sábado, 14 de agosto de 2010

SEGUNDA VITÓRIA GLORIOSA SEGUIDA

O jogo deste sábado, contra o Dragão de Goiás, mostrou novamente a força ofensiva do BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS, que completou, nesta quinta-feira, 12 de Agosto, 106 anos de futebol arte. A veia ofensiva do BFR está em seu DNA, é dele a maior goleada do futebol brasileiro, e por muitos anos a maior do futebol mundial, 24 X 0 contra o Mangueira, que depois foi só fazer samba - ainda bem -, e recebeu a alcunha de O GLORIOSO pelas goleadas seguidas no campeonato vitorioso de 1910, imortalizado no hino - lembrando que o primeiro título do futebol do Botafogo foi em 1907 -. Esta apoteose ofensiva é tamanha que é praticamente impossível montar um time dos sonhos do BOTAFOGO: quem botar na linha frente? Garrincha é a única unanimidade - porque ele é unanimidade no futebol mundial -, e discordando do grande Nelson Rodrigues: esta inteligentíssima! Quem botar ao lado do ANJO? Só na ponta-direita teríamos que escolher entre Heleno de Freitas, o Divino; e Jair, o Furacão; no comando do ataque Amarildo, o Possesso; Quarentinha; Túlio, o Maravilha? Alguém teria que sobrar, se no ainda útil 4-3-3, no 4-2-4 da década de 60, no 2-3-5 das décadas iniciáticas do futebol até os meios de 50! É muita gente boa lá na frente, muita gente boa para encantar, golear, destruir adversários!!!!


Por isso não espanta o Botafogo-10 ter o melhor ataque do BR-10! Não espanta porque é obrigação da Estrela Solitária perseguir o gol a todo custo! E nesta noite não foi diferente. O futebol não foi o mesmo apresnetado em casa contra o galo mineiro, o que eu chamei, sem medo de errar e do exagero, dO MELHOR FUTEBOL DO CAMPEONATO BRASILEIRO!!!! Desta vez o ataque continuou infernal, meteu "apenas" 2, e se deu ao luxo de perder tentos que foi uma barbaridade, exatos 4 gols feitos!


Mas desta vez o time deixou a desejar. Pela segunda vez seguida, e apenas a terceira em 14 jogos, a retaguarda saíu ilesa, o que dei méritos para o sistema defensivo no jogo passado, hoje dou mais desméritos ao adversário. Pelo menos 1 vez o time rubronegro goiano fez a mesmíssima jogada pela esquerda que resoltou no gol do rubronegro carioca, neste ano, e que, no jogo seguinte, contra o alviverde de Campinas se repetiu. Desta vez, não saiu o gol, desmérito deles, e mérito para a calma de JEFFERSON para buscar a bola viva na pequena área. O goleiro selecionável foi tranquilo, não foi ameaçado, e qualquer lance de perigo era prontamente morto por ele, seja socando pelo alto, seja encaixando, seja nunca dando rebote, seja impedindo um cruzamento rasteiro no chão, mortal de qualquer forma, e que normalmente os goleiros esperam no gol, para evitar o que ocorreu com Barbosa x Ghiggia no Maracanazzo de 1950!


O ataque poderia ter sido melhor se os alas tivessem apoiado mais efetivamente. René Simões, um dos melhores técnicos do Brasil, embora pouco prestigiado, ao meu ver, que entende muito de tática e, principalmente, de motivação d atletas; tentou matar o time do BOTAFOGO naquilo que tem de melhor. Tão inteligente fora o René que botou 1 homem em Maicosuel (7), outro em Jobson (9), e outro no Somália (10). Normalmente não se bota marcação individual em um volante, mas René percebeu, no seu dever de casa, que a saída de bola se dá, prioritariamente, com Somália pela esquerda, que corre muito, com suas pernas compridíssimas. O time alvinegro ficou sem saída pelo meio de campo, e faltou justamente os alas saírem para o jogo, afinal, o time joga com 3 zagueiros para que os laterais subam sempre e sempre! Não subiram, e se não fosse o Jobson, sempre enfiado pela extrema direita, o time praticamente não chegaria ao ataque. E por falar em marcação individual, Joel errou, não pôs Marcelo Matos (8) ou Leandro Guerreiro (5) em cima de Carlinhos Bala, que ponteiro por natureza, fazia o homem do meio da trinca do 4-2-3-1, montado por René, e meio torto, já que muita gente marcava individualmente, mas que falhou principalmente na troca de passes - é a falta de qualidade técnica pesando nas costas táticas de René!!!!! -; o baixinho, embora fora de forma, e apagado completamente na segunda etapa, armou umas bolas que passaram pela linha de 3 zagueiros do BFR, faltando - justamente - qualidade técnica para os 3 atacantes do seu time matarem o jogo.


