário uma linha de 4 atrás, pode se dar liberdade para Cortês como ele gosta. O problema é fazer a basculação certa. No primeiro gol, notem, os dois laterais estavam na frente ao mesmo tempo - o que não pode acontecer JAMAIS numa linha de 4 -, os volantes estavam sem fazer cobertura dos mesmos - o que não pode acontecer JAMAIS numa linha de 4 -, o Fábio Ferreira saiu jogando como líbero e soltou a bola nos pés do volante adversário - Fábio Ferreira como líbero não pode acontecer JAMAIS -. Daí o contragolpe na ponta-direita, o coitado do Antônio Carlos ficou sozinho contra 4 vascaínos. O jogador mais recuado a chegar no lance foi Lucas, o lateral direito, e o gol foi feito por um volante que chegou ATRÁS de Lucas.
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A basculação deveria ser simples, não entendo como o time continua errando isso, pois até não profissionais da área sabem como funciona (campinho abaixo). Mas, é claro, o maior erro é de Cortês que sai sempre - Lucas normalmente só sobe quando acionado por Renato - e fica parado olhando para ver o que acontece quando perde a bola. Veja na imagem que, se Cortês - ou Lucas - subir, os outros três zagueiros devem ir em direção ao espaço deixado, ou Mattos ir para esquerda, virando um falso lateral, deixando a frente da área para Renato proteger. É bastante simples e básico no futebol.
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Abraços a todos, nos vemos na próxima, SAUDAÇÕES.

sábado, 12 de novembro de 2011

JAGUNÇO X JAGUNÇO - 3º parte


Tudo o que o Credo dizia
Ao contrário Tõe rezava
Negando, e assim desvia
Bala, que o Cão evitava.

A bala zunia e ao chão
Derribava sem apreço,
Sem ver nome ou ilusão,
E foi pra menos de 1/3

A gente que ali lutava
E Zé, que menos gente
Tinha, ele mais se lascava
Pois ia perdendo frente.

E nos motins do Sertão
Quem manda tem o dinheiro
Quem vence tem munição
E quem se fode é o guerreiro

Vivendo e morrendo pela
Vil jagunça condição
Sem ter bênção, óleo, vela
Pra dar sua extremunção.

Cão do Sertão ou homem pobre?
Ensinado no feudal:
Co'alma cavaleiro nobre;
Corpo pelo capital.

Obedecendo o sistema
Jagunço (uma servidão
Inconsciente) se tema
Nada, se não for Sertão,

E nesta luta sangrenta,
Entre estes muitos bandidos,
É a coragem quem enfrenta
Tantos dos grandes perigos.

Os rebeldes primitivos,
Que ali se digladiavam,
Menos para estar vivo,
Mais para quem odiavam

Verem mortos no chão duro.
Todavia o ódio não era
Verdadeiro, feio e puro,
Era da ordem que se dera.

Ontem era amor de irmão,
Mas agora diferente,
Odiar tal Deus ao Cão
E vir bater-se de frente.

Questionar era impossível
A jagunça condição:
Para pensar no vivível
Tinha que ter instrução.

E só sabiam contar
Os bois, as balas e os mortos,
E o nome mal assinar
Em caracteres bem tortos,

Que era pra mó de votar
No coronel/candidato
E pra com suor pagar
O que lhe era descontado

No armazém do patrão.
“Questionar é ficar louco!”
É viver vida do chão
Que isso já é muito pouco.

Atirar é coisa mente,
Não negócio do olhar,
É esquecer de tudo a frente,
Pra poder melhor matar.

É mais fácil coisa a bala,
Mata de frente e em tocaia
Escondido numa vala,
E distância que ela saia

Mata sempre muito mais.
Homem se mede é na esgrima
Frente a frente nos rivais
É assim que o cabra se prima.

De toda a repetição
Tõe só 5 perdia
Era muita munição
Que o Mal lhe servia guia.

O povo ali se comendo
O fogo ali se subindo
O corpo ali se caindo
O morto ali se fazendo.

Um a cabeça estourava
Outro a barriga abria
Um no chão já não rezava
Outro na morte já dormia

Bala, grito, dor e queda,
Carne, sangue, osso, grão corte,
Fuzil, facão, furo e pedra:
Tudo na sorte da morte.

