segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
ESTE POEMA
PÁRIA
sábado, 21 de dezembro de 2013
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
DIÁLOGOS DE DIOTIMA
1.
- O Amor
Estágio mais elevado da carne
No qual todas as sensações
Procuram
Outra carne
Para em carne
Refazer a carne
Gera vida
Nega a morte
- O Amor
Estágio mais elevado da alma
No qual todos os pensamentos
Descobrem-se
Constroem a alma dentro da alma
Para que ela faça sentido de ser
- O Amor
Que em amor se encontra
Quer amor em troca
Tocar sua correspondência
Para descobrir-se inteiro
- O Amor
Que em amor em si basta
Eleva
Enleva
Sublima
Faz do ser algo verdadeiro
2.
- A minha alma a tua alma admira
Surpreendida
Por sua força
Sua leveza.
- A minha alma a tua alma abomina
Arrependida
Por minha falha
Sua mentira.
3.
- O meu corpo
Ao teu corpo
Deseja
Tanto e tão fortemente
Que teu cheiro me penetra
E vira meu.
- O teu corpo
Ao meu corpo
Fastia
De tão embriagado
O gosto já não engulo.
4.
Amor:
*Regeneração da carne *Combustível da alma
*Fábrica de vida
de cura
de prazer
*Solução do enigma
da consciência
da plenitude.
5.
Amor sem culpa
sem coita
sem coito
sem gozo?
A mesmice prosaica do dia a dia forrada de enfado
de fado
de arroto
de ojeriza
como aquele olhar não-cruzado do adeus mal dado
desperdiçado
na saliva gasta
no abraço falso apertado
mas que não aceitou o valor inteiro cobrado
pelo Amor ganhado:
todo prazer tem preço proporcional ao pesar proporcionando.
6.
Te prometi amor eterno
Não ser fiel e constante
Se não te menti
não te traí.
Minha carne é livre
Na prisão do prazer.
Minhalmacorrentada
Voa em volta do teu ser.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
FERA EM MIM
Há fera em mim
Que grita
Debate-se
Ruge encarceirada
"O mal
O mal
O mau"
Cá dentro
Eu
Sádico
Dou-lhe nacos de carne
Minha
Minha
Nossa
A fera em mim
Brilha
Olhos escuros
CRÔNICA DE VÉSPERA DE ANIVERSÁRIO
Hoje.
21:45.
Última aula da noite e do dia.
Olho pela janela enquanto espero os alunos terminarem os exercícios que passei.
João Pessoa brilhante, iluminada por mil fogos.
Um desejo súbito me ataca: Não queria voltar pra casa!
Pegar o carro e sair por aí, a noite iluminada chamava um bicho em mim.
Voltar aos meus 16 quanto a noite só começava às 23:50!!
Fim de trabalho,
pego meu automóvel,
volto pra casa (...),
e me tranco pelas grades de minhas janelas.
Envelhecer é uma tortura.
12/09/2011
POEMA DE ANIVERSÁRIO
Vede como os dias são bons!
É um prazer simples viver.
Sofre quem espera mais da vida
do que o próprio gozo do viver.
15/09/2011
DAS PRINCESAS DOS CONTOS
ESTE TEXTO É UMA EDIÇÃO DE OUTRO TEXTO QUE ESCREVI EM 10/08/2012, EM RESPOSTA A ALTA QUANTIDADE DE ASNEIRAS QUE FOI COMENTADO NO PROGRAMA GLOBAL "Na Moral", SOBRE AS PRINCESAS DE CONTOS DE FADAS (OU MARAVILHOSOS). EXCLUI AS REFERÊNCIAS ÁSPERAS SOBRE O PROGRAMA E ACRESCENTEI ELEMENTOS PARA AUMENTAR A COERÊNCIA DO TEXTO QUE ORA AQUI PUBLICO:
A princesa do conto de fadas (ou conto maravilhoso) não é uma donzelinha frágil que precise de ajuda, nem o príncipe um cara que só chega quando não se precisa mais dele. Pelo contrário, são arquétipos que precisam ser absorvidos como são, não como figuras com personalidade individual bem definida. As suas radicalidades humanas está em parecer com todos, não em sua extrema alteridade.
Apregoar valores modernos aos contos maravilhosos é desvirtuá-los. A leitura deveria ser a oposta: quais valores lá ainda são nossos contemporâneos (quase todos)? A princesa, na verdade, simboliza o rito de iniciação da mulher, isto é, ela menstrua e está pronta para o ato sexual. A busca que ela enfrenta são, neste sentido, os desafios necessários para amadurecer: ela não é mais criança, e está se tornando mulher. E como membro de uma determinada classe social deve constituir família.
Por outro lado a princesa está quase sempre ou em apuros ou em fuga, o que simboliza o seu desejo por encontrar o Amor - O Encantado -. Essa busca, inerente a todos nós, é o que torna o conto universal. Por isso todo conto maravilhoso acaba com um casamento e um FORAM FELIZES PARA SEMPRE.
Alguns, que provavelmente nunca amaram de verdade, querem fazer crer que isto está desvirtuado no tempo e não faz mais sentido hoje em dia. Ora, O casamento não é Um casamento. Assim como no mundo real, o casamento é (ou deveria ser) o AUGE da vida do indivíduo, isto é, em tese o indivíduo não poderia ser mais feliz outro dia da sua vida do que no dia do seu casamento.
