quinta-feira, 19 de agosto de 2010

INTERNACIONAL, DONO DA RUBRAMÉRICA

Na raça, na vontade, na técnica, O Internacional de Porto alegre é campeão da América. Por um motivo ou outro, sinto o título da Libertadores mais importante do que o Mundial de clubes, o que não é, assim como me parece mais festejado o título da Liga dos Campeões. Assim, me seria injusto ver este maravilhoso time do Inter não ser campeão americano e sê-lo do mundial, como foi o alvinegro paulista. Talvbez seja assim, porque por muitas décadas, o título mundial era um jogo entre o campeão sulamericano contra o campeão europeu, lá no Japão - e todo mundo dizia, menos a FIFA, que o vitorioso era o melhor do mundo, e com toda a justiça, afinal, hoje, nos Emirados Árabes, não mais no Japão, em que o mundial tornou-se um torneio dos campeões das confederações, as finais são sempre entre o sulamericano e o europeu -.
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O que faltou a este Inter, na noite de ontem? Tranquilidade para cozinhar o jogo no primeiro tempo. Um time que se dá ao luxo de ter Sóbis no comando, D'Alessandro na direita, Taison na esquerda, e um trio de volantes como Guiñazu-Sandro-Tinga, e um lateral esquerdo - que há muito deveria estar na seleção brasileira - do naipe de Kléber, pode muito bem se dar ao luxo de tocar a bola de um lado para o outro sem ser incomodado. Não foi o que se viu, o que houve foi um primeiro tempo de chutões para o comando, o que facilitou o serviço do Chivas, tecnicamente inferior, aguerrido, brigador e faltoso - como mando o manual de final de libertadores da América!- E, para sorte do Inter, Fabian (8) fez um gol para o time de Guadalajara, no finalzinho do primeiro tempo, assim como assistiu ao gol de Bautista (7) na semana anterior, lá no México.
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Muita sorte do Inter, mas muita sorte mesmo! Porque agora precisava atacar, atacar e atacar, pois teria que refazer o empate, não há gol qualificado na finalíssima, caso contrário, o Inter, mesmo perdendo de 1, ainda assim seria campeão pois fizera 2 na casa do inimigo. Precisando atacar, o time ficou incrivelmente tranquilo e foi pra cima, do jeito que sabe, mostrando porque é um dos melhores times do Brasil e com talvez o melhor elenco. Até que Kléber - sempre ele, o melhor em campo - assistiu Sóbis, que com as travas da chuteira, antes da chegada do goleiro mexicano, empurra, levemente para dentro das redes. Poderia ter sido o gol do título, assim como em 2006, mas não foi. Sóbis voltou, seu primeiro gol foi numa final da Libertadores, deixando sua marca em duas finalíssimas.
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Não foi o gol do título porque Sóbis machucou o ombro no momento do gol. Na precisão de sair, entrou um menino que nem me lembro de ter sido relacionado anteriormente para qualquer partida da Libertadores: Damião. Em uma das sua primeiras jogadas, pega a bola no seu campo, arranca, ninguém chega nele, na linha da grande área chuta muito forte, em cima do goleiro, a bola bate no braço do arqueiro e sai quicando devagar para as redes. Este sim, o gol do título, o primeiro gol deste garoto na competição, salvo engano, os seus únicos momentos da Libertadores da América, e que momentos!!!!
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Daí, Tinga precisou sair porque tivera a cabeça aberta numa disputa de bola na área. Entrou o iluminado, o santificado, o escolhido pelo divino para este copa Libertadores, um rapaz que não só libertou o grito de "É CAMPEÃO" dos peitos colorados, como libertou o Inter de várias enrascadas - contra o São Paulo, em Porto Alegre, contra o chivas no México, contra o Estudiantes - fazendo gols decisivos. Por algum motivo de justiça comecei a torcer pelo gol deste rapaz, seria a sua coroação, e a coroação deste time: um garoto da base, que sai do banco e resolve com gols decisivos - mal comparando com as importâncias dos gols e dos títulos, como Caio no RJ-10! -. Seu nome: Giuliano, seu número: 11. Assim como o outro rapaz da base, Damião (22), uma de sua primeiras participações foi uma pintura, gol belíssimo: parou de frente a dois zagueiros (2,4), passou por eles, e antes da chegada do volante (5) e do goleiro, dá um totozinho e encobre os dois na sua cavadinha, quase como um Loco Abreu no pênalti!!! Merecidamente correu para a sua torcida, para que pudesse gritar-lhe o nome e ser imortalizado por ela, ele, ali, mais Inter do que todos, mas tão Inter quanto todos os inters naquele maravilhoso Centenário lotado, lotado-lotado!
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Pouco importa, se no fim do jogo, Bautista acerta um pertado no travessão numa cobrança de falta, e Reynoso completa para as redes, teria o gol do Damião para compensar, teria o gol de Giuliano para abrir vantagem.
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O Inter foi campeão porque não se contentou com a regra, ser campeão com ela sobre os braços, sendo ele mesmo, o Inter, o mais beneficiado com o gol qualificado. Foi campeão, porque, quando Sóbis garantiu o título foi para cima para garanti-lo mais ainda, e fez margem e pôde descansar com a torcida. Saldo final: Inter 5 x Chivas 3. Além de 5 gols de jogadas aéreas: todos os 3 do primeiro jogo, e os dois primeiro deste, mostrando a importância deste fundamento em jogos decisivos, e, em principalmente, ter homens cruzadores de bola como Kléber em campo.
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Parabéns, Sport Club Internacional de Porto Alegre, a América é sua.
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TÁTICA: no primeiro tempo o Chivas veio no 4-2-3-1, usando o bom atacante Bofo Bautista de enganche; já o Inter veio de 4-3-2-1, com Tinga livre para chegar bem na frente, o 16 colorado virava, no segundo tempo, praticamente um homem de área, ao lado de Sóbis.
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No segundo tempo, com a vantagem do placar, o técnico mexicano cometeu o mesmíssimo erro de Guadalajara, segurou o lateral direito, liberou o esquerdo, colocou o atacante mais de área na ala direita, e montou o time no 3-4-1-2. O Inter só fez mudanças pontuais, por contusões, acabou permanecendo no 4-2-3-1, com Giuliano - mais iluminado do que nunca - no lugar de Tinga; porém as mudanças pontuais deram muito certo, foram os garotos da base que entraram e mataram o jogo!
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ANIMAÇÃO: GOL DE GIULIANO


. IMAGENS E ANIMAÇÕES: TATICAL PAD