Quando a bala terminava,
Pulava, na mão punhal,
E assim uns 3 já levava
Consigo pro fim-final.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

JAGUNÇO X JAGUNÇO - 2ª parte


Num crime indigno que fez
Matou o chefe e tomou o bando.
E crimes 1, 3, 6, 10
Cometeram sob seu mando.

É colheita de sebaça,
É estupros de mãessenhoras
E das virgens de cabaça,
Pisar no povo co' esporas,

Era assalto, era de-guerra,
Era de guerra fazia.
Maldade que o povo ferra,
Maldade d'alma vazia.

E tudo isto arquitetava,
Trás do bando de Zé Tonto
Que já diziam que estava
Na chefia todo pronto.

E em que parte do Sertão,
O serviço do cangaço
Espalhando eles então
Foram se dar com fogo e aço?

Dizem que foi muito perto
Do rio-pai, o São Francisco,
Mas por todo esse deserto,
Todo lado é São Francisco.

Foram três dias de cerco
Num todo de descampados,
e se na conta não perco,
Foram centos desalmados!

Chovia bala e o Céu não
Chovia, o chão alagado
De sangue, porque no chão
Não se via outro molhado.

Mas é uma triste visão?
Quem já ouviu destes guerreiros-
-Escravos estórias não
Duvida dos verdadeiros

Atos de grande bravura
Cheios de coragem falsa
Que aparece da loucura
Da pólvora-com-cachaça,

E pelo medo do açoite,
Que são tudo que o vaqueiro
Tem. E a solidão da noite
Que na moda do violeiro

Um sonho de liberdade
Vira (pois quem tudo deve:
Farinha, arroz, dignidade,
Nunca tem o sono leve),

Pois a Poesia fica
Sendo a matéria das vidas
Pra quem a vida dedica a
Deixar outras desprovidas.
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Na próxima parte, a guerra entre os jagunços e o combate singular final entre Zé Tonto e Tõe da Vaca, fica para a parte 4!
Espero que estejam gostando! SAUDAÇÕES!!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

JAGUNÇO X JAGUNÇO


O texto abaixo, é uma das minhas narrativas em verso no formato de rimance - o termo "cordel" é impreciso e eu não gosto, os próprios poetas antigos do nordeste falavam "folheto", nunca cordel, pois cordel refere-se à corda em que se vendiam os "folhetos de cordel", que a mais das vezes eram vendidos em balaios -, esta é a primeira parte - no texto original não há divisão em partes, mas é muito grande para a publicação em blog na forma original -. ABRAÇOS
Foi lá, na risca da faca,
Co'a poeira alevantada,
Que Zé Tonto e Tõe da Vaca
Se embolaram na matada.

Foi por que mesmo, meu Deus?
Ofensa de mãe? -> Perdão
Não se dá! <- Ou de um os seus
Bois no outro teve o ladrão?

Mas o que se contou lá,
Por aquela época, foi
Que não deixaram matar
Nem pela mãe nem por boi.

Era ordem do chefe-mor:
“Em guerra nunca se briga!”
E os cabras ficam de amor
Fingindo de gente amiga.

Aí nasceu o problema grande:
Podiam na faca justa
Ter limpado o ódio que brande
(Que se escondeu trás da escuta).

E lá, remoendo feio,
Falava Ele de maldades.
O ímpeto quando lhes veio
Era nas obscuridades.

E o ódio que fica encoberto
É muito mais traiçoeiro.
O seu tiro é bem mais certo,
O seu pesar mais certeiro.

E em moita e moita um já via
O outro escondido esperando
– Vida fechada de via –
O bote de cobra armando.

E andando de praia em praia
De cada rio nos caminhos
Sempre esperando a tocaia
Quando se viam sozinhos.

Foi nesses giros de louco
Que o judas do Tõe da Vaca
Resolveu fechar o corpo
Pra que a bala seja fraca.

E vendendo a alma pro Cão
(Três voltas na encruzilhada)
Achou que estava no são
E vencia esta parada.

Só podia lhe ofender
Lâmina feita de prata;
Bala que padre benzer,
Com cruz nela, é só o que o mata.

Foi quando os maus pensamentos
Vieram, ou deu por conta
Deles? Palavras quais ventos:
Furar na da faca ponta.

A bênção, meu São Tinhoso!
O ódio que é meu, é teu agora,
Faz de mim homem famoso
Por todo esse mundo afora.