Explica-se: o casamento é o ÚNICO momento da vida no qual os mais íntimos desejos subjetivos (aqui representado na figura máxima do Amor Verdadeiro), aquilo que o INDIVÍDUO quer para si, estão completamente sincronizados com aquilo que a SOCIEDADE exige do seu lugar social, aqui na forma de um contrato social, que é o casamento, feito perante uma determinada comunidade que lhe servirá tanto de TESTEMUNHA (do contrato) quanto de AUDIÊNCIA (da felicidade).
Lembrando que no Novo Testamento o casamento é uma das poucas festas que Cristo toma parte (a outra é a Páscoa). Isto é, o rito social na forma do casamento, é a sacralização do desejo individual de amar.
Por outro lado, durante todo o resto de sua vida, inclusive durante o próprio casamento, as necessidades, desejos e anseios do indivíduo estão em eterno conflito com as necessidades, desejos e anseios da sociedade. O indivíduo busca sempre a realização pessoal, a sociedade, coercitiva, quer que aja de acordo com um conjunto de regras pré-determinadas (daí a princesa que foge, ou a princesa que está trancafiada).
FELIZES PARA SEMPRE: não quer dizer que todos os leitores serão (infelizmente) felizes no casamento, muito menos que aquela princesa da estória que acaba com esta célebre frase também será. Ela quer dizer que a partir daquele momento a moça - que deixou de ser menina e agora é mulher - está APTA a gozar de toda a felicidade que possa ter, inclusive a sexual.
Devemos lembrar, por fim, que na época que essas estórias começaram a ser contadas, a infância, que é um conceito do Romantismo, nem existia, o conceito de adolescência é ainda mais jovem. Portanto, a menstruação e o nascimento dos pelos pubianos marcava, visivelmente, esta passagem.
Por estes elementos comentados, obrigar que um conto maravilhoso contenha valores modernos é UM SACRILÉGIO, negar-lhe a verdade inerente e imanente é UMA HERESIA.
DE REPENTE FOI O BEIJO
De repente foi o beijo
como de um estalo
Mas não foi a sedução
Trovão
Mas inteira estação
Longas foram as conversas
Os sorrisos
Olhares
O tocar
Da pele
O reconhecimento preciso e delicado das mãos
Mas o beijo surgiu assim
Eu não esperava
Esperavas não
Desejávamos
Olhamo-nos sorrimo-nos cheiramo-nos
os nossos hálitos
E este beijo desmanchou-se em nós
E é como agora que viver tornou-se amargura
?
Por um relance tão rápido
Pelo surgido no de repente
E visualizado por eras
Um beijo que nos veio
E roubou-nos
O resto de tempo de nossas vidas.
SONETO DO GUERREIRO DA FÉ
Tenho o corpo fechado e a mente aberta
Eu guerreio os meus dias minhas lutas
E vejo o abismo, sempre sempre alerta.
Sobrevêm tempestades brutas brutas
Gritam os inimigos loucos roucos
Enxergando através de escuras grutas
Vou. Conheço o saber podre dos poucos
Que distribuem só meias verdades:
Discursos mentirosos, falsos, moucos.
Vêm os malignos, vêm enfermidades,
Eu mantenho a Fé, sigo a minha mente:
Pois não me calo nas adversidades.
Mordo porque Pilatos inocente
Não fica, quem se cala também mente.
EM TEU LOUVOR
Em louvor ao teu corpo
Perfeito
Elevo o meu canto
Rarefeito
Para que tua pele estremeça toda
Aceito
O teu gozo mais azedo, mais
Satisfeito.
TUAS NÁDEGAS
Tuas nádegas enormes
Como as ondas
Que devoram a minha terra
Eterno
Movimento
Ameaça
Interna
As curvas de tuas nádegas
Curvando-se sobre si
Uma vez e mais outra
Ressaca
Sugando-me
Tsunami
Em mim.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
ALMANHECER
Olha as ruas sujas e podres
Fedendo a urina
Sovaco
E maconha
Olha as putas velhas
Com suas tetas flácidas
Pelancas gordas
Cabelos crespos
Almas cândidas
Como cândidos são os punidos por Deus
Os amados de Deus
E mesmo assim teu verso é limpo
A sua música é indefectível
E seu mundo defecável
Pois que venha o cinza da aurora
Ela encontrar-te-á puro
Já que puseste toda a imundície no verso pleno
Tu amas e louvas teu mundo
Tuas esquinas
Tuas pessoas
Porque teu verso é limpo e teu mundo sujo
Como um sustém o outro?
Não se igualam em forma.
Não se imitam em voz.
Queres criar o teu com os ecos
Os ruídos
Do que sobra deste
O que sobra deste?
Pois teu verso é som
E o significado pertence as corruptos.
Como um sustém o outro?
Sustêm-se pois amam-se
Teu verso vê através do mundo
Mostrando a música na mazela humana
Achando o cheiro de gente nas sujas calçadas
Desvendando as almas descobertas
Dos seres que navegam neste mundo
Cheios de lírios e céus
Cheios de dores e tráfego
Lotados de caminhos sem bússolas
E cantas como uma ave
Que louva o amanhecer
Amanhecer mais cinza que uma alma
terça-feira, 12 de março de 2013
HAIKAIS
Cá, de minha casa,
Ouço o gavião piar:
I.
XVII.
Sou monista estrito:
Só há alma e nada mais, Nada!
Provem-me o contrário.
Malaventurados
Os mansos de coração
Deles não é o Mundo.
Pichações para palavras
Pedras por papel.