Mas como marcar o Mago e o Possesso? como parar Somália e suas pernas longas, como borracha, como molas? Este moleque outro do Botafogo - o time está cheio deles, que parece correr em câmera lenta, meio desengonçado, mas velocíssimo, parece que corre saltando, com suas pernas longas, cobrindo mais campo em 1 passo, ou antes um salto, do que muitos com dez e se esforçando, por isso parece se multiplicar em campo, parece ter mais fôlego que os demais: o campo é pequeno para as suas pernas longas, na sua corrida de antílope africano! Era a grande pergunta, a grã-dúvida, existencial de René - e que por conseguinte passa a ser a de todos os treinadores que enfrente este brilhante BOTAFOGO de Joel Santana, que varia constantemente de 3-4-2-1 para 4-3-2-1, e sempre termina em campo numa espécie de 4-2-1-2-1 - Simões: como parar Maicosuel, Jobson e Somália? Os dois primeiros não têm medo de encarar três adversários, de ir pra cima, de driblar, de driblar, de driblar - desconcertantes -, de passarem a bola - precisos como relógios -, de rodarem, de correrem o campo, de cair pelas extremas, de buscar e roubar bolas, de partir em velocidade - que zagueiro, que volante acompanham o Mago e o Possesso na corrida, quais, qual? -! E Somália, então, que vem lá atrás, que é o primeiro a chegar, tanto na defesa quanto no ataque; como marcar o garoto que rouba a bola atrás e a vem carregando; e que sempre parece estar lá para o rebote - tanto na frente quanto atrás -; que parece se multiplar, que parece transladar-se, como um fantasma pretinho! O 10 de sorriso brilhante, largo, feliz - com mil motivos para sê-lo -, fez seu segundo gol seguido, esticando uma bola praticamente perdida, metendo-a no cantinho direito do goleiro, uma bola que parecia andar com a mesma lentidão e cobrindo as mesmas largas distâncias quanto o seu dono; este memso 10 - ainda me dói as vistas vê-lo com a 10, ao invés de deixar esta camisa com o Lúcio Flávio mesmo, ou com o Jobson, que é quem mais a merece no momento - correu tanto que teve cãibras - e entrou Fahel, quanta diferença!


O melhor em campo, foi sem dúvida o Jobson*, fez um golaço, além de ter dado dois cruzamentos dignos dos melhores pontas-direitas de todos os tempos, dignos de estarem felicitando o imortal ANJO DE PERNAS TORTAS. No primeiro tempo, imitando Garrincha, entortou um zagueiro e cruzou na medida para Herrera, livre de marcação, de frente para o gol, cabecear para longe - primeiro dos gols feitos perdidos por ele. Alguém duvida que o Loco Abreu, especialista em cabeçadas, marcaria este gol? Poderia até perdê-lo, mas com Herrera, o quasi-gol, está virando crônico; o argentino, pode até ser o artilheiro do time - é o atacante titular e que mais jogou - mas a maioria dos gols foram de pênaltis. No segundo tempo, num ótimo cruzamento pela direita, Herrera faz o mais difícil, a jogada típica do matador, saíu de trás de dois zagueiros e, de carrinho, finaliza para o gol, com o goleiro batido no lance, resultado: quase gol? Eu vi o Loco Abreu fazer um gol destes, este ano, até mais difícil, pois foi antes do primeiro pau, e o Herrera pegou de frente ao gol, no seu segundo Hat-Trick no BOTAFOGO, este com os pés, apenas. Depois, em ótima saída de bola de Fábio Ferreira, que foi bem, apesar de alguns deslises menores, correu, no contra-ataque, parou, girou, e meteu a bola entre três defensores, para ter certeza que o Jobson, novamente na extrema direita, não ficasse em impedimento. O capeta, o possesso, o furacão, pegou a bola na lateral, correu como um louco, e meteu, outro cruzamento perfeito na medida, de manual de ponta-de-lança, para a alegria geral de São Garrincha, e para o desespero de São Heleno e São Quarentinha, Edno (11), sozinho, desacompanhado, sem ninguém, isoladamente, com todo o tempo e espaço do mundo, na marca da cal do pênalti, chuta no meio, de primeira, para a defesa, agradecida, do bom goleiro do Dragão. Goleiro que logo, porém, teria que encarar o Jobgol frente-a-frente, mano-a-mano, cara-a-cara: num contra-ataque, também de manual, o Mago faz de suas magias, e no limite do impedimento, lança a bola para o Jobson, passe perfeito, milimétrico, exato, para este endiabrado que sabe correr em vertical e em diagonal para escapar dos impedimentos e dos zagueiros, o garoto vai em direção ao gol, ignora solenemente Edno que entrava sozinho e gritava na centro-esquerda - quase que como dissesse: "já te dei um, tá na hora de mostrar como se faz gol!" -, samba, balança, sem tocar na bola, o goleiro treme, Jobson* dá um toquinho pra frente e frente e empurra para as redes, com o goleiro no chão, a la Romário-93 nas eliminatórias para a COPA FIFA USA-94, contra o Uruguai. É bem verdade que perdeu um gol de cabeça incrível - 4º gol desperdiçado pelo BFR, que contra alguns times farão e já fizeram falta -, um gol que outro atacante do time, especialista de área não perderia jamais; mas ele tem crédito, e muito, na verdade, para mim, ele poderia perder um gol deste por jogo, desde que acerte dois cruzamentos daqueles que fez hoje, e se ainda marcar gol, pode até perder mais outro!