Sei que o Senhor bem protege
Quem tem o Djabo engarrafado,
Faz ficar rico e se elege
Cabra por ti apadrinhado.

Deu o gole de cachaça
Pro Santo e se dirigiu
Co'os olhos de quem vê caça
Pronde sua mãe o pariu.

Terra de gente bem braba
Que não vive de ameaça,
Pegar o judas, o cabra,
Nem pela última que eu faça.

Meu sangue nos olhos, não
Me engano, é o São Cão em mim,
Me dizendo a via, o chão,
Que vou me dar no meu fim.

Se já no meu corpo o Demo
Se esconde e lá faz desgraça,
A morte eu já não mais temo,
Que vem qual coisa que passa.

Eu sou, pai Demo, fechado,
Eu sou todo protegido,
Meu corpo amaldiçoado
Conhece nenhum perigo.

É o desejo vil, maldoso,
Que me governa, meu Pai,
E maquino o perigoso
Pronde minhalma descai.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

SOL SUMIDO

Na primeira vez que vi teus lábios
pensei mergulhar-me neles
como um louco precipita-se ao mar

então vi teus olhos 
e neles me afoguei como
a ave que despenca do céu

Desse jeito me vi solto no mundo
viciado no teu rosto
dependente de teu sorriso

E assim como um céu perfeito no qual um Sol Invencível se brame
Anoiteceste
e eu me perdi em mim o que era mais magnífico

As aves ainda despencam do céu
os loucos ainda precipitam-se ao mar
mas a poesia ficou sol sumido.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

TUDO QUE É SÓLIDO SE DISSOLVE NO CÉU


Todos os homens queu conheço
Querem me dar alguma coisa
Nem que seja um demônio preu beijar.

Eu acordo de manhã
Onde estão meus olhos ouvidos e bocas?
Jogo fora da cama meu passado
e sem peso algum levanto-me como um bisão abatido
meus filhos, onde estarão meus filhos?
Eu não tenho filhos! Não ainda.
Todos os homens do mundo são meus irmãos, meus filhos, meus pais,
e todas as mulheres são os meus orgasmos.
O dia inteiro de uma vida perdida
5cm antes e 5cm depois
o relógio seria outro momento
no meu pulso 5cm valem o tempo suficiente de nascer,
morrer, copular, conceber;
Onde está a vida?
No meu pulso? Onde estão a vida?
Com certeza não está na pontuação,
a pontuação é uma representação falsa das modulações da fala,
mas a pontuação não marca
o andamento da minha canção.
Tu podes ouvir minha canção? Sentir meu ritmo,
os pés do meu andamento, a minha melodia?
Ritmo sem metro
melodia sem rima
mas ainda assim uma canção
uma bela canção.
Eu ainda não levantei a cabeça
muito menos levantei-me da cama
o resto da minha vida
nasceu esta manhã
mas já estava de pé
era minhalma quem dormia
pode ficar aí, deitada, para sempre
eu não me importo
nunca me importaria
A minhalma não é minha canção
talvez meu corpo a seja
o que é minha canção?
Nesta manhã, do fim da minha glória,
procuro saber cada unha dos meus afazeres
tomar banho, tomar café, tomar bala
ah seu morressoje!!!
Minha roupa negra, minha casa branca,
a cozinha pequena de pouca comida,
o banheiro cheio de fezes, descarga quebrada,
os centímetros quilométricos entre minha casa
e o ponto de ônibus
            o resto da minha vida
vivida numa fila
café puro, sem leite, sem pão sem manteiga,
sem prazer sexual
não terei filhos
todas as mulheres do mundo são meus orgasmos,
o que serão das prostitutas?
Podes tu ouvir minha canção,
a canção da latrina entupida, do chão rachado e do ônibus lotado?
A minha canção sem violão, rabeca ou pífanos,
 ritmo sem zabumba,
óia, óia, eis minha canção,
canta e goza!
Aquela mulher bonita sentada naquela poltrona do ônibus
que me despreza com os olhos
olhai o poeta olhai, está morto, sem alma
o poeta é um vampiro, uma múmia
Àquela mulher bonita sentada naquela poltrona do ônibus
o meu flato mais gostoso,
o poeta é um golem de carne:
“Frankenstein, ouve minhas palavras eloquentes!”
Sabes quem eu sou? Sabeis que eu sou?
Sou um pobre
Tirai-me, tirai-me, morrerei...
Cai um, cai outro, as balas continuam,
esquivo-me,
ou ainda acho que me esquivo,
abaixo a cabeça, corro de um lado a outro,
cai um homem ao meu lado,
cai outro a distância,
tiros, tiros, tiros, por toda a parte
matam-nos
Sabes quem eu sou? Sabeis quem eu sou?
Sou um poeta.
Meu ônibus pára, será estímulo clitoriano?
Desço, onde estará meu emprego?
No lugar de sempre
                   sempre esperando orgias.
Sexo é a base da vida, sexo é a base do sistema,
Sexo é governo, amor é inverossimilhança artística,
amor é poesia
esqueça-o, esqueça que o amor existe,
Sabes quem eu sou? Sabeis quem eu sou?
Podes ouvir minha canção? Podeis ouvir?
Meu violão descordoado, desafinado, desentonado
serve de batuque e me dá um ritmo impressionante!
Está a vida na sintaxe? Na morfologia? Fonética?
Está a vida na semântica?
Não, a vida está na vida.
Onde está o meu prazer?
Está na vida, óbvio.
Minha mulher, minha esposa, minha masturbação,
pedras e fezes
              fezes congeladas são armas
                                                armas de fogo são
covardia
tiros de longe, muito longe, donde vêm os tiros?
Meu amigo
meu melhor amigo
está morto
esquivo-me
ou antes acho que me esquivo
eu estou morto
              morto como um fantasma
um corpo penado
minha mulher, minha esposa, minha ilusão,
Todos os sonhos de um homem acabam-se
desaparecem
os sonhos fúteis eólicos
com o sopro de uma pólvora apagando uma vela
Meu sangue é fluido esparso
                       líquido sagrado
saindo das veias em todas as direções
Podes sentir meu sangue? Podeis sentir?
A minha própria sombra pobre pode
Meu melhor amigo são todos os homens
Meu melhor amigo são todos os cadáveres
Monto a minha libélula
Armado com a lança de São Jorge
E torno-me o terceiro cavaleiro
São João
São João
            estoura foguetos estouram
na minha cabeça ao lado
no meu amigo peito
nos homens que estão no chão
na arma apontada para meu olho há-de estourar
o resto da minha vida vivida numa fila
No caminho eu vi
e estava lá para eu ver
ah meus augustos augúrios
uma ave numa árvore trepada do mangue
uma garça branca empoleirada num manguezal verde
Triste homem que se dilui
oh meu sangue líquido esparso
minhas veias não são-te suficientes para conter-te
rasga-me a pele, estoura minha carne, quebra meus ossos,
triturai
   triturai
      triturai
      três vezes meu espírito
ele clama, ele pede, expele-ex-pele-ex-carne-ex-alma
ex tudo, ecce tutti,
meu amor, minha mulher
que nunca me dará um filho, que nunca se dera a mim
Olhai meu corpo. OLHAI!!! Porra,
deixai-me morrer
Podes sentir meu espírito? Podeis sentir?
Sou teu marido= corpo, alma, espírito
Voa, voa, pássaro maldito
nas asas do carcará
nas asas da harpia
Estuprai-me oh vida
Fazei de mim tua prostitua
Tomai meu corpo quando quiseres
beijai-me
Podes amar-me? Podeis amar-me?
Se não só me possui.
Eu sou teu vida
tua mulher, teu orgasmo
teu filho.
A arma ao olho meu
a cada bala atirada para cá abaixo-me
tirai, tirai de minha direção
tenta manter a consciência
entre mim e ti
quem sou quem és?
Meu emprego, numa fila vivo meus últimos,
onde estão todos?
No chão mortos
A arma ao olho meu
Todos têm um significado
E eu não sei o meu.
Sabes o teu? Sabeis?
Eu sou uma pérola
A minha vida é uma ostra
Quem dera fosse diamante
E a prova de balas
ser mais duro que o chumbo
e não chorar mais.
Eu estou descendo do ônibus
andando até a esquina
encontrando um amigo
meu melhor amigo dilui-se pelo ar como fuligem
apertando sua mão
dizendo alô até logo como vai que bom rever
Você___ cai ao meu lado
outros homens caem ao meu lado
banco lotado
o resto da minha vida vivida numa fila
Dobro aquela esquina última da minha vida
perdido
Deixai
Deixai-me aqui na esquina desta curva
esparramado neste momento
                  dêxtaseterno
tirai, tirai de minha direção
      atirai
Estou dissolvido em minha própria existência
quereria suprir minha própria vida
Todavia supero-me
quero viver
pois a vida, escondida nos detalhes,
ainda é deliciosa
             como uma caixa surpresa de chocolates
por mais amarga
            ainda é crocante
A vida me ama com um sadismo doce
ESTUPRAI-ME OH VIDA!
E arromba-me com tua energia libidinosa
tirai-me de tua essência
e aceitai-me como igual
Nós somos iguais
eu tal qual tu
não estou em lugar algum
a não ser em mim mesmo.
Só em mim me encontro
como uma lótus que se curva
como um girassol
                      à procura do relógio
5cm e eu não estaria aqui
             numa fila de banco
intangível às balas e às palavras
invulnerável aos sentimentos e aos desejos
meu amigo, meu amigo
dissolvido em seu próprio sangue esparramado como se fosse seu esperma
vida enche-me
       queu chupo e sorvo teu sêmen.
Entristeço-me  
       rasgo-me
meu emprego - soldado do sistema
numa fila frágil que se dispersa
uma sombra que mentope.
és tu vida?
Mas tua ausência é a essência de minha dor
como um cigarro, como um vício,
um trago de vinho tinto
se transforma transmutado em vinagre.
és tu vida!
Um prazer momentâneo me invade agora
não temo mais a arma ao meu olho,
não temo o precipício às minhas costas,
não temo perder-te oh vida,
pelo contrário, cada fração de tempo que os
ponteiros me dão,
sinto-te tão intensamente perdida em mim
e sei agora,
tu me foste amante o tempo inteiro.
e tivemos um filho
deste-me tudo o queu tinha
nosso filho chamo Prazer,
chamo Felicidade,
pois de ti aproveitei
o máximo docemente.
E agora, quando a bala
penetra meu olho,
atravessa meu crânio,
despedaça meu cérebro,
joga fora meus miolos,            
eu sinto que não é ela
mas tu quem me invade
quem me torna mais amplo
Não, não é suicídio o prazer na morte.
é prova de amor pela vida
amor, amorte
          amo-te vida.
Não, não te direi adeus,
direi: vem comigo perder-se,
direi: vem comigo dissolver-se,
pairemos no ar
como duas aves e nos beijemos
e nesse momento tornar-nos-emos completos
eu contigo, comigo tu,
e flutuaremos pelo espaço como se não houvesse tempo.
           




BOTAFOGO, UM TIME QUASE SEM SOLUÇÕES




Em baixo, de branco, time que iniciou a 1º etapa.

Em cima, listrado, time que inicou a 2º etapa.

A superioridade durante o segundo tempo mostrou que Elkeson não pode ser banco neste time, e que Felipe Menezes e Herrera
não tem condições de serem titulares do mesmo. O lance do gol do Renato foi idêntico a uma jogada na primeira etapa: Loco Abreu
ajeita primorosamente de cabeça para o homem livre: Renato, cheio de técnica e elegância, com simplicidade testa a bola mandando-a para baixo e para as redes; Herrera, trombador, dá um golpe de karatÊ, meio esquisito, e a bola vai fraca e a meia altura, facilitando a defesa do goleiro Avaiano!

A Presença de Léo liberou Renato para reger o time com mais qualidade, ajudando na marcação, mas não com grandes obrigações (esta é a segunda vez que o 8 Glorioso joga de 10 nesta temporada,e todas as vezes em altíssima qualidade). Da mesma forma, o time não foi pego de surpresa em mais um contra-golpe pelas costas do Cortês. 

o 3º gol avaiano só saiu porque o time ficou com menos 1.



com as suspensões de Lucas e Marcelo Mattos eu escalaria o time desta forma, como Alessandro joga praticamente como terceiro zagueiro, isso dá mais liberdade para Cortês apoiar, no entanto, esse apoio deve ser coberto constantemente por um volante fixo, no caso Léo:







Assim, de todas as formas, a melhor opção, hoje, para o Botafogo é dar liberdade total para Renato, colocando mais um volante defensivo ao lado de Marcelo Mattos, cobrindo, desta forma, a subida dos laterais. Essa foi a melhor forma que o time jogou até hoje, o primeiro tempo contra o Corínthians no Pacaembu.


Abraços.