Tirante a assistência de peito de Herrera para o gol de Somália, em outra bola cruzada pela direita, o argentino foi muito mal, tanto que fora substituído logo após dar uma assistência, o que normalmente dá sobrevida a alguns jogadores em campo. O 17 matou contra-ataques, não completou ataques. Vinha mal há alguns jogos, enquanto Edno - sempre criticado por mim - vem subindo, constantemente, de produção. Taticamente, acredito que Joel ainda prefira o 17 ao 11 para ter mais presença de área, embora não esteja funcionando tão bem, porque Herrera está mais fora do que dentro dela, mas tecnicamente, Edno esteja bem melhor, em forma, com ritmo. Acreditei que com o gol - de pênalti mal cobrado novamente - ele voltaria a subir de produção, não voltou. Ainda corre muito, ainda briga muito, ainda perde muito a bola, na verdade creio que ainda é titular pelo que fez no CARIOCA-10, que mesmo sendo o cobrador oficial de pênaltis do time - fez 5 gols de penalidade máximas, Abreu só 2 - e jogando mais vezes, foi o vice artilheiro do GLORIOSO na competição. Edno está em melhor condição técnica, mas também perde gols que é brincadeira, deve ganhar a titularidade em cima do argentino, embora pareça a sobra - enorme - do uruguaio sobre os dois, a aura de goleador de Loco Abreu deve pesar muito para que volte ao time depressa.


ADENDO: provavelmente é o único jogador que foi à copa e não voltou ao campo. Joel diz que não está em perfeita forma, igual a quando saíu, mas está em forma suficiente para ser titular da Celeste Olímpica? Acho que aí tem gato! Melhor dizendo, é a desculpa de Joel para matê-lo fora do time e não ter a "dor de cabeça" de ter que tirar Herrera do time, ou mudar o esquema tático para o 4-2-3-1, tirando um dos defensores (preferencialmente Alessandro) para ter a dupla sulamericana na frente novamente. O certo é que, não importa o esquema tático, tem que ter os 4 "pretinhos" do time: JEFFERSON-SOMÁLIA-MAICOSUEL-JOBSON, o resto só completa o prato, é como se diz: monta-se um time ao redor de alguns jogadores.

TÁTICA: Joel fez uma mudança significativa entre o time que venceu o galo mineiro semana passada e o que bateu o dragão goiano hoje: inverteu a posição de Jobson e de Maicosuel. Parece pouco, mas não é. No jogo passado foi visível o crescimento defensivo de Alessandro, jogando com o Caio (18) de ponta-direita à sua frente, correndo a ala inteira. Quando entrou em campo hoje, o menino fez o mesmo taticamente, jogando Jobson para o meio, deslocando Edno para a ponta-esquerda. O que isso acarreta: notemos que TODOS os lances descritos de perigo do BOTAFOGO foram pela direita, onde jogava Jobson*. O Mago, caindo pela esquerda, mas afunilando, afinal era o armador do time, não dava a mesma força na extrema esquerda, e Marcelo Cordeiro estava muito mal hoje, não apoiou direito. Se o Mago armou, criou, correu, driblou, lançou, e se Jobson* correu, driblou, cruzou perfeitamente, o time perdeu justamente o "facão" de Jobson, que caindo pela esquerda, trazendo para o meio, a la Robben, a la Messi - se bem que o 9 GLORIOSO é bem melhor que o 11 holandês -, chutando na marca do semi-círculo da grande área, é sempre um perigo ao gol. Mas que não fez tanta falta assim, porque a dupla 7-9 deu certo de novo. Com as mudanças do 2] tempo, o Botafogo perde a linha de três zagueiros e defende em duas linhas de 4, praticamente um 4-2-2-2, mas que não é um 4-4-2, mas um 4-2-4, como nos anos 60, porém com a volta dos pontas, que jogam quase de alas.


1º ARMAÇÃO DO TIME, ENTRADA DE TODOS OS JOGOS

3-4-2-1: JEFFERSON (1); ANTÔNIO CARLOS (3), FÁBIO FERREIRA (4), LEANDRO GUERREIRO (5); ALESSANDRO (2), MARCELO MATOS (8), SOMÁLIA (10), MARCELO CORDEIRO (6); MAICOSUEL (7), JOBSON (9); HERRERA (17)

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--3----------4------
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2-----8------------6
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-9------17----------





2º ARMAÇÃO, TIME QUE TERMINA O JOGO


4-2-1-3: JEFFERSON (1); ANTÔNIO CARLOS (3), FÁBIO FERREIRA (4), LEANDRO GUERREIRO (5); ALESSANDRO (2), FAHEL (14), MARCELO CORDEIRO (6); CAIO (18), MAICOSUEL (7), JOBSON (9), EDNO (11)

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2------------------6
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18--------9